Lista de Poemas
Ah, poder ser tu, sendo eu!
de costas resguardadas pela minha esperança
Não sei quem é. Leva consigo
além do sob o braço o jornal
a sedução de ser seja quem for
aquele que não sou
E vai não sei onde
visitar não sei quem
Sinto saudades de alguém
lido ou sonhado por mim
em sítios onde não estive
Há uma parte de mim que me abandona
e me edifica nesse vulto que
cheio de ser visto por mim
é o maior acontecimento
da tarde de domingo
Ei-lo que avança e desaparece
E estou de novo comigo
sobre o asfalto onde quero estar
Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 51 | Editorial Presença Lda., 1984
Árvore rumorosa
sinal de intimidade decrescente
que a primavera veste pontualmente
e os olhos do poema de repente deslumbra
Receptáculo anónimo do espanto
capaz de encher aquele que direito à morte passa
e no ar da manhã inconsequente traça
e rasto desprendido do seu canto
Não há inverno rigoroso que te impeça
de rematar esse trabalho que começa
na primeira folha que nos braços te desponta
Explodiste de vida e és serenidade
e imprimes no coração mais fundo da cidade
a marca do princípio a que tudo remonta
Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 171 | Editorial Presença Lda., 1984
Planta alta e trigueira
_ Dás-me dez anos da tua vida?
Eu só tinha cinco anos, pus-me a contar pelos dedos, vi que ia ficar com muito pouco.
_ Dou_ disse eu.
E ainda hoje, que nunca mais soube de mim, vou com o vento, balouçando. E agosto é todo o ano para mim.
Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 180 | Editorial Presença Lda., 1984
Esta rua é alegre
mas a rua de são bento em vila do conde
vista por mim certa manhã após a chuva
e o nevoeiro a dissipar-se já junto de santa clara
E no entanto não é a rua de são bento que é alegre
Alegre sou eu. E nem mesmo é que eu seja alegre
Acontece simplesmente que me sirvo destas palavras
numa manhã de chuva para falar falar por falar
e não falar de mim ou de uma certa rua
Não costumo por norma dizer o que sinto
mas aproveitar o que sinto para dizer alguma coisa
Isto, porém, são coisas que há já algum tempo se sabem
e talvez venham aqui para salvar este momento
para salvar romanticamente este momento
ou então para ilustrar um pouco desta vida que se perde
e não só ao viver-se mas ao pensar-se sobre ela
ao atraiçoá-la tantas vezes como condição indispensável do poema
Mas que dizia eu? Dizia apenas "esta rua é alegre"
O mais é só comigo e com a subjectiva forma como passo a minha vida
Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, págs. 160 e 161 | Editorial Presença Lda., 1984
Tu estás aqui
escrevo e oiço certos ruídos domésticos
e a luz chega-me humildemente pela janela
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem
o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou
outra coisa
esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço
bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome
que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das
outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como
a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
ela morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei - ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
A flor da solidão
cruzámo-nos nas ruas sob as árvores
fizemos porventura algum ruído
traçámos pelo ar tímidos gestos
e no entanto por que palavras dizer
que nosso era um coração solitário silencioso
silencioso profundamente silencioso
e afinal o nosso olhar olhava
como os olhos que olham nas florestas
No centro da cidade tumultuosa
no ângulo visível das múltiplas arestas
a flor da solidão crescia dia a dia mais viçosa
Nós tínhamos um nome para isto
mas o tempo dos homens impiedoso
matou-nos quem morria até aqui
E neste coração ambicioso
sozinho como um homem morre cristo
Que nome dar agora ao vazio
que mana irresistível como um rio?
Ele nasce engrossa e vai desaguar
e entre tantos gestos é um mar
Vivemos convivemos resistimos
sem bem saber que em tudo um pouco nós morremos
Emprego e Desemprego do Poeta
como o som do avião no céu sem nuvens
ou no surdo verão as manhãs de domingo
Não lhe digais que é mão-de-obra a mais
que o tempo não está para a poesia
Publicar versos em jornais que tiram milhares
talvez até alguns milhões de exemplares
haverá coisa que se lhe compare?
Grandes mulheres como semiramis
públia hortênsia de castro ou vitória colonna
todas aquelas que mais íntimo morreram
não fizeram tanto por se imortalizar
Oh que agradável não é ver um poeta em exercício
chegar mesmo a fazer versos a pedido
versos que ao lê-los o mais arguto crítico em vão procuraria
quem evitasse a guerra maiúsculas-minúsculas melhor
Bem mais do que a harmonia entre os irmãos
o poeta em exercício é como azeite precioso derramado
na cabeça e na barba de aarão
Chorai profissionais da caridade
pelo pobre poeta aposentado
que já nem sabe onde ir buscar os versos
Abandonado pela poesia
oh como são compridos para ele os dias
nem mesmo sabe aonde pôr as mãos
Literatura explicativa
nem mesmo o pôr-do-sol é bem o pôr-do-sol
É não morrermos mais é irmos de mãos dadas
com alguém ou com nós mesmos anos antes
é lermos leibniz conviver com os medici
onze quilómetros ao sul de florença
sobre restos de inquietação visível em bilhetes de eléctrico
Há quanto tempo se põe o sol em espinho?
