Lista de Poemas
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garcianeto
EXPLOSÃO
Explodi de dizer
Que você cortou minhas amarras
Que você esticou minhas artérias
Que você me libertou da miopia acumulada
Explodi de dizer
Que você me deu as chaves
Da tua casa para eu não ter que bater
Do teu corpo para eu achar novos caminhos
Em você
Da tua alma para eu me reencarnar de paixão
Explodi de dizer
Que te amo.
Que você cortou minhas amarras
Que você esticou minhas artérias
Que você me libertou da miopia acumulada
Explodi de dizer
Que você me deu as chaves
Da tua casa para eu não ter que bater
Do teu corpo para eu achar novos caminhos
Em você
Da tua alma para eu me reencarnar de paixão
Explodi de dizer
Que te amo.
316
ane_getirana
Pavor da monotonia
While ( existir vida ) do
Begin
Vermelho ;
água no rosto, no corpo, só não na alma ;
Barulho, ruído, tormento;
Preto ;
End;
Begin
Vermelho ;
água no rosto, no corpo, só não na alma ;
Barulho, ruído, tormento;
Preto ;
End;
728
Jorge Santos (namastibet)
Toda leveza é possível enquanto dura o voo ...

"Tod'a leveza é possível enquanto dura um voo,
Toda leveza é tão duradoura quando possivelmente não tanto"
Joel Matos
280
Heinrick
Crescer envelhece, rir rejuvenesce
Se eu pudesse crescer
Não o faria
Pois já cresci uma vez, de novo, não deixaria acontecer
Mas e você, o que escolheria?
Esta me dizendo que eu não cresci, "Ahhh" não ria
Já falei de mim, (estou a fazer denovo....)
Mas vamos falar de você, caro leitor
Meu ouvinte, que nunca se quer me escutou
Seu sorriso é grande, então tudo bem a ti? Ou você está rindo de mim
Ria muito, ria alto, a vontade
Ria claro, ria bem, com vontade
Você não esta rindo
Ei seu leitor, você não riu, estou chateado, você esta mentindo
Mas é claro como pode rir
Se eu nem te contei minhas piadas
Conhece aquela do...... do.... me perdi
Ei não ria de mim, ok ok, pode rir, mas só uma gargalhada
Não o faria
Pois já cresci uma vez, de novo, não deixaria acontecer
Mas e você, o que escolheria?
Esta me dizendo que eu não cresci, "Ahhh" não ria
Já falei de mim, (estou a fazer denovo....)
Mas vamos falar de você, caro leitor
Meu ouvinte, que nunca se quer me escutou
Seu sorriso é grande, então tudo bem a ti? Ou você está rindo de mim
Ta bom eu deixo
Ria muito, ria alto, a vontade
Ria claro, ria bem, com vontade
Você não esta rindo
Ei seu leitor, você não riu, estou chateado, você esta mentindo
Mas é claro como pode rir
Se eu nem te contei minhas piadas
Conhece aquela do...... do.... me perdi
Ei não ria de mim, ok ok, pode rir, mas só uma gargalhada
508
natalia nuno
pensamento...
colho uvas para adoçar-me a boca e, pintassilgos docemente crescem em meus olhos...
natalia nuno
natalia nuno
265
anjocaido333
NÉCTAR
Da portada semiaberta corre uma brisa fresca e desponta um feixe de luz rosado.
Acordo e penso em ti... A forma e os contornos do teu rosto aparece como uma miragem na parede gasta do quarto...
Cansado de tantas lutas antigas, sinto-me fraco e nem esboço um levantar...
Do lado direito da cama o beija flor tenta a ultima recolha de néctar na flor que repousa na velha jarra e eu sorrio perante a companhia...
Puxo o lençol de seda para junto do peito e sinto saudade da tua voz e sorriso e peço a quem te colocou no meu caminho que nunca mais te volte a afastar!
Acordo e penso em ti... A forma e os contornos do teu rosto aparece como uma miragem na parede gasta do quarto...
Cansado de tantas lutas antigas, sinto-me fraco e nem esboço um levantar...
Do lado direito da cama o beija flor tenta a ultima recolha de néctar na flor que repousa na velha jarra e eu sorrio perante a companhia...
Puxo o lençol de seda para junto do peito e sinto saudade da tua voz e sorriso e peço a quem te colocou no meu caminho que nunca mais te volte a afastar!
362
anjocaido333
Banho
Chuva incandescente de mágoas invade-me hoje o espírito, que não se cansa de nadar no teu lago de esquecimento ...
Na margem imóvel contemplo tamanha resiliência e penso em como os pássaros também não têm consciência da hipótese de perecerem em pleno voo...
E assim fico a fumar a neblina da manhã e à espera que saias da água pelo teu pé!!!
Na margem imóvel contemplo tamanha resiliência e penso em como os pássaros também não têm consciência da hipótese de perecerem em pleno voo...
E assim fico a fumar a neblina da manhã e à espera que saias da água pelo teu pé!!!
367
Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)
Cólera
Ataviei a serenidade,
Pretensa morte,
Jogos da vida,
Folhetins da alma,
Herméticos umbrais,
Árvore do destino,
De raízes esfíngicas,
Solitária no deserto,
Imperfeita miragem.
Tantos risos perdidos,
Meus lábios tremem,
Ao falar ao vento,
Tedioso discurso de mim,
Aos eus da minha existência,
Tentando convencê-los,
Que sonhar ainda é possível,
Ainda que os pesadelos revelem,
Os fantasmas do medo.
Humano regozijo alerta,
Louca inanidade assentida,
Carregada de tolices,
Fardo ignoto dos perdidos,
Escravos da falsa vida,
Regurgitando insanidades,
Podre manjar maldito,
Veneno do século,
Aos filhos da luxúria.
Pretensa morte,
Jogos da vida,
Folhetins da alma,
Herméticos umbrais,
Árvore do destino,
De raízes esfíngicas,
Solitária no deserto,
Imperfeita miragem.
Tantos risos perdidos,
Meus lábios tremem,
Ao falar ao vento,
Tedioso discurso de mim,
Aos eus da minha existência,
Tentando convencê-los,
Que sonhar ainda é possível,
Ainda que os pesadelos revelem,
Os fantasmas do medo.
Humano regozijo alerta,
Louca inanidade assentida,
Carregada de tolices,
Fardo ignoto dos perdidos,
Escravos da falsa vida,
Regurgitando insanidades,
Podre manjar maldito,
Veneno do século,
Aos filhos da luxúria.
437
msa163779
Sou...
Sou a pureza
sou alegria da manhã
sou como o vento
sou como a canção
que toca toda a humanidade
Sei que sou frágil, mas não consigo aceitar
e não falar
a humanidade magoa-me com a sua maldade
é inadimissível
a forma como eles me magoam
São como feras
que não perdoam
eles não vêem que sou uma flor
tal como um beija-flor
Eu sou a vida que eles não perdoam
117
Jorge Santos (namastibet)
“From above to below”
Quando a facilidade de escrever se insubordina, escrevo e escrevo e escrevo; transformo-me em caudilho do que digo, converso conversas sem contexto quando a ocasião não me facilita a escrita, como agora de certeza, nada me ocorre que valha a pena ser escrito ou conversado, nem me convenço do que afirmo ter uma ordem certa, alfabética.
O labirinto é o Fauno e uma única tarefa ou entrada imortal só na alma e na do poeta, o fio da meada.
A fome e a sede são circunstâncias.
Defino-me como a excepção intuitiva, não entendo os outros nem pretendo ser entendido por todos, não ajo nem ando como a maioria das pessoas.
Não me sinto culpado por não me fazer entender, é uma questão de consciência e de princípio não uma tragédia.
A fome e a sede são insignificâncias perante a existência de cada um, mas concorrem e especializaram-se, cada uma à sua forma para o triunfo da mente humana e para que as palavras falem às vezes connosco e as entendamos.
A noção simples de existência é esmagada pela sede e pela fome mais que pela miséria insana, embora sejam uma trindade, uma trilogia, outra palavra em voga e em moda; Já o que me costuma manter vivo é um desejo de comer e beber, absurdo para alguns, para outros, compreensível ou a regra "Sine-Qua-Non".
Defino-me como a excepção, não pela inteligência ou habilidade, mas pela simplicidade e pela intuição, como água de uma fonte ou um pedaço de pão na mão de um miserável esfomeado mas autêntico guru, assim sou eu e sempre, serão a sede e a fome também autênticas quanto o Jonas e a Baleia.
Basta-me ver rosas, beber vinho e uma conversa com a cabeça ou o estulto projecto de a manear assim como um mundo.
O vinho ajuda a sanear injustiças e a reparar o esplendor da beleza feminina, uma dádiva da natureza, um requinte, uma arte, um conforto.
Quando a finalidade ao escrever é de desvendar territórios remotos, temos que contar com a nossa competência de aventureiros mas também com a capacidade das lanças hostis, a disciplina de falanges nómadas ou do açoite do deserto na lona das caravanas, a bigorna do sol-rei nas têmporas das hostes guerreiras, os pórticos inúteis no coração da Mongólia guardados por fiéis disciplinados e profecias que a história nega aos de hoje.
Quando a facilidade de escrever se insurge da rotina dos meus hábitos, surgem-me pensamentos nos nós dos dedos e nos actos mais tacanhos ou mesquinhos, sendo a distracção um contraponto, a abstracção uma costureira e a teia forma o que penso, o fio da meada ou o reverso da moeda.
A bebedeira é um profundo bem-estar e podemos encontrar a nosso carácter atrás dele, em longas taças, em pequenos goles.
Para mim a vista é o julgar que se vê, o crer que se vê sem ver; o paladar, um ritual degustativo, quando chega ao palato o sabor do chocolate derretido na língua assim como o café junto com o açúcar, inseparáveis quanto o charuto dispendioso e o fumador rico, anafado, o sultão de Constantinopla com o séquito do harém, todas com longas tranças e a fumaça das mil e uma noites.
O excesso de recordações é uma contrariedade infinita, torna-me suspeito de incompetência e incapaz de viver "do novo", sem encontrar soluções no "atrasado", "From above to below" sujeito apagado e cerimonial do que assumi como sendo igual ou equiparado a genial, sendo absurdo isto tudo, esta ida "non stop", nesta ideia de vida, "Non invicta Rúmen est".
Joel Matos (06/2018)
http://namastibetphoto.blogspot.com/
325
Antonio Aury
Nação
Que o nosso Brasil
Seja sempre o primeiro!
No coração de cada brasileiro!
Pois ser nacionalista verdadeiro!
Não é imitar Washington e muito menos Havana!
É amar e lutar para que o nosso país seja uma nação independente e soberana!
Seja sempre o primeiro!
No coração de cada brasileiro!
Pois ser nacionalista verdadeiro!
Não é imitar Washington e muito menos Havana!
É amar e lutar para que o nosso país seja uma nação independente e soberana!
200
JCDINARDO
PRESSÁGIO
Continua assim correndo,
Neste carro reluzente,
Quase atropelando a gente.
Certo do seu paradeiro,
Nas incertezas do dia,
Talvez acabe morrendo.
Não serei eu seu justiceiro,
Mas sua falta de empatia.
Neste carro reluzente,
Quase atropelando a gente.
Certo do seu paradeiro,
Nas incertezas do dia,
Talvez acabe morrendo.
Não serei eu seu justiceiro,
Mas sua falta de empatia.
172
Jorge Santos (namastibet)
Convenço, convencei, convençai…
Convenço, convencei, convençai...
A catarse da vida é tudo o que há de mais puro nas ilusões, a perca de ilusões é o cataclismo simbólico, a catástrofe, o fim de tudo que, inconscientemente nos anima, nos dá alma e brilho ao espírito, o cenário, o quarto da Alice brilhando no escuro, no breu.
