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Manito O Nato

Manito O Nato

Pérolas de um sonho

Quando ofertado me será teu cheiro
Em branco linho ou no seleiro impuro
Virás, eu juro, reanimar-me inteiro
E matinal respiro há de romper o escuro

Quando ofertado me será teu peito
Serei refeito das dores e temores idos
Aleitamento de paz terá efeito
Nos vicejantes sonhos por ti acolhidos.

Quando ofertados me serão teus sonhos
Em sussurrar secreto te poderei ouvir,
No embalo de notas e lábios risonhos,
Solfejadas pérolas, meu sonho invadir

Ao jorrar nos corações do amor o sumo
Em verão miscigenado de rumor e calma
Nossa incerteza reencontrará seu rumo
Sorvendo, por consumo, do suor da alma

Dissipadas divisas veremos esmaecer
E recrudescer o frio e fino fio do desejo
À relva, recostados em nosso anoitecer,
Voltar a crer, viver do sonho de novo beijo



589
natalia nuno

natalia nuno

murmúrios...trovas soltas

cansados vão os passos

enquanto o dia esvoaça

levo calados os cansaços

enquanto esta vida passa

'''''''''''''''''''''

levo os lábios sedentos

e a lembrança distante

em lágrimas pensamentos

o esquecimento, constante!

'''''''''''''''''''''

as palavras não se detêm

abrem em mim uma ferida

caem em mim, mas porém

são recordação trazida...

'''''''''''''''''''''

os sonhos me assediam

com silenciosos desejos

com fragrâncias q' existiam

com o sabor dos teus beijos

''''''''''

levam aos olhos ternura

com a linguagem das flores

sonhos orvalhados, frescura

dispõe-me a vida aos amores

'''''''''''''''''''''''

sonhos agora são brancos

como aves surpreendidas

maus olhados, quebrantos

com lamúrias incontidas...

'''''''''''''''''''''''

natalia nuno

rosafogo

504
Enide Santos

Enide Santos

Solidão

Solida

solidão

sentida

sem

solução

sempre

sentada

semblante

sisudo

soltando

sádicos

soluços

sedenta

sangrando

sofre

sonhando

sucumbir

serenando.

Enide Santos 28/08/14

1 076
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

Contigo


Contigo a sós desejei para sempre junto ficar,

Ao teu encontro desejei ir afogar o meu sofrer,

Pelos teus lábios matei a sede do meu suplicar,

Nas palavras que mitigam o medo de te perder.


Contigo aprendi a olhar o mar e a sorrir á Lua,

Vieste com a poesia dos teus horizontes largos,

Que me encheu a alma outrora vazia agora Tua,

Vieste para mim florindo de cor os meus burgos.


Contigo caminharia feliz ao sabor das tuas rimas,

Despojar-me-ia de todos os desalentos e ensejos,

Só te queria por perto para aparar as tuas lágrimas,

Só me queria confortar com os teus doces beijos.

Contigo caminharei para o infinito dos céus azuis,

Ao sabor dum chamamento teu que ecoa por mim,

Para me perder só no teu corpo como sempre quis,

Meu templo sagrado de amor perfumado a jasmim.

Contigo entrelaçaremos os abraços queridos,

Em noites de pura paixão e edílica harmonia,

Juraremos nosso amor eterno em leves gemidos,

Resplandecendo nossos corações em evidência.


430
teka barreto

teka barreto

NÃO FAÇO IDEIA

Não faço ideia

Onde ela está

Segunda partiu

Pois não resistiu

A morte a espreitar

Não faço ideia

Pois, não levou nada

Nem roupas, nem mala

Nem corpo, nem um só riso!

Revelando o aqui jaz

Não faço ideia

O que é dela agora

Só sei que o que resta

São restos mortais

Não faço ideia

Apenas descrevo

Com pouco ou sem zelo

Momentos fatais...

Factuais

Não faço ideia

Não faço poema

Não faço mais nada

Já fiz o que fiz

Agora é tão novo

Que penso tão novo

Porque ser um tolo

A tentar, sem explicar?

Se ela se foi

Se ela não é

Se ela assim quer

Que posso esperar?

Rezar para quem?

Se não sei...

Não faço ideia...

Apenas descrevo

Isto é... penso

Nela está
o meu
todo
a
pensar

Sincera Mente?

Não faço ideia!!!

E nem sei como

Começar deste ponto...

A acabar...
Que fim isso vai dar?

Inicio de vida
partindo do fim

algoem mim renasce
com a morte por fim

O inicio da morte sim...

Começa no inicio do fimsim

Não faço ideia...

Assim é?

Tudo é bem e depois!!!

Vida após vida é

Tudo pós mortem?

Juro...

se orei

Não faço idéia !!!

Teka Barreto

945
teka barreto

teka barreto

Revisão

Revisão

Bem onde o homem se enrosca

A vida segue tranquila

E ele, a olhar prô umbigo

Vesga os olhos para aquém...

Quer ver seu nariz também

Este amplia o seu zoom

Vendo mais e mais de menos

E assim vai se curvando

Criando em si, redondo mundo pequeno

Este tolo só critica

Quando diante do outro

Pois o outro não é nada

Além de uma soma de defeitos

Neste jogo de palavras

Provoco em você efeitos

Se você franziu o cenho

Estás diante de um espelho

Se é poesia o que faço?

Não sei te dizer ao certo

Só sei que malhando o ferro

Aqueço, instigo o seu brilho

Este calor global e poético

Dosado à certas medidas

Revive qualquer defunto

Que se fechou para a vida

És tola... Muitos dirão!

E a resposta não tarda

Se tola é minha poesia

Estás mesmo ensimesmado!

E assim me curvo a ti

Para que olhar nos olhos?

Olho prô meu umbigo

Duas bolas então se fecham... Sem brilho

Tolos também tem função

Nos mostram de antemão

Quem olha só para o umbigo

Tromba,com toda razão... Nas massas!

Criamos assim universos

Que se chocam sem ter ideia

Rolando por sobre mesas

Tal qual jogo de bilhar

Num mundo sem poesia

As massas trocam o belo

Pelo armamento bélico

Nem há razão para parar

E a razão fica escassa

Tal e qual a educação

Papagaios também falam

Sem a menor compreensão

Repetindo, desde inicio...

É que se faz a revisão!

Bem onde o homem se enrosca e embaraça

A vida segue escrevendo... Com ou sem compreensão!

teka barreto

872
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

Não Queria Acreditar


Não queria acreditar no que me tinha acontecido,

Naquele dia singelo em que sofria entristecido,

Vi-te surgir no horizonte ofuscando tudo e todos,

À tua passagem soltaram-se belas flores de lótus.

Não queria acreditar nesta diva encantada luzidia,

Onde agora nos seus lábios bebia o néctar da vida,

Enfeitiçado fiquei receando a tua derradeira caricia,

Nos teus doces braços me embalas de paixão servida.

Não queria acreditar no que os teus olhos me diziam,

Que a paz e a felicidade em sonhos de amor venceriam,

Olhar enigmático terno e meigo que me alimenta o desejo,

De conseguir um beijo teu minha donzela num lampejo.

Não queria acreditar na pureza emanada do teu corpo,

Objecto do meu louco desejo por tocar-te em devaneio,

O delírio que dele transparece em formusura tão fina,

Ai como queria perder-me e só ter como farol tua pele.


443
teka barreto

teka barreto

Retiro

Retiro

 

Tudo que disse, a gora retiro...

Não vejo o mundo com olhos de alguém

Retiro

Agora em retiro

Descanso estes olhos das cenas hostis

Retiro

Estou em retiro

Só em meu mundo. Mescla de paz com razão

Retiro

Eu, e meus tantos outros... Eus. Meu D´Eus !!!

Retiro

Alinho meu ninho, fofas cobertas que se aqueçem por mim

Retiro

Sem nenhum resquício de dor ou de culpa, pelo que vivi

Retiro

Sinto-me em paz só de lembrar, que o melhor eu fiz

Retiro

Pois tudo o que foi, já foi...

 Libertando uma dor... E um final com paz

Retiro

Ciscos dos olhos

Com lagrimas de respeito e de muito amor...

Por ela e por mim

Respeito, não retiro

Direitos, não abro mão

Mesmo estando em retiro

 

Namastê

 

                                               Teka Barreto

624
teka barreto

teka barreto

Milagre ao pé do caixão

Fecha, fecha, fecha!

