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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Finjo compreender os outros …





Finjo compreender os outros

Sobretudo os mortos, minha memória
Tanto faz lembrarem quando me for,
Se nada fiz de bom a ninguém,

Nem a mim tampouco, indiferente
Ao circo, a indiferença é um cinzel
Que me iguala aos outros nos cantos,
Reduz arestas, sobretudo aos mortos

Das campas rasas como estas daqui,
chuva é detergente, erva não cresce,
Finjo entender dos outros sobretudo
A poesia, não faço parte do publico

Fraudulento estragado, não me apraz
Ser enterrado no vão de um buraco
Feito no chão, igual aos outros mortos,
Aos quais o inútil não destrói, a mim

Me dói tanto que me transforma em
Lívido, eu que era do tom das alvoradas,
De total silencio, de quando tudo é mudo,
Finjo compreender os outros qb,

Sobretudo os mortos da praça Camões,
Do numero dez em diante, incenso branco
Sentimento de culto, Pascoaes,
Finjo compreender nos outros,

O comum comigo no exterior,
Olhos e ouvidos, o resto são males de sono,
Tão brancos, breves quanto alucinações
De louco, fujo de compreender isso

Quase tudo, sobretudo nos poetas mortos
Despidos da matéria, sonho o absoluto
Em quadrantes de sombra e lua,
Imortal a poeira antes de ser ouro puro,

Tudo o resto males e marés de esforço,
Olhos e ouvidos comuns a um umbigo
Dos outros comigo...
Finjo compreender outros, esses.

Joel Matos (09/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
790
ALVARO GIESTA

ALVARO GIESTA

O CORPO (extractos)

o corpo, manhã erguida
(como se fosse o Ponto de Bauhüte) [i]


1.
nu branco e negro
jaz
em círculo enrolado sobre
a luminosidade luminosa do lençol
      ___o corpo
2.
circunscrito
na concha que se forma ao centro
      ___o nascimento
3.
nele o ponto negro interacciona-se
com o quadrado luminoso do lençol
      ___assim é o corpo como ponto de bauhüte
4.
três vértices na mancha negra
      ___o triângulo e o seu ponto interior -
no centro grita o fogo a chamar
sobre o corpo enrolado
5.
grita na pele o sexo  ___a mancha negra
em união com a geometria
do triângulo
6.
na pele a febre oculta bebe o ar
no corte vertical fechado em concha
que se há-de abrir entre as coxas do poema
 7.
quando os lábios
na sede de se darem se entregam
ergue-se o gesto que faz a poesia do corpo novo
neste sempre corpo branco e negro
em círculo enrolado na macieza luminosa do lençol
8.
no corpo a rasgar-se a concha
fechada ao centro no triângulo negro
para o mistério do nascimento
o sempre mistério do corpo feminino
e imaculado anunciando a renovação
9.
o interior oculto do triângulo
onde o mel da terra se cria e se dá
no fogo do vinho e da água
e da rosa vermelho-sangue
      ___altíssima perfeição
10.
no oculto interior o mel se derrama e o sol
como quinta essência se dá ao ósculo
      ___o ponto de fuga e união perfeita do triângulo
do corpo enrolado em círculo

in O Sereno Fluir das Coisas, 2018, In-Finita, Lisboa
(aqui adaptado)
789
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

I must believe in spring again …





I must believe in spring again ...


As heras passam, passam
P'lo meu corpo inteiro,
As aves voam, esvoaçam
Sob minhas raízes d'pinheiro,

Ai..se eu fosse marinheiro,
Não mais morreria afogado,
Traria do mar o cheiro frio
D'um beijo d'mar abastado

E das madrugadas d'outras heras,
P'rós cheirar nas searas viradas
P'lo vento, o cheiro a aguaceiros
E na erva brandura próprio delas,

Da seiva não sei, minh'alma é calma
QB e a chuva é lenta também, se arrasta
Nas madrugadas e no trigo casto,
Trago no coração ruim amigo,

Aí os corvos esvoaçam o dia inteiro,
Sob estas minhas raízes enterradas,
Nem sei se chore ou se rio,
Ou qual desses primeiro e a fio,

I must believe in spring again ...

