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natalia nuno

natalia nuno

recolho as palavras...

Trago as palavras gastas
as rimas doentes
Chegam a mim indiferentes
fatigadas
Recolho-as no muro da tarde
fracassadas
Pousadas na saudade.

Sedentas de cumprir o seu papel
Entregam-se como o polen à abelha
Ou como a abelha se entrega ao mel
Soam secas, são como alimento
humilde
Amargam o meu tempo
Aumentam os meus medos,
a minha loucura de recordar.
Mas são a minha esperança de continuar,
a ouvir as minhas gargalhadas
a escutar as minhas passadas.
De me sentir no campo uma cotovia
em liberdade.
Dia a dia...
De morrer e renascer
com infinita saudade.

Palavras são a única voz que me resta
Gastas, indiferentes fatigadas,
como manhãs nubladas,
onde o sol é apenas fresta.
Que eu viva ou morra pouco importa!
As palavras atordoam a minha alma hora a hora
Abrem porta...ao meu peito
Invadem a solidão do meu leito
São testemunhas do meu desalento
Mas nada disto é em vão!
Pois elas são o meu sustento
O sustento do meu coração.


natalia nuno
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natalia nuno

natalia nuno

pequena prosa poética...

por te sentir e amar, sinto angústia por te perder, é dado amar sempre mais, não importa que um de nós adormeça primeiro, quem ficar agasalhará no peito a primavera deste amor...como se nada houvesse mudado...nada separa o que não pode separar-se...numa pequena barca atravessámos o rio, desatentos, não demos pelo tempo que caminhou ao nosso lado, breve, como a sombra duma ave que passa...

natalia nuno
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RicardoC

RicardoC

A BANHAR

O bulício das águas contra as lajes
Ao descer os degraus da corredeira...
Aonde eu te levei por companheira
A nos havermos sem pejo nem trajes.

Não importa por onde ou com quem viajes,
Jamais encontrarás igual ribeira!
Tampouco te verás, aventureira,
Tão mais longe dos vis e seus ultrajes...

Onde toda a nudez jaz inocente
E mulher e homem são naturalmente
Dois bichos a banhar-se em pleno cio.

Guarda no coração aquela tarde,
Cujo recordo ainda em desejo arde
Meu corpo sob as águas d'esse rio.

Santana do Riacho - 12 10 2012
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natalia nuno

natalia nuno

pequena prosa poética...almas penadas

falta apenas um passo para que o sol caia no mar, o céu está dum azul transparente, sem uma nuvem, apenas uma brisazinha a lembrar que ainda estamos em abril, nos montes as giestas estão em flor e a urze negra parecendo envernizada com florinhas brancas despontando, um ribeiro vai cantando, vem serpenteando por entre os freixos e medronheiros como se tivesse pressa de chegar a qualquer lugar ou viesse a fugir de qualquer coisa, mais ao longe um rebanho enfeitando a paisagem, as árvores agarram-se à terra com raízes fortes, ostentam galhos novos e folhas no seu verde esperança avisando que a primavera está por aí... também a passarada jorra a sua sinfonia, e outra bicheza tal como as perdizes perdidas nos matagais procurando com ansiedade correr os campos ágeis e felizes, é hora de pensar na prole de procurar um esconderijo onde os pequeninos seres possam nascer sossegadamente sem perigos, as carriças fugidias assustam-se com pouca coisa e escondem-se no caniçal, nas silvas e tojos andam os insectos numa roda viva, alheios a todo o resto. O entardecer vai ficando cada vez mais escuro, já se ouvem os guizos das ovelhas que retornam ao curral, ouvem-se os sinos tocando às orações da noite, os carros de bois rangem estrada fora de volta à aldeia, e na encruzilhada ouvem-se passadas e vozes baixinhas, dizem ser almas perdidas, penadas, almas do outro mundo que vagueiam sem que se saiba porquê... a noite traz a sua magia e a quietude, assim como a certeza dos sonhos, e a esperança num mundo melhor...olho com lentidão o horizonte e ouço bater o coração e no assombro do momento tudo me parece realidade mas, é só a saudade.


