Lista de Poemas
Meio-Dia - XL
tremia o mês de junho como uma borboleta
e no astral domínio, desde o mar e as pedras,
Matilde atravessaste o meio-dia.
Ias carregada de flores ferruginosas,
algas que o vento sul atormenta e esquece,
ainda brancas, fendidas pelo sal devorante,
tuas mãos levantavam as espigas de areia.
Amo teus dons puros, tua pele de pedra intacta,
tuas unhas oferecidas no sol de teus dedos,
tua boca derramada por toda a alegria,
mas, para minha casa vizinha do abismo,
dá-me o atormentado sistema do silêncio,
o pavilhão do mar esquecido na areia.
Ii - Assim Teria Acontecido
se não houvesses também, quase invisível,
entrado para sempre na História.
Nos teríamos visto diariamente,
teríamos mudado certos livros que amamos,
se eu te houvesse relatado
contos de pescadores e mineiros
de minha pátria marinha,
e teríamos rido
de tal maneira que os transeuntes
achariam perigosa
nossa grande alegria.
Noite - LXXXVI
com quatro beijos hoje penetrou tua formosura
e atravessou a sombra e meu chapéu:
a lua ia redonda pelo frio.
Então com meu amor, com minha amada, oh diamantes
de escarcha azul, serenidade do céu,
espelho, apareceste e completou-se a noite
com tuas quatro adegas trêmulas de vinho.
Oh palpitante prata de peixe polido e puro,
cruz verde, perrexil da sombra radiante,
vaga-lume à unidade do céu condenado,
descansa em mim, fechemos teus olhos e os meus.
Por um minuto dorme com a noite do homem.
Acende em mim teus quatro números constelados.
VII - A ilha
e erguidos caminharam
até povoar a ilha de narizes de pedra
e, ativos, fundaram descendência − filhos
do vento e da lava, netos
do ar e da cinza, percorreram
com grandes pés a ilha −
nunca trabalhou tanto
a brisa com suas mãos,
o ciclone com seu crime,
a persistência da Oceania.
Grandes cabeças puras,
de longos pescoços, de olhar grave,
gigantescas mandíbulas erguidas
no orgulho de sua solidão,
presenças,
presenças arrogantes,
preocupadas.
Oh graves dignidades solitárias
quem se atreveu, se atreve
Noite - XCIII
se algo deixa de andar ardendo por tuas veias,
se tua voz em tua boca se vai sem ser palavra,
se tuas mãos se esquecem de voar e dormem,
Matilde, amor, deixa teus lábios entreabertos
porque esse último beijo deve durar comigo,
deve ficar imóvel para sempre em tua boca
para que assim também me acompanhe em minha morte.
Morrerei beijando tua louca boca fria,
abraçando o cacho perdido de teu corpo,
e buscando a luz de teus olhos fechados.
E assim quando a terra receber nosso abraço
iremos confundidos numa única morte
a viver para sempre de um beijo a eternidade.
VII. Tristeza
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
Noite - C
as esmeraldas para divisar-te
e tu estarás copiando as espigas
com tua pluma de água mensageira.
Que mundo! Que profundo perrexil!
Que nave navegando na doçura!
E tu talvez e eu talvez topázio!
Já divisão não haverá nos sinos.
Já não haverá senão todo o ar liberto,
as maçãs transportadas pelo vento,
o suculento livro na ramagem,
e ali onde respiram os cravos
fundaremos um traje que resista
de um beijo vitorioso a eternidade.
Tarde - LIV
do cacho absoluto, do reto meio-dia,
aqui estamos ao fim, sem solidão e sós,
longe do desvario da cidade selvagem.
Quando a linha pura rodeia sua pomba
e o fogo condecora a paz com seu sustento,
tu e eu erigimos este celeste efeito.
Razão e amor despidos vivem nesta casa.
Sonhos furiosos, rios de amarga certeza,
decisões mais duras que o sonho de um martelo
caíram na dúplice taça dos amantes.
Até que na balança se elevaram, gêmeos,
a razão e o amor como duas asas.
Assim se construiu a transparência.
A história provou a capacidade
Saudade é amar um passado
Comentários (0)
NoComments
Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada
1924
Residência na Terra 1
1933
Residência na Terra 2
1933
Canto geral
1950
Os Versos do capitão
1952
As Uvas e o vento
1954
Cem Sonetos de Amor
1959
A barcarola
1967
A Rosa Separada
1972
O mar e os sinos
1973
2000
1974
Defeitos Escolhidos
1974
O Coração Amarelo
1974
Livro das Perguntas
1974
If You Forget Me by Pablo Neruda | Powerful Life Poetry
Romance and revolution: The poetry of Pablo Neruda - Ilan Stavans
POET, HERO, VILLAIN: The Complicated Life and Philosophy of PABLO NERUDA
Pablo Neruda documentary
Quem foi PABLO NERUDA I 50 FATOS I VRATATA
PABLO NERUDA | Poema 20 - Puedo escribir los versos mas tristes esta noche
PABLO NERUDA - I LOVE YOU Without Knowing How (poem)
Pablo Neruda - Tonight I Can Write The Saddest Lines // Spoken Poetry
CHILE: ALGARROBO, ISLA NEGRA E CASA DE PABLO NERUDA
Tonight I Can Write the Saddest Lines – Pablo Neruda (A Poem for Broken Hearts)
Pablo Neruda - How I Met Your Mother
Pablo Neruda - If You Forget Me // Spoken Poetry Motivational Inspirational Video
PABLO NERUDA - NO CULPES A NADIE
Tonight I Can Write by Pablo Neruda
Tonight I Can Write The Saddest Lines by Pablo Neruda
Keeping Quiet by Pablo Neruda
ഇനിയും ചുരുളഴിയാത്ത നെരൂദയുടെ മരണം | The Mystery Behind Neruda's Death | Pablo Neruda | The Cue
Poesia "Te Amo" [Pablo Neruda]
Saudade | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Biografía de Pablo Neruda | Premio Nobel de Literatura
Poesia "É assim que te quero amor" [Pablo Neruda]
Poesia - "Se você me esquecer" [Pablo Neruda]
Sempre | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Ti Amo ♥ Pablo Neruda
"SEMPRE A MESMA PRIMAVERA" | Pablo Neruda
O Sonho | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Here I Love You ~ Pablo Neruda
Patch Adams (I do not love you)(100 Love Sonnets XVII from Pablo Neruda)
Pablo Neruda: Biografía y Datos Curiosos | Descubre el Mundo de la Literatura
If You Forget Me - Pablo Neruda (Madonna)
Poesia "O Teu Riso" [Pablo Neruda]
PABLO NERUDA - Te Amo (English Translation)
Mulher Não Me Deste Nada | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Deep Meaningful Life Poetry | Pablo Neruda Poem | Spoken Word
PABLO NERUDA. 20 POEMAS DE AMOR Y UNA CANCIÓN DESESPERADA
Pablo Neruda - I Like For You To Be Still
Sabrás que te amo — Pablo Neruda // Poema
Confesso que vivi (Pablo Neruda)
Pablo Neruda - Te Amo
Te Amo - Pablo Neruda
Vinte - Pablo Neruda
Poetry by Pablo Neruda - Poema 20
Pablo Neruda: Forensic experts say Chilean poet was poisoned
💕 Lindo poema de Pablo Neruda - Ainda te necessito (Poesia falada) | Verso que se escreve
PABLO NERUDA Poema 15 Me gustas cuando callas. Por Joan Mora.
Si tu me olvidas - Pablo Neruda - Recitado por Feneté - If you forget me
Poetry: "Clenched Soul" by Pablo Neruda (read by Tom Hiddleston) (12/07)
Façam Silêncio | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Jean Ferrat - Complainte de Pablo Neruda
Vassoler responde: Por que a ditadura chilena envenenou Pablo Neruda?
Com treze anos, começou a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña. Foi em 1920 que surgiu o pseudônimo Pablo Neruda – uma homenagem ao poeta tchecoslovaco Jan Neruda. Vários dos poemas desse período estão presentes em Crepusculário, o primeiro livro do poeta, publicado em 1923.
Além das suas atividades literárias, Neruda estudou francês e pedagogia na Universidade do Chile. No período de 1927 a 1935, trabalhou como diplomata, vivendo em Burma, Sri Lanka, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri. Em 1930, casou-se com María Antonieta Hagenaar, de quem se divorciaria em 1936. Em 1955, conheceu Mathilde Urrutia, com quem ficaria até o final da vida.
Em meio às turbulências políticas do período entre-guerras, publicou o livro que marcaria um novo período em sua obra, Residência na terra (1933). Em 1936, o estouro da Guerra Civil Espanhola e o assassinato de García Lorca aproximaram o poeta chileno dos republicanos espanhóis, e ele acabou destituído de seu cargo consular. Em 1943, voltou ao Chile, e, em 1945 foi eleito senador da república, filiando-se ao partido comunista chileno. Teve de viver clandestinamente em seu próprio país por dois anos, até exilar-se, em 1949. Um ano depois foi publicado no México e clandestinamente no Chile o livro Canto geral. Além de ser o título mais célebre de Neruda, é uma obra-prima de poesia telúrica que exalta poderosamente toda a vida do Novo Mundo, denuncia a impostura dos conquistadores e a tristeza dos povos explorados, expressando um grito de fraternidade através de imagens poderosas.
Após viver em diversos países, Neruda voltou ao Chile em 1952. Muito do que ele escreveu nesse tempo tem profundas marcas políticas, como é o caso de As uvas e o vento (1954), que pode ser considerado o diário de exílio do poeta. Em 1971, Pablo Neruda recebeu a honraria máxima para um escritor, o Prêmio Nobel de Literatura. Morreu em Santiago do Chile, em 23 de setembro de 1973, apenas alguns dias após o golpe militar que depusera da presidência do país o seu amigo Salvador Allende.
Português
English
Español