Joel Matos (09/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
672
annabarton

annabarton

Pois ela

A Poesia
Pois é
Ela toda
É o que nos alivia
É o que nos dá Vida
É o sentido, o Seminário, o Adultério
O vestíbulo, o céu, a Limonada
A vassoura
As horas todas
As orações de desespero
Os suspiros da Canção
É
A Poesia é a Musa
Do bordado adjacente
Da virtude virtual
Do vitral
Dos Clerestórios. De todas as vaginas
A poesia é a mais
Gostosa. A Verdadeira Virgem
A unção de um perdão
Toda a Poesia do Mundo
Tem aqui, dentro do meu peito-pai
Toda a liquidez dos momentos
Toda a flacidez da ignorância
Toda a ternura das despedidas

Um poema
Em letras
Em música
Em recitativos, ou em silêncio resguardado
Não importa
Não há diferença, não existe permanência
É Ela
Aquela que me excita, que me esconde
Que me virgula, que me pontua
Toda, completamente despida
Aberta, desavergonhada.
À disposição

Ali, ao meu alcance
Sem permissão, sem inteligência
A POESIA
Deliciosamente disponível
É minha
É tua
Casa, feto, fato, lacuna
Cântico
Poema
Põe
Em minhas mãos
A tua ponta, o teu protesto
A tua próxima encarnação
As nossas mãos
Unidas sob o Sol

Contempla esse milissegundo
Que já gozei
Nesse poema
398
J Souza

J Souza

Lembrança boa

Boa noite,
Sei que não é hora, nem momento apropriado, para pensar em lembranças que ficaram no passado.
Hoje peguei-me perguntando, qual o verdadeiro significado da palavra felicidade, buscando em pensamentos, vejo que são momentos que foram vividos de verdade.
Tempo bom aquele, de vizinhos, criança, que jogávamos vídeo game, na sua casa, nossa infância.
Na escola era estudo, elogios, era dança, demonstrações demonstrativas de carinho e esperança.
Mesmo sem saber, Deus já traçava, o que o tempo fez com a gente, nem borracha não apaga! Não paga! Nem mágoa! Nem cala! Nem Mala! Pois mesmo dois corpos tão distantes, um coração feito de amor gigante, retratos falados na estante, mesmo que seja deselegante, não tenho medo das leis de Newton, que toda ação tem sua constante.
Só queria voltar no tempo, em que éramos dois talentos, pois na arte do amor sincero, nós não tínhamos lero-lero, aqui a união dava berro, cantava mais que quero- quero e canário amarelo.
Quando acordava, me dava bom dia, se dormiria boa noite, se eu respondesse sorria, se eu te ligasse dizia, que o seu amor por mim era maior que qualquer poesia, feita com maestria, nossa filosofia.
Espero que esteja bem, pois aprendi no perecer, que amar é querer bem, mesmo não estando com você.
Hoje reparo que ainda me observa, não sei o que passa pela sua cabeça, mais o olhar era o mesmo, quando me disse pela primeira vez, TE AMO com todas as letras.
Talvez falte atitude, talvez sentimento, talvez falte coragem, talvez falte momento.
Quero que saiba que nem o tempo, nem a força do vento, nem os meus novos momentos, apagarão de verdade o que eu sinto aqui dentro.
Sua vida, 03/02/1993 ás 00:00h
149
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Em lugar primeiro …






(Em lugar primeiro,)


Não quero nada inteiro,
Como uma criança o giz
Ou um brinquedo dado,
Uma completa dor de cabeça,

O sol ou o céu abertos de par-em-par,
A morte certa ou o pão mole por partir,
O encanto do azul-marinho esbatido na praia,
A miragem do deserto em faixas ocre e amarelo,

Inteiro é o doer
Que ninguém deseja,
É o sofrer que convive contigo,
O brinquedo da loja, que queria ter,

O céu e o sol porque são meus
Que os conheço,
Sobre a cabeça ponteiros
Como pensamentos, lanças d'África,

Não quero por espontânea geração
O que sinto e lá não está,
Nem o que trago em trapos rasgados,
Mal cosidos ao peito,

Não quero inteiro nada, nem a vida
Dividida, não quero lugar terceiro,
Não quero nada por inteiro,
Quero todo o erro que eu possa ser,

Em lugar primeiro ...

Joel Matos (01/2018)
http://joel-matos.blogspot.com
698
natalia nuno

natalia nuno

este é o meu fado...

Cresce em mim a vontade
Nesta quietude da tarde
Mas vou deixar-me na saudade
Do Amor que inda em mim arde.
Me deixo ao sabor da corrente
Como rio que corre manso
Lembro de mim saudosamente
Não quero sair deste remanso.

Hei-de deixar o sonho medrar
O sonho que tive um dia
Dar guarida a este sonhar
Que sonhar o sono cria.

Lembro o papel perfumado
Onde embrulhaste minha trança
Também o beijo roubado
Ai, de lembrar já me cansa!
Fecho os olhos fico a cismar
Tenho minha alma perdida
Em meu peito vou guardar
O Sonho da minha Vida.

Loucos são meus desvarios
Das lembranças não me desfaço
Correm em mim como rios
Sombras de mim as abraço.


rosafogo
natalia nuno






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253
natalia nuno

natalia nuno

abraço...

Tento decifrar a Vida
À hora do Sol no poente
Poesia na aragem perdida
Saudade, bem estar, dentro da gente.
Lembro a frescura do rio onde me banhei
E o colo terno onde me aninhei.
Andam em revoada aves p'los ares
Aos meus ouvidos palavras fazem toada
Poesia nos meus choros, nos meus cantares
Para quê estar com a Vida magoada?

Vou minhas poesias joeirando
Nas lágrimas dos olhos e minhas fontes latejando.
Meus versos têm Poesia!
Posso até esquecer a métrica!?
Mas meus versos têm Poesia!
E será sempre verdadeiramente poética.
Não sei da mecânica da palavra, não!
Mas sou poeta de coração.
Dou-me a cada verso, deixo de mim um pedaço
E com este poema inteiro,
meus Amigos vos abraço.



natalia nuno


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322
natalia nuno

natalia nuno

amor...saudade...

já não tenho mais palavras para dar-te. guardei-as nos teus olhos como se as sepultasse, para escrever mais tarde um poema que me amasse, me fizesse sentir viva, me falasse a tua língua e não esquecesse de me deixar ao teu beijo cativa...amor perfeito este que trago a latejar no peito, como uma festa de estio, amor que é rio, e é ponte que atravessa meu horizonte, tempestade e serenidade... amor que é saudade!

natalia nuno
315
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

(Meu reino é um prado morto)






A minha mão não cobre o mundo todo,
Mas a sombra assusta os passageiros
Viajantes que no meu albergue entram,
Venho de candeio na mão... bruxuleando,

Apetece-me também eu partir quando chove
Mas dita o destino,-de que não sou dono-
Criar bem dentro uma espécie de abismo
Tutelado por uma outra dimensão de mim próprio,

Sonho de que sou eu mesmo a quem
Obedece a trovoada e o mar oceano
Revolto, acordo com a serenidade de um seixo
Que tem qualquer outra pessoa sem ter rosto,

Igual a eles em tudo e até a morte receio,
Sobretudo eu, de que serve ser do sonho
Autoridade ou rei príncipe se não mando
Sequer nos vencidos, tanto quanto eu sou

Quando acordo, terreno e ilucido, viajando
De noite sou rei dos bruxos, acordado sou
Insignificante baixo, seixo cego, sargo morto
Assim como tu, que não és nada nem ninguém

E nem eu encubro e luz dum todo, esta ou outra,
A ciência ou a metafísica, Venho de candeia na mão
Como se os meus pensamentos fossem
Realmente vitais p'ras dimensões que tem a Terra

No universo, às vezes deixo-me possuír
P'lo logro, outro modo de ser quem sou
E sonho que posso içar palavras em tribuna
Alta, adaptada a mim mesmo e acender a vela,

Como se tivesse atravessado eu um braseiro
Agnóstico e místico, sem rosto pra que me esqueçam,
Apenas sussurro e arvoredo, venho de candeio na mão,
Cedo é e a paisagem o desenho geométrico mais antigo

Do mundo, eu pra o abrir, cego descubro que
(meu reino é um prado morto)

Joel Matos (01/2018)
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622
chris_s_dom

chris_s_dom

máscara

rio
deste rio
mas não rio
(ou o antirrio?)
as ondas criam
a ilusão de que rio
mas, ora, que rio?
destes muitos!...
que seja o rio
que deságua
em paz
237
natalia nuno

natalia nuno

amo-te na noite em silêncio...

