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Sheila Gomes de Assis

Sheila Gomes de Assis

SUBLIMINAR



Nas entrelinhas da minha boca
Escorrem framboesas e poemas
O que não digo... beijo.


577
Filipe Marinheiro

Filipe Marinheiro

sem título 8

Danças.
E as palavras do corpo
movimentam-se
na extensão doutro corpo
suspenso pela música
junto aos corações a crescerem-se
indefinidos e lentos.
A luz a retocar
a força por fora
dos olhos cúmplices.
Os corpos
a estremecerem-se
um no outro adentro
porque têm muito
que falar subtilmente
entre apaixonado toque
e tremores puro
dos dedos sem ver
todos os passos às voltas
das palavras à superfície funda
terão sempre o que dizer.
O compasso das mãos
a fluírem dentro
das pernas musicais.
Tanto para dar
tanto para receber
infinitamente
num acaso ordenado.
Danças
com a profundeza
dos braços
em espaço desenhado
ante a desordem aérea
e nos mútuos braços
se imobiliza
a perfeição
do tempo a ecoar
nos peitos entre
a cantiga dos pés
e os outros pés
a florirem
das danças exprimíveis
como para respirar
a alegria química
da energia num vácuo oculto.
Esvoaça toda a arquitectura
pelo silêncio na cintura
mesmo flexível
e as energias soltam-se
entrelaçadas
com os rostos
desprendidos contra
si próprios.
Então ninguém se fala
mas os corpos poderosos
sobre cada
palavra actuam
e as bocas inundam
todos esses corações.
Danças.
552
Lua Barreto

Lua Barreto

Um beijo que levou anos

Um beijo que levou anos pra acontecer.
Um beijo roubado
Escondido
De que fugi
E que amadureceu e quando veio
Veio longo
Intenso
Arrebatado

Um beijo que se tornou mar
Que se tornou onda
E que chegou tomando conta de tudo.

Um beijo que cresceu
E virou muitos
E virou tudo
E virou sexo

Um beijo que ainda não terminou
E que deixou no ar o cheiro
No corpo um visgo
E no peito, uma saudade.
810
Larissa Rocha

Larissa Rocha

Infinito


"Alguns infinitos são maiores que outros". (Green)


Se teu olhar é suficiente para me deixar extasiada,
Vem amor, não façamos promessa alguma
Olhe bem fundo nos meus olhos... não diga nada
Deixe apenas eu unir minha boca a tua.

Os infinitos são sempre tão ambiciosos...
Não caia nessa tentação, nessa vaidade,
Só me ofereça esses lábios fervorosos,
Que um beijo apaixonado dura uma eternidade!

Façamos do hoje, o nosso sempre, querido
E ao menos por hoje eu posso te amar,
Desestruturando o conceito do infinito
Posso ser tua pelo instante que isso durar...



946
Tchoroco Záfenat

Tchoroco Záfenat

IGUAL SEM SER

Quando um e outro

Quando o outro e um

 Respeita sem destacar diferença.

O apertar de mãos

Reconhecendo a força da suavidade

Não importando a contramão.

Não se discute diferença

Cada um sabe o que sabe

E faz sabendo o que fazer

Nesta profissão,

Gênero não é curricular.

Saliência cria raiz no coração adulto

A inocência tem dias contados pela saliência.

Como uma flor

Uma flor de nome rosa

Na raridade de uma orquídea

Com a simplicidade de uma margarida

E a harmonia de um girassol.

De igual como uma flor

De mesmo nome rosa

Mesma raridade e simplicidade

E harmoniosamente em conjunto.

É ser sem igual

É também igual sem ser

Não há melhor.

Melhor não há.

 

Tchoroco Záfenat

Campina Grande/PB 07/07/2013

994
Rodrigo_A_Cardoso

Rodrigo_A_Cardoso

Junto a alma

Os sonhos esquecidos voltam a assombrar
Fechando os olhos os sonhos ela vão buscar
Achava que já avia passado por isto
Adormecer sem ela a me esperar
Mas a vida não quis assim
Quando adormeço ela voltou a estar lá
Acordar não alivia o sentimento
E torço para que as horas do dia a levem
A amada que na vida não está
Quando a noite vem o sono não me acolhera
O medo do que escondo do dia o sono trará
E por isso não quero mais os olhos fechar
As horas passam e o dia vem
Os sonhos não vieram, pois acordar não precisei
Mas a vida não se faz sem acordar
E ninguém passa a noite sem sonhar
Fugir não encontrara lugar para chegar
O que resta é dizer a si que
Nos sonhos que fique ela
A amore que a vida não mais esta
Que os sonhos só trouxeram de volta
Quem nunca da alma deixara
664
PedroBernardo