"A ida", na viagem, é uma desses enganos magníficos, maravilhosos, em que a nossa inteligência nos cede endomórficas estaminas, tal como numa aventura a dois, de recém- apaixonados ou casados, ainda com a tinta fresca e as latas a arrastar ruidosos, no asfalto, traços descontínuos a perder de vista, um "Buick" branco conversível, nas estradas do Arizona, regressado à estrada, como novo, depois do casal fazer 60 anos de casados, incutida a genial ideia de que isso era a felicidade conjugal suprema, há muito tempo perdida e a depois miraculosamente redescoberta; coisas da publicidade comercial de "Cable- TV" , que tanto pode vender cigarros para um infeliz cowboy, sentados na garupa de um cavalo malhado no meio do deserto de Sonora (apesar de ter morrido de câncer no pulmão, alguns anos depois) assim o medo por tubarão de filme, nas séries da Net-Flix, sem enredos, apenas medo e mais medo das águas cálidas, pacíficas do meio oceânico.
Vendem-nos Pepsodent-herbal, para a cárie nos dentes tal como a cabeleira de Donald-Trump despenteada, quão admirável presença na sala oval, não fosse gato-morto, fedorento ou escalpe/ troféu de cinturão de índio, no Far-West Americano ou ainda quando se vende como autêntica necessidade, uma chaleira de água quente com apito, a um beduíno no deserto, sem corrente eléctrica nem luz na tenda, música anti-stress, a um monge dos Himalaia, em recolhimento por 120 anos, numa gruta a mais de 5.150 metros de altura, apesar deste viver-nas-nuvens.
O fígado e os rins são excepções, não consigo e acho que ninguém consegue, fazê-los mudar de funções, mas penso que funciona no marketing e em quase todas as nossas acções.
As nossas escolhas não são monólitos negros, estruturas decanas, ancestrais, mas sim espuma, plasticina-plástica, matérias mutáveis, alteráveis, estranhas simbióticas e tacanhas as nossas mentes, pois acreditam em tudo quanto lhes impingimos, quer seja banha de cobra ou sabonete de ervas para a celulite e para a tinha-seborreica.
Usada benevolentemente, a nossa capacidade de convencer pode, pela persistência, dignificar a esterilidade ou dar importância a um individuo nulo, de olhar fixo e lentes graduadas, tornar pertinaz o filosofo e metafisico algo ou alguém cuja importância e existência, seja pouco mais que física e que se reconhece ele próprio como ser meramente decente e próprio para uma digestão monogástrica, mono-fágica. Uma tragedia, a decadência humana, se não ousarmos sonhar, sonhemos, acreditemos, convençamos alguém que a lua é feita de vidro verde e o homem objecto de porcelana da China, nada é o que parece mas tudo o que parece pode ser e é, cabe-nos acreditar.
O mecanismo da inteligência dá-nos clarividências que podem ser genéticas, apesar da nitidez maior ou menor com que as possamos usar ou usufruir, pode ser sublimada, alavancada por peças exteriores a ela e estas, se usadas da forma mais generosa, podem fazer conquistar muitos e nobres propósitos ao ser humano em geral e à humanidade, como se fossemos um cardume de anchovas livres e felizes, num mar sem redes ou tramas menores, convençai...conversai ...
Joel matos 07/2018
http://joel-matos.blogspot.com
281
simonerb
O despertar
Gostaria de começar esta manha, de maneira a mudar todas as outras.
Sol, lindo e quente que fomenta a minha gana
Não mensure as alegrias ou tristezes minhas em outrora
Fui sonho e agora sou o ter, eis que fui pranto, agora sou poder.
135
RicardoC
A BORDO
A barca que me leva para as ilhas
Sulca as ondas d'um mar esmeraldino.
D'olhos arregalados me amenino,
Navegante entre sais e maravilhas...
Carreira dos Açores às Antilhas
Onde poentes segredam-me o destino!
Alma atlântica posta em desatino
Após atravessar milhas e milhas.
Desperto em meio à névoa matutina
Na qual mui lentamente em derredor
A imensidão além se descortina.
Ali, envolto todo em pleno albor,
O mundo evanescente na retina
À voz que vem de dentro faz maior.
Peruíbe - 10 07 2018
Sulca as ondas d'um mar esmeraldino.
D'olhos arregalados me amenino,
Navegante entre sais e maravilhas...
Carreira dos Açores às Antilhas
Onde poentes segredam-me o destino!
Alma atlântica posta em desatino
Após atravessar milhas e milhas.
Desperto em meio à névoa matutina
Na qual mui lentamente em derredor
A imensidão além se descortina.
Ali, envolto todo em pleno albor,
O mundo evanescente na retina
À voz que vem de dentro faz maior.
Peruíbe - 10 07 2018
382
garcianeto
LÓGICA DA PAIXÃO
Eu te amo
derretendo a língua
com o sabor das pimentas
Eu te amo
esquecendo o risco
com a certeza dos suicidas
Eu te amo
quebrando as lógicas
com o raciocínio dos loucos
Eu te amo
ultrapassando os limites da cela com a esperança dos condenados
Eu te amo
progredindo geometricamente a paixão com o ritmo dos terminais
Eu te amo
cedendo os espaços de cada célula com o sangue que era meu
Eu te amo
gozando o prazer intenso
com o grito de dois ao mesmo tempo
Eu te amo
com o clímax
das melhores histórias de amor
derretendo a língua
com o sabor das pimentas
Eu te amo
esquecendo o risco
com a certeza dos suicidas
Eu te amo
quebrando as lógicas
com o raciocínio dos loucos
Eu te amo
ultrapassando os limites da cela com a esperança dos condenados
Eu te amo
progredindo geometricamente a paixão com o ritmo dos terminais
Eu te amo
cedendo os espaços de cada célula com o sangue que era meu
Eu te amo
gozando o prazer intenso
com o grito de dois ao mesmo tempo
Eu te amo
com o clímax
das melhores histórias de amor
284
Jorge Santos (namastibet)
Jaz por terra...
Jaz por terra...