Amo-te na noite em silêncio
Viajo p'lo teu corpo sem me deter
Me aquieto depois nesse abandono
E de prazer me deixo morrer.
Dos teus olhos surge meu dia
Das tuas mãos a minha serenidade
Das tuas palavras a magia
Que lembram d'outros tempos de saudade.

Entre a felicidade surge incerteza
A vida nos parece ainda jovem
Bela é a sua plumagem...a beleza!
Mas já nos meus olhos chovem
águas precipitadas
como rio transparente.
Que foi feito do amor da gente?
Amo-te na noite em silêncio
Meus lábios se encendeiam
Faço o sonho acontecer,
enquanto teus braços me rodeiam...
Em delírio me deixo morrer!
Lembranças acaricio
nesta tarde de estio,
enquanto o sol se põe no poente.

Que foi feito do amor da gente?

O amor apenas vive enquanto queima
Quero voltar a ser tão tua como agora!
A vida foge, a vida teima,
de tanto olhar atrás passou a hora.
Instantes passados me vêem á mente.
AMOR...
Que foi feito do amor da gente?
Num último beijo me abandono
Na doçura da memória, aguardo o sono.

rosafogo
natalia nuno




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297
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Nêsperas do meu encanto…




Nespereiras, o meu encanto...

Entendo mal todo o pomar,
Nespereiras do meu encanto,
Folhas pregadas a um tronco,

Firmes, sossegadas, nenhuma
Se destaca, o meu pensar não
Também, fez-me "Soba" o circular
Sono e as folhas tapam o solo

Nu, postiça a sensação de paz,
Remota a glória que me coroa não
E às vespas douradas pretas,
Entendo mal o sacro pomar só,

Faz-me falta o ar liso, a vigília
Morro sem razão concreta, aparente
Ou epidémica, pregado ao tronco,
Decorativo, sossegado, perpétuo

Nespereiras do meu encanto
Que despidas nunca pude admirar
Escuta-as débil o ouvido meu
E é só...

Entendo mal o pomar todo
De perto poderiam representar
Um sentido oculto antigo que
Eu quero sentir, mas não,

Nespereiras do meu encanto,
Folhas pregadas ao tronco
Impedidas de abalar do mundo
Assim eu, humano rude, manco, feio,

Nespereiras do meu encanto,
Nêsperas, o meu canto...

Joel Matos (09/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
722
annabarton

annabarton

In

Um coração inflamado dilata o Tempo
E cria frestas de felicidade que significam a quem o alimenta.

Entendo que não-significo
Dolorida, retiro-me,
Indigna serva da Vacuidade
304
natalia nuno

natalia nuno

folhas caídas...

Quanto mais a noite é escura
Mais brilham estrelas no Céu
Nem sempre o amor assim dura
Mas... dura o meu e o teu.


Os sonhos, o vento levou
São folhas secas p'lo chão
Lágrimas da fonte que secou
Desfeitos p'la vida em confusão.


É sempre Amor que nos anima
E o beijo que nos embriaga
O desejo cresce e aproxima
Mas é o olhar que se alaga.


Enfeiticei-me com teu sorriso
E com tuas graciosas maneiras
Mas trago o coração indeciso
Nas brasas das tuas fogueiras.


Sem temor nem hesitação
Entreguei-te a vida inteira
Com tanto amor tanta paixão!
Fiquei cega de tanta cegueira.


Deixo-me afogar em teus braços
Vivo desta fugaz ilusão.
Penetro num mar de abraços
Me diluo, em rio de paixão.


De todos os sonhos sonhados
Nem todos a Vida matou!
Rumam em ventos trocados
Calam-se os ventos, lá estou!


