O Que Não Está Dito

António Ramos Rosa
António Ramos Rosa
1 min min de leitura 1987 No calcanhar do vento
De palavras que resvalam como pedras num declive
ou de palavras que se desprendem de uma maranha verde
ou de palavras que são como um corpo adormecido,
de todas as palavras me socorro e de todas me liberto
mesmo se são monstros de água ou plumas ou relâmpagos.
Esta rede tem um rosto e é um discurso do vento.
O sol entrou no subterrâneo que ficou cheio de asas verdes.
O que não está dito resplandece numa alcova diminuta.
O dia desprende-se do teu corpo e os sinais negros dissipam-se.
Esta é a voz que ilumina a garganta e as lâmpadas de argila.
Há um aroma a estrelas nas palavras e sombra e sombra.
Sobre o ombro azul da torrente eleva-se um deus branco.
Entre as luas e os barcos estão os frutos lúcidos.
Ouve-se respirar o silêncio das cisternas.
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