Ordenava Lana, aos presentes. E é a partir deste ponto que ela, prontamente assume e organiza rapidamente, os próximos passos, adequados. Direcionando habilmente o fim da cerimonia e o fechamento do caixão.

Deste momento em diante tudo transcorre pacificamente. Mas minutos antes... Aquele início de confusão familiar, poderia facilmente ter se transformado em noticias dignas, à serem estampadas às pressas, devido a hora do fato ocorrido. Cenas adequadas a um jornal de quinta categoria.

Cenas de revoltar o próprio Sr. Datena. Cenas de um ódio desmedido, que revelariam coisas mais e mais cabeludas ocorridas em tempos passados, entre os desafetos.

Foram cinco minutos constrangedores. Dignos de meu relato por um único motivo.
Percebi ao longo do tempo e observando o comportamento de alguns, que tem gente que parece humana. E este é meu alerta. Gente que, já morreu e não sabe. Fantasmas com carne e ossos a arrastar-se, prá lá e prá cá! Nariz impinado e soberba na boca.

Gente morta que até vota, como qualquer cidadão eleitor. Gente morta que dirige um carro, paga suas contas e até trabalha depois que aposenta. Abutres que em verdade, mais atrapalham e destroem sonhos, do que contribui socialmente na velhice que se instala, precocemente.

Compreenda. Foram palavras sabias as proferidas por Jesus. Há mais de dois mil anos atrás. "Deixem que os mortos enterrem seus mortos".

Fecha, fecha, fecha!!!

Lana cutuca Lídia e logo, as duas contornam o clima ameaçador, descabido, deprimente e hostil. Rapidamente, as duas passam panos quentes.
Que jogo de cintura tem elas. Lana e Lídia. Como se SABEM e se conhecem de
cor e salteado elas duas, eu diria.

Coisa de cento e oitenta segundos, mais ou menos. E milagrosamente, tudo voltou ao normal.
Gente que ainda estava do lado de fora e respeitosa e mansamente se achegava, sequer percebeu o ocorrido.
O contornado inicio de tumulto.

Muitos nem se perceberam da postura insana, do patético filho mais velho da falecida. Olhos injetados de ódio a fitar e intimidar o irmão caçula, Pablo.

Eu observava um pouco afastada, aquela agressão tosca, odiosa, acintosa, intimidadora e silenciosa.
Do tipo hipnose de serpente asquerosa.
Para mim aquilo tudo, não era nenhuma surpresa.
Conheço bem aquele bronco ladino e abusador, de minha infância.

Faltavam exatos cinco minutos e eu, me coloco estrategicamente, naquele exato ponto do salão. Torço para que tudo termine com paz e respeito. Sem grande alarde ou roupa suja prá se lavar publicamente... E bem num momento desses.
Com o bronco ali... Ah, isso era bem possível de virar baixaria ou pastelão.

Nossa mãe merecia partir como toda dignidade.

Eu não precisava provar nada, nem tinha nada a esconder. Despedi-me dela em vida. Em meu último beijo, ela ainda estava quentinha... Estivemos sempre presentes eu e o Pablo. Dias e noites ao seu lado. Como amigos leais que se unem e se ajudam, em momentos difíceis e de dor. Nos fortalecíamos assim, mutuamente. Estivemos juntos, nesses últimos três meses de muita tensão e incertezas por virem.

Atuando e acalmando a nossa mãe, vitimada novamente, por um segundo derrame cerebral. Leais aos nossos princípios morais e éticos. Como deve ser o agir de seres humanizados. Atos espontâneos e sinceros entre irmãos e filhos, que respeitam a eminente passagem de um ser humano, e nestes momentos revelam a todos, o quanto amam os seus pais.

Em meu posto, um pouco afastada, estava atenta. Logo me emociono ao vê-lo respeitoso, se aproximar do corpo dela. Um meigo e afável olhar, que Pablo pousa delicadamente sobre ela. Minha... Nossa mãe.

Ele parecia rezar, confortando-a e a si mesmo. Momento angelical entre os dois.

Do lado oposto observo, aqui do meu posto...

Aquele bronco a mirá-lo acintosamente, soltando toxinas e venenos pelos olhos dementes e de alma ausente.

Aquela coisa senhores, não era uma expressão humana. Revelava estar ali e de corpo presente, um asqueroso, um odioso demônio encarnado. Sem amor ao próximo, nem mente e muito menos coração.