E na ânsia de te querer
Já minha força é pequena
Não tenho mais pra te dizer
Só que o amor...valeu a pena!

rosafogo
natália nuno


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272
natalia nuno

natalia nuno

canto vida e morte...trovas

que hei-de supor da vida
nem sei se hei-de cantá-la
já a julgo tão perdida...
mas não canso d'lembrá-la

venho os olhos enxugando
teimosa lágrima caindo
tempos que vou lembrando
e tanta saudade sentindo.

hei-de falar-vos do povo
que alegre seguia em frente
dia a dia nada de novo,
mas era feliz nossa gente

moía o trigo no moinho
e a água corria no açude...
nada o impedia no caminho
gente boa ...ainda que rude

não digo mais nada não!
deixo-me sonhar deste modo
fecho o livro aqui à mão
quero viver o sonho todo...

as tábuas que hão-de pregar
no caixão quando eu morrer
ai, não vale a pena apressar
deixem o pinheiro crescer

e quando acontecer:

olhai meus olhos serenos
e minhas mãos quase frias
não quero lágrimas, acenos
leiam-me antes poesias...

natalia nuno
257
ALVARO GIESTA

ALVARO GIESTA

EM JEITO DE AUTORETRATO


Quantas vezes fui mar bravio e pedra dura
fingido herói buscando a força da floresta
aquele que no verão resiste como a giesta
no inverno se nega à força da sepultura.

Se fui terreno enlameado, porém não fui
a traiçoeira e falsa areia movediça;
e muito menos falsa ponte quebradiça
sequer aquele que em falsas preces se dilui.

Sou a força do mar bravo; e do vulcão
o fogo que aquece e que destrói. Sou e fui
a força vertical quando devo dizer NÃO

e o quebrar - sem torcer - da força da razão.
Jamais aquele que de ideias se prostitui!
__ Assim fui e serei sem qualquer inflexão.

in O SERENO FLUIR DAS COISAS, 2018, In-Finita Lisboa
antes publicado na Antologia Conexões Atlânticas II
903
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Sublime, suprema arte …





Sublime, suprema arte ...


A vida é uma curta aberta
Entre tempestades, é a bonança,
No entanto cabem nela,
Todos os comuns sonhos,

E outros menos normais
De ermitas e simples gente,
Pra quem a vida é arte
Sublime, suprema, não tão

Pequena quanto a nossa,
Se é que ela existe como
Conta-corrente eu nado-morto,
Miragem no deserto,

A vida é uma curta aberta,
E eu acabo por ignorar,
As estrelas que do céu
Me vêm pouco e sem tempo

Entre as tempestade, a bonança
Entre morte e renascimento,
Quem me dera ser monge
Ou camponês, pra ter estrelas

A apontar do céu pra mim,
Mesmo na noite mais escura
Que o breu e fazer da morte,
Instante menor que vida ultra,

Sublime, suprema arte,
A vida é uma vala-comum aberta,
Por onde passam destinos
Soberbos e sobejos humanos,

Despojos desiguais, uns mais
Intensos mais nobres que de Roma,
Os centuriões guerreiros das guerras
Púnicas, outros que a gente perde

Pra morte...

Joel Matos (01/2018)
http://joel-matos.blogspot.com
749
Antonio Aury

Antonio Aury

Antonianas!!


Num martelo agalopado eu conto de um até mil
Lula será três vezes
O Presidente do Brasil!

Cante comigo,
não tenho medo do perigo
não tenho medo da morte
nem de gringo de olho azul
sai prá lá demo do norte

Viva a América Central e
Viva a América do Sul!

Lutar sempre é a nossa sina
Viva a América!
Viva a América latina!
283
natalia nuno

natalia nuno

meu pé descalço...

meu pé descalço

vamos passando os dias a sonhar, vamo-nos rindo nos momentos de ilusão, e, há momentos em que cismamos que havemos de ser felizes, é que nem sempre a felicidade está presente... então, tomei ao tempo um tempo para sonhar, sem deixar que ele perturbe os meus sentidos...e na poesia quero soltar o que me vai na alma...minha história é tão antiga que algumas coisas já esvaziei da memória, sou então como uma jarra antiga onde as flores foram morrendo enquanto o pó foi crescendo sobre os móveis, agora tenho os cabelos brancos e a solidão me pegou. Mas, neste tempo que tomei ao tempo vou arrumando sentimentos e deixo que a tarde caia sobre meu rosto, tomo o atalho do meu coração que me leva às lembranças, revisito os cantos da minha aldeia e sinto-me uma andorinha acabada de chegar, trazendo nos olhos a primavera, estou descalça para não chegar tarde que o sol está a cair, já avisto o vermelho dos telhados, ouço o eco dos sinos e ao longe o verde dos frondosos salgueiros da beira rio...já ouço o cão ladrar dando sinal que alguém está para chegar, ele que foi testemunha da minha alegria de criança, lá está o portão que ainda chora o meu adeus, não sei se entre!? É que as paredes do meu quarto devem ter humidade, o tempo não se esquece de fazer danos, mas a saudade obriga-me a entrar, dou volta à chave, lá está a minha cama estreita nela já ninguém se deita, abro a janela espreito por ela o rio que canta a mesma melodia... e ele me olha como se visse ainda a menina esguia que nas águas se banhava e lá em baixo a horta que eu pensava estar morta de sede, e qual não é minha surpresa... meu pai a regar, olhou-me, e afagando-me com o olhar deixou-me saudosa no tempo...

natalia nuno
rosafogo
do meu blog "Memórias de mim"
356
natalia nuno

natalia nuno

trova singela...

singela...

aonde vou eu peregrina
a algum lugar sagrado?
talvez lembrar da menina
que sempre trouxe ao lado.

natalia nuno
278
Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Primazia

Em toda minha vida,
Pela primeira vez,
Vejo de modo claro,
As flores desabrocharem em meu jardim,
Percebendo o quanto eu te amo,
Beleza vertente do seu sorriso.
Eu me vejo em sua alma,
Reflexo de nossa vontade manifesta,
Emoções sob emoções,
A nos conduzir em plenitude,
Profundo desejo,
Construído no fogo das provações.
As batidas do meu coração,
Seguem o ritmo de sua cumplicidade,
Sei o quanto és importante,
Nesta ponte construída,
Com as pedras colhidas,
Ao longo do caminho.
Atravessamos os vales perigosos,
Com nossas mãos entrelaçadas,
Abertos aos desafios do amor,
Nossas vidas em busca da felicidade.
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Travisto-me de aplauso




Travisto-me de aplauso,

Prego aplausos, emprego
Aplausos em artes visuais,
Construo palácios com eles,

Excepto às Segundas-Feiras de cinzas,
Quando preciso alimentar
A sensibilidade em silêncio
E fazer o que deveras quero,

Ouvir o vento, basta isso,
Pra que me complete e
Contente ... ah, de palmas
Também e dessa tal gente

Despida de gestos que os
Meus são comuns lugares,
A razão porque tanto desconheço
É ver tão perto quando me penso

Barro, argila ou ferro fundido,
Travisto-me de tudo quanto do
Mundo me separa o corpo real,
Travestir-me de público ou "nu-rei",

É raro, excepto nas Sextas-Feiras Santas,
Quando a alma é mais negra e cega
Que carvão em pedra,
O que deveras quero é silencio ...

Joel Matos (01/2018)
http://joel-matos.blogspot.com
589
natalia nuno

natalia nuno

como se olha a quem se ama...

Encostava a concha ao ouvido
E ouvia o tempo das marés
E no meu sentido
saboreava a fantasia,
de correr o mundo de lés a lés,
contigo um dia.
Era um sonho,
onde dava largas à loucura
Já sentia em mim o calafrio
da Poesia
e no meu rosto a frescura,
e a chegada do navio
atracando.

E eu te amando!

Cabelos em desalinho
Uma forte gargalhada
Me ías dizendo baixinho...
Anda comigo mulher amada.

Mas só sonho era!
A vida real à minha espera.

Vinhas beijar-me
Caminhando num passo miúdo
Na demora de estreitar-me
Quando nosso amor era tudo.
E éramos dois rios de ternura
E nas margens pássaros cantando ao vento
Chama do corpo e da alma...loucura!
Leito de amor, nosso momento.

Não voltarei a estar triste
Respiro a fragância deste sonho
Solto-me do torpor!
Releio tuas cartas de amor.
Hoje quero viver,
fechar os olhos e renascer.

rosafogo
natalia nuno

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