Sierguéi Iessiênin

Sierguéi Iessiênin

1895–1925 · viveu 30 anos RU RU

Serguei Iessiênin foi um proeminente poeta russo, frequentemente associado ao imagismo. A sua obra é marcada por uma profunda ligação com a paisagem rural russa, o amor pela natureza e um lirismo confessional que explora temas como o amor, a melancolia, a juventude e a Rússia. Embora a sua vida tenha sido breve e tumultuosa, Iessiênin deixou um legado poético significativo, tornando-se uma das vozes mais queridas e reconhecidas da poesia russa do século XX. A sua capacidade de expressar emoções universais através de imagens vívidas e linguagem acessível continua a ressoar com leitores em todo o mundo.

n. 1895, Konstantinovo, Província de Ryazan · m. 1925, Leningrado

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Até logo, até logo, companheiro,

Até logo, até logo, companheiro,
guardo-te no meu peito e te asseguro:
o nosso afastamento passageiro
é sinal de um encontro no futuro.

Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.

(traduções de Augusto de Campos)
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Biografia

Identificação e contexto básico

Sierguéi Aleksandrovitch Iessiênin (em russo: Серге́й Алекса́ндрович Есе́нин) foi um dos mais importantes e amados poetas russos do século XX. Nascido em 1895 e falecido em 1925, Iessiênin tornou-se uma figura central no movimento imagista russo, embora a sua obra transcenda rótulos de movimentos literários.

Infância e formação

Iessiênin nasceu numa família camponesa na aldeia de Konstantinovo, no governatorato de Riazan. A sua infância e juventude foram passadas no campo, em contacto íntimo com a natureza, os costumes populares e as canções folclóricas russas, elementos que marcariam profundamente a sua poesia. Recebeu uma educação rudimentar, mas demonstrou desde cedo um talento precoce para a escrita.

Percurso literário

Começou a escrever poesia na adolescência, mudando-se para Moscovo em 1912 e, posteriormente, para Petrogrado (atual São Petersburgo) em 1915, onde rapidamente ganhou reconhecimento. Conheceu figuras literárias importantes como Aleksandr Blok e Serguei Gorodetski, que o introduziram nos círculos literários da capital. Tornou-se um dos fundadores do imagismo russo, movimento que defendia a primazia da imagem na poesia.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Iessiênin é caracterizada por um lirismo intenso e confessional, com forte ligação à terra, à natureza e ao folclore russo. Os temas recorrentes incluem o amor (muitas vezes melancólico e idealizado), a morte, a juventude perdida, a revolução e a Rússia profunda. A sua linguagem é muitas vezes simples, mas repleta de imagens vívidas e originais, com grande musicalidade. Utilizou uma variedade de formas poéticas, incluindo o verso livre e formas mais tradicionais, adaptando-as à sua expressão pessoal. O tom varia entre a euforia e a profunda melancolia, passando pela irreverência e pela elegia. Iessiênin é frequentemente associado ao "imagismo" pelo uso proeminente de imagens, mas a sua poesia vai além, carregada de emoção e de uma identidade russa intrínseca.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Iessiênin viveu durante um período de intensa turbulência na Rússia, incluindo a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa de 1917 e os primeiros anos do regime soviético. A sua obra reflete as mudanças sociais e políticas do seu tempo, embora muitas vezes o seu foco permaneça na dimensão pessoal e na paisagem rural, que via em transformação ou em declínio.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Iessiênin foi marcada por um temperamento boémio, relacionamentos amorosos intensos e turbulentos, incluindo casamentos com figuras notáveis como a bailarina Isadora Duncan, e um conflito crescente com o seu próprio mal-estar interior. A sua luta contra o alcoolismo e a melancolia permeou muitos dos seus versos.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Iessiênin alcançou grande popularidade em vida, sendo considerado um dos poetas mais importantes da sua geração. A sua obra continuou a ser amplamente lida e admirada após a sua morte, consolidando o seu lugar como um clássico da literatura russa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Iessiênin foi influenciado pela poesia popular russa, pelos simbolistas russos e pelo folclore. Por sua vez, o seu legado é imenso, inspirando inúmeros poetas russos e de outras nacionalidades com o seu lirismo, a sua ligação à terra e a sua voz autêntica. A sua poesia é um pilar da cultura russa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Iessiênin tem sido objeto de vasta análise crítica, com debates sobre a sua relação com o regime soviético, a sua interpretação do nacionalismo russo e a universalidade das suas temáticas existenciais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Iessiênin era conhecido pelo seu carisma e pela sua aparência de "menino bonito", que contrastava com a intensidade das suas emoções. As suas viagens internacionais, nomeadamente aos Estados Unidos e à Europa Ocidental com Isadora Duncan, ofereceram-lhe uma perspetiva sobre o mundo exterior, que por vezes se refletiu em reflexões sobre a modernidade.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Iessiênin faleceu em circunstâncias trágicas, em Leningrado, em dezembro de 1925. A causa oficial foi suicídio, deixando um poema final escrito a sangue na parede do quarto de hotel. A sua memória é celebrada através de museus, monumentos e da contínua publicação e estudo da sua obra, sendo um dos poetas mais estudados e reverenciados na Rússia.

Poemas

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Até logo, até logo, companheiro,

Até logo, até logo, companheiro,
guardo-te no meu peito e te asseguro:
o nosso afastamento passageiro
é sinal de um encontro no futuro.

Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.

(traduções de Augusto de Campos)
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Pobre escrevinhador, é tua

Pobre escrevinhador, é tua
A sina de cantar a lua?
Há muito o meu olhar definho
No amor, nas cartas e no vinho.
Ah, a lua entra pelas grades,
A luz tão forte corta os olhos.
Eu joguei na dama de espadas
E só me veio o ás de ouros.
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