Jaz na Terra o sossego e a negação do belo,
Jaz por Terra a noite e a ferida em cal-viva,
A ventura que é sorrir e também chorar gelo,
Jaz na terra o trono e um dono senhor de tudo,
Jaz por terra um templo que abandonei e que
Descuido, por não ter uso nem deuses, esses novos,
Infecundos e impostos para mal do homem feudal,
Homens deuses, a quem a calma e o ódio Deo-opus
De-graça, como se fora eu sacrossanto ermitão,
Em "Cristos Bay resort", jazz por terra o meu ego,
De campeão dos detestados feios de braços,
"Sou tido" como demente por sentir tudo,
Até quando chuva quando cai na Terra quente,
O meu coração me desmente e me desdiz,
Jaz na Terra o sossego e a negação do belo,
Jaz por Terra a noite e a ferida em cal-viva,
A ventura que é sorrir e também chorar gelo,
Jaz na terra o trono de um dono, senhor de tudo,
Apesar de tudo isso sou tido como pouco são,
Por sentir mais que tudo e tod'esta gente,
Quando a chuva cai em meu coração não mente,
"Sou tido" como demente por sentir tudo,
Até granizo quando cai na Terra quente,
No meu coração d'pedra faz frio de geada,
Jaz nele a terra, o céu e o abismo sem fundo,
Jaz na Terra o sossego e a negação do belo,
Jaz por Terra a noite e a ferida em cal-viva,
A ventura que é sorrir e também chorar gelo,
Jaz na terra o trono e um dono senhor de tudo,
Apesar de tudo isso sou tido como louco,
Por sentir mais que tudo e toda a gente,
Quando a chuva cai em meu coração dormente,
Como se fosse real e sentida, credível talvez,
Embora nem sempre...
Jorge Santos 07/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com
332
Jorge Santos (namastibet)
“From above to below”
"From above to below"
(Dali por mim)
Quando a facilidade de escrever se insubordina, escrevo e escrevo e escrevo; transformo-me em caudilho do que digo, converso conversas sem contexto quando a ocasião não me facilita a escrita, como agora de certeza, nada me ocorre que valha a pena ser escrito ou conversado, nem me convenço do que afirmo ter uma ordem certa, alfabética.
O labirinto é o fauno e uma única tarefa imortal só na alma e na do poeta o fio da meada.
A fome e a sede são circunstâncias.
Defino-me como a excepção intuitiva, não entendo os outros nem pretendo ser entendido por todos, não ajo nem ando como a maioria das pessoas.
Não me sinto culpado por não me fazer entender, é uma questão de consciência, não uma tragédia.
A fome e a sede são insignificâncias perante a existência de cada um, mas concorrem e especializaram-se, cada uma à sua forma para o triunfo da mente humana e para que as palavras falem às vezes connosco e as entendamos.
A noção simples de existência é esmagada pela sede e pela fome mais que pela miséria insana, embora sejam uma trindade, uma trilogia, outra palavra em voga e em moda; Já o que me costuma manter vivo é um desejo de comer e beber, absurdo para alguns, para outros, compreensível ou a regra "Sine qua non".
Defino-me como a excepção não pela inteligência ou habilidade, mas pela simplicidade e pela intuição, como água de uma fonte ou um pedaço de pão na mão de um miserável esfomeado mas autêntico, assim sou eu e sempre, serão a sede e a fome também autênticas quanto o Jonas e a Baleia.
Basta-me ver rosas, beber vinho e uma conversa com a cabeça ou o estulto projecto de a manear assim como um mundo.
O vinho ajuda a reparar injustiças e o esplendor da beleza feminina, uma dádiva da natureza, um requinte, uma arte, um conforto.
Quando a finalidade ao escrever é de desvendar territórios remotos temos que contar com a nossa competência de aventureiros mas também com a capacidade das lanças hostis, a disciplina de falanges nómadas ou do açoite do deserto na lona das caravanas, a bigorna do sol-rei nas têmporas das hostes guerreiras, os pórticos inúteis no coração da Mongólia guardados por fiéis disciplinados e profecias que a história nega aos de hoje.
Quando a facilidade de escrever se insurge da rotina dos meus hábitos, surgem-me pensamentos nos nós dos dedos e nos actos mais tacanhos ou mesquinhos, sendo a distracção um contraponto, a abstracção uma costureira e a teia, forma o que penso, o fio da meada ou reverso da moeda.
A bebedeira é um profundo bem-estar e podemos encontrar a nosso carácter atrás dele, em longas taças, em pequenos goles.
Para mim a vista é o julgar que se vê, o crer que se vê sem ver; o paladar, um ritual degustativo, quando chega ao palato o sabor do chocolate derretido na língua assim como o café junto com o açúcar, inseparáveis quanto o charuto dispendioso e o fumador rico, anafado, o sultão de Constantinopla com o séquito do harém, todas com longas tranças e a fumaça das mil e uma noites.
O excesso de recordações é uma contrariedade infinita, torna-me suspeito de incompetência e incapaz de viver "do novo", sem encontrar soluções no "atrasado", "From above to below" sujeito apagado e cerimonial do que assumi como sendo igual ou equiparado a genial, sendo absurdo isto tudo, esta ida "non Stop"nesta ideia de vida.
Joel Matos
360
Jorge Santos (namastibet)
Eu sou o oposto,
Eu sou o oposto de tudo que é nítido, sonho déjà-vu,
Que não procura factos verídicos no seu conteúdo,
Desejo e Sonho a sequela do sonho que detesto,
Sou aquele que procura semear em terra alheia
A discórdia por deuses que não tiveram seguidores,
Sou o engaço de mim mesmo, margem de rio-
-Meio. Sinto-me um contabilista ilógico
E contar ouro, não sendo importante,
A bem da verdade não conto, faltam-me números,
E os axiomas que afirmo, meus não são
Mas d'outros, assim como a opinião, pouca
Tenho, creio no que conheço por simpatia,
Mas principalmente se tiver "patine" preta,
E um pouco mais que eu, em altura ao peito,
Flutuo sobre cidades e serras ao jeito de um mago.
