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Manito O Nato
Pérolas de um sonho
Em branco linho ou no seleiro impuro
Virás, eu juro, reanimar-me inteiro
E matinal respiro há de romper o escuro
Quando ofertado me será teu peito
Serei refeito das dores e temores idos
Aleitamento de paz terá efeito
Nos vicejantes sonhos por ti acolhidos.
Quando ofertados me serão teus sonhos
Em sussurrar secreto te poderei ouvir,
No embalo de notas e lábios risonhos,
Solfejadas pérolas, meu sonho invadir
Ao jorrar nos corações do amor o sumo
Em verão miscigenado de rumor e calma
Nossa incerteza reencontrará seu rumo
Sorvendo, por consumo, do suor da alma
Dissipadas divisas veremos esmaecer
E recrudescer o frio e fino fio do desejo
À relva, recostados em nosso anoitecer,
Voltar a crer, viver do sonho de novo beijo
natalia nuno
murmúrios...trovas soltas
cansados vão os passos
enquanto o dia esvoaça
levo calados os cansaços
enquanto esta vida passa
'''''''''''''''''''''
levo os lábios sedentos
e a lembrança distante
em lágrimas pensamentos
o esquecimento, constante!
'''''''''''''''''''''
as palavras não se detêm
abrem em mim uma ferida
caem em mim, mas porém
são recordação trazida...
'''''''''''''''''''''
os sonhos me assediam
com silenciosos desejos
com fragrâncias q' existiam
com o sabor dos teus beijos
''''''''''
levam aos olhos ternura
com a linguagem das flores
sonhos orvalhados, frescura
dispõe-me a vida aos amores
'''''''''''''''''''''''
sonhos agora são brancos
como aves surpreendidas
maus olhados, quebrantos
com lamúrias incontidas...
'''''''''''''''''''''''
natalia nuno
rosafogo
Enide Santos
Solidão
Solida
solidão
sentida
sem
solução
sempre
sentada
semblante
sisudo
soltando
sádicos
soluços
sedenta
sangrando
sofre
sonhando
sucumbir
serenando.
Enide Santos 28/08/14
Paulo Jorge LG
Contigo
Contigo a sós desejei para sempre junto ficar,
Ao teu encontro desejei ir afogar o meu sofrer,
Pelos teus lábios matei a sede do meu suplicar,
Nas palavras que mitigam o medo de te perder.
Contigo aprendi a olhar o mar e a sorrir á Lua,
Vieste com a poesia dos teus horizontes largos,
Que me encheu a alma outrora vazia agora Tua,
Vieste para mim florindo de cor os meus burgos.
Contigo caminharia feliz ao sabor das tuas rimas,
Despojar-me-ia de todos os desalentos e ensejos,
Só te queria por perto para aparar as tuas lágrimas,
Só me queria confortar com os teus doces beijos.
Contigo caminharei para o infinito dos céus azuis,
Ao sabor dum chamamento teu que ecoa por mim,
Para me perder só no teu corpo como sempre quis,
Meu templo sagrado de amor perfumado a jasmim.
Contigo entrelaçaremos os abraços queridos,
Em noites de pura paixão e edílica harmonia,
Juraremos nosso amor eterno em leves gemidos,
Resplandecendo nossos corações em evidência.
teka barreto
NÃO FAÇO IDEIA
Não faço ideia
Onde ela está
Segunda partiu
Pois não resistiu
A morte a espreitar
Não faço ideia
Pois, não levou nada
Nem roupas, nem mala
Nem corpo, nem um só riso!
Revelando o aqui jaz
Não faço ideia
O que é dela agora
Só sei que o que resta
São restos mortais
Não faço ideia
Apenas descrevo
Com pouco ou sem zelo
Momentos fatais...
Factuais
Não faço ideia
Não faço poema
Não faço mais nada
Já fiz o que fiz
Agora é tão novo
Que penso tão novo
Porque ser um tolo
A tentar, sem explicar?
Se ela se foi
Se ela não é
Se ela assim quer
Que posso esperar?
Rezar para quem?
Se não sei...
Não faço ideia...
Apenas descrevo
Isto é... penso
Nela está
o meu
todo
a
pensar
Sincera Mente?
Não faço ideia!!!
E nem sei como
Começar deste ponto...
A acabar...
Que fim isso vai dar?
Inicio de vida
partindo do fim
algoem mim renasce
com a morte por fim
O inicio da morte sim...
Começa no inicio do fimsim
Não faço ideia...
Assim é?
Tudo é bem e depois!!!
Vida após vida é
Tudo pós mortem?
Juro...
se orei
Não faço idéia !!!
Teka Barreto
teka barreto
Revisão
Revisão
Bem onde o homem se enrosca
A vida segue tranquila
E ele, a olhar prô umbigo
Vesga os olhos para aquém...
Quer ver seu nariz também
Este amplia o seu zoom
Vendo mais e mais de menos
E assim vai se curvando
Criando em si, redondo mundo pequeno
Este tolo só critica
Quando diante do outro
Pois o outro não é nada
Além de uma soma de defeitos
Neste jogo de palavras
Provoco em você efeitos
Se você franziu o cenho
Estás diante de um espelho
Se é poesia o que faço?
Não sei te dizer ao certo
Só sei que malhando o ferro
Aqueço, instigo o seu brilho
Este calor global e poético
Dosado à certas medidas
Revive qualquer defunto
Que se fechou para a vida
És tola... Muitos dirão!
E a resposta não tarda
Se tola é minha poesia
Estás mesmo ensimesmado!
E assim me curvo a ti
Para que olhar nos olhos?
Olho prô meu umbigo
Duas bolas então se fecham... Sem brilho
Tolos também tem função
Nos mostram de antemão
Quem olha só para o umbigo
Tromba,com toda razão... Nas massas!
Criamos assim universos
Que se chocam sem ter ideia
Rolando por sobre mesas
Tal qual jogo de bilhar
Num mundo sem poesia
As massas trocam o belo
Pelo armamento bélico
Nem há razão para parar
E a razão fica escassa
Tal e qual a educação
Papagaios também falam
Sem a menor compreensão
Repetindo, desde inicio...
É que se faz a revisão!
Bem onde o homem se enrosca e embaraça
A vida segue escrevendo... Com ou sem compreensão!
teka barreto
Paulo Jorge LG
Não Queria Acreditar
Não queria acreditar no que me tinha acontecido,
Naquele dia singelo em que sofria entristecido,
Vi-te surgir no horizonte ofuscando tudo e todos,
À tua passagem soltaram-se belas flores de lótus.
Não queria acreditar nesta diva encantada luzidia,
Onde agora nos seus lábios bebia o néctar da vida,
Enfeitiçado fiquei receando a tua derradeira caricia,
Nos teus doces braços me embalas de paixão servida.
Não queria acreditar no que os teus olhos me diziam,
Que a paz e a felicidade em sonhos de amor venceriam,
Olhar enigmático terno e meigo que me alimenta o desejo,
De conseguir um beijo teu minha donzela num lampejo.
Não queria acreditar na pureza emanada do teu corpo,
Objecto do meu louco desejo por tocar-te em devaneio,
O delírio que dele transparece em formusura tão fina,
Ai como queria perder-me e só ter como farol tua pele.
teka barreto
Retiro
Retiro
Tudo que disse, a gora retiro...
Não vejo o mundo com olhos de alguém
Retiro
Agora em retiro
Descanso estes olhos das cenas hostis
Retiro
Estou em retiro
Só em meu mundo. Mescla de paz com razão
Retiro
Eu, e meus tantos outros... Eus. Meu D´Eus !!!
Retiro
Alinho meu ninho, fofas cobertas que se aqueçem por mim
Retiro
Sem nenhum resquício de dor ou de culpa, pelo que
vivi
Retiro
Sinto-me em paz só de lembrar, que o melhor eu fiz
Retiro
Pois tudo o que foi, já foi...
Libertando
uma dor... E um final com paz
Retiro
Ciscos dos olhos
Com lagrimas de respeito e de muito amor...
Por ela e por mim
Respeito, não retiro
Direitos, não abro mão
Mesmo estando em retiro
Namastê
Teka Barreto
teka barreto
Milagre ao pé do caixão
Fecha, fecha, fecha!
Ordenava Lana, aos presentes. E é a partir deste ponto que ela, prontamente assume e organiza rapidamente, os próximos passos, adequados. Direcionando habilmente o fim da cerimonia e o fechamento do caixão.
Deste momento em diante tudo transcorre pacificamente. Mas minutos antes... Aquele início de confusão familiar, poderia facilmente ter se transformado em noticias dignas, à serem estampadas às pressas, devido a hora do fato ocorrido. Cenas adequadas a um jornal de quinta categoria.
