Lista de Poemas
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Araci Luiz
O CENTENÁRIO
É ter sonhos realizados, é ver outros sonhos nascerem;
Ter tempo pra todos eles, e num deslumbre de uma paz e beleza ímpar perder a juventude e envelhecer com maestria,
Dores, tristezas melancolias também vieram, e no trajeto de lado precisariam ficar;
Marido, filhos, netos, bisnetos, tataranetos, amigos do ontem e do hoje fazem os dias passarem,
A batalha de sol a sol na terra encravada nas unhas,
O Cachimbo companheiro desde a infância, pra trás teve que ficar, quando os 100 anos passou ameaçar;
Nas linhas de sua face, nas manchas de sol que permeiam seu rosto decifra Albertina;
Firme, persistente, sonhadora, vencedora, revolucionária, a frente ao tempo;
Em Minas Gerais nasceu, São Paulo passou e no Paraná veio ficar;
O amor pela sonhada e esperada “Ubiratã” fez brotar todas as sementes que antes juntara;
E aqui ela plantou junto a Família Luiz Marinho, que unidos não param de sonhar.
Em homenagem aos 100 anos completos em 28 de maio de 2023, minha vó.
ROGERIO MARQUES SEQUEIRA COSTA
ALQUIMIA DA PEDRA (SONETO)
A pedra do caminho ali fincada,
pisada por poetas e pensantes.
Quiçá filosofal, pois era amada,
na mente, feitos brilhos vislumbrantes.
A pedra foi estaca assinalada,
que no poema marcou os amantes,
passando pela vida atribulada,
foi aura dos sinais estimulantes.
Firmou também na singeleza da alma,
que tinha sensação não muito calma,
porém foi símbolo de uma bonança.
A verde, como a cor da esperança,
tal qual o tom da esmeralda brilhante,
o propulsor do encanto contagiante.
Premiado em 4º lugar no IV CONCURSO LITERÁRIO FOED CASTRO CHAMMA, da Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro Sul do Paraná, em Irati/PR, em 28.07.2023.
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
O poeta nos ensina...
sabe o que fala,
mesmo quando cala,
A noite vem estrelada,
ela surge enluarada,
O cio poético rompe
o diligente e a noite silente.
Drummond que não é
nada bobo indica o caminho,
Ele estalou os dedos e provou
que o amor é bicho instruído,
Meu bem, não te aflijas,
todo poeta também
sabe ser companheiro.
Este desejo aqui em versos
é completamente faceiro.
Nesse teu ir embora
querendo voltar prova
que o amor bate na aorta,
Ele bate na porta sem
a gente sequer esperar,
e muito menos despertar,
O amor vem delicadinho
na ponta dos pés,
pronto para te amar.
Drummond veio ao mundo
como poeta para provar
como o amor é bom,
Na verdade todos cantam
e dançam essa cantiga
de eira nem beira,
Todos os homens
que usam óculos
deixam o amor tirá-los,
Todas as mulheres não
resistem em não deixar
de ficar com as saias suspensas.
O amor também não
deixa de ser um animal arisco,
Mantenha-no preso ao cangote,
e seduza-o com táticas feiticeiras,
Capriche no jardim
de alegrias suspensas,
e me vire do avesso com as tuas
seduções intensas.
(Tributo ao Poeta Carlos Drummond de Andrade)
03/08/2012
José António de Carvalho
ORLA DO SORRISO
ORLA DO SORRISO
Nos teus lábios é que nasce o sol,
Onde sossega o suspiro da ânsia,
Onde fogem os barcos no vento
E se enrolam as velas do naufrágio.
Neles tudo é quente e frágil,
Como pétalas de rosas no vento.
Neles perfuro a terra húmida,
Seguro o calor com os dedos
Onde irrompem tempestades
Que derrubam os meus fortes.
Deixo-me ir pelo caminho do sol,
Onde o sossego é mais que ilusão
Com línguas de fogo a tocarem céus
Num alucinante ritmo do coração.
José António de Carvalho, 13-novembro-2022
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Flamboyant
e suas pétalas
beijam o céu
como os poetas.
26/01/2021
camila_duarte
Pedra
Mas nunca vê uma pedra:
Vê um império, se a montar em cima de outra;
Vê uma arma, se a lançar com uma fisga;
Vê uma tela, se decidir pintá-la;
Vê um amigo, se a guardar consigo.
O adulto vê uma pedra,
E vê sempre uma pedra - porque é só uma pedra.
E a pedra é um espelho acidental…
Somos o que vemos nas pedras.
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
A Sultana
a Sultana eleita
dançando solta
no teu pensamento
com mãos e braços
tais quais dunas
em ondeamento,
quadris de oásis,
e vibrando no ritmo
do seu sentimento
a música do peito.
Tenda erguida
no teu íntimo,
De vertiginosos
e doces olhares,
Gala hipnótica
por desejosa
e infalível rota.
Profecia sufista
de véus estelares,
Unção alquímica
de todos os andares,
Amor sublime,
paixão sem freios,
provocação do destino
e todos os seus meios.
16/12/2023
Dennis de Oliveira Santos (Sinnedos)
Tiradentes Arrependido no Sete de Setembro
Sacrifiquei minha própria vida nisso.
Eu libertei a pátria dos portugueses,
Mas hoje sinto uma nação enclausurada.
A cela é a miséria que aflige muitos brasileiros
E que alguns no cárcere dos privilégios evitam ajudar.
Do parlamento local emana um imenso asco, lá onde
A democracia é enjaulada por uma escória poderosa.
Vendo a vida dos negros, sem-terra e índios, às vezes
Pergunto: do que adiantou libertar a colônia da Coroa?
Se tudo que há é o drible da igualdade nesses dias?
A opinião pública aqui é hoje bovina massa acrítica?
O que se vê são astutos corruptores paladinos da ética,
Podres poderes, privatização de tudo que é público,
Uma mídia que é o duro capitão do mato em nome dos poderosos.
E o povo são neo-quilombolas com seus direitos dilacerados!
Pedro Rodrigues de Menezes
Adília Lopes
ato e desato
durante o acto
ou ambos morremos
ou comemos torresmos.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes I)
espalmei a parede
no mosquito
sobrou a sombra
vestígio noite
descobri
não é cruel matar
um mosquito
ou uma pessoa
o mosquito não sangra
a pessoa não sangra
escrevi isto em Angra
sem Heroísmo.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes II)
a vida
escrevi
isto
na casa
no banho
antes de
tomar
o pequeno
almoço.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes III)
ponto final
parágrafo
aguardo
a vírgula
agrado
resguardado
calado
não disse nada
disto
gostaria de ter
de ter dito
qualquer coisa
que nascesse
emergindo
esplêndida
da boca
pra fora.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes IV)
com papas e bolos
se enganam os tolos
era assim que a mãe
antes da minha mãe
quando éramos pobres
nos dava a medicação
para a dor da mão
não havia nada
para o coração
pensava
pensei
nisto
só os pobres comem
papas
embora não fôssemos
pobres
porque havia ouro
que o meu avô guardava
que tinha no Cu*.
* cobre
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes V)
a minha tia Céu
vivia no céu
snob
fumava com a mão
direita
a mão e ela
espetadas ambas
apontando ao coração
dos outros
e antes de perder a voz
a tia Céu
não o céu – esse não tem
voz
antes de perder o pulmão
deu um trabalhão
enviá-la para o chateaux de Paris
e dos seus restinhos
mortais
ainda agarrada à boquilha
italiana
que pertenceu a uma Duquesa
alemã
a tia Céu permanece lá
ainda viva de tanto morrer
a bordo de uma avioneta Cessna
da neta
explodiu depois
de proibirem cigarros a bordo.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes VI)
o teu sangue é old money
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes VII, poema dedicado a Graça Costa)
tenho saudades da criança
distinga entre pirite de aglomerado
a pirite é o ouro dos tolos
um aglomerado são muitas pessoas
sedimentais sedimentadas de pó
convencem-nos
iludem-nos
que descobrindo a ciência
somos científicos.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes VIII)
em criança descobri que as plantas
aquáticas
não foram plantadas
encontrei isto numa garrafa
no meio do mar
sem instruções
sem instrução
e do interior
recolhi a água
reguei as plantas do meu avô
esperei que borboletas aladas
com guelras e brocados
explodissem
e por fim pousassem
numa fina folha fina
morressem
como direi
de falta de ar.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes IX)
quem não conhece a minha escrita
não me conhece de todo
quem não me conhece de todo
não conhece a minha escrita.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes X)
tragam-me qualquer coisa
um livro
de poesia
um marcador de livros
sem berloques
que não tenha berloques
irlandeses
como o que me trouxe
a Liliana Lourenço
sem lenço
sem penso
fungando
que chatice.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes XI, poema dedicado a Liliana Lourenço)
quero-te
Adília
completa
mente
foder-te
achadamente
a ti
à tua carapinha
desviando o mundo
da rua que dá
para a Argentina
e o Japão
a ti vão dar todos
os caminhos do mundo
eu sou Colombo
tu és Cristóvão.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XII)
quero lá saber da inteligência
se a inteligência não for poesia
tudo o que me transforma é agonia.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XIII)
Adília
procurei-te
à tua morada
até me dei ao trabalho
de fazer consultas nas páginas
amarelecidas pela traça
até procurei na net
da biblioteca nacional
mas hoje só há moradas
de mail
onde estás
Adília
Lopes.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes XIV)
novo_no_amor
Serenata
Seia a ti com certeza
Ficava a noite toda
A olhar para a minha princesa
Cantava-te tudo o que sei
Á beira de uma lareira acessa
Não precisava de mais ninguém
Na minha realeza
Adriano Teles
Ataraxia
Acordo
Antes de ver a luz solar,
Clareia a minha cara a luz do celular
Imediatamente sou inundado
Submerso nessa realidade
Sem saber o que é falso ou verdade
Com tanta tecnologia
A vida foi perdendo a magia
O que antes aproximava
Agora distancia
vicia
Hoje, todavia
Não quero saber de nada
Nada além do que não posso tocar
Fico com o concreto, o tangível
Por mais que pareça impossível
Cansei
de me preocupar
de tentar me antecipar
ao que não posso alterar
A vida é o aqui e o agora
Mas o dispositivo me transporta
Faz com que o tempo eu não perceba
Rouba minhas horas
E ainda tenho de lidar com o fato
de ser, ao mesmo tempo,
a vítima e o autor
Quem será o júri?
A pena já cumpro
Tivera eu nascido
Algumas décadas atrás
Quando amigos eram encontrados,
e não adicionados
E notícias vinham em folhas de jornais
Quando pessoas eram mais
que a mera ideia delas
E abraços não eram virtuais
Hoje, no entanto, não vou acelerar
O trem veloz pode passar
Permaneço nesta estação
Resistirei a essa maldição
Tsunamidesaudade63
Eu sou triste
como as madrugadas chuvosas e nostálgicas,
Eu sou triste como lágrimas nos olhos duma mãe,
pela perda do seu filho querido.
Sou triste como panelas vazias na hora do almoço
Sou triste como dormir ao relento,
ou mesmo morar sob um viaduto,
Sou triste como quem vende o corpo pra sobreviver,
Sou mesmo muito triste como a tristeza.
Luzerna, 28.12.2023, João Neves.
simoni_souza0
Fé na semeadura
Nessa trajetória, escolho não forjar expectativas exageradas e nem me perder em ilusões fugazes.
Cada desafio, cada obstáculo, é uma oportunidade para fortalecer minhas raízes.
Ao recusar a construção de castelos no mar, opto por enraizar minha esperança na realidade do presente.
Não há promessas de uma colheita imediata, mas há a confiança intrínseca de que, no seu devido tempo, as sementes germinarão e florescerão.
Não me prendo aos frutos que ainda não amadureceram, mas comemoro as pequenas conquistas diárias. A colheita lenta não diminui o valor da conquista, apenas realça a importância do processo. Acreditar na semeadura é também aceitar as nuances do destino, reconhecendo que nem sempre o que desejamos é exatamente o que precisamos. Assim, mantenho a serenidade diante do imprevisível, confiante de que a colheita refletirá não apenas nos meus anseios, mas também a sabedoria que acumulo ao longo do caminho.
Sergio Persi
Asas batem forte
Um coração inquieto, um caminho não seguido.
A vontade de voar, mas com medo de partir,
Deixando para trás o que conhecemos de existir.
A mudança é como uma tempestade no horizonte,
A incerteza nos envolve, um mistério que confronte.
Queremos ser diferentes, buscar algo novo,
Mas o medo nos segura, nos mantém no mesmo povo.
É como estar em uma encruzilhada da vida,
O desejo de crescer, mas a insegurança é ferida.
As asas batem forte, querendo se libertar,
Mas os pés permanecem presos, sem ousar arriscar.
É preciso coragem para enfrentar o desconhecido,
Para abraçar a mudança e deixar o passado esquecido.
Pois somente na transformação encontraremos a paz,
E descobriremos um mundo novo que nos satisfaz.
Então não tema a mudança, meu amigo,
Pois é nela que encontramos nosso abrigo.
Deixe o medo para trás e siga seu coração,
Pois é na ousadia que encontramos a verdadeira evolução.
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Vermelho Flamboyant
que aos olhos esplende,
Pétalas de amor sublime
o coração à ele se rende.
01/08/2023
José António de Carvalho
QUERIDO IRMÃO
QUERIDO IRMÃO
Algo de indecifrável veio
nas nuvens negras do além.
Talvez um adamastor indomável
a erguer-se no meio do mar
para enegrecer este domingo,
mas também para te libertar.
“Não separe o Homem o que Deus uniu”
Qual quê?... O Homem separa!
Não!… A nós, o Homem não separa:
Sangues do mesmo sangue,
Almas da mesma Alma;
nem agora porque tu partistequando a Primavera chegou.
Foi tão só um ciclo que se fechou,
o nascer de nova dimensão;
um desvario dos nossos caminhos
que algum dia se reencontrarão,
e o sangue do mesmo sangue,
Viverá.
Um até breve, ou até já…
Ninguém o sabe, nunca se sabe.
E agora sob o manto da saudade,
nas tantas voltas que a vida dá,
cuidarei do amor por ti, meu irmão,
porque esse… jamais morrerá!
José António de Carvalho, 28-maio-2023
simoni_souza0
Jornada do Autoconhecimento
Em busca do Eu, na alma escondida
Exploro o labirinto do ser, escondido, jornada profunda, Autoconhecimento,
Chave da Vida.
Nas camadas mais íntimas, vou mergulhar,
Revelando mistérios, descubro segredos,
Encontro Verdades e Medos.
Navego nas águas da transcendência,
No abraço do eu, na mais pura vivência.
Aceito minhas falhas, com amor e perdão,
No autoconhecimento, encontro Redenção.
Na jornada de me descobrir, aprendi a amar a mim, a me permitir, a verdade da minha alma, deixo brilhar.
No abraço do Autoconhecimento vou me Encontrar.
José António de Carvalho
SEMPRE QUE VIERES
(XV Antologia "ENTRE O SONO E O SONHO" - CHIADO EDITORA, 2023
e Antologia "ALMA LATINA" (5), 2024"
SEMPRE QUE VIERES
Vem devagar
nos teus passos largos,
flor de todos os cuidados,
guarida de rara subtileza
do luar despido e doirado,
momento sempre esperado.