Acima delas me inspiro ainda que poucos percebam
O sentido que é imperceptível a olho nu, o buraco
Da agulha e o palheiro, não existiriam fábulas
Sem mim, nem lugar pra Aleister Crowley no cais
Dos Infernos. O paradoxo é um sufismo com 4 vias,
Todas elas escolhas adequadas, explicam a criação
Do bem e do mal, do real e do sonhado, do mistério
Ancestral dos anjos terem asas nas costas e voarem
E os homens pés, meias e botas que prendem ao chão,
Cientes das estrelas s'acharem supostamente fora
D'alcance ...
Jorge Santos (07/2018)
http://namastibetpoems.blogspot.com
307
Jorge Santos (namastibet)
Colossal o Oceano,
De colossal o oceano,
Imortal o sono,
Os sentidos belos
E a magia de todos que me inspiram; inspiraram-me
Inclusive os ventos, as tempestades, as ondas e o iodo,
De verdade minha ânsia é de naufragar no azul do mar,
Colossal o oceano, profundo.
Serei eu o lastro fundido mais fundo deposto
Quando da criação dos inquietos
Mares deste e doutros mundos,
Imortal o sono nos rostos, profano o Mar-Morto.
Jorge Santos (07/2018)
http://namastibetpoems.blogspot.com
309
poetadoamor
Amor e Sexo
AMOR E SEXO
Pensamentos eróticos ocupam meu ser
És o personagem da imaginação
Causando arrepios
Também calafrios
Causando em mim uma excitação
Além do universo e de todos os mundos
Me levas menina a imaginar
Teu olhar instigante
Teu cheiro incitante
Me deixando louco sonhando em te amar
Coração acelera os batimentos
Respiro profundo com muita tensão
Pensamentos ousados
De um corpo excitado
Ansiando viver afrodisíaca paixão
Defronte pra mim estás meu amor
Corpo sensual e muito atraente
Que moça charmosa
Mulher virtuosa
A mais bela menina já existente
Fito em ti um olhar abrasado
Declaro na face uma fogosa paixão
Cobiço teu beijo
Te quero, desejo
Sinto libido e excitação
Chego mais perto, estou à sua frente
Te encosto na parede para te beijar
Estás em meus braços
Com eles te enlaço
Te olho nos olhos que estás a brilhar
Com mãos na cintura te puxo pra mim
Levo meus lábios aos teus encostar
Momento gostoso
Que libidinoso
Duas bocas perfeitas a se encaixar
Chupo tua língua, que beijo gostoso
Realizo o desejo de tê-la pra mim
Viva o momento
Esqueça o tempo
Que seja eterno, jamais tenham fim
Que clima ardente e prazeroso
Teus lábios me causam arrepios excitantes
Teu beijo envolvente,
Tua boca tão quente
És irresistível e apaixonante
Chupando tua língua sinto teus seios
Pressionados a mim, fazendo-me excitar
Teu corpo quentinho
Ficando "suadinho"
Te beijo com força, pois quero te amar
Seguro em tua bunda te puxo pra cima
Pescoço cheiroso começo a beijar
Dou mordidinhas
Também chupadinhas
Sentes teu corpo se arrepiar
Te faço carícias beijando o pescoço
Leves mordidas, que intensa paixão
Ouço os delírios
Unido aos gemidos
De tantos arrepios e muito tesão
Pescoço marcado de tanto chupado
Já toco em teus seios para te excitar
Sinto o feitio
Que seios macios
Desejo ansioso experimentar
Sentes calor respira profundo
Começa os suspiros de tanto tesão
Abaixo a blusinha
Dou chupadinhas
Em chamas está a nossa paixão
Blusinha abaixada que coisa mais linda
Que seios durinhos e muito excitante
Continuo com beijinhos
Com muito carinho
Desejo o biquinho prossigo a diante
Enfio minha língua entre teu sutiã
Almejo o bico do seio encontrar
Sigo com anseio
Chupando teus seios
Que biquinho gostoso já posso tocar
Em teus seios durinhos vou dando mordidas
Sinto tuas mãos a me apalpar
Encontras meu pênis
Vejo que gemes
Ao sentir no clitóris meus dedos tocar
Abaixo o sutiã, seios à mostra
Que cena excitante estou contemplar
Exploro teus seios
Sem pressa sem medo
Com muito tesão começo a chupar
Suspiros profundos, gemidos excitantes
Chupadas gostosas e muito prazer
É delicioso
Tá muito gostoso
Muito excitado te ouço gemer
Seguras em meu pênis percebes que quente
Está super duro e muito excitado
Eu vou responder
Te farei gemer
Tocando com o dedo no clítoris molhado
Seios chupados, bem excitados
Desço um pouquinho alisando com a mão
Tua barriguinha
Essa cinturinha
Arrepiada de tanto tesão
Muito excitada com muitos desejos
Ardendo em chamas com muita paixão
Te dou mordidas
Geme querida
Goze o clímax de uma relação
Para ir adiante te pego no colo
Chupando tua língua ao caminhar
Te ponho na cama
Minha deusa, minha dama
Com muito prazer, far-te-ei gozar
Seguro com as mãos os teus lindos pés
Com muitos beijinhos te deixo suada
Começas gemer
Teu corpo tremer
Com muito desejo ficando molhada
Beijo gostoso com muito carinho
Subindo e mordendo bem levemente
Estou em tuas coxas
Tá ficando louca
Continuo a subir com mordidas frequentes
Subindo beijando, mordendo e chupando
Estou agora em tua vagina
Desejo chupa-la
Deixar excitada
E com minha língua deixar molhadinha
Mordo sereno sobre a calcinha
Suspiros profundos ecoando delírios
Teu corpo tremendo
Eu vou mordendo
A cada mordida eu ouço os gemidos
Pelas laterais vou enfiando a língua
Segurando tuas pernas com minhas mãos
Sinto molhada
E lubrificada
Sentes calor de tanto tesão
Com a língua por baixo da tua calcinha
Continuo enfiando pra te enlouquecer
Enfio mais pra dentro
Com mais movimentos
Delírios e brados te ouço gemer
Agora com as mãos afasto calcinha
Que obra de arte, que coisa mais linda
És maravilhosa,
Esplendorosa
Pérola preciosa, perfeita obra prima
Calcinha de lado vagina lisinha
Teu clítoris molhado concentro em chupar
Prendo nos lábios
Estou arrepiado
Puxo pra cima fazendo esticar
Outra chupada e um imenso delírio
Chupo de novo e ouço outro brado
Geme de novo