Cenas de revoltar o próprio Sr. Datena. Cenas de um ódio desmedido, que revelariam coisas mais e mais cabeludas ocorridas em tempos passados, entre os desafetos.
Foram cinco minutos constrangedores. Dignos de meu relato por um único motivo.
Percebi ao longo do tempo e observando o comportamento de alguns, que tem gente que parece humana. E este é meu alerta. Gente que, já morreu e não sabe. Fantasmas com carne e ossos a arrastar-se, prá lá e prá cá! Nariz impinado e soberba na boca.
Gente morta que até vota, como qualquer cidadão eleitor. Gente morta que dirige um carro, paga suas contas e até trabalha depois que aposenta. Abutres que em verdade, mais atrapalham e destroem sonhos, do que contribui socialmente na velhice que se instala, precocemente.
Compreenda. Foram palavras sabias as proferidas por Jesus. Há mais de dois mil anos atrás. "Deixem que os mortos enterrem seus mortos".
Fecha, fecha, fecha!!!
Lana cutuca Lídia e logo, as duas contornam o clima ameaçador, descabido, deprimente e hostil. Rapidamente, as duas passam panos quentes.
Que jogo de cintura tem elas. Lana e Lídia. Como se SABEM e se conhecem de cor e salteado elas duas, eu diria.
Coisa de cento e oitenta segundos, mais ou menos. E milagrosamente, tudo voltou ao normal.
Gente que ainda estava do lado de fora e respeitosa e mansamente se achegava, sequer percebeu o ocorrido.
O contornado inicio de tumulto.
Muitos nem se perceberam da postura insana, do patético filho mais velho da falecida. Olhos injetados de ódio a fitar e intimidar o irmão caçula, Pablo.
Eu observava um pouco afastada, aquela agressão tosca, odiosa, acintosa, intimidadora e silenciosa.
Do tipo hipnose de serpente asquerosa.
Para mim aquilo tudo, não era nenhuma surpresa.
Conheço bem aquele bronco ladino e abusador, de minha infância.
Faltavam exatos cinco minutos e eu, me coloco estrategicamente, naquele exato ponto do salão. Torço para que tudo termine com paz e respeito. Sem grande alarde ou roupa suja prá se lavar publicamente... E bem num momento desses.
Com o bronco ali... Ah, isso era bem possível de virar baixaria ou pastelão.
Nossa mãe merecia partir como toda dignidade.
Eu não precisava provar nada, nem tinha nada a esconder. Despedi-me dela em vida. Em meu último beijo, ela ainda estava quentinha... Estivemos sempre presentes eu e o Pablo. Dias e noites ao seu lado. Como amigos leais que se unem e se ajudam, em momentos difíceis e de dor. Nos fortalecíamos assim, mutuamente. Estivemos juntos, nesses últimos três meses de muita tensão e incertezas por virem.
Atuando e acalmando a nossa mãe, vitimada novamente, por um segundo derrame cerebral. Leais aos nossos princípios morais e éticos. Como deve ser o agir de seres humanizados. Atos espontâneos e sinceros entre irmãos e filhos, que respeitam a eminente passagem de um ser humano, e nestes momentos revelam a todos, o quanto amam os seus pais.
Em meu posto, um pouco afastada, estava atenta. Logo me emociono ao vê-lo respeitoso, se aproximar do corpo dela. Um meigo e afável olhar, que Pablo pousa delicadamente sobre ela. Minha... Nossa mãe.
Ele parecia rezar, confortando-a e a si mesmo. Momento angelical entre os dois.
Do lado oposto observo, aqui do meu posto...
Aquele bronco a mirá-lo acintosamente, soltando toxinas e venenos pelos olhos dementes e de alma ausente.
Aquela coisa senhores, não era uma expressão humana. Revelava estar ali e de corpo presente, um asqueroso, um odioso demônio encarnado. Sem amor ao próximo, nem mente e muito menos coração.
Alguns amigos e parentes presentes no salão, ao perceberem algo estranho no comportamento do quadrupede, se posicionam atentamente, assim como eu.
Estrategicamente estamos bem preparados ao que poderá surgir. Não há conversa alguma acontecendo. Só troca de olhares. Sinto-me protegida e cercada por muitos seres do bem.