Vem de surpresa
salpicando frescura p’rá vida
que em si teimosamente queima
na busca de alma parecida.
Vem docemente no luar
deste agosto quente
no teu corpo de colina fina.
Vem devagar, vem menina,
que anseio ardentemente
que o momento dure sempre…
Vem, vem…
para que se faça rima
a ouvir assobiar o vento,
sem deixar que se esgote o tempo,
e... adormece-me,
que quero sonhar ainda…
José António de Carvalho, 10-agosto-2023
kennedysousa
Poesia
Durante muito tempo ela estava escondida.
Debaixo de muitas ideias.
Que por anos estavam perdidas.
Divagando em pensamentos alheios.
Desconexas e em meio aos devaneios.
Palavras soltas na mente.
Não fazem tanto sentido.
Na mente de um cérebro doente.
Hoje aqui escrevendo, encontro conexão.
Em meio às palavras.
Que ganham sentido com o uso da razão.
Kennedy Sousa
Israel Vitorino
SER
Uma linha tem dois lados, em cima dela
não se está em lugar algum
Cedo ou tarde é questão de perspectiva
Ser ou não ser, não é escolha, desejo e, sim
fruição, ações, decisões e harmonia entre o que se pensa e executa
Entre o que se perde em nome daquilo que se conquista.
ISRAEL VITORINO 19/09/2021
simoni_souza0
Respeito à diversidade
Algumas pessoas têm dificuldades em aceitar essa diversidade, insistindo que todos devem compartilhar seus próprios gostos e preferências. No entanto, é essencial lembrar que a individualidade é o que torna o mundo interessante e enriquecedor. Aprender a respeitar as diferenças e permitir que cada um siga seu caminho, sem julgamentos, é um passo importante em direção a uma sociedade mais inclusiva e harmoniosa.
Afinal, o respeito pela diversidade nos lembra que não há um único " caminho certo" na vida, e todos têm o direito de fazer suas próprias escolhas.
MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES
Palavras sonhadas
E penso... as palavras são tantas!
Por que não expressam?
É que as sensações são múltiplas e até quando me atravessam eu declino
Descrevê-las demanda sentidos que a grafia não dá conta
Fico oculta
Caminhar é diferente
O sentido se faz em cada músculo e no ar que respiro
Chorar me torna inteira
E para a alegria do encontro não há palavras
para descrevê-lo
Te amo são apenas duas palavras
Mas o amor se anunciando é um turbilhão
Suores, secreções, sensações que atravessam os corpos em êxtase
Impossível dizer tudo
Melhor é sentir.
Fátima Rodrigues, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 27 de agosto de 2023.
José António de Carvalho
O QUE ÉS PARA MIM
O QUE ÉS PARA MIM
Não te faço na violência da tempestade,
Nem na suavidade da brisa marinha,
Nem na profundidade da Terra em fogo
Ou no calor do ouro líquido.
Não te faço na força da união de todas as forças,
Nem na maior leveza das ultra levezas,
Ou na mais vibrante suavidade dos sons,
Ou na mais geométrica das geometrias.
Simplesmente não te faço assim,
Porque só te faço como sei fazer:
Na forma que te tenho dentro de mim.
E para mim isso é tudo:
Noite e dia. Vida...
Afago, felicidade e amor;
Muro, morte, explosão e dor.
E talvez não sejas nunca poesia.
José António de Carvalho, 26-novembro-2022
Eduardo Becher_2
Sentimentos de um bobo
Sinto a falta de um abraço
não dado, por desalinho.
Sei que perfaço o palhaço.
Sei que esta feição não ajuda
e que o reclame enfastia,
mas tu estavas sempre muda,
fingindo que eu não existia.
Se fingir é natural,
comprazo-me à natureza.
Deixo a vida como tal
e parto, junto à tristeza.
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