Está muito gostoso
Teu corpo está todo lubrificado
Chupo sem pressa tua vagina
Explorando o clítoris com muito carinho
A cada chupada
Dou um esticada
Chupando gostoso com muito jeitinho
Chupo gostoso brincando com o clítoris
Gemes gostoso estás toda suada
Respiras fundo
Enfio mais no fundo
Com a minha língua te deixo excitada
De pernas abertas em cima da cama
Estás meu amor com a vagina suando
Que vagina gostosa
Estás muito fogosa
Com língua no clítoris estou brincando
Louca de desejo te ouço dizer
"Chupa amor e mete gostoso"
Respondo chupando
Pra te ver gozando
Pra te satisfazer faço tudo de novo
Deliras e gemes bem gostosinho
Me pressionas contra tua vagina
"chupa gostoso"
"faz tudo de novo"
Minha garota, minha menina
"Venha amor, te chupo gostoso"
"Muito prazer também quero te dar"
"Me deixas louca"
"coloca em minha boca"
"Venha amor comigo gozar"
Chupa princesa me deixas maluco
Tua boca gostosa é muito atraente
Me deixa babado
Estou muito excitado
Tá muito gostoso tua boca quente
"Que pênis gostoso, está muito duro"
"Com ele na boca engulo todinho"
Além de gostosa
És muito gulosa
Não morda amor chupe com carinho
"Eu vou ficar, de cabeça pra baixo"
"Pois quero amor, você me chupando"
"Eu chupo daqui"
"Tu chupas daí"
"Sinto em tua língua meu clítoris piscando"
Ai amor, tu chupas gostoso
Me deixas mais louco a cada momento
"Meus lábios aberto"
"Teu pênis ereto"
"Com muito carinho quero todo dentro"
Que clítoris gostoso, que vagina quente
Sinto prazer em te chupar
"Chupe meu anjo"
"Já estou ansiando"
"Teu pênis gostoso a me penetrar"
Vamos amor pois eu já estou
Muito excitado para te fazer gozar
"Vamos gostoso"
"Maravilhoso"
"Quero sentir teu pênis entrar"
Vem meu amor, minha gostosa
Me beije gostoso vamos começar
Momento gostoso
Está delicioso
Deitada na cama teu ouço suspirar
Te abraço por trás segurando teus seios
Sintas minhas mãos a te apalpar
Vagina excitada
Toda molhada
Logo meu pênis vai te penetrar
Suspiros profundos, gemidos excitantes
Corpos unidos, para sentir prazer
Tuas pernas suspendo
Meus pênis metendo
Entra deslizando todinho em você
Vou devagarinho, metendo gostoso
A cada metida te causo prazer
"Que maravilho"
"Que pênis gostoso"
"Está muito duro me fazes gemer"
Te viro pra mim chupo teus seios
Teu corpo está quente estás delirando
Que vagina apertada
Mais lubrificada
Meu pênis ereto entra deslizando
"Vai amor tá muito gostoso"
"Cada vez mais vou me excitando"
"A minha vagina"
"É apertadinha"
Mas sinto teu pênis saindo e entrando
Estou muito feliz em te dá prazer
Estou completamente apaixonado
Momento perfeito
Fico satisfeito
Desejo te vê sentindo o orgasmo
"Estou muito contente, muito feliz"
"Muito gostosa essa sensação"
"Vamos amor"
"Quero por favor"
Que enfie tudo em mim de outra posição
"Ficarei de quatro pra você meu amor"
"desejo assim ver você enfiar"
Maravilhosa
Que mulher gostosa
Sinta meu pênis deslizando entrar
Gritos mais altos, ouço os gemidos
De uma mulher com muito tesão
Metendo gostoso
Metendo de novo
Sinta o prazer dessa sensação
"Mete gostoso, mete mais rápido"
"Dentro de mim coloque todinha"
Mulher virtuosa
Tome gostosa
Minha princesa, minha menina
suspiros profundos, gemidos excitantes
Corpos se encaixam gerando prazer
Vai e vem é o movimento
Muito gostoso esse momento
Metendo bem rápido te faço gemer
"Ai que delicia, estou quase gozando"
"Quero mais vezes contigo transar"
"Deite na cama"
"Sou sua dama"
"Que agora por cima far-te-ei delirar"
Venha gostosa eu sou todo seu
Faça de mim o que você querer
Sentas por cima
Coloque a vagina
Desejo agora gozar com você
"Desejo que goze em minha boca"
"Que pênis gostoso eu quero babar"
"Nossa que delicia"
"Me fazes caricias"
Por cima dele quero rebolar
Rebole, rebole, rebole gostosa
Rebole, rebole, que está perfeito
"Rebolo gostoso"
"Está maravilho"
"Quero deixar-te muito satisfeito"
"Ai que delicia, eu vou gozar"
"Estou no clímax dessa relação"
"Estou amando"
"Estou gozando"
"Muito excitada, com muito tesão"
Venha amor aproveite o momento
Abre as pernas que chupo de novo
Enfio a língua
Grite menina
Quero te ver gozando gostoso
"Ai que gostoso, chupa meu amor"
Claro que sim com muito prazer
Prendo nos lábios
Teu clítoris molhado
Estou chupando te ouvindo gemer
Respira ofegante de muito tesão
Minha língua entre as pernas te causa prazer
Te deixando louca
Gozando em minha boca
Estou chupando te fazendo gemer
"Ai que delicia agora é tua vez"
"Goze gostoso que eu quero ver"
"Chupo todinho"
"Desejo o leitinho"
"Com minha língua te faço gemer"
Chupa gostosa, chupa com gosto
Estou muito perto quero gozar
"Minha boca quente"
"Abertamente"
"Desejo nela te ver gozar"
Ai que delicia estou gozando
te vejo chupar bem gostosinho
Que gozo envolvente
Tua boca tão quente
Chupa com gosto todo esse leitinho
Que sexo gostoso estou muito feliz
Te levei ao clímax dessa relação
Te fiz gritar
Gemer e gozar
Muito prazer e muito tesão
"Sim meu amor, você é perfeito"
"Estou satisfeita e muito feliz"
"Foi tudo gostoso"
"Maravilho"
"Começa de novo que eu quero bis"
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Jorge Santos (namastibet)
JOEL MATOS
JOEL MATOS
por
Jorge Santos
Capítulo 1
Conhecemo-nos numa certa tarde de outono, no caminho do Liceu de Oeiras/Paço de Arcos, chamava-se Sebastião "Silva e mais qualquer-coisa", perto de Lisboa ou seja entre Cascais e Lisboa, sou muito mau a fixar nomes de sítios, pessoas e coisas; creio que foi numa área de residências de luxo muito antigas, típicas casas senhoriais do antigo regime, pintadas de amarelo e branco; lembro-me que não era muito longe do quartel militar onde Joel Matos, como mais tarde vim a saber o nome; disse que cumpria serviço militar, nessa altura de 1982, em outubro, era um dia já tardio, igual a outro dia qualquer, realizávamos a pé, desde Paço de Arcos a Oeiras, o mesmo trajeto, já nos tínhamos avistado noutras alturas mas nunca tínhamos começado conversa; aparentou-se-me despretensioso e tímido, vestia farda verde seco demasiado larga e ainda maiores as botas, davam um ar cómico de pinguim andante ou Charlie Chaplin sem bengala nem bigode, a boina mal ajeitada e o sentimento de haver sido deslocado no espaço e no tempo que quase todos os soldados do serviço militar obrigatório aparentavam por mais que o tentassem esconder quando perseguiam com olhar e mãos, as raparigas da terra, fartas de soldadinhos imberbes mas atrevidos dentro das cómicas fatiotas esverdeadas, vazias.
Lembro-me particularmente desse ano por uma situação singular, foi aquando da visita do Papa que nessa época era João Paulo II a 12 de maio no Santuário de Fátima, dia em que foi vítima de tentativa de atentado por membro de uma outra religião; saiu ileso dizia-se na altura - por milagre "divino". O papa perdoou-o em visita à prisão onde se encontrava detido, poucos dias depois do inconveniente episódio.
Assemelhou-se a algo assim estranho também aquele encontro, mas prefiro usar a palavra invulgar como adjetivo para uma ligação que ainda dura mais de vinte anos depois e para alguém tão pouco comum tal como o Joel Matos, surreal até.
Germinámos parceiros e parecidos no mesmo ano de 1961, temos a mesma idade, embora Joel tenha surgido em mês e dia par e eu em impares ambas as datas, dia e mês.
Nessa noite as aulas passaram tão rapidamente que nem dei por terem acabado, tão determinado estava em desenhar o mistério deste personagem que parecia conhecer irmãmente ou assim como a mim próprio, mas que, por algum motivo de desassemelhava em tantos e importantes aspetos comigo.
Era sombria a áurea que nos rodeava, quase esquisita, e o Joe, pensativo dava aquela aparência de quem não quer receber visitas fosse a que horas fosse, de dia ou de noite. Falámos sem trocar palavras e entendíamo-nos como os mudos se entendem, sem dizer palavra, diminuindo as sílabas vocais.
Corrosivo e caustico, acabava sempre por pedir desculpa apesar de conscientemente sentir que usufruía como certas as opiniões que tinha além das oportunidades mais honestas deste mundo.
Os dias passaram e nós dois também passámos mais ou menos discretamente de afeiçoados um ao outro a confidentes íntimos, inseparáveis até ao osso e à medula óssea.
Eu podia ter parado, sentia que deveria parar este influenciar mutuo, tive a sensação de proximidade com Joel por diversas vezes antes desse dia e ao longo dos anos embora sempre rejeitasse e repelisse semelhante ideia pois a achava sintomática de esquizofrenia ou loucura, mas ali estava ele finalmente; nós frente um ao outro como irmãos apenas separados por hélio e formas diferentes de ler o nosso próprio conteúdo.
Capítulo II
Incomoda-me ainda hoje, decorridos tantos anos, o nome que atribui a si mesmo esta personagem que sempre e esporadicamente me povoou e se desenvolveu em mim, perante mim e se desenrola agora na minha expressão dramática sem ser necessariamente distinto ou distinta, mas seguindo um instinto separado, não paralelo. Incomoda-me a facilidade de argumentos e o "dark soul", o modo impulsivo explosivo e compulsivo com que raciocina e a compreensibilidade lógica subjacente e independente, par.
Disse-me um dia Joel em nome de um grande homem que admira "Basta existir-se para ser completo" tomando como princípio que existe ele mesmo e ao qual eu respondi olhando-o nos olhos verdes, lembro-me tão bem, sentados na guarita da Arrábida no Sírio de Maio,
"Tod'a fraqueza é possível quanto dura for a pele, tu não és fraco, és puro Joel, nada te coíbe de ser inteiro"
(cont)
Jorge Santos (Namastibet)
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Jorge Santos (namastibet)
Em geral
Em geral
Em geral, somos criaturas miméticas que se prendem nos gestos uns dos outros e aprendem por imitação dos sinais do rosto embora aprendamos devagar e com gestos lentos, desde como fazer balançar o berço até ao contar pelos dedos, a tabuada dos nove, em galego, (nove's fora nada, nada igual a zero, por gestos) quer a comunicar com os ombros dizendo eles da nossa equidade em Basco, ainda mais que nós mesmos "por boca" lograríamos transmitir por sílabas gástricas, intestinais, o estalar dos dedos é linguístico e tão universal como a palavra "TAXI", não tenho vontade ou necessidade de justificar o gesto de um só dedo, partilhar os meus costumes a outros ocupantes deste "Taxi espartilhado", nem justificar convívios, conluios; nem necessidade de justificar o que conluio finalmente como tendo real valor, a minha sensibilidade e versatilidade, está para o meu entendimento assim como o erro para Descartes, mantenho a cabeça na pia baptismal e afasto, separo as emoções dos pensamentos embora as minhas alterações comportamentais não sejam, nem sigam uma linha recta, mas a distancia mais curta entre o que me apaixona e o que penso ser correcto parecendo nebulosa à distancia e na consistência e desvio múltiplo, de facto não o sendo; é o que me influencia vindo do exterior, o mundo qual gera justamente a minha ideia de verdade, originalidade e ideal, justiça.