PedroBernardo

Instinto de Amar

Basta!
Preciso de insegurança
Chega de premeditações
Estou farto de seu amor pré concebido

Quero um beijo inesperado
Um abraço insano
Um grito espontâneo de amor
Quero a paixão não planejada

Preciso que não digas que me amas daquele jeito tão clichê
Necessito de momentos inoportunos das mais variadas loucuras
Não quero ouvir da tua boca obrigações de amar

Cansei da palavra amor, estou farto do "Eu te amo"
"Eu te quero", "Eu preciso de ti"
Careço de sentimentos instintivos, livres de signos e conceitos
Desejo o amor em sua pureza de amar.























520
Cléia Mutti Fialho

Cléia Mutti Fialho

FENÔMENO RÍGIDO (erótico)


O seu corpo é o altar dos meus desejos
neste trono de adoração
eu o consagro com beijos
quero sentir o aroma da sua excitação
subindo como queima de incenso
resina aromática extraída dos seus poros
inalando olência de querer intenso
fenômeno rígido... ascenso...
que vai subindo...
que vai crescendo...
meus lábios vou salivando
provando de você
lambendo de cima para baixo
dessa forma eu encaixo
minha língua em seus sulcos
que escorre da minha boca pelos cantos 
seus doces recônditos que são tantos
como manga madura
mordo suavemente seu fruto suculento
apreciando a frescura à altura
do seu manjar sumarento
já não mais me aguento
sem controlar minha loucura
me perco nessa fissura
e sento ofegante em seu colo
conectados num só prazer
assim... eu te consolo
assim... me dou por vencer!

CléiaFialho
779
Cléia Mutti Fialho

Cléia Mutti Fialho

PSICÓTICA TENTAÇÃO (sensual)


Você é a psicótica tentação
que acalenta meus desejos
despertando o meu vulcão...

Você é a doida fissura
que aguça a minha libido
sobrelevando-me á loucura...

Você é meu insano desafio
que eu cobiço conquistar
e causando-me arrepios...

Você é meu louco devaneio
que enclausura meu corpo
afoguentando-me em anseios...


CléiaFialho





BLOG
SENSUALIDADE À FLOR DA POESIA:
http://poetisasensualeerotica.blogspot.com.br/
917
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Nunca darei notícias


Nunca darei notícias, contudo
Virei sedento, do que vi por dentro
E do que trouxe do silêncio,
Das esquinas caiadas, de prata e nata.


Visto que morei na rua, nunca darei notícias,
Aos que quero tanto,
Virei com vontade atenta,
E lembranças na pele, do trajecto.


Virei com a lembrança da cal na boca,
Virei do encontro no espelho, com o nada,
Virarei ruas, cidades e ruas sem idade,
Vinhas de religiosas terras, iras e paixões.


Vi os lugares inclinarem-se-me e as estradas,
Vivi as terras, vi estrelas e profanei equívocos,
Nos serões normais, fiquei comigo, e nas paisagens do trigo.
Visto que sonho demais, nunca darei notícias,


Meus passos serão como os deles, lajedos puídos
Mas o meu coração estará descalço, longe,
Ainda que perto, das coisas simples, formais,
Fugindo de um corpo encantado.


A chave do dia será o pensamento,
A volúpia do singelo e o variável,
  O sobressalto da escada, sem corrimão,
-Vi uma dessas em parte alguma, na lua


E na soma dos instantes, do passo lento
E o longe simulará o perto ou a aparência, o incerto.
-Nunca mais voltarei a rasgar desesperos
E a fingir que atravessei continentes…


Joel Matos (12/2013)
http://namastibetpoems.blogspot.com
1 023
ricardo de sá

ricardo de sá

Komba



Caminhando por Serra Leoa
meus passos transmitiam
a todo o resto do meu corpo
uma certeza absoluta.
Caminhei, caminhando resoluto
com pernas autênticas,
do meu sangue percorrendo minhas veias
certo de ir e não voltar.
Mas, a dança dos sete dias
estava próxima, ouvia ecoar o canto
e logo à frente, tombei;
olhei para traz um rastro
que não era o meu caminhar
e, vi um vazio nos olhos do homem.
Não demorou - continuei
meus passos sombrios
caminhando sobre o frio metal
que agora me conduz
nas cerimônias das cicatrizes
que me acompanham
nas noites incertas.
175
Fernando Cartago

Fernando Cartago

FURACÃO








Noite cheia de delírios
Por sentir o carinho
De pequenas palavras
Que vêm e vão
Mensagens cheia de tesão


Safadas palavras criam imagens
Cobertas de chamas, um fogaréu
De desejos transformados em
Estímulos levados aos olhos,
Ouvidos e corpo.