Terão visto este sol os liberais no mar
ou antero de junto da ermida?
O sol que aqui se põe onde nasce? A quem
passamos este sol? Quem se levanta onde nos deitamos?
O pôr-do-sol em espinho é termos sido felizes
é sentir como nosso o braço esquerdo
Ou melhor: é não haver mais nada mais ninguém
mulheres recortadas nas vidraças
oliveiras à chuva homens a trabalhar
coisas todas as coisas deixadas a si mesmas
Não mais restos de vozes solidão dos vidros
não mais os homens coisas que pensam coisas sozinhas
não mais o põr-do-sol apenas pôr-do-sol
Mercado dos Santos em Nisa
e quem de si mesmo afinal foge encontra aqui o coração
em festa
As árvores são novas e no adro em rodas contra a cal e
contra o frio há gente
o sol preenche tudo e é quase tão redondo como Deus
Cada coisa tem nome e reconheço o aroma das estevas
na missa o claro coro das mulheres leva os campos à igreja
e há crianças bibes saco escola sino guizos gado
o frio fecha, o sol semeis, a luz alastra e o silêncio é
/fundamental
- cartaz quase municipal que me recruta e traz
do fundo de umas páginas de pó ao cúmulo das folhas
amarelas
reais e rituais, folhas finas das mãos de Columbano
como tudo o que gira envolto no rodar do ano
E a terra a pedra o ar opõem sempre ao céu a mesma
superfície
sobre os corpos extensos sob a erva, imersos no cansaço
E eu dia após dia dado ao esforço de alongar
a morte prometida a toda a minha cara ou dissipar
a queda num lugar desde o mais alto de mim próprio
Ah! não ter eu uma só solução para tudo, tantos gestos
[transbordantes
em vez de dividir os dedos pelas coisas múltiplas diversas
Uma só cara uma só rua em vez de tantos traços e
[travessas
uma mulher, alguém capaz de partilhar
o peso que nos ombros cada dia nos puser
Mas um homem aqui renasce e repudia a morte
que lhe amarrava os braços ao quadrante do relógio
Amigos para quê? E longe de famílias e tensões,
alheio a elementos de curriculum, esquecido
até de prazos horas carreira promissora ou simples biografia
o homem vai buscar às árvores de pé pedidas pelo sol
a única possível genealogia
Pátria paraíso pétala -- que nome
existe para isto que nem mesmo é alegria
nem nascer outra vez apenas, nem matar aquela fome
que o mais certinho dia sem remédio adia?!
Aqui há coisas homens pedras oliveiras animais
reunidos na vida, recortados nítidos diversos
E apesar da indispensável confusão dos versos
aqui não é possível nunca mais
trocar coisa por coisa. Aqui o dia cai
sobre o a noite que sobe. Uma voz canta,
alguém além mais longe chora
O adro a árvore a casa onde se está, onde se entra e mora
Aqui o homem é... ou era mesmo agora
Comentários (3)
Muito obrigado. Muito obrigado
Amei darling
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Poeta e ensaísta português, natural de São João da Ribeira, Rio Maior. Licenciado em Filologia Românica e em Direito pela Universidade de Lisboa, obteve o grau de doutor em Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma, com uma tese intitulada «Ficção Literária e Censura Eclesiástica». Exerceu, ainda que brevemente, um cargo de director-adjunto no então ministério da Educação Nacional, mas o seu relacionamento com opositores ao regime da época, a participação na greve académica de 1962 e a sua candidatura a deputado, em 1969, pelas listas da Comissão Eleitural de Unidade Democrática, levaram a que as suas actividades fossem vigiadas e condicionadas. Ocupou, ainda, um lugar de leitor de Português na Universidade de Madrid (1971-1977). Regressado, então, a Portugal, foi-lhe recusada a possibilidade de leccionar na Faculdade de Letras de Lisboa, dando aulas na Escola Técnica do Cacém, no ensino nocturno. Em 1991 foi condecorado, a título póstumo, com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'iago da Espada. Tendo sido, na sua passagem pela imprensa, director literário da Editorial Aster e chefe de redacção da revista Rumo, os seus primeiros livros de poesia foram Aquele Grande Rio Eufrates (1961) e O Problema da Habitação (1962). Às colectâneas de ensaios Poesia Nova (1961) e Na Senda da Poesia (1969), seguiram-se obras cuja temática se prende ao religioso e ao metafísico, sob a forma de interrogações acerca da existência. É o caso de Boca Bilingue (1966), Homem de Palavras(s) (1969), País Possível (1973, antologia), Transporte no Tempo (1973), A Margem da Alegria (1974), Toda a Terra (1976) e Despeço-me da Terra da Alegria (1977). O versilibrismo dos seus poemas conjuga-se com um domínio das técnicas poéticas tradicionais. A sua obra, organizada em três volumes sob o título Obra Poética de Ruy Belo, em 1981, foi, entretanto, alvo de revisitação crítica, sendo considerada uma das obras cimeiras, apesar da brevidade da vida do poeta, da poesia portuguesa contemporânea. Apesar do curto período de actividade literária, Ruy Belo tornou-se um dos maiores poetas portugueses da segunda metade deste século, tendo as suas obras sido reeditadas diversas vezes. Destacou-se ainda pela tradução de autores como Antoine de Saint-Exupéry, Montesquieu, Jorge Luís Borges e Federico García Lorca. Em 2001, publica-se Todos os Poemas
Ruy Belo foi um dos mais importantes poetas e ensaístas portugueses do pós-guerra, nascido a 27 de fevereiro de 1933 na cidade de São João da Ribeira, Rio Maior, morrendo repentina e demasiado prematuramente na cidade de Queluz, a 8 de agosto de 1978, com apenas 45 anos.