natalia nuno
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natalia nuno

natalia nuno

pequena prosa poética...

bem vindo o azul da noite sobre o rosto verde da folhagem, logo é a hora em que os corpos se enrolam, as bocas se juntam, famintamente se amam... a janela continua aberta, recebendo o vento amável, só ele testemunha o absoluto deleite do amor entre quatro paredes... vai implorando morrer entre os amantes...encostada a uma esquina a lua traja de prata, alheia à janela aberta, tocando com os lábios a terra a seus pés e, deslumbrada, olha cada palavra que o poeta frustrado, coloca sobre o papel branco da côr das flores da magnólia, e deixa num verso uma réstia de doçura...

natália nuno
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Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Refúgio

Regresse antes que a saudade me leve,
Intenso fastio de um coração ocioso,
Ao passar os dias em dores silenciosas,
Lembrando-me dos afagos em teu seio;
Memórias que me aninha,
Gosto do beijo em teus laços,
Alegre beleza de tua face,
Leve toque dos teus lábios,
Ao meu querer tão distante.
Volte antes do entardecer,
Cure minha voz quase rouca,
De tanto chamar teu nome,
Noites a fio nesta solidão,
Sombra solene de tua ausência.
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Raquel Ordones

Raquel Ordones

Trilhando-me



Descendo e subindo
pelas ruas de mim,
em meio as folhas
calçadas de anseios
conheci cada pegada tua,
ouvi cada respirar
Senti nossas peles se trocando
os desejos se beijando;
vi que percebia o eclodir das rosas
que nasceram em meus canteiros
jorrando por ti um gozo de perfumes.
Em minhas esquinas não hesitaste;
em momento algum as dúvidas
se fizeram presentes;
Seguiste em frente ficando em nós
as marcas de vontades!

ღRaquel Ordonesღ
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ariana112

ariana112

Pessoas Vazias

Quem sou eu?
Quem somos nós?
Pessoas!
Mas somos apenas isso?

Não!
Somos mais que pessoas
Somos um ser mais repugnante
Somos Pessoas vazias!

Vivemos falsas vidas
Numa falsa felicidade
E fingimos que tudo está bem.
Vivemos num mundo
onde as aparências são mais importantes

É como se interpretássemos um papel
Cada um com a sua função,
É como se tivéssemos medo
Medo de mostrar quem somos
Medo de conviver
Então nos escondemos entre mascaras de tristeza

Encaramos os ecrãs
e vivemos como refugiados na nossa própria vida.

Que vida triste!

Somos egoístas
E estamos tão cegos
E vivemos tão cansados
Que fingir tonou-se rotina
Tornou-se parte de nós!
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RicardoC

RicardoC

DON'ANA (sextilhas)

Era uma mulher do lar;
D'aquelas para casar
E que se quer sempre sua.
Que sabe bem seu lugar,
Pois, tem recato no andar
Quando passa pela rua.

"Don'Ana" tinha por nome
E um desejo que a consome
Desde que bem pequenina:
Senhora sem sobrenome,
De ser alguém tinha fome
Pois para tal se destina.

Noiva, era muito feliz,
Tendo tudo o que quis
Porque sempre do seu lado.
Por fim, para todos diz:
-- "A minha sorte eu que fiz,
Depois de tê-lo encontrado..."

Sim, entre quatro paredes,
Ei-la sem sedas e suedes
Em face d'ele despida.
E cheia de fomes e sedes,
Tal como sereia nas redes
Deixava-se ser possuída.

Era no mundo uma dama,
Mas uma puta na cama,
Tendo-se melhor mulher,
Do que quem no mundo puta
E na cama só computa
O quanto ou quando querer.