Alguns amigos e parentes presentes no salão, ao perceberem algo estranho no comportamento do quadrupede, se posicionam atentamente, assim como eu.

Estrategicamente estamos bem preparados ao que poderá surgir. Não há conversa alguma acontecendo. Só troca de olhares. Sinto-me protegida e cercada por muitos seres do bem.

O clima é tenso. Sinto no ar cheiro de confusão, misto de enxofre e flores.

Alguns, porém vendo a cena inusitada, intimidativa e não menos que interrogativa, se aproximam ainda mais de Pablo. Formando assim, intuitivamente, um cordão de proteção contra um agente do mal, que o espreita, com cara de lobo mau.

Pablo nem se apercebera. Tão absorto estava ele, em seu último adeus a mãe.

Foi quando o tal bronco, sendo ainda mais aviltante, o pescoço esticou em direção ao Pablo. Como quem quer meter o nariz onde não lhe cabe adentrar. Uma desrespeitosa e visível invasão de privacidade. Atitude típica de gente chula e sem noção do momento solene e funebre.

Estavam de frente, os dois. Separados apenas pela largura do caixão. Aquele narigão exalava enxofre e podridão no ar. Lembrei-me de um ditado que minha mãe sempre dizia.

"Por fora bela viola. Por dentro, pão bolorento".

Era patética, horrenda e descabida aquela cena. Um demônio encarnado, fitando um inocente. Como se fosse uma cobra vil e astuta, espreitando um rouxinol a cantar mansamente, um suave improviso inaudível de uma reza entre almas afins.

Foi quando resolvi se achegar e me juntar ao grupo de cá. E assim fiz.

Estava eu, distante do caixão uns nove ou dez passos.
Senti que toda nossa dedicação, minha e de Pablo, para com nossa mãe, ainda não terminara.
Aquele animal, que tentara nos intimidar, tinha que ser colocado no seu devido lugar.

Sua dor fingida e sua prostração ao lado do caixão por mais de duas horas e meia, fora apenas provocação e nada mais. Típico dos bichos que demarcam seus territórios. Ou cagando ou mijando no entorno. Me desculpe leitor, o palavreado chulo. Considere estes termos, reconhecidamente agressivos, inclusive por mim, apenas expressões narrativas aqui aplicadas, com a finalidade de descrever todo meu asco, repugnância e indignação.

Eu e Pablo não mais nos aproximamos do corpo dela, desde que aquele bicho homem chegou ao salão. Não queríamos dar pérolas àquele porco insano.

Já tínhamos nos despedido dela muito antes da chegada dos amigos e familiares. Estávamos cansados, mas havia serenidade, respeito e paz em nosso comportamento e apesar de tudo.

Segui confiante, escudada por minha força interior. Estava determinada a por um ponto final naquela palhaçada descabida de maneira firme e respeitosa. A força do respeito, era o meu escudo invisível. Eu me sentia poderosa e capaz. Seria com um golpe certeiro. Dado com um simples olhar aguçado, afiado, ferino e fatal. Eu já antevia a explosão daquela cabeça cheia de vento flatulento.

Entrelacei com meu braço direito, a cintura de Pablo. A minha esquerda estava Lana. A direita de Pablo, Lígia.

Não olhei para o corpo dela. Não fui dizer adeus a ela... Minha... Nossa MÃE!

Fui revelar a ele... Que eu e Pablo continuavamos sim, juntos e até o fim, do lado dela.
Mostrar que exigiamos que ele, se comporte e respeite a ela, falecida e de corpo presente e a todos presentes, como um ser humano que se comporta como gente. Que respeite nossa dor e o momento póstumo, fúnebre. In memória daquela, que é também sua genitora, que agora diante de todos... jaz.

Aproximei-me e olhei fixamente para aquele pulha asqueroso, envelhecido e caquético. Agora ele estava à minha frente.

Ele transfere seu olhar de cão sarnento e louco para mim. Eu, simplesmente olho para sua miséria humana. Fito-o e adentro naqueles dois olhos ocos, claramente sem luz ou resquícios de um brilho... Olhos sem alma.

Tento sem nada dizer, acordá-lo daquele seu transe insano e hipnótico. Olhar típico de um pernóstico.

Enquanto o encaro frente a frente, observo o seu arfar crescente. Uma explosão iminente é agora visível e até previsível.

Os junto dele, começam a segurar o animal que nele desperta, como sua própria irracionalidade, assim o revela.
Um bicho acuado e rosnando, diante de mim é o que vejo.

Este bicho homem, está claramente sendo domado por alguns. Vejo grande besta, acuada diante de mim. Intimidada pelo meu olhar certeiro.

EU SOU, total confiança envolta em consciência. EU SOU, pura paz. Poder maior que me orienta os atos a seguir.

Vejo-o se debater e arfar como um demente... Enquanto EU SOU, PRESENTE EM CORPO E MENTE.

Segundos apenas, se passaram. Descrevê-los, leva uma eternidade.

Sinto brotar de dentro de mim uma forte vontade de rir.
O que não faço por motivos óbvios.

Segundos patéticos, diante do que se revela.

Mas confesso, esbocei diante dele um leve sorriso, imperceptível na boca.
Sorri com os olhos, para ele.
Foi meu golpe final... E de misericórdia!

Foi quando o monstro se rebelou de vez. Grunhiu tal qual um bicho raivoso com focinheira na boca. Dois rugidos pouco articulado e entre dentes saíram enfim.

Só ouviram os atentos e bem próximos da cena. Duas pequenas frase foram com visível resistência articuladas.

Frases que já ouvira muitas vezes. Vindas daquela mesma bocarra escancarada cheia de dentes e imunda.

Apesar do momento solene e tão fúnebre... As duas frases escaparam ao controle dos que tentavam evitar o previsível desastre. Entre seus dentes cerrados, boca babando e olhos esbugalhados ele berrou! Berros abafados por ele mesmo, eu diria... O próprio fel produzido em suas glândulas o sufocava e o paralisava. Mas as frases enfim foram arrotadas...

Sua vacaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

Sua filha da Putaaaaaaaaaaaaaa!!!

Claro que aquele asno, foi logo arrancado dali e rapidamente. Literalmente a besta, foi tirada de cena.

Muitos nem entenderam o porquê de tanta gente a segurá-lo e a arrastá-lo para longe.
Talvez a tristeza da perda da mãe, alguns com certeza deduziram. É normal, quando se ama muito os pais, outros diriam.

Coitadinho... Viu como ele não abandonou o corpo da mãe um só instante. E blá, blá, blás de justificativas as carradas.

Antes de imobilizarem-no, pude ver claramente que levara um belo e bem dado bofetão no meio da cara.

Bem no meio da fuça.

Foi logo ao fim da palavra, pu... taaaaaaaaaaa!!! Um sonoro tapa, merecidamente e certeiramente muito bem aplicado! Eu pude ver e ouvir. Aquilo foi música em meus ouvidos.

Mão santa aquela. Da outra insana.
Me pergunta você... Tem mais loucos?

Digo... Nem te conto leitor. Quem sabe aos poucos e em outros contos.

Sim, tem tarja preta também, na família. É minha outra irmã, Cacilda Maria.

Naquela fração de momento exato e perfeito Stap!!! Um bofete bem dado... Posso jurar senhores, senti minha própria mão esquentar e formigar logo em seguida.

Cacilda Maria, mesmo sendo ela uma esquisóide, assumida e conveniente. Teve sim, um fio de bom senso. Misto de sanidade e santidade, eu diria.

Fecha, fecha, fecha...!!!

E foi daí, que Lana assumiu os finalmentes do cerimonial de último adeus, a sua querida e amada madrinha.
A Minha... Nossa mãe... preciosa.

E assim, você que até aqui me acompanhou, termino esta narrativa.
Pois foi um milagre, o que aconteceu ao pé do caixão de minha mãe.
Um tsunami foi deveras e habilmente controlado.

Entre possíveis mortos ou feridos eu diria... O número não aumentou.

FIM

Nota da autora.: Qualquer semelhança entre a vida real e os personagens deste conto, é pura e mera coincidência.

Teka Barreto

810
beneditocglimadonquixotepant

beneditocglimadonquixotepant

SÁBADO TERNURA

Eu gosto do sábado

porque neste dia

a Poesia

invade a saudade

e troca de lugar

nos corações das pessoas.