O clima é tenso. Sinto no ar cheiro de confusão, misto de enxofre e flores.
Alguns, porém vendo a cena inusitada, intimidativa e não menos que interrogativa, se aproximam ainda mais de Pablo. Formando assim, intuitivamente, um cordão de proteção contra um agente do mal, que o espreita, com cara de lobo mau.
Pablo nem se apercebera. Tão absorto estava ele, em seu último adeus a mãe.
Foi quando o tal bronco, sendo ainda mais aviltante, o pescoço esticou em direção ao Pablo. Como quem quer meter o nariz onde não lhe cabe adentrar. Uma desrespeitosa e visível invasão de privacidade. Atitude típica de gente chula e sem noção do momento solene e funebre.
Estavam de frente, os dois. Separados apenas pela largura do caixão. Aquele narigão exalava enxofre e podridão no ar. Lembrei-me de um ditado que minha mãe sempre dizia.
"Por fora bela viola. Por dentro, pão bolorento".
Era patética, horrenda e descabida aquela cena. Um demônio encarnado, fitando um inocente. Como se fosse uma cobra vil e astuta, espreitando um rouxinol a cantar mansamente, um suave improviso inaudível de uma reza entre almas afins.
Foi quando resolvi se achegar e me juntar ao grupo de cá. E assim fiz.
Estava eu, distante do caixão uns nove ou dez passos.
Senti que toda nossa dedicação, minha e de Pablo, para com nossa mãe, ainda não terminara.
Aquele animal, que tentara nos intimidar, tinha que ser colocado no seu devido lugar.
Sua dor fingida e sua prostração ao lado do caixão por mais de duas horas e meia, fora apenas provocação e nada mais. Típico dos bichos que demarcam seus territórios. Ou cagando ou mijando no entorno. Me desculpe leitor, o palavreado chulo. Considere estes termos, reconhecidamente agressivos, inclusive por mim, apenas expressões narrativas aqui aplicadas, com a finalidade de descrever todo meu asco, repugnância e indignação.
Eu e Pablo não mais nos aproximamos do corpo dela, desde que aquele bicho homem chegou ao salão. Não queríamos dar pérolas àquele porco insano.
Já tínhamos nos despedido dela muito antes da chegada dos amigos e familiares. Estávamos cansados, mas havia serenidade, respeito e paz em nosso comportamento e apesar de tudo.
Segui confiante, escudada por minha força interior. Estava determinada a por um ponto final naquela palhaçada descabida de maneira firme e respeitosa. A força do respeito, era o meu escudo invisível. Eu me sentia poderosa e capaz. Seria com um golpe certeiro. Dado com um simples olhar aguçado, afiado, ferino e fatal. Eu já antevia a explosão daquela cabeça cheia de vento flatulento.
Entrelacei com meu braço direito, a cintura de Pablo. A minha esquerda estava Lana. A direita de Pablo, Lígia.
Não olhei para o corpo dela. Não fui dizer adeus a ela... Minha... Nossa MÃE!
Fui revelar a ele... Que eu e Pablo continuavamos sim, juntos e até o fim, do lado dela.
Mostrar que exigiamos que ele, se comporte e respeite a ela, falecida e de corpo presente e a todos presentes, como um ser humano que se comporta como gente. Que respeite nossa dor e o momento póstumo, fúnebre. In memória daquela, que é também sua genitora, que agora diante de todos... jaz.
Aproximei-me e olhei fixamente para aquele pulha asqueroso, envelhecido e caquético. Agora ele estava à minha frente.
Ele transfere seu olhar de cão sarnento e louco para mim. Eu, simplesmente olho para sua miséria humana. Fito-o e adentro naqueles dois olhos ocos, claramente sem luz ou resquícios de um brilho... Olhos sem alma.
Tento sem nada dizer, acordá-lo daquele seu transe insano e hipnótico. Olhar típico de um pernóstico.
Enquanto o encaro frente a frente, observo o seu arfar crescente. Uma explosão iminente é agora visível e até previsível.
Os junto dele, começam a segurar o animal que nele desperta, como sua própria irracionalidade, assim o revela.
Um bicho acuado e rosnando, diante de mim é o que vejo.
Este bicho homem, está claramente sendo domado por alguns. Vejo grande besta, acuada diante de mim. Intimidada pelo meu olhar certeiro.
EU SOU, total confiança envolta em consciência. EU SOU, pura paz. Poder maior que me orienta os atos a seguir.
Vejo-o se debater e arfar como um demente... Enquanto EU SOU, PRESENTE EM CORPO E MENTE.
Segundos apenas, se passaram. Descrevê-los, leva uma eternidade.
Sinto brotar de dentro de mim uma forte vontade de rir.
O que não faço por motivos óbvios.
Segundos patéticos, diante do que se revela.
Mas confesso, esbocei diante dele um leve sorriso, imperceptível na boca.
Sorri com os olhos, para ele.
Foi meu golpe final... E de misericórdia!
Foi quando o monstro se rebelou de vez. Grunhiu tal qual um bicho raivoso com focinheira na boca. Dois rugidos pouco articulado e entre dentes saíram enfim.
Só ouviram os atentos e bem próximos da cena. Duas pequenas frase foram com visível resistência articuladas.
Frases que já ouvira muitas vezes. Vindas daquela mesma bocarra escancarada cheia de dentes e imunda.
Apesar do momento solene e tão fúnebre... As duas frases escaparam ao controle dos que tentavam evitar o previsível desastre. Entre seus dentes cerrados, boca babando e olhos esbugalhados ele berrou! Berros abafados por ele mesmo, eu diria... O próprio fel produzido em suas glândulas o sufocava e o paralisava. Mas as frases enfim foram arrotadas...
Sua vacaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Sua filha da Putaaaaaaaaaaaaaa!!!
Claro que aquele asno, foi logo arrancado dali e rapidamente. Literalmente a besta, foi tirada de cena.
Muitos nem entenderam o porquê de tanta gente a segurá-lo e a arrastá-lo para longe.
Talvez a tristeza da perda da mãe, alguns com certeza deduziram. É normal, quando se ama muito os pais, outros diriam.
Coitadinho... Viu como ele não abandonou o corpo da mãe um só instante. E blá, blá, blás de justificativas as carradas.
Antes de imobilizarem-no, pude ver claramente que levara um belo e bem dado bofetão no meio da cara.
Bem no meio da fuça.
Foi logo ao fim da palavra, pu... taaaaaaaaaaa!!! Um sonoro tapa, merecidamente e certeiramente muito bem aplicado! Eu pude ver e ouvir. Aquilo foi música em meus ouvidos.
Mão santa aquela. Da outra insana.
Me pergunta você... Tem mais loucos?
Digo... Nem te conto leitor. Quem sabe aos poucos e em outros contos.
Sim, tem tarja preta também, na família. É minha outra irmã, Cacilda Maria.
Naquela fração de momento exato e perfeito Stap!!! Um bofete bem dado... Posso jurar senhores, senti minha própria mão esquentar e formigar logo em seguida.
Cacilda Maria, mesmo sendo ela uma esquisóide, assumida e conveniente. Teve sim, um fio de bom senso. Misto de sanidade e santidade, eu diria.
Fecha, fecha, fecha...!!!
E foi daí, que Lana assumiu os finalmentes do cerimonial de último adeus, a sua querida e amada madrinha.
A Minha... Nossa mãe... preciosa.
E assim, você que até aqui me acompanhou, termino esta narrativa.
Pois foi um milagre, o que aconteceu ao pé do caixão de minha mãe.
Um tsunami foi deveras e habilmente controlado.
Entre possíveis mortos ou feridos eu diria... O número não aumentou.
FIM
Nota da autora.: Qualquer semelhança entre a vida real e os personagens deste conto, é pura e mera coincidência.
Teka Barreto
beneditocglimadonquixotepant
SÁBADO TERNURA
porque neste dia
a Poesia
invade a saudade
e troca de lugar
nos corações das pessoas.
Sábado é o dia da ternura.
teka barreto
Paraíso, Nagasaki e Hiroshima
Paraíso, Nagasaki e Hiroshima
Pensamento original
e
Pensar mental
Ogivas
Sem
Proporção gerando caos
que não agrega
forçado
esforço
Desintegra
Pensar mental ao saber distingue
Quando não sabe, cria
o
Ponto original
Que chamamos inovação
Os que sabem o últra-velho não aceitam,
Rejeitam e riem
Do pensar novo... Incomparável
Neste mundo de mudança
Revela-se então...