Que reagem ao calor despertando
Uma satisfação jamais vivida, porém
Sentida com euforia, apertando
No peito a curiosidade do momento
Presente que na mente acontece

Sem limites e nesta efervescência
Alimenta as almas para se encontrar
No instante do primeiro contato,
Bocas unidas, razão que não se manifesta
Por sorte, do medo vencido
Tudo vira festa, esta maneira
De amar é certamente regada
A satisfação destes corpos desejando
A entrega alucinada de sentir tudo

E permitir-se ao gozo magistral das

Almas pegando fogo...

E no breve repouso, entrelaçam-se
Em um furacão de excitações sem
Deixar nada para depois.

Fernando Cartago




















569
Wemerson Santos

Wemerson Santos

Meu Vício

O teu cheiro O teu calor
O teu beijo O teu sabor
Me fizeram viciar;

Hoje vivo em sonhos
Desejos que quero realizar
Um desejo de poder de novo
Te encontrar;

O teu corpo no meu
Só prazer e imaginar
Momentos fascinantes
Que me fizeram viciar;

Por sentir o teu calor me apaixonei
E cada vez mais quero me apaixonar
Porque os teus beijos
Facilmente conseguiram me conquistar;
288
Lua Barreto

Lua Barreto

Cuidado, Frágil!

Se quer entrar
Pise em ovos
E venha inteiro
Meu coração é espelho
Se quer, tomo
Se der, devolvo

Venha, sim
Mas venha cantando
Se dançar, é porta
Se pisar, é parede

Não venha espada
Nem venha paus

Sem pressa, espero
Espero circulares
Quero redondos
Se o querer é meu, fique aí.
Se vier, seja por si.
Bem vindo!

Medos? Tenho todos
E divido
Tenho, também, os seus.
E não nego
É bobagem

Meu coração é perdido
É partido
E os desejos vazam
Pelas rachaduras

Portanto, venha ninho
Venha manso
Que se vier pedra
Meu coração passarinho
Voa.
823
Alma  e Gort

Alma e Gort

O amor aos pedaços


Despedida
Não me deixes aqui a noite vem
sem você amor não sou ninguém
Não me deixes estou aqui sozinha
Envolva tuas mãos nas minhas.
A voz numa apelação e rogativa
No instante daquela indecisão
Dois amantes em oposta intenção
indefinidos e sem prerrogativa
Sinto muito termina o que restou
Brigas ciúmes desencanto e desamor
Resta ressentimento e embaraço.
Assassina-se o amor em crueldade
Um caso que termina em fatalidade
Na dor imensa o amor aos pedaços.
Alma Gort
1 155
Cláudia Silva

Cláudia Silva

Cansaço

Se não fosse este cansaço,
que me invade e me incomoda.
Se não fosse este cansaço,
que me atormenta e me adormece.
Se não fosse este cansaço,
que me mata e me sufoca.

Ficaria para sempre,
nos teus braços...
Sem medo e sem dor

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Alma  e Gort

Alma e Gort

O amanhã virá


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O amanhã virá

A noite trouxe consigo
rumores finais do dia
o céu veste a amplidão
no brilho de estrelas
e na vida de cansaços
esperanças se afloram
sonhos que se fazem
tudo a noite domina
corações em prantos
nas solidões marinhas
lágrimas correm soltas
fluem em rios desejos
rumo as deseperanças
no mais...o futuro abriga
dentro das vidas a fé
parecendo um irreal
mas existe dia amanhã
o sol e flôres e odores
A vida em ciclo segue
borboletas riscam no ar
trazem a melodia da vida
E no amanhã quem sabe
não seja impossível...


Alma Gort
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Pablo Danielli

Pablo Danielli

Necrose


Certa vez
Eu vi um homem,
E ele estava só.

Assim como a noite
Tão escura,
Quanto suas ideias.

Não havia vida
Em seus olhos.

Não havia cultura
Em sua boca.

Tão vazio
Quanto o espaço
Que habitava.

Sobravam-lhe passos
Quando suas palavras
Findavam.

Suas vestes simples
Apenas refletiam,
A exclusão em que vivia.

Seus ouvidos cansados
Confundiam palavras,
Embriagados com tanta mentira.
Mesmo assim,
Este homem sobrevivia!

