Escritas

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Olga Kawecka

Olga Kawecka

Em um mundo falso

Como sobreviver em um mundo
onde a dignidade humana
é medida em unidades monetarias,
e o crescimento na carreira
é equivalente ao nível de personalidade?

Como sobreviver em um mundo
onde a indiferença tornou-se uma regra de conduta,
mas a compaixão saiu de moda?

Como sobreviver em um mundo
onde um doutor te deixa para morrer,
e a ambulança te leva direto para Deus?...
Onde os homens são mais fracos do que as mulheres,
os adultos são mais burros do que as crianças,
e um amigo é mais cruel do que um inimigo...

Como sobreviver em um mundo
onde amor é interesse proprio,
amigos são rótulos de midia social,
e a morte de um cachorro é mais importante
do que a morte de um ente querido?...

Como sobreviver em um mundo dos valores ouropel
e das almas falsas?
Como sobreviver aqui,
sendo humano?

2019
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alexis_karpouzos

alexis_karpouzos

Estar ahí - Alexis karpouzos

Te encontraré a la sombra de las palabras,
en los signos ocultos de los momentos de silencio,
en la elocuencia de tus ojos,
en un hormigueo en la columna vertebral,
en un temblor en la voz,
en un recuerdo lejano
estar ahí.
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shadowoftheworld

shadowoftheworld

Sentindo

Estou sentindo
Estou há muito dessa forma
Sempre em que caminho dormindo 
Você me cura e me transforma
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José António de Carvalho

José António de Carvalho

VELHO OU NOVO

(Coletânea LIVRO ABERTO - RVA - 2021)

VELHO OU NOVO
 
Venceu-me tão completamente 
Um ar negro de letargia,
Por mais um ano que se finda
E p'lo que no ano se passou…
Pergunto: Quantos viverei ainda?...

Só sou quem eu sou, mal ou bem,
Perdi dos olhos a alegria
Vejam bem como é que estou,
Rindo da esp'rança que não vem
No caminho por onde vou.

Peço assim no particular
Pra todos em geral, também,
Que seja um ano especial
Com saúde, um bem singular…
E não falte o amor a ninguém!!!

José António de Carvalho, 28 de dezembro-2020
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números

números

Lonely?

           A Solidão é horrível né? Você sente como se não pertencesse a nenhum lugar, sente-se presa à escuridão. Você tenta correr para sair desse lugar, mas quanto mais corre, mais você não sai do lugar... Até que você acha uma Luz.
           Essa Luz pode ser a sua salvação ou apenas uma estrela caindo em você. Mas quando me dei conta, era você! A minha salvação para todo esse sentimento frio e melancólico chamado solidão.
             Olho para você e até o sentimento mais amargo dentro de mim some, sentimentos doces florescem como lindas flores na Primavera. 
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Jéssica Iancoski

Jéssica Iancoski

CLEITÃO | POESIA CONTEMPORÂNEA

CLEITÃO

conheço mulheres
e homens
que menstruam
todo mês

sim, sangue, calcinha
útero cueca fio dental
homens e mulheres
com cu e buceta

cleitinha
clitóris
cleitão.

____
Contato @Euiancoski
https://www.jessicaiancoski.com/contato
1 001
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Heinrick

Heinrick

O paradoxo de esperar

Uma vez esperando o ônibus naquele ponto,
ouvi de um homem bêbado e tonto:

-Quanto mais se espera menos se espera

Pois já se esperou,
Aquilo que ainda é esperado,
porque não chegou

Quanto mais esperar, menos espero
quanto mais longa a espera, mais eu quero
Mas esperar é uma incerteza, fatos não se esperam
Ninguém espera uma chuva molhada, ou um Sol amarelo

A vida, tão curta pra esperar
Uma pessoa que nem se sabe ao certo se á de chegar

Aguardou tanto, por uma pessoa que não pode guardar;
consigo.
Pois não sei se espero e fico
ou sigo

Tenho medo de esperar demais
por alguém que não me ama mais,
ou nunca amou, ou nunca vai

Esperar por si só é uma caminhada extensa
Onde chove ansiedade
Mas é muito propensa
a neblinar saudade

Eu nunca subi nesse ônibus, voltei a pé, à vontade,
mas a chuva veio
e mesmo não sendo um clima feio...
Sinto que nunca sai desse ponto de verdade
976
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Olga Kawecka

Olga Kawecka

Um túmulo

Um túmulo simples -
sem nome,
sem foto,
sem flores.