Estudou direito na Universidade de Coimbra, concluindo o curso em Lisboa em 1956, quando partiu para Roma, doutorando-se em direito canônico pela Universidade S. Tomás de Aquino (Angelicum), com uma tese intitulada "Ficção Literária e Censura Eclesiástica".
Retornou a Portugal e em 1961 ingressou na Faculdade de Letras de Lisboa, recebendo uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para pesquisa acadêmica, tornando-se ainda professor de Língua e Literatura Portuguesas em Madri entre 1971 e 1977.
Mais tarde, ainda que tenha trabalhado no então Ministério da Educação Nacional, sua oposição ao regime de Salazar, a participação em uma greve acadêmica de 1962 e a sua candidatura a deputado, em 1969, pela Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, tornaram-no perigoso demais para a conjuntura política do país, levando-o a ser vigiado pelo governo e à recusa de sua candidatura a lecionar na Faculdade de Letras de Lisboa.
Foi diretor da Editorial Aster e chefe de redação da revistaRumo, estreando em livro com os volumesAquele Grande Rio Eufrates (1961) eO Problema da Habitação (1962), assim como a coletânea de ensaiosPoesia Nova (1961), seguida deNa Senda da Poesia (1969). Publicou aindaBoca Bilingue (1966),Homem de Palavra(s) (1969),Transporte no Tempo (1973),País Possível (1973),A Margem da Alegria (1974),Toda a Terra (1976) eDespeço-me da Terra da Alegria (1978). Traduziu Antoine de Saint-Exupéry, Montesquieu, Jorge Luís Borges e Federico García Lorca.
A reunião de seus poemas, organizada em três volumes sob o títuloObra Poética de Ruy Belo, foi lançada em 1981, três anos após sua morte, e aos poucos passou a firmar-se criticamente como uma das obras mais importantes da poesia portuguesa contemporânea.
No Brasil, o poeta é praticamente desconhecido, publicado apenas esparsamente. Um esforço recente de divulgação foi empreendido pela revistaInimigo Rumor, dirigida à época no Brasil por Carlito Azevedo e em Portugal por Osvaldo Manuel Silvestre, dedicando seu número 15 à obra do português, com um dossiê que trazia ensaios de Manuel Gusmão, Gustavo Rubim, Vítor Mendes e Pedro Serra, além de textos de poetas brasileiros e portugueses a partir de poemas de Ruy Belo, incluindo os autores Nuno Júdice, Eucanaã Ferraz, Vasco Graça Moura, Tarso de Melo, A. M. Pires Cabral, Luís Quintais, Fernando Guerreiro, Heitor Ferraz ou Gastão Cruz, entre outros.
Surgida em Portugal no fim da década de 50 e início dos 60, quando no Brasil vociferava o debate entre os poetas do Grupo de 45 e das neovanguardas brasileiras, com as pesquisas e reviravoltas críticas empreendidas pelo Grupo Noigandres em São Paulo, o Grupo Neoconcreto no Rio de Janeiro, além da Poesia Práxis de Mário Chamie e os trabalhos dos poetas em torno do Poema Processo, entende-se como a poesia lírica e sálmica de Ruy Belo poderia ter acolhida difícil no País naquele momento. Mas, agora que tais dicotomias em luta por hegemonia começam a arrefecer, e em vista da parca mas clara acolhida e valorização no Brasil do trabalho de poetas como Herberto Helder, Hilda Hilst ou Roberto Piva, é espantoso que o trabalho de Ruy Belo não tenha ainda se tornado referência maciça entre os poetas contemporâneos brasileiros, com algumas exceções. "A margem da alegria" parece-me um dos grandes poemas longos do pós-guerra em língua portuguesa, e seus pequenos poemas líricos são cristais de clareza estonteante. No Brasil, creio que seu trabalho poderia entrar em diálogo com textos como asCinco elegias (1943), de Vinícius de Moraes (1913 - 1980), assim como a poesia lírica de Joaquim Cardozo (1897 - 1978), Hilda Hilst (1930 - 2004) e Leonardo Fróes (n. 1943). São aproximações sem qualquer referência genética ou hierárquica.
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