Poemas neste tema

Sabedoria

Affonso Romano de Sant'Anna

Affonso Romano de Sant'Anna

Poema Tirado de Um Livro de Ciências

Lineu,
sábio do século XVIII
conhecia os pássaros pelo bico
os peixes pelas nadadeiras
e os insetos pelas asas.
Procurando Deus
classificou 5.897 espécies vivas
e ao final da vida anotou:
– Vi as costas do Deus infinito, onisciente e todo-poderoso
quando ele se foi
– e fiquei tonto.
1 056
Afonso X

Afonso X

Joam Rodriguiz, Vejo-Vos Queixar

Joam Rodriguiz, vejo-vos queixar
[...]

E com'homem que quer mal doitear
seus naturaes, sol non'o provedes:
ca nom som mais de dous, e haveredes-
-los a perder polos muito afrontar;
e sobr'esto vos dig'eu ora al:
daquestes dous, o que en meos val
vos fará gram mêngua, se o perdedes.

E se queredes conselho filhar,
creede-m'or', e bem vos acharedes:
nunca muito de vó-l'os alonguedes,
ca nom podedes outros taes achar
que vos nom conhoscam quem sodes nem qual;
e se vos destes dous end'ũum fal,
que por minguado que vos en terredes!
520
Jaques Mario Brand

Jaques Mario Brand

Soneto à maneira do décimo-sétimo século

Dê-me tua mão, Amiga, e ao meu lado
venha dos campos ver as verdes lindes
- ainda mais lindas se por elas vindes
e mais ainda se vindes ao meu lado.

Ouçamos da floresta que os margeia
a brisa perpassar o chão florido
e num transporte breve o leve Ar ido
nos leve em seu alento ao léu, à Aléia.

Das sendas derivadas, e à deriva,
à Suma alcemos juntos, às alturas
de um Saber bom que eu sei, musa lasciva.

Enquanto achas levo à labareda
e achas leve em teus quadris meu gesto,
as Artes eu direi, de Amor, que enleva.

§ As Artes eu direi, de Amor, que enreda.

991
Natália Correia

Natália Correia

O Livro dos Amantes I

Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.

Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.

E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida.

2 135
Afonso X

Afonso X

Quero-Vos Ora Mui Bem Conselhar

Quero-vos ora mui bem conselhar,
meestre Joam, segundo meu sem:
que, macar preit'hajades com alguém,
nom queirades com el em voz entrar,
mais dad'a outrem que tenha por vós,
ca vossa honra é [de] todos nós,
a quantos nós havemos per amar.

E pero se a quiserdes tẽer,
nõn'a tenhades per rem ant'el-rei;
e direi-vos ora porque o hei:
porque nunca vo-lo vejo fazer
que vo-lo nom veja teer assi
que, pero vos el-rei queira des i
bem juïgar, nom há end'o poder.

E ainda vos conselharei al,
porque vos amo [mui] de coraçom:
que nunca voz em dia d'Acençom
tenhades, nem em dia de Natal,
nem doutras festas de Nostro Senhor,
nem de seus santos, ca hei gram pavor
de vos viir mui toste deles mal.

Nem na eigreja nom vos conselh'eu
de teer voz, ca vos nom há mester;
ca, se peleja sobr'ela houver,
o arcebispo, voss'amig'e meu,
a quen'o feito do sagrado jaz,
e a quem pesa do mal, se s'i faz,
querrá que seja quanto havedes seu.

E pol'amor de Deus, estad'em paz
e leixade maa voz, ca rapaz
sol nõn'a dev'a teer, nem judeu.
675
Pero da Ponte

Pero da Ponte

Eu Bem Me Cuidava Que Er'avoleza

Eu bem me cuidava que er'avoleza
d'o cavaleiro mancebo seer
escasso muit'e de guardar haver;
mais vej'ora que val muit'escasseza:
ca um cavaleiro sei eu vilam
e torp'e brav[o] e mal barragam,
pero tod'esto lh'encobr'escasseza.
707
Pero da Ponte

Pero da Ponte

D'um Tal Ric'home Ouç'eu Dizer

D'um tal ric'home ouç'eu dizer
que est mui ric'hom'assaz,
de quant'em gram requeza jaz;
mais esto nom poss'eu creer,
mais creo-mi al, per boa fé:
quem d'amigos mui prob[e] é
nom pode mui rico seer.

De mais, quem há mui gram poder
de fazer alg'e o nom faz,
mais de viver porque lhi praz?
Pois que nom val nem quer valer
[c]om grand'estança, que prol lh'há?
Ca, pois d'amigos mal está,
nom pode bõa estanç'haver.

Ca, pois hom'é de tal convém
por que todos lhi querem mal,
o Demo lev'o que lhi val
sa requeza! De mais a quem
nom presta a outrem nem a si,
de mal conhocer per est i
quem tal home por rico tem.

E direi-vos del outra rem
e nom acharedes end'al:
pois el diz que lhi nom en chal
de dizerem del mal nem bem,
jamais del nom atenderei
bom feit[o], e sempr'o terrei
por cousa que nom vai nem vem.

Mas, pero lh'eu grand'haver sei,
que há el mais do que eu hei,
pois s'end'el nom ajuda rem?
716
Affonso Romano de Sant'Anna

Affonso Romano de Sant'Anna

Poema Tirado de “Breve História da Ciência”

– a busca da verdade” do norueguês Eirik Newth
Aparentemente
existe um número infinito de seres vivos
que seguem a lei da probabilidade.
O astrônomo pode calcular
onde se encontrará o planeta Júpiter em três mil anos.
Mas nenhum biólogo
pode prever
onde a borboleta pousará.
928
Charles Bukowski

Charles Bukowski

quatro

a sabedoria de desistir
é tudo o que nos
restou

1 031
Charles Bukowski

Charles Bukowski

O Homem Forte

eu fui vê-lo, lá naquele lugar em
Echo Park
depois do meu expediente
nos correios.
ele era um enorme sujeito barbudo
e estava sentado em sua cadeira como um
Buda
e ele era o meu Buda, meu guru
meu herói, meu rugido de
luz.
às vezes ele não era gentil
mas ele era sempre bem mais do que
interessante.
sair daqueles escravos
dos correios
e entrar naquela explosão de luz
me confundia,
mas era uma confusão
extraordinária e
deliciosa.
milhares de livros sobre
centenas de assuntos
apodreciam em seu
porão.
jogar xadrez com ele era
levar uma surra risível no
tabuleiro.
desafiá-lo
física ou
mentalmente era
inútil.
mas ele tinha a habilidade de
escutar nossa
caçoada
com paciência
e também a habilidade
de resumir as
fraquezas,
as ilusões daquilo
numa única frase.
eu muitas vezes me perguntava como é que
ele aguentava as minhas
queixas; ele era gentil,
afinal de contas.
as noites duravam 7,
8 horas.
eu tinha minhas libações.
ele tinha a si mesmo
e uma linda mulher
que sorria em silêncio enquanto
nos
escutava.
ela trabalhava numa prancheta
de desenho,
projetando coisas.
nunca perguntei o que era e
ela nunca
disse.
as paredes e os tetos
eram cobertos com
centenas de dizeres esquisitos
colados –
como as últimas palavras de
um homem numa cadeira
elétrica,
ou gângsteres em seus
leitos de morte,
ou as instruções de uma velha mulher de bandido
para suas crianças;
fotos de Hitler, Al Capone,
Chefe Touro Sentado,
Lucky Luciano.
era uma interminável
colmeia de faces
e
declarações estranhas.
era sombriamente revigorante.
e em momentos raros e ocasionais
até eu ficava bom.
então o Buda assentia
com a cabeça.
ele gravava tudo em
fitas.
às vezes numa outra
noite ele tocava uma
fita desde o começo para
mim.
e aí eu me dava
conta de como
eu soava lastimável,
desprezível,
inepto.
raramente ele falhava.
por vezes eu me perguntava por que
o mundo não
o
descobrira.
ele não fazia o menor esforço para ser
descoberto.
ele recebia outros
visitantes,
sempre gente maluca,
original,
revigorante.
era mais louco do que o
sol incendiando o
mar,
eram os morcegos do inferno
rodopiando pela
sala.
era a depuração
da merda na
psique
retalhada.
noite após noite após
noite, eu
me enchia, eu voava, eu me encharcava
num deslumbramento
especial.
isso foi décadas atrás
e ele ainda está
vivo, eu
também.
ele criou um lugar quando
não havia
lugar.
um lugar para ir quando tudo
estava se fechando,
estrangulando, esmagando,
debilitando,
quando não havia
voz, não havia som,
não havia sentido,
ele emprestava calma
salvando
a graça
natural.
eu sinto que lhe devo
uma,
eu sinto que lhe devo
várias.
mas consigo ouvi-lo
agora, aquela mesma
voz
de quando ele se sentava
tão imenso
naquela mesma
cadeira:
“Não há dívida alguma,
Bukowski.”
afinal você está errado
dessa vez,
John Thomas, seu
desgraçado.
670
Charles Bukowski

Charles Bukowski

A Sova do Consolo

numa semana eu tive 6 mulheres diferentes
em 6 camas diferentes
(tirei uma quinta-feira de folga
para descansar)
e só falhei
sexualmente
uma noite,
a última noite da semana:
aconteceu quando eu estava em ação.
ela levou para o lado pessoal.
agora fiquei com uma só mulher
e eu não a traio.
quando você constata que pode se foder
facilmente
você constata que não precisa sair
por aí
simplesmente fodendo mulheres
e usando seus banheiros e seus
chuveiros e suas toalhas
e suas entranhas,
seus pensamentos, seus
sentimentos.
agora tenho um belo jardim lá fora.
ela o plantou.
eu o rego diariamente.
vasos de plantas pendem de cordas.
estou em paz.
ela fica aqui 3 dias por semana
então volta para sua casa.
o carteiro me pergunta: “ei, o que
aconteceu com todas as suas mulheres? você
costumava ter umas duas delas
sentadas na sua varanda quando eu passava
por aqui...”
“Sam”, eu lhe digo, “eu estava começando
a me sentir como um consolo...”
o cara da entrega de bebidas aparece:
“ei, cara! onde foi parar a mulherada toda?
você está sozinho nesta noite...”
“mais bebida pra mim,
Ernie...”
fodi a cidade, bebi a
metrópole, trepei com o país,
mijei no universo.
resta pouco a fazer exceto
firmar posição e relaxar.
tenho um belo jardim.
tenho uma mulher adorável.
já não me sinto como um
consolo.
eu me sinto como um homem.
a sensação é bem
melhor, é
mesmo. não se preocupem
comigo.
725
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

D. António Ferreira Gomes Bispo do Porto

Na cidade do Porto há muito granito
Entre névoas sombras e cintilações
A cidade parece firme e inexpugnável
E sólida — mas habitada
Por súbitos clarões de profecia
Junto ao rio em cujo verde se espelham as visões —
Assim quando eu entrava no paço do Bispo
E passava a mão sobre a pedra rugosa
O paço me parecia fortaleza
Porém a fortaleza não era
Os grossos muros de pedra caiada
Nem os lintéis de pedra nem a escada
De largos degraus rugosos de granito
Nem o peso frio que das coisas inertes emanava
Fortaleza era o homem — o Bispo —
Alto e direito firme como torre
Ao fundo da grande sala clara: fortaleza
De sabedoria e sapiência
De compaixão e justiça
De inteligência a tudo atenta
E na face austera por vezes ao de leve o sorriso
Inconsútil da antiga infância
1998
1 021
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Quer com amor, que sem amor, senesces

Quer com amor, que sem amor, senesces
Antes senescer tendo perdido que não tendo tido.
865
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

TO A FRIEND WHO ASKED FOR AN EPITAPH

«He was strong and kind to all mankind,
Strong all temptations through.ª
May this epitaph be written over thee,
And, what's more, may it be true.
1 111
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

A Palavra

Heraclito de Epheso diz:

«O pior de todos os males seria
A morte da palavra»

Diz o provérbio do Malinké:

«Um homem pode enganar-se em sua parte de alimento
Mas não pode
Enganar-se na sua parte de palavra»
1 350
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Esteira E Cesto

No entrançar de cestos ou de esteira
Há um saber que vive e não desterra
Como se o tecedor a si próprio se tecesse
E não entrançasse unicamente esteira e cesto

Mas seu humano casamento com a terra
1 221
Antidio Cabal

Antidio Cabal

Epitáfio de Tomás Elías, vulgo O Doutor

Aqui jaz um acadêmico cuja saberdoria
o levou a cultivar a ignorância
baseando-se no conhecimento.
Passante, não ponhas flores em seu túmulo,
ele não as entenderia.

730
Antidio Cabal

Antidio Cabal

Epitáfio de Luis Calvo

vulgo O Suficiente

Aqui se encontra sob a terra um sábio
cuja esterilidade produziu muito.