Como uma imagem da sua dor desastrosa.

Como uma fronteira
entre a vida
e a imortalidade.

2019
518
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Luís Norberto Fidalgo da Silva Trindade Lourenço

Luís Norberto Fidalgo da Silva Trindade Lourenço

Actualidade...

Actualidade...

Era uma vez um cidadão que não gostava de política, por isso não votava.
Veio um político demagogo populista que não gostava dos cidadãos, vai daí, diz que as eleições custam muito dinheiro e que deviam acabar com elas.
Aquele cidadão que não gostava de politica, por isso não votava, achou muito bem, como outros como ele.
O tal político demagogo populista disse que a Democracia era um luxo dos ricos e que nós como somos pobres não podíamos mantê-la.
Assim, poderia baixar os impostos, não fossem aqueles esbanjadores democratas que o combatiam e atrasavam o país com perdas de tempo com discussões e diálogos.
Como o país tinha que avançar tinham de combater aqueles obstáculos e de formar mais polícias, sendo preciso dinheiro para isso.
O tal politico que não gostava dos cidadãos, colocou mais polícias nas ruas para protegerem os cidadãos de se cansarem a discutir política.
O tal politico que não gostava dos cidadãos e que achava que só polícias não chegavam, pegou nos desempregados e deu trabalho a todos para se encarregarem de ver se os cidadãos não andavam a perder tempo a discutir política.
Por cada cidadão que salvassem do pecado do diálogo recebiam uma comissão.
Um dia, o tal cidadão que não gostava de política estava a dizer a outro que os políticos eram todos iguais e que ele não gostava de política.
Um daqueles cidadãos encarregues de salvar as almas dos cidadãos pensantes, ao ouvir isto denunciou o cidadão à polícia e este foi preso. Porquê?
Se o cidadão não queria saber da política, logo, dos políticos, também não gostava do político demagogo populista… assim, esta ovelha tresmalhada tinha de ser reeducada.

Lição: o cidadão não queria saber da política, mas a política queria saber dele.


Penamacor, 14 de Julho de 2004

Luís Norberto Lourenço in 'Manifestos contra o medo: antologia de um intervenção cívica' (2011)

Publicado originalmente em http://cctertulias.blogs.sapo.pt (14/07/2004)
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izasmin

izasmin

Passos

18 de Junho, 2021.

Tarefas a fazer,
Prazos a cumprir,
Nem sei o que dizer,
Não sei se posso discutir.

Conflitos e pesadelos,
Tento seguir modelos,
O clima se fecha,
Muita pressa.

Passos,
Sem direção,
Dias de relatos,
Já perdi a noção.
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ziuaesir

ziuaesir

Verdes

Ah,
Aqueles olhos...
Malditos olhos...
Porque fui olhar?
Me perdi por eras em apenas um segundo
Não sei mais o que dizer...
Pecado ou benção?
Lembro-me apenas daqueles olhos.
Aqueles malditos olhos.

Era dela
Eu,
Ali, naquele segundo,
Não me senti,
Me perdi,
Faltou ar, por um segundo.
Nasci, morri,
subi e caí,
Em.
Um.
Segundo.
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1
Jéssica Iancoski

Jéssica Iancoski

O Canto do Rouxinol | Poesia Visual

esticar as retinas dos olhos
como se fossem peles mortas da memória
feridas se dobrando nos joelhos
cicatrizes no canto do rouxinol
secando cortinas finas
e fitas de orvalho
nas marquises, nos galhos
e nos caminhos do sol

Poema Visual


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Olga Kawecka

Olga Kawecka

O pássaro noturno

Um pássaro noturno estava cantando da solidão
nas ruínas á luz da lua gelada.