Sábado é o dia da ternura.

367
teka barreto

teka barreto

Paraíso, Nagasaki e Hiroshima

Paraíso, Nagasaki e Hiroshima

Pensamento original

e

Pensar mental

Ogivas

Sem

Proporção gerando caos

que não agrega

forçado

esforço

Desintegra

Pensar mental ao saber distingue

Quando não sabe, cria

o

Ponto original

Que chamamos inovação

Os que sabem o últra-velho não aceitam,

Rejeitam e riem

Do pensar novo... Incomparável

Neste mundo de mudança

Revela-se então...

A dança em plena evolução

Deixe estar que hora há de chegar pois,

Toda graça

Ao fim harmoniza

Desintegrando

A desgraçada maldição

Que é pensar velho, tradicional prisão

Que

Extingue ao final

Com razão

Devido à desproporção

Possessiva e

Inoportuna

É

Prudente quem avalia

Comparando o bem com o mal

Que nos guia a ação

Neste mundo material

Criado

a partir da luz

Pois, houve luz original!

Artefato do dinâmico movimento

Arte de fato único, gerando inovadas

ideias

Partículas dos fatos, Pensados originais

Recém-nascidos espontâneos

de

Fótons ideais

Quem não emite luz ao ter

Uma idéia

A pulsar... A vibrar

O quero bem

Desintegra-se

Pois o mal

Arquitetado

Explode

Em

SI

~~~~ (...e...) ~~~~

( )

(((BUM)))

(( ))

()

((((((((((((()))))))))))))

recomeçar

outra

vez

Teka Barreto

992
Madalena_Daltro

Madalena_Daltro

Deus

...É pelo som da lágrima

que Deus me ouve...

3 057
beneditocglimadonquixotepant

beneditocglimadonquixotepant

PAPAI -UM HEROÍ

Meu pai é um guerreiro

trabalha de dia

me ajuda de noite

meu pai alegria

herói do meu lar

me dá o sustento

meu Sol meu Luar

Meu pai homem forte

guerreiro audaz

sujeito de sorte

bandeira da Paz!

375
Samuel da Mata

Samuel da Mata

PASÁRGADA - Atualizada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho o dinheiro que quero
E tribunos que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a decência é loucura
De tal modo inconsequente
Uma farra louca na Esplana
Com a rainha falsa e demente
Vão contratar meus parentes
E a nora que nunca tive

E como farei proezas
Andarei com gente esperta
Chamado por burro broco
Subirei a rampa cedo
Tomarei pinga no bar!

E quando estiver saciado
Ou o País tiver falido
Mando chamar a mãe-d'égua
Pra inventar falsas histórias
Viro herói pra os meninos
Contra o regime militar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a condenação
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostituta bonita
A mil gabinetes ocupar

E quando em presídio triste
De sair não tiver jeito
Simulo uma dor no peito
E vou pra casa farrear
— Lá sou amigo do rei —
Terei o dinheiro que quero
E tribunos que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

1 139
joao euzebio

joao euzebio

ÀGUA

ESCORREU

PELO TEU CORPO

A ÁGUA

QUE LHE LAVOU

ESPIRROU

CHUVEIRO AFORA

OS PINGOS QUE AGORA

PELO CHÃO SE ESPALHOU

E VOCÊ NUA

SOBRE O ENCANTO DA

LUA

MOLHOU OS CABELOS

DEIXOU NO TRAVESSEIRO

O PERFUME

QUE QUASE EVAPOROU

É A ÁGUA

QUE ESCORRE PELOS SEUS

PÉS

NESTA BRINCADEIRA SENSUAL

É A TOALHA ENCIUMADA

QUERENDO TE TOCAR

É O SABONETE

QUE ESCORREGA

E EM MINHAS MÃOS

VÃO PARAR

É MEUS OLHOS NOS TEUS

O SORRISO MALICIOSO

QUE ME DEU

SÃO BEIJOS MOLHADOS

MEU CORPO SUADO

GRUDOU NO TEU

SÃO ÁGUAS ESCORRENDO

LEVANDO NOSSOS DESEJOS

E VOCÊ NUA

SOBRE O ENCANTO DA LUA

ENTRE OS SONHOS... QUE ME DEU.

667
Enide Santos

Enide Santos

Nada me apetece mais que morrer

Nada me apetece mais que morrer.

Morrer...

Morrer de você.

Não vejo a vida

Não vejo flores

Não sei da luz

Não entendo o mar