Mas, para sua surpresa,
Era bem da natureza
Do seu noivo, de primeiro,
Na mais pura safadeza
Após deixar a princesa,
Ir pernoitar no puteiro:

Contam à boca pequena
A alguma vaga morena
As visitas do seu amor...
Que sentiam até pena
Da noiva que ele apequena
Por não se lhe dar valor.

Que não o deixava em paz,
Dando-se como lhe apraz
E quando se lhe convém.
Vivia lhe andando atrás...
Mas, tanto fez; tanto faz:
Logo há-de passar também.

-- "Don'Ana é quem é Senhora!" --
Diziam cidade afora
-- "As outras, só vêm e vão..."
D'ele mais s'enamora
Havendo em conta que mora
Dentro do seu coração.

E, mais dia, menos dia,
Quem se deu tal ousadia
Mal s'engana de que a engana.
Há-de vê-la, todavia,
Desfilando fidalguia:
-- "É aquela que é Don'Ana!"

Belo Horizonte - 10 04 2018
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natalia nuno

natalia nuno

pulsa meu coração...

sigo a desvendar o tempo
olhando e abandonando-me na memória do sol...
surpresa dia a dia
pulsando meu coração na primavera
como jovem enamorada
vou lembrando rostos amigos
aqueles,
que nunca nos abandonam por completo...


natáliarosafogo
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natalia nuno

natalia nuno

já foi tempo de amor...

Falar mais no assunto?
Não sei que fazer com ele!
Já às vezes me pergunto
Porque me perco a pensar nele.
É pretensioso e adulador
Este tempo que me compromete
Que já foi tempo de AMOR
Como negá-lo?!Agora em tudo se mete.

Deixa-me assim perturbada
Sempre lhe digo, o que me vai na cabeça
Pois se não lhe digo nada
Tenho medo me entonteça.
Acho que ele tem ciúme
Não lhe dou importância alguma.
Ainda ponho meu perfume
O que é que ele quer!?Em suma
Ainda sou fogo, ateio lume

Não preciso dele, não preciso
Recomeço, ressurjo dos escombros
Murmuro-lhe com um sorriso...
Olho-o por cima dos ombros.
Mas que tempo, de natureza aborrecida
Que me põe cheia de ira
Quero morrer dele esquecida
Tormento! Até a memória me tira.

Sempre aos ouvidos fazendo ruído.
Espião, que deixa a Vida sem sentido.

rosafogo
natalia nuno

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=103743 © Luso-Poemas
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natalia nuno

natalia nuno

pensamento...

como entender o tempo da felicidade, da entrega sem limites, quando eras o sol que subia pelo meu corpo, se a carência de ti me percorre agora a pele?!

natalia nuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/
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natalia nuno

natalia nuno

P'la calada da noite...



anda o vento rumorejando
por perto
traz a madrugada p'la mão
e eu trago a emoção bem dentro,
dentro do coração.
há pétalas a abrir
nas pálpebras da primavera
e ainda que me doa,
o tempo por mim não espera.
levo na boca o gosto a terra,
nos lábios a palavra liberdade,
sou garça a deslizar...
na campina da saudade.

levo nos olhos a voz dos pinheiros
e as mãos a rirem da morte
a brisa no rosto...e eu gosto
e parto à sorte!

levo poemas de amor
e alguns versos nus
nada acrescento à dor
da escuridão se fará luz

ando de pé sobre o tempo
há quem diga que morri!
deixei meu canto em Setembro
é inútil o pranto aqui.
do poema já me arrependo
mas foi um instante achado,
nas veredas desta vida...
e depois de terminado,
ficarei de mim esquecida.

tão já sem nada...
é agora uma da madrugada
e o poema me devorando
e o vento aqui tão perto,
rumorejando
pela calada...

natalia nuno
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natalia nuno

natalia nuno

quietude...

comovido fica meu olhar
pulsa o coração,
desperta uma lágrima à beira do vazio,
na hora em que os regatos
oferecem a mágica melodia
como quem interpreta sentimentos.

nataliarosafogo
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natalia nuno

natalia nuno

certezas...