Campos sombrios se estendiam ao redor;
o céu estava cristalino e preto;
alguns troncos retorcidos de árvores mortas
pareciam ser figuras humanas.

Nada perturbava o diamante da noite.
Nada além da voz desesperada do pássaro.

Ele chorou de novo e de novo,
tentando acordar o mundo adormecido.
Esta voz triste chicoteou de novo e de novo
através do espaço congelado,
através da imobilidade,
apesar da indiferença...
Ninguém a ouviu quebrar o diamante.

2014
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Olga Kawecka

Olga Kawecka

Ao meu amigo


                                         À memória de ***


Se todos estiverem contra mim,
lutarei contra todos.

Se eu tiver que andar sozinho
na escuridão do meu destino,
irei.

Se eu tiver que morrer
neste deserto humano,
morrerei...

Mas eu não me renderei,
porque voce é a mihna força,
a sua alma é a minha estrela,
e o seu amor é a minha eternidade.

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marialuiza

marialuiza

acontecimentos pontiagudos

alguém mordeu um pedacinho da lua hoje, dois gatos brincam no calçamento deserto agora, um casal degusta vinho em uma varanda ambientada sonoramente por música ruim, alguém do andar de cima escreve sem disposição e ânimo pra tal coisa, uma (não) mãe cochila com fome enquanto os filhos completamente adormecidos tem os seus estômagos minimamente alimentados e o pai sei lá o quê.
os fatos do mundo, sendo tenros ou malditos, se expõem a mim, se colocam sobre os meus olhos, se espalham dentro dos meus ouvidos, irritam o meu nariz com o seu odor, amargam minha língua por terem um sabor hostil, amassam a minha pele, quase lembrando um toque viril (rude)
e o meu dar de ombros pra todos eles contrasta com a vontade de adentra-los, o que me faz não descer as escadas e ir até a rua gélida fazer carinho nos felinos? que impedimento prudente não me deixa entrar no grupo de Whatsapp do condomínio e postar a playlist das cinco melhores músicas para ouvir enquanto se experimenta vinhos romanticamente, pra que indiretamente aquele vizinho veja e passe a duvidar da musicalidade dos seus hits preferidos, e que tipo de pudor me censura e influi pra que eu não confesse o quanto os escritos desse cara me tocam? em que parte da confissão eu deixo escapar que não é só na produção literária que ele faz surtir efeitos-fagulhas em mim? como eu desfaço o nó que fica na minha garganta quando eu durmo de barriga cheia, ouvindo ruídos do estômago alheio ecoando na minha cabeça, deixando um vazio no meu coração, e ainda...trazendo-me inúmeras vezes o valor exato da quantidade de dinheiro que eu guardo em minha carteira. com que Deus eu grito enquanto culpo-o por um filho da puta simplesmente conseguir morder a lua no tempo em que essa família segue dias sem comer? cerrar os punhos enquanto eu me refiro à uma divindade vai me mandar direto pro inferno? qual é a cor da caneta celestial que me darão pra eu assinar minha penitência de permanecer aqui e seguir vendo o que eu já vi, dormir novamente sabendo do que eu sei, olhar no espelho mais uma vez e ver a insignificância que eu sou diante dos acontecimentos pontiagudos que me perfuram o peito todos os dias?
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aunntt

aunntt

Universo


Lutei tanto 
Desejei 
Proclamei 
Disse o tempo todo
Oh! Meu querido universo me dê
Uma singela luz que seja
Uma unica saída 
Uma estrada menos escura
Uma ajuda...

Como pude ser tão boba ao ponto de achar que daria certo?
Fragil 
Quebrando lentamente os ossos 
Dentro de um corpo cansado 
Afogada neste imenso oceano 
De tristeza.

aunnt
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panhagia

panhagia

Olhe bem, anta!

Como podes dizer
"Que belo par de olhos minha senhora tem!"
Quando que a primeira que passa no alvorecer
Te leva a fantasias do além?

