Ossip Mandelstam

Ossip Mandelstam

1891–1938 · viveu 47 anos PL PL

Ossip Mandelstam foi um influente poeta russo, considerado um dos maiores expoentes da poesia do século XX. A sua obra é marcada pela profundidade intelectual, pela riqueza das imagens e pela capacidade de evocar o tempo e a memória. Enfrentou a repressão política na União Soviética, o que levou à sua prisão e morte em circunstâncias trágicas. A sua poesia, apesar de muitas vezes sombria e marcada pela dor, é um testemunho da resiliência do espírito humano e da força da arte perante a adversidade.

n. 1891-01-03, Varsóvia · m. 1938-12-27, Gulag

10 009 Visualizações

O corpo me é dado-e com que fim,

Meu corpo único,tão de mim?

Pela alegria chã de respirar,
Silenciosa,a quem devo louvar?

Sou jardineiro e sou flor- cativo
Na prisão do mundo sozinho não vivo.

E já nos vidros da eternidade
Cai meu calor,meu sopro respirado.

Nela se grava um desenho pra sempre,
Irreconhecível de tão recente.

Escorra do momento a água turva-
O desenho amado não esbate à chuva.

Ler poema completo

Poemas

4

O corpo me é dado-e com que fim,

Meu corpo único,tão de mim?

Pela alegria chã de respirar,
Silenciosa,a quem devo louvar?

Sou jardineiro e sou flor- cativo
Na prisão do mundo sozinho não vivo.

E já nos vidros da eternidade
Cai meu calor,meu sopro respirado.

Nela se grava um desenho pra sempre,
Irreconhecível de tão recente.

Escorra do momento a água turva-
O desenho amado não esbate à chuva.

1 805

Esquece o pássaro agreste,

A prisão,a velha triste-
A tudo o que viste,esquece,

Quando não serás possesso
-mal tua boca se abra-
Pelas agulhas trementes
De abertos ao romper dalba.

Lembrarás-a vespa e a quinta,
Lápis de cor e o silvestre
Mirtilo que em tua vida
Nunca no bosque colheste.

(tradução de Nina Guerra e Filipa Guerra)

1 457

Caminheiro

Caminheiro

Sinto é um medo, um medo insuperável
Defronte das alturas misteriosas.
E dizer que me agradam andorinhas
No céu e do campanário o alto voo!
Caminheiro de outrora, cá me iludo
Pensando ouvir à borda do abismo
A pedra a ceder, a bola de neve,
O relógio batendo eternidade.
Se assim fosse! Mas não sou o peregrino
Que vem dos fólios antigos desbotados,
E o que em mim real canta é esta angústia:
Certo – desce uma avalancha das montanhas!
E toda a minha alma está nos sinos,
Só que a música não salva dos abismos!

1 651

Eu não podia sentir no nevoeiro

Tua imprecisa imagem de ansiedade,
Oh meu Deus,foi o sussurro que primeiro
Me saiu do peito bem contra vontade.

O nome de Deus,como um pássaro grande,
Do meu peito a voar se despedia!
À minha frente paira um névoa espessa,
Atrás ficava uma gaiola vazia...

1 885

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.