A dança em plena evolução
Deixe estar que hora há de chegar pois,
Toda graça
Ao fim harmoniza
Desintegrando
A desgraçada maldição
Que é pensar velho, tradicional prisão
Que
Extingue ao final
Com razão
Devido à desproporção
Possessiva e
Inoportuna
É
Prudente quem avalia
Comparando o bem com o mal
Que nos guia a ação
Neste mundo material
Criado
a partir da luz
Pois, houve luz original!
Artefato do dinâmico movimento
Arte de fato único, gerando inovadas
ideias
Partículas dos fatos, Pensados originais
Recém-nascidos espontâneos
de
Fótons ideais
Quem não emite luz ao ter
Uma idéia
A pulsar... A vibrar
O quero bem
Desintegra-se
Pois o mal
Arquitetado
Explode
Em
SI
~~~~ (...e...) ~~~~
( )
(((BUM)))
(( ))
()
((((((((((((()))))))))))))
recomeçar
outra
vez
Teka Barreto
Madalena_Daltro
Deus
...É pelo som da lágrima
que Deus me ouve...
beneditocglimadonquixotepant
PAPAI -UM HEROÍ
trabalha de dia
me ajuda de noite
meu pai alegria
herói do meu lar
me dá o sustento
meu Sol meu Luar
Meu pai homem forte
guerreiro audaz
sujeito de sorte
bandeira da Paz!
Samuel da Mata
PASÁRGADA - Atualizada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho o dinheiro que quero
E tribunos que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a decência é loucura
De tal modo inconsequente
Uma farra louca na Esplana
Com a rainha falsa e demente
Vão contratar meus parentes
E a nora que nunca tive
E como farei proezas
Andarei com gente esperta
Chamado por burro broco
Subirei a rampa cedo
Tomarei pinga no bar!
E quando estiver saciado
Ou o País tiver falido
Mando chamar a mãe-d'égua
Pra inventar falsas histórias
Viro herói pra os meninos
Contra o regime militar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a condenação
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostituta bonita
A mil gabinetes ocupar
E quando em presídio triste
De sair não tiver jeito
Simulo uma dor no peito
E vou pra casa farrear
— Lá sou amigo do rei —
Terei o dinheiro que quero
E tribunos que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

joao euzebio
ÀGUA
ESCORREU
PELO TEU CORPO
A ÁGUA
QUE LHE LAVOU
ESPIRROU
CHUVEIRO AFORA
OS PINGOS QUE AGORA
PELO CHÃO SE ESPALHOU
E VOCÊ NUA
SOBRE O ENCANTO DA
LUA
MOLHOU OS CABELOS
DEIXOU NO TRAVESSEIRO
O PERFUME
QUE QUASE EVAPOROU
É A ÁGUA
QUE ESCORRE PELOS SEUS
PÉS
NESTA BRINCADEIRA SENSUAL
É A TOALHA ENCIUMADA
QUERENDO TE TOCAR
É O SABONETE
QUE ESCORREGA
E EM MINHAS MÃOS
VÃO PARAR
É MEUS OLHOS NOS TEUS
O SORRISO MALICIOSO
QUE ME DEU
SÃO BEIJOS MOLHADOS
MEU CORPO SUADO
GRUDOU NO TEU
SÃO ÁGUAS ESCORRENDO
LEVANDO NOSSOS DESEJOS
E VOCÊ NUA
SOBRE O ENCANTO DA LUA
ENTRE OS SONHOS... QUE ME DEU.
Enide Santos
Nada me apetece mais que morrer
Nada me apetece mais que morrer.
Morrer...
Morrer de você.
Não vejo a vida
Não vejo flores
Não sei da luz
Não entendo o mar
Não uso o ar
Não vejo nada
Apenas sinto e sinto...
Sinto cor
Cor de pele
Cor de olhar
Cor de cabelo
Rubores de amar.
Nada me apetece mais que morrer.
Morrer de você.
Ah, expirar instante por instante!
Ah, perder-me tantas e tantas vezes,
Sem querer me encontrar!
Ah! Deixe-me morrer,
Fenecer de tanto te amar.
Enide Santos 07/08/14
RITA FLOR
O DIVINO TABELIÃO ... ( Com algum toque de HAICAI ) BJS...
teka barreto
O que não vê
O QUE NÃO VÊ
HÁ LUA
HÁ TERRA
HÁ CORPOS
QUE ESTÃO...