547
Charles Bukowski

Charles Bukowski

Sorrindo, Brilhando, Cantando

minha filha parecia uma Katharine Hepburn muito jovem
na apresentação de Natal da escola primária.
estava lá com os outros
sorrindo, brilhando, cantando
no vestido longo que eu tinha comprado pra ela.
ela parece a Katharine Hepburn, falei à mãe dela
que estava sentada à minha esquerda.
ela parece a Katharine Hepburn, falei à minha namorada
que estava sentada à minha direita.
a vó da minha filha estava a dois assentos de mim;
não falei nada pra ela.
nunca gostei das atuações de Katharine Hepburn,
mas sempre gostei de sua aparência,
de sua classe, sabe,
alguém com quem você podia conversar na cama
por uma hora e meia antes de pegar no
sono.
posso ver que minha filha vai ser uma
mulher belíssima.
um dia quando eu estiver bastante velho
ela provavelmente vai me trazer o urinol com um sorriso
dos mais amáveis.
e ela provavelmente vai se casar com um caminhoneiro que
caminha pesadão
e joga boliche todas as quintas à noite
com a rapaziada.
bem, nada disso importa.
o que importa é o agora.
sua avó é uma grande mulher de rapina.
sua mãe é uma liberal psicótica e amante da vida.
seu pai é um bêbado.
minha filha parecia uma Katharine Hepburn muito jovem.
depois da apresentação de Natal
nós fomos ao McDonald’s e comemos, e alimentamos os pardais.
faltava uma semana para o Natal.
estávamos menos preocupados com isso do que nove décimos da cidade.
isso é classe, nós dois temos classe.
ignorar a vida no momento certo exige uma sabedoria especial:
como um Feliz Ano-Novo para
todos vocês.
1 009
Edmir Domingues

Edmir Domingues

Sextina da face oculta

Penetrar no infinito pela porta
que o desvão da memória acaso oculta,
(Que esta mão indecisa porte a vela,
a luz para o caminho). Passo a passo.
Penetrar o invisível sempre sabe
o gosto das lições para o presente.

É preciso se tenha então presente
essa atenção constante que se porta
sempre que se conhece, que se sabe.
Urgente é decifrar a face oculta
mesmo sabendo que esse incerto passo
requer todo o cuidado de quem vela.

Haja o sopro do vento que enche a vela
do barco do desejo, aqui presente,
que se apresta a aventura desse passo.
Na procura incessante dessa porta
que é sempre disfarçada, sempre oculta,
não constante do mapa, ao que se sabe.

É pequeno o saber que o sábio sabe.
Mais precária que a chama de uma vela
a ciência vaidosa sempre oculta
o escasso conhecer mais que presente.
Ninguém herdou a chave dessa porta
que impede ao ser humano o grande passo.

Resta pois prosseguir marcando passo
com que fim, que destino, não se sabe.
A nós os prisioneiros dessa porta,
que não podem viver sem sempre vê-la,
a quem foi sonegado esse presente
que seria o entender a face oculta.

O demônio (o Destino) nos oculta
o que é que significa o nosso passo.
Se é que existe o futuro do presente
para o que se destina ninguém sabe.
A luz mortiça e vaga de uma vela
não dá para enxergar além da porta.

(Quem vive neste passo apenas sabe
desse Dragão presente ao pé da Porta
que dia e noite vela a face oculta.
514
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Urânia Maria

Urânia junto a Maria:
Não há nome mais bonito:
A Musa da Astronomia
Junto à Mãe de Deus: Em ti
Se vê, Urânia Maria,
Unir-se um a outro infinito,
O mito à sabedoria,
A vida ao seu outro lado,
Ou seja, tudo abreviado
Num dissílabo — Teti.
1 185
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Cuidas tu, louro Flacco, que cansando [2]

In Flaccum

Cuidas tu, louro Flacco, que cansando
Os teus estéreis trabalhosos dias
        Darás mais sorrisos ao campo
E serão mais altos os peitos de Ceres
Põe mais vista em notares que tens flores
        No teu jardim (...)
1 283
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Àquele que, constante, nada espera

Àquele que, constante, nada espera
Não pode negar Jove; nem para ele
        Murcham as frágeis flores
        Que nunca esperou  ver.
Consiste a força do ânimo em não tê-la
Para os alacres fins da fantasia,
        Mas em saber conter-se
        Nos limites d (...)
1 263
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Cumpre a lei, seja vil ou vil tu sejas.

Cumpre a lei, seja vil ou vil tu sejas.
Pouco pode o homem contra a externa vida.
        Deixa haver a injustiça.
        Nada muda, que mudes.

Não tens mais reino que a doada mente.
Essa, em que és servo, grato o Fado e os Deuses,
        Governa, até à fronteira,
        Onde a vontade finge.

Aí vencido, tu por vencedores
Os grandes deuses e o Destino ostentas.
        Não há a dupla derrota
        De derrota e vileza.

Assim penso, e esta súbita justiça
Com que queremos moderar as cousas,
        Expilo, como a um servo
        Intromissor da mente.

Se nem de mim posso ser dono, como
Quero ser dono ou lei do que acontece
        Onde me a mente e corpo
        Não são mais do que parte?

Basta-me que me baste, e o resto gire
Na órbita prevista, em que até os deuses
        Giram, sois centros servos
        De um movimento externo.
1 113