Em geral, sou como uma criança que aprende com o que conheceu ou aprendeu numa conversa a dois com os cotovelos, aí chego a uma conclusão e passo-a a limpo com os dedos das duas mãos, apesar de muitas vezes colher da erva alta flores de cardos, viscosas, terríveis, espinhosas, por serem de uma realidade que às vezes dói, a própria vida nem sempre é constituída por viçosas flores de jardim, mas por associações destas e outras ideias, a ironia e o sarcasmo são espécies entre muitas e uma indicação aguda de atitude espiritual por vezes injustamente condenada como bastarda e indigna de se considerar flora.
Confio nos polegares opostos, na instituição que é ser "Humano" e embora não me vista de Xiita, admito-os e admiro todos os trajes, são as oficinas que tecem os trajes, que por sua vez moldam o pensar do polegar e o entrelaçar constante de dedos é um dom, um mérito, o ligar fio com fios; o aspecto, uma trama cerzida ponto por ponto.
O encanto da liberdade é dizer o que quero a outro, passar por onde quero, ter dois ou mais poleiros para cantar de manhã cedo e escolher o que quero usar dentro da capoeira, apesar de acabrunhado e sonolento quando acordo a doer-me a bexiga, alivio-me desse incomodo antes de cantar de galo pela fazenda do meu dono e fazer de novo um berreiro daqueles que se ouvirá da França ao Reino Unido, supondo que o galo fala francês, já que de lá é oriundo e não da loja de algum chinês.
Em geral somos criaturas de hábitos, temos pés de barro que embora possuam outra utilidade também servem para quebrar canelas e joelhos de diferentes jogadores em diversos jogos, provocar dor; habitámo-nos a usá-los para andar, para correr, para cheirar de modo que sintamos que estão sujos ou com o síndrome de pé de atleta em estado avançado, nauseabundo.
Não costumo cheirar os pés dos outros, nem o peçam por favor, cada um tem de sentir a que cheira de facto cada palavra e acto e a morada íntima da alma não pode exaurir demasiado fedor, sob pena de perpétua condenação, vem descrito no Apocalipse de Patmos como exemplos de males sem cura, quer o pé-de-atleta assim como o mau hálito de boca e as dores de cotovelo ou de cabeça congénitas.
A fome e a sede são generalidades, aprende-se cedo a enfrentar assim como o medo e o modo de embalar com o abanar do corpo e a dar movimento ao pequeno berço.
Defino-me como a excepção à aprendizagem em geral, não sou aprendiz de coisa alguma; como mestre de mim mesmo, não entendo dos outros o que não sei por "Leitmotif", nem pretendo ser entendido por todos, não ando nem falo como a maioria das pessoas, nem me sinto culpado por não me fazer entender, é uma questão de consciência não uma estratégia nem uma tragédia. A fome e a sede são insignificâncias perante a existência de cada um, mas concorrem e especializaram-se, cada uma à sua forma para o triunfo da mente humana e para que as palavras falem às vezes connosco e as entendamos. A noção simples de existência é esmagada pela sede e pela fome mais que pela miséria insana, embora sejam uma trindade. Sinto a liberdade a definhar no trânsito da cidade, na fila dos semáforos urbanos que me obrigam a parar, nos anúncios de pasta de dentes e no IKA dos móveis, nos impostos que me obrigam a pagar, já o que me costuma manter vivo é um desejo grande de comer e beber, absurdo para alguns e para outros compreensível; a regra "Sine qua non".
Geralmente não tenho sede de água, pouco bebo a não ser nos regatos quando caminho nas florestas doutros reinos, defino esses momentos como genial excepção, não pela inteligência ou habilidade de me acocorar nos regatos, mas pela simplicidade, pela fuga de espírito, como água de fonte fresca, maleável à mão, um pedaço de pão na boca de um miserável esfomeado, com o estômago colada às costas mas autêntico como uma floresta, assim sou e sempre fui, serei.
Termino esta dissertação da maneira mais genial e generalista que me ocorre, como o hábito geral de nos transfigurarmos em tudo o que nos une e nos normaliza como seres miméticos e sociais, sociabilize-mo-nos q.b.
- Carpe Diem -
Joel matos 07/2018
http://joel-matos.blogspot.com
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raiane_passos
Sem pretensão
Sem pretensão alguma, me ganhou com um sorriso.
Sem pretensão alguma fui deixando me levar.
Sem pretensão alguma, entrou em minha vida.
Sem pretensão alguma, me fez apaixonar.
Foi assim que meu coração entendeu
Que a falta de pretensão é uma loucura
Pois quem só pensa depois de estar envolvido
Se entregou sem ter pretendido..
E eu sigo tentando entender
Como pude sem pretender, me envolver
E permitir que a pretensão passasse a existir
Só pra sofrer por quem não posso ter.
Sem pretensão alguma fui deixando me levar.
Sem pretensão alguma, entrou em minha vida.
Sem pretensão alguma, me fez apaixonar.
Foi assim que meu coração entendeu
Que a falta de pretensão é uma loucura
Pois quem só pensa depois de estar envolvido
Se entregou sem ter pretendido..
E eu sigo tentando entender
Como pude sem pretender, me envolver
E permitir que a pretensão passasse a existir
Só pra sofrer por quem não posso ter.
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