abundam os odores que se misturam,
trazendo-nos recordações da infância
sente-se o odor e a branca nudez,
parece até aparição
que se cruza na nossa mente
a esteva enche a serra com a sua beleza,
até o verdor fica mudo
perante a surpresa....
assim palpita m'coração
se do teu amor tem certeza.

nataliarosafogo
palpavelsilencio.blogs.sapo.pt/
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natalia nuno

natalia nuno

emoções...trovas


distancio-me da imagem
já o tempo levo gasto
levo inda alguma coragem
mas já da vida me afasto

vou olhando aqui de cima
com alguma insegurança
esmoreci em frágil rima
q'deixei atrás em criança

hoje sou outra figura
esbatida, sépia é a cor!
solitária vou à aventura
até ao fim, seja onde fôr!

nunca mais voltei ao rio
nem ao largo da praça
canto como a cigarra a fio
mas a saudade não passa...

já vou no fim do caminho
trago comigo esta arte
auto retrato-me c' carinho
e deste, a terra faz parte...

regresso sempre à natureza
penso que não perdi nada
ventos m' trazem certeza
que inda por lá sou amada

em versos vou cantando
a saudade que em mim há
um dia a morte desafiando
de volta... levar-me-à...

natalia nuno
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natalia nuno

natalia nuno

beijos...trovas

um beijo no mês de maio
não posso virar as costas
fico cega mas não caio
sei que de mim tu gostas

brilha o sol lá no além
meu cansaço, minha dor
no coração sem ninguém
já lá não mora o amor

beijos dão os apaixonados
beijos se dão de amizade
na mente trago guardados
beijos dados na mocidade

quatro folhas tem o trevo
por sorte logo encontrei
nas quatro folhas escrevo
quantos beijos eu te dei

só porque não posso aspirar
a uma amor mais verdadeiro
deixa por um beijo esperançar
inda que o sinta interesseiro


natalia nuno
rosafogo
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natalia nuno

natalia nuno

pequena prosa poética...

pequena prosa

aqui na aldeia a linguagem é a da natureza... o rumor dos pinheiros, os pássaros girando por entre as árvores num rodopio, acasalando, emitindo uma orquestra de sons, o sol é presença em cada flor em cada arbusto, enchendo o campo de tapetes verdes, liláses, amarelos, brancos e tons de chocolate, a água desperta em cada ribeira, cada regato, cantando a mesma melodia que aprendeu desde idades remotas, não há nuvens no céu, e o azul é igual ao manto de Nossa Senhora da Vitória... aos nossos olhos saltam borboletas de todas as cores, numa luta pela sobrevivência, abrindo suas asas de fogo sem descanso, fresca é a aragem do vento que desce da serra e se derrama nas folhas dos loureiros que bordejam as margens do rio. Os trigais e as suas cabeleiras de fogo ondulam imponentes, tornando visíveis uma ou outra papoila vermelha, nas canas os sussurros da aragem invisível e o canto da calhandra ou da cotovia que por lá se abrigam, também o pintassilgo mostra a sua plumagem insinuando-se como o mais belo.
E até o destino em fuga, parece querer permanecer, vai rasgando devagar o arvoredo, olhando as giestas amarelas, como se quisesse desertar da sua corrida e deixar-se anónimo na ternura do crepúsculo que já vai amadurecendo,trazendo o eco da noite à alma das coisas.
O sol já se afunda, mas amanhã estará de volta trazendo o orvalho pela madrugada, e quebrará de novo o silêncio dos pássaros... uma légua mais adiante a fruta medra a olhos vistos nos pomares e os meus olhos irrequietos olham o universo para se certificarem que não estão sonhando ...

natalia nuno
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natalia nuno

natalia nuno

gratidão...pequena prosa poética

através das cortinas vou remando até à infância, nada me barra o caminho, e fico a boiar no poente em liberdade, agradeço a Deus a dávida do sonho, que me permite encher o peito de água nova, reconcilio-me comigo mesma, e em equilíbrio fica o interior...serena, mais lúcida, vou continuando o caminho...partem as horas, fica o cansaço, inacabado o sonho, voltam os anseios como trepadeiras dando-me o abraço e eu esqueço as canseiras, adensam-se os beijos frementes de desvario, suspiros do sol interrompem meu frio, escapo-me pelo meio da alegria e vou vivendo, sorrindo dia a dia...

natalia nuno
http://flortriste1943.blogspot.com/
230
-ltslima

-ltslima

Almas Perfumadas.



Existem pessoas de almas perfumadas
são verdadeiros anjos que encantam
nos passam bons fluidos, com aquele sorriso
no olhar...esboçam um paraíso.

São encantos que nascem consigo
nas asas do tempo, intensificam sua luz
quem cruzam com elas, inebriam-se
nos efémeros momentos divididos.

São doces como favo de mel
tem brilho na intensidade do olhar
tem luz e glamour como noites de luar
é como um jardim silencioso,
com perfumes de rosas silvestres.

Em dias orvalhados,
agraciados pela luz terna do sol...
caindo como gotas cristalinas
em sua alma prateada.

Foi neste dia de luz,
que te conheci, te admirei
encantaste-me por sua profunda
e perfumada alma.

ltslima
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natalia nuno

natalia nuno

é bom sonhar...

o amor salpica a vida inteira rodeando-a com uma auréola da côr da felicidade...é como um pássaro que constrói o ninho em nosso coração...e ali se abriga.

natalia nuno
www.pensador.com/colecao/nataliarosafogo1943
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fernanda_xerez

fernanda_xerez

SIMPLESMENTE POR TE AMAR


Não tem medida o meu amor...
só o que tenho a dizer...
e eu aceito você, assim...
com o coração e a alma partidos...
meu coração é o teu abrigo...

te amo pra vida toda...
num tempo que se chama hoje...
esquece isso não...
nunca vou deixar você...
eu não aguentaria...
sou humana, sofro...
____ sofro por ti...
____ sofro por mim...
____ sofro por nós...

Te vejo sofrendo,
que posso fazer?, que posso te dar?
____ o meu amor...

o meu amor
simplesmente, (simplesmente)
​​​​​​​____ por te amar.
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natalia nuno

natalia nuno

estar e não estar...

não há muito mais tempo
os dias e as noites já não me suportam
e eu não quero mais estar aqui
onde tudo já vi, onde tudo já senti,
nesta viagem que não sabe parar
e eu sinto que é estar e não estar
andei dias sem conta, vivi, morri
vagueei no remanso tranquilo das
mil e uma noites, sonhei, amei
desejei matar saudades, e pouco depois
o sermos apenas os dois...

e no ritual do encontro seres o vento
que me toca, o sonho feito realidade
o sorriso de quem ama, a saudade sem igual
esquecer da amargura de existir
da mágoa desta solidão...
e com os sentidos em turbilhão
fazeres-me morrer, de amor endoidecer
e acreditar, uma vez mais, uma só
ainda me movo em direcção à vida
que se vai fazendo cumprida...

natalia nuno
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natalia nuno

natalia nuno

amanhecer primaveril...

amanhecem as saudades em mim
sacodem-me com ternura
e desenrolam-se nas letras que escrevo
assim, com frescura nascem
palavras de maresia,
versos de melancolia
frutos tardios de outono
sonhos onde me abandono,
acordam na criança que fui e sou,
sentimentos e emoção
num solitário abraço que não desatou

lembranças tímidas e impacientes
parecem luas florescentes
aninham-se no meu regaço,
e o silêncio é a minha arte
os sentidos a flutuar,
meu tempo escasso
enlouquecido de solidão
meus olhos a pingar,
e o poema sorridente
num vôo inocente
a fazer-se chegar ao coração.
lembranças em delírio, cobertas com mantos
de saudade... memórias de tenra idade
iluminadas por dentro, descobrem o caminho do verso
aquecem-me e são a minha verdade.

natalia nuno
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