Não uso o ar

Não vejo nada

 

Apenas sinto e sinto...

Sinto cor

Cor de pele

Cor de olhar

Cor de cabelo

Rubores de amar.

 

Nada me apetece mais que morrer.

Morrer de você.

Ah, expirar instante por instante!

Ah, perder-me tantas e tantas vezes,

Sem querer me encontrar!

Ah!  Deixe-me morrer,

Fenecer de tanto te amar.

 

Enide Santos 07/08/14

 

 

 

 

 

463
RITA FLOR

RITA FLOR

O DIVINO TABELIÃO ... ( Com algum toque de HAICAI ) BJS...



      ___AMOR...
      ___Dou__ FÉ!...


           Bem...A idéia de ESSÊNCIA não é complicada...Ela existe e se manifesta, 
      em nós..nas histórias... Só é trabalhosa quando se tenta sequencializá-la para 
      comunicação e compartilhamento... O HAI KAY é síntese...Pode-se falar mui-
      to com pouco... E não é estranho às culturas que não sejam orientais ( veja-se 
      o EPIGRAMA, por exemplo... )... HAICAI ( aportuguesado...) é algo lindo...
      Mas nós devemos alargá-lo... é minha opinião modesta ...Tirar-lhe o conteúdo 
      religioso ( não todo __é lógico !... não somos bárbaros !...) e assimilá-lo a uma
      altivez de alma que pertence a toda a HUMANIDADE. ..Não que o tradicional 
      não seja lindo... É !... Mas tudo na ARTE tem objetivo de ALARGAR os HORI-
      ZONTES HUMANOS... Não há bandeiras particulares ___todas as culturas con-
       vergem pra ESTRELA CENTRAL da BANDEIRA do HUMANO ... Gauguin, Pi-
       casso, Matisse __na pintura trouxeram outras etnias para um GRANDE DIÁ-
       LOGO... Como iniciadores ainda tudo era o seu tanto INOCENTE . .. Sem VA-
       LOR?! Não !...Pelo CONTRÁRIO ... Mas cabe a NÓS sermos DIGNOS deles, de
       tão boas generosidades e aprofundar isso na INTERFACE de contatos profun-
       dos para o TODO ESSENTE da UNIVERSALIDADE ...E resplandeceremos
       com a s ESTAÇÕES e ainda __de quebra ou de CONCERTO : descobriremos
        NOVAS !...

                                      Com MUITO amor por tds VOCS , a amiga... 
                       Abraços e Boas sortes e boas leituras... FELICIDADES !... ( da ) RITA .
386
teka barreto

teka barreto

O que não vê

O QUE NÃO VÊ


 HÁ LUA

HÁ TERRA

HÁ CORPOS

QUE ESTÃO...

EIS A QUESTÃO!


HÁ ONDE ESTAR

QUEM DIZ QUE HÁ

ESPAÇOS A OCUPAR

E DIZ QUE HÁ LÁ

E... TE ENVIARÁ


UM DEUS... POR FORA A COMANDAR

O OBSERVAR...

SABER É MANUSEAR

O SEI... QUE ESTOU... E ESTAREI

 COMANDO O

ESPAÇO COM TEMPO


QUEM CUMPRE A ROTA

E SE AVENTURA

VEM PRÁ TERRA

OU VAI A LUA

SENDO

EXTRA-TERRENO

ÉS  ET...


PRINCÍPIO DE TUDO

QUE É VOCÊ

NASCER OU MORRER

 QUEM DIZ

ÉS TU  SER...

ETERNO A FAZER


                                                              Teka Barreto

527
Sérgio Rockenbach

Sérgio Rockenbach

Amélia

Dizem por aí que

Amélia que era mulher de verdade

Embasam suas convicções

Na total ausência de vaidade

 

Achava bonito a fome

O ápice do antagonismo

Me perdoe, senhores

É exagerado o romantismo

 

Mas devo considerar

A relativização dos valores

Difícil de compreender

Daqui dos bastidores

 

Oh, Amélia

Parece que foi querida

Na pior das hipóteses

Um legado, uma vida

 

Confesso que não a conheci

E não questiono sua bondade

São só histórias que ouço

De um excesso de simplicidade

 

169
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

Falta-me o Ar




Falta-me o ar quando a pensar em ti desespero,
Eu adormeço murmurando baixinho o teu nome,
Falta-me o ar quando em meu sonho te espero,
A ternura infinita que emana de ti e me consome.

Falta-me o ar quando olho teu busto auroral,
No meu leito curo meu desejo de ti insatisfeito,
Falta-me o ar ao viver este amor intemporal,
Desventurosa afeição que poisou em teu peito.

Falta-me o ar quando leio teus versos ardentes,
Onde cantas frases de amor que me enlaçam,
Soltando beijos divinos nos meus lábios dormentes.

Falta-me o ar quando imagino o teu corpo despido,
Ao afagar-te a pele rosada e quente tão macia,
E os nossos corações unidos num só tão tórrido.


513
José João Murtinheira Branco

José João Murtinheira Branco

FRAGMENTOS III

Escorre-me tinta das narinas e na boca,

cavalguei na ironia, explodi na certeza,

mastiguei fragmentos de poesia louca,

persegui os sonhos, reacendendo a chama,

fui uma árvore, com frutos de tristeza,

com folhas murchadas de chorar o que ama.

Retalhos da vida, a minha alma é água fria,

que vai correndo saída no leito da desilusão,

dorida, cai gota-a-gota por tristes fins de dia.

Rasgo o tempo, decanto fragmento a fragmento

a sombra que arrasta uma auréola apagada,

queimas-me o sangue, enches-me o pensamento.

.João Murty

722
RITA FLOR

RITA FLOR

OTIMISMO


      As coisas que "acontecem" com 
                               / o ser HUMANO  não
      são elas o "pasto" da  Literatura...
      As COISAS que "não-acontecem" com
                       / SER... humano
      que o EXALTAM
      no CRISTAL do sonho REAL
                                     /  do ser ___ e  NISSO o
                         VAM... 
                  LE
       ___E
       ISSO SIM é os __bons ___
        os ÓTIMOS...
        na bondade da hipérbole____viva amorosa e...
       criativa
        ISSO é a LITERATURA ___conforme eu vejo
                          /  e a VEMOS
        LINDA MATIZADA e Febril  também
                                                     / ALCANDORADA ...
        que possibilita o interior vivo da fruta VIVA-VIDA
        e sempre com Sublimes  GOSTOSURAS...
        Sim...: Isso é ___"LITERATURA"... 
        não só
       "LEITURA"!...
359
Luzia Magalhães Cardoso

Luzia Magalhães Cardoso

Invernou-me o coração

Extensa é a rota... Eu rumo só...

Vestes poucas, rotas, vou absorta...

Nesse tempo tonto, tantos nós...

Mesmo qu'invente almas, estão mortas.

Eu sigo, vazia... Todos os dias...

Esgotou-se o aroma primaveril...

As flores murcharam, sem rebeldias,

e o amor d'outrora já está senil.

Os gelos descem dos cumes dos montes,

e o sol, tão distante, não chega em mim.

É ácido o que entra em minhas fontes.

Frágil, a esperança se entrega, enfim.

 

São tão longos os dias desse inverno,

e o frio que sinto parece eterno.

Luzia M. Cardoso

 

778
alexandre montalvan

alexandre montalvan

Eu Te Amo


A quantas vidas te procuro
São tantos véus que se faz obscuro
O amarei, o amar, o amei
O que faz saciar minha fome

E o meu sangue impuro se faz
Por tantas vezes, que eu já não sei
Nesta busca insana, e m'alma inflama
Eu penso que sei, que te achei

Meu Deus, como posso amar o que não sei
Como posso olhar os teus olhos
E te ver no passado ou no amanhã
Em teus braços amados, sentir que te achei

A quantas vidas grito, saudades!
Pegadas sobre pegadas, e refazer os meus passos
E procurar teu regaço
Que tantas vezes minha cabeça reencostei
E dizer-te, que eu te amo e dizer, eu sempre te amei

Alexandre
Queridos amigos com esta poesia eu fiz um vídeo que postei no youtube fiz com mto carinho se puder faça-me uma visita vou ficar mto feliz, alexandre
http://www.youtube.com/user/processolento

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