O cheiro que exalava
Facilmente se confundia,
Com sarjetas, esgotos, agonia.

Seus movimentos, lentos,
Não eram calculados,
Tal homem, não conseguiria.

Era fraqueza, luta!
Pelas sobras do meio dia,
Restos de uma sociedade
Rompida pela hipocrisia.

Não se via os traços de sua mão
Esfolada, os calos não permitiam.

Ao longe
Impossível saber,
Se era ele branco, preto ou amarelo.

Havia tantas vidas mortas
Naquele corpo, que dificilmente,
Algum sonho, sobreviveria.

Sim,
Eu vi este homem só!
Despido de toda carne podre ao seu redor.

Livre de pré-conceitos
Humilhado o suficiente,
Para não julgar.

Sem dinheiro, sem limites,
Sem crimes, para se condenar.

Este homem
Não tinha permissão da vida,
Para a morte lhe causar.

Não seria esta noite
Fria e só...
Que poderia repousar!

A sociedade uma vez mais
Teria que lhe usar,
Como exemplo!

Como lamento, como espelho.
De como um homem só
Embora livre!

Não lhe seja permitido
Chorar.
307
Pablo Danielli

Pablo Danielli

Peças lascadas



Apenas mais uma sombra
Invisível á tantas outras
Que dormem.
Uma peça lascada
De uma cidade despedaçada.
Quadros vivos
De uma paisagem petrificada,
Pouco admirada
Lembrada ou amada.
Quem sabe ao amanhecer
Mais uma mancha de sangue
Se destaque na calçada.
Revestida por corpos
Pequenas diferenças
Que por hora não são nada.
310
João António Palma Ramos

João António Palma Ramos

Noite de Luar (Agosto)




Noite de Luar (Agosto)



As sombras dançam connosco

ao som dos silêncios da natureza adormecida

Meditamos nas palavras que segredamos

nas penumbras dos sonhos

Há tantos contrastesnesta noite de Luar ....

Olhamos, os dois, os reflexos únicos

da luz que nos chega

Há tantos mistérios com esta luz ....

Inventamos mil luzes que nos invadem a alma

......

E aquele momento único que nos devora para sempre

com o simples feitiço desta Lua cheia





João Palma Ramos

560
José_Carlos_de_Souza

José_Carlos_de_Souza

(Paisagem sem flores)

gosto da boca em brasa
assando palavras bêbadas.
os dedos crispados...
os dentes cerrados...
o sono navega
nas águas do pesadelo.

(rasgaram as veias do infinito
tingiu-se de sangue o crepúsculo
cérebro de plástico na rotina consumista
abutres posam de águia no funeral da humanidade).

paisagem sem flores.
a vida é uma farsa!
433
Samuel da Mata

Samuel da Mata

MARCOS DA ESTRADA

às vezes a historia já se perdeu no tempo
Ou então foi o tempo se perdeu na historia
Mas não importa o que nos serviu de alento
Vivemos cada momento, fazendo dele a glória

E analisando hoje o que realmente somos
Vemos ainda muito do que sempre fomos
E na nossa trilha vamos deixando os marcos
De tudo aquilo que sempre fomos de fato

Há uma nostalgia no viver da gente
Em achar que tudo podia ser diferente
Se lá no passado assim não tivesse sido

Todavia, lá eu já era quem eu hoje sou
E fiz tudo conforme o meu ser desejou
Assumo meu delito : Fí-lo porque qui-lo
554
Samuel da Mata

Samuel da Mata

CIO DA TERRA

Quem mais conhece a dor senão a terra
Que com lágrimas de pranto orvalha a noite
Que dos ventos zombeteiros agüenta açoites
Pelo vai-e-vem do Sol que não se encerra

Jaze encantada por este garboso leviano
Que toda manha abre sorrisos de promessas
E de seu ventre aberta a madre atravessa
Sua pureza sem pudor desvirginando

Mas já a tarde foge o Sol pra além dos montes
E o seu calor vai dissipar em outras paragens
E a sua amante entrega ao frio e ao abandono

Mas de madrugada quando ele volta no horizonte
Ela deixa o luto e de cetim põe a roupagem
E por todo o dia faz amor em rito insano
499
susete evaristo

susete evaristo

Pregão

Pregão

Quem quer?
Quem quer comprar um coração
Que já não cabe no meu peito
Que está cansado de sofrer?
Quem quer?
Quem quer comprar desilusão
Que se alojou num coração
Que já está farto de viver
Quem quer?
Quem quer comprar a saudade
D'um coração já sem vontade
E que está prestes a morrer
Quem quer? Quem quer?


445