Por enquanto, andas belo, rechonchudo,
Corado, cheio de vida,
Mas mal te espera o infortúnio,
No qual só sobrará tua fiel margarida.

Te deleitas em seus abraços e carícias,
Mas no meio da madrugada, os esquece,
Buscando suas próprias malícias.

Imaculada e doce é a que te ama,
Ainda que o carinho dela seja jogado na lama,
Bem aventurados são aqueles que arrumam a própria cama!
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shadowoftheworld

shadowoftheworld

Reencontrar

Não julgo
Prefiro perceber 
E por perceber, sinto
E volto a entender

Parto dessa dimensão
Começo em mim uma nova história
Me perco na imensidão
Reencontro uma memória

Sei que precisamos de amor
Sei que precisamos ouvir
Lavar e curar toda a dor
Aos poucos voltar a sentir 

Aos poucos voltemos, então
Agora vemo-nos ressurgir
Tudo o que fizemos não foi em vão
Não precisamos mais partir

Voltemos, então
Voltemos a caminhar
Aos poucos todos estão
Estão a se reencontrar
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Jéssica Iancoski

Jéssica Iancoski

MAMA NA TETA DA MATA | POESIA CONTEMPORÂNEA

MAMA NA TETA DA MATA

quem desmata
mata não só a mata

mata e ninguém fala
mata e o Estado cala

matam a mata
matam à bala

a boca brasileira cala
a cara brasis nata

a boca branca bebe e
mama na teta da mata

a boca branca mata
e mama na teta da mata

mata e mama
na mama da mata

mama e mata
— é mamata.

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Contato @Euiancoski
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aunntt

aunntt

Entrelaçado



Me dê
Pois quero sentir todo este gosto
Este aroma está dentro do meu cerebro
Este rosto que risco em meu coração
É sempre o que eu quero
Decidida nesta ocasião 
Quando sinto-me amada pelo seus labios 
A vida me cega, neste entrelaço 
De corpo com corpo
Abraço com abraço
Me dê.
 
aunnt
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2
renanhndrx

renanhndrx

O eu

Difícil ser eu
Nesse mundo impiedoso
Difícil ser eu
Com tanto desamor
Difícil ser eu
Sentimental
Com tanto amor para distribuir
E não saber como começar
Eu, um profundo oceano de sentimentos
Eu, filho da água e não consigo emergir...
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marialuiza

marialuiza

Cicatriz

eu vomito nos seus sapatos todas aquelas palavras que eu ensaiei pra te dizer,
a vizinha dança ao som de um rock de vinil, no andar de cima. enquanto o céu parece desabar sobre a minha cabeça. eu não sou capaz de reparar se hoje está uma daquelas noites estreladas.
como se a minha frustração romântica fosse um quadro, eu te vejo de costas, com a pele desnuda, dando as primeiras pinceladas. mesmo com essa tela sendo preenchida por você, mesmo com essa expressão de sentimentos indigestos sujando os teus calçados, sinto que algo no teu dar de ombros te trai.
a mansidão das tuas palavras escorre agora pelas minhas mãos, passa por entre os meus dedos, e goteja sobre os meus pés, seguindo o seu fluxo no chão.
a hostilidade que essa cortesia exala, arranha a pele que outrora você quis sentir no paladar.
e eu insisto em deixar tuas marcas no meu corpo à a mostra, que o vento gelado as toquem, que os círculos sociais as comentem, e que o meu constrangimento me engula viva. que consuma a mim e as minhas entranhas o maldito carma que tanto me deseja, mas essa cicatriz ativa, baby, essa eu não vou esconder.
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Carol Ortiz

Carol Ortiz

UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
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claudiapim

claudiapim

Bravura

Há um vento que suscita
Graça plena e alimento
Dentro da tempestade
Fervor e unguento

Há a placidez de um momento
Em que morremos para nós
E ressurgindo paulatinamente
Escutamos a eterna Voz

Bondade no estio
Alegria e candura
Rosto feito bravura
Bonança no rio

Refazemos a palavra
Nova dádiva que brota do imo
Encantamos os dias
Nos doces caminhos da Verdade
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