EIS A QUESTÃO!
HÁ ONDE ESTAR
QUEM DIZ QUE HÁ
ESPAÇOS A OCUPAR
E DIZ QUE HÁ LÁ
E... TE ENVIARÁ
UM DEUS... POR FORA A COMANDAR
O OBSERVAR...
SABER É MANUSEAR
O SEI... QUE ESTOU... E ESTAREI
COMANDO O
ESPAÇO COM TEMPO
QUEM CUMPRE A ROTA
E SE AVENTURA
VEM PRÁ TERRA
OU VAI A LUA
SENDO
EXTRA-TERRENO
ÉS ET...
PRINCÍPIO DE TUDO
QUE É VOCÊ
NASCER OU MORRER
QUEM DIZ
ÉS TU SER...
ETERNO A FAZER
Teka Barreto
Sérgio Rockenbach
Amélia
Dizem por aí que
Amélia que
era mulher de verdade
Embasam suas
convicções
Na total
ausência de vaidade
Achava
bonito a fome
O ápice do
antagonismo
Me perdoe,
senhores
É exagerado o
romantismo
Mas devo
considerar
A
relativização dos valores
Difícil de
compreender
Daqui dos
bastidores
Oh, Amélia
Parece que
foi querida
Na pior das
hipóteses
Um legado,
uma vida
Confesso que
não a conheci
E não
questiono sua bondade
São só
histórias que ouço
De um
excesso de simplicidade
Paulo Jorge LG
Falta-me o Ar
Falta-me o ar quando a pensar em ti desespero,
Eu adormeço murmurando baixinho o teu nome,
Falta-me o ar quando em meu sonho te espero,
A ternura infinita que emana de ti e me consome.
Falta-me o ar quando olho teu busto auroral,
No meu leito curo meu desejo de ti insatisfeito,
Falta-me o ar ao viver este amor intemporal,
Desventurosa afeição que poisou em teu peito.
Falta-me o ar quando leio teus versos ardentes,
Onde cantas frases de amor que me enlaçam,
Soltando beijos divinos nos meus lábios dormentes.
Falta-me o ar quando imagino o teu corpo despido,
Ao afagar-te a pele rosada e quente tão macia,
E os nossos corações unidos num só tão tórrido.
José João Murtinheira Branco
FRAGMENTOS III
Escorre-me tinta das narinas e na boca,
cavalguei na ironia, explodi na certeza,
mastiguei fragmentos de poesia louca,
persegui os sonhos, reacendendo a chama,
fui uma árvore, com frutos de tristeza,
com folhas murchadas de chorar o que ama.
Retalhos da vida, a minha alma é água fria,
que vai correndo saída no leito da desilusão,
dorida, cai gota-a-gota por tristes fins de dia.
Rasgo o tempo, decanto fragmento a fragmento
a sombra que arrasta uma auréola apagada,
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento.
.João Murty
RITA FLOR
OTIMISMO
Luzia Magalhães Cardoso
Invernou-me o coração
Extensa é a rota... Eu rumo só...
Vestes poucas, rotas, vou absorta...
Nesse tempo tonto, tantos nós...
Mesmo qu'invente almas, estão mortas.
Eu sigo, vazia... Todos os dias...
Esgotou-se o aroma primaveril...
As flores murcharam, sem rebeldias,
e o amor d'outrora já está senil.
Os gelos descem dos cumes dos montes,
e o sol, tão distante, não chega em mim.
É ácido o que entra em minhas fontes.
Frágil, a esperança se entrega, enfim.
São tão longos os dias desse inverno,
e o frio que sinto parece eterno.
Luzia M. Cardoso
alexandre montalvan
Eu Te Amo
A quantas vidas te procuro
São tantos véus que se faz obscuro
O amarei, o amar, o amei
O que faz saciar minha fome
E o meu sangue impuro se faz
Por tantas vezes, que eu já não sei
Nesta busca insana, e m'alma inflama
Eu penso que sei, que te achei
Meu Deus, como posso amar o que não sei
Como posso olhar os teus olhos
E te ver no passado ou no amanhã
Em teus braços amados, sentir que te achei
A quantas vidas grito, saudades!
Pegadas sobre pegadas, e refazer os meus passos
E procurar teu regaço
Que tantas vezes minha cabeça reencostei
E dizer-te, que eu te amo e dizer, eu sempre te amei
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