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natalia nuno

natalia nuno

aurora boreal...



Abria-se a escuridão da noite
nas ramagens o rumor do vento
ao abandono nossos corpos nus
numa entrega como flores ao relento
lá fora a vida levando sua cruz
tu eras o vento que me açoitava
o interminável sol que me aquecia
eu a flor que por ti brotava
feliz até ver nascer o novo dia
sempre o amor com intensidade
nas mãos hoje, gestos de saudade

Carícias como nuvens brancas perdidas
pairando sobre nossos corpos
depois a doçura dos silêncios,
das horas enlouquecidas
resta ainda uma indelével frescura
cascatas de risos e ternura...

cada dia mais viva esta magia
tanta era a emoção no caminhar
hoje a recordação em mim irradia
como a luz boreal que noite e dia
é presença ditosa no nosso olhar.

natalia nuno
rosafogo
275
natalia nuno

natalia nuno

espero-te...



aquele doce cansaço
depois do amor é ouro
sobre prata, que de satisfação
quase nos mata,
depois dum mar tempestuoso
ficamos um lago sereno
um sorriso quase de adolescência
deslumbrados de amor
dispostos a amar a vida
como se esta fosse primavera em flor

espero-te
sempre com o mesmo fogo
e a frescura duma manhã orvalhada
e no regaço da noite nos amamos
pela hora calada
chegaste à minha vida
quando tudo era sol em mim
água sedenta, num infinito frenesim
éramos asas do mesmo pássaro
num voo sem medida
numa felicidade sentida
entregava-me numa ânsia de ti
e palavras de amor ressoavam
aqui e ali...
hoje basta-me o teu olhar
para os sonhos inventar.

nossos dias esvoaçam
qual cortina dançando ao vento
e eu menina, ainda acalento
uma insólita espera de voltar no tempo
em que tudo era primavera.

natalia nuno
253
gmarotta

gmarotta

Sorriu pro meu olhar

Estava passando por aí
E não estava tão ali
Até que vi uma pessoa a brilhar
Ela sorriu pro meu olhar

Sorriso simples e belo
Transformou-se num elo
Entre meu olhar e o sorriso
Que se transformaram nisso

Estranho como apenas um olhar
Pode fazer você se inspirar
A do nada criar
Uma coisa sem notar

A brilhante passou
E uma oportunidade não chegou
Pois estava mais preocupado
Com minha mente e meu estado.
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anjocaido333

anjocaido333

Caído


Avisos, avisos, avisos... Chamas a estes choques frontais no betão da nova catedral, esse nome? - Não! - Chama-me a atenção de forma meiga, passa-me a mão no queixo e num só acto levanta-me deste lamaçal que nunca seca!!!
Não tenhas todo o tempo do mundo, não vires a ampulheta mais uma vez, que estou tonto de tantas viragens!!!
Não acredito que sou feito de barro, isso é conversa de bêbados em bordéis sem dinheiro...
Não me deixes mais tempo assim, leva-me contigo!!!
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Que será da nossa viúva sombra,




Que será da nossa
Viúva sombra, sem
A mortal vida presa,
Que somos, criamos

Poesia, como deuses
Do cosmos, querendo
Sou iníquo ou único,
Como se existisse "Ecce Homo"

Em mim ou uma luz negra
Assim, tal como há vida
Em nós, contamos com
A morte, pra sermos

Eternos e reais "d'cem-réis",
Que será da nossa
Viúva sombra,
Sem o lugar dos tordos,

Os Maias, os Césares
E a vizinha cega, que
Não sei o nome...
Que será da nossa sombra,

Morta a vida, cega ...cegos,
Vivamos todos.

Jorge Santos 08/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

“Semper aeternum”



"Semper aeternum"

É tão difícil encontrar alguém que acredite quando se diz que se ama visceralmente ou que se entende cada cor e cada pincelada na pintura exótica e extravagante de Paula Rego, o mesmo da água tónica sem limão nem gelo, quanto da voz rouca dum Tom Waits tão ofegante quanto bêbado, diz ele que atrai mosquitos pois estes são atraídos pelo azul dos seus "blues"e não p'los olhos "marron", assim como os camelos pela água, ele por old whisky mesmo estando podre e estagnada a água dos dromedários do chá verde e amarelo, assim como as areias do deserto se movem as mulas do "far-west" americano são fascinadas pela voz improvavelmente bela do cantor de blues.
Quem gosta de ser interrompido pelos filhos entrando no quarto quando faz sexo, surpreendido pela voz do parceiro ou da parceira na cozinha, "não faças assim o cozido, faz deste ou d'outro modo", é tão difícil que alguém acredite que se gosta do sabor amargo da cerveja assim como do "brain freezing" quando se bebe uma soda "super-gelada" habitual nos "franchisings" do costume ou da gasosa com soda ou o blody mary a meio de um meeting de veggies ou sobre alterações climatéricas num dia de verão extremamente frio ou à luz da vela, numa tropical noite de"banana moon" a beber champanhe na cachaça, ambas juntas a flutuar com raspas de lima verde e sabor a hortelã-pimenta.
Há quem acredite que os Americanos foram à lua ou que os futebolistas lutam pelas cores das bandeiras nacionais nos mundiais de futebol, na copa do mundo como dizem os brasileiros; que a Terra é plana é um exemplo da pouca fé humana na ciência ou que a lua é verde quando não estamos a olhar ou quando a vemos sem "a ver".
Eu falo para as árvores, que estas ouçam não sei, (I Talk To The Trees) acredito que sim, é uma atitude que me percorre desde a raiz do cabelo até ao acabar dos dedos um a um e todos, o mindinho.
É tão difícil encontrar alguém perfeito? Não creio; tal como não acreditava vir a gostar de Tom Waits, receio, sinto e sei de uma estranha mágoa dentro de mim, parecida a uma pequena "ervilha de cheiro" ou será apenas melancolia de passageiro que se diz apaixonado pelo caminho sem o ter feito, como se fosse uma doença incurável ou um contratempo encontrar-me eu comigo e a sós, "semper aeternum", comum e imperfeito,"Finale". Não creio num armistício, cansei-de lutar viúvo contra baleias brancas e ao vivo.

Joel matos 06/2018
http://joel-matos.blogspot.com
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Conto …




Conto ...

Conto de um, dois, três, quatro e cinco e seis, dezasseis ...até trinta e seis, esquivo-me a agir, reduzo a acção, supero o deve e o haver, sobra-me o que não disse e continuo a viver da arte das expressões e emoções já não tanto à flor da pele como uma coroa do sol e o papel a arder quando se aproxima e afasta a lupa dele repetidamente concentrando a luz, concentro-me na lua, em que não há, não pode haver fogo, não há ar e o meu trono é de ar e povo, pai e rei do mundo, imagino-me e é tudo, as revoluções e as guerras continuam por todo o lado, não são estéticas, causam horror, não valem o som que fazem aos ouvidos, de boneca de louça quebrando, de bebé chorando; eu potencio o repouso e conto um e dois e três, até trinta e três sabendo que é um jogo, um exercício, o da concentração da luz numa lente e o haver fogo e o que posso fazer é saber e faço de sábio sem o ser, inevitavelmente conduz-me a estupidez por entre mortos e feridos embora não haja reino por que valha ser ferido.
Conto um, dois, três, dezoito, vinte e oito pelos dedos, peço o recibo ao taberneiro, sempre solicitei contas com boas maneiras; um pobre, ridículo acrobata de circo no fim da rua, porta com porta em frente à minha, lembra-me os meus falhanços, a minha incompetência endémica que me faz confiar na habilidade de faz-de-conta tal como o palhaço que ri na rua do-tudo-por-nada.
Conto e continuo a contar que, sob as más-caras há e sempre haverá humanidade e o hábito, elevado ao expoente máximo que um processo mental básico alinhe o inapto de sonhar com o sonhador devoto, surpreendo-me constantemente com quem passa por mim e se apega à matéria da negação como forma de existir suprema, transfiguro-me numa outra realidade, conto e continuo a contar sem me misturar, daí a habilidade em seguir vários caminhos sem me envolver com a rua e o palhaço que representa os meus falhanços e a estupidez humana das almas todas incluindo a minha, a chama, a luz concentrada de uma lente, o sol; concentro-me na lua e conto, cem, cento e muitos impulsos de todo o meu sangue Germânico, abrandando até sarar ...

Joel matos 06/2018
http://joel-matos.blogspot.com
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ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

SEM SENTIDO

O que é um homem sem um amor? É um objeto sem cor, uma pétala sem flor, uma baqueta sem tambor, um alimento sem sabor, um choro sem rancor. Uma via sem pavimento, a massa sem cimento, um corpo ao relento, a tempestade sem vento. A vontade sem a razão, uma via de contramão, um sol sem verão, um voo sem avião. Um barco sem motor, sem remo ou remador, à deriva em alto mar, sem saber aonde chegar. A língua sem a fala, um perfume que não exala significante odor. Um coração que não bate, um olho que não vê, a fome que não se acaba, o mundo quando desaba diante de você. A loucura controlada pela força aplicada doa a quem doer. O trem sem os trilhos, o sabugo sem os milhos, os pais sem os filhos, o morcego durante o dia, sem paz na agonia. O banco sem vigia, a virgem sem pudor, sem compromisso sem pastor, as nuvens sem o céu, as castas sem o véu, as prostitutas sem bordel, as abelhas sem o mel. A caneta sem a tinta, a rainha indistinta, um pincel que não pinta. Quantas coisas se podem enumerar querendo explicar um homem sem um amor, porque Deus o Criador ao fazê-lo teve o zelo de uma companheira arranjar, vendo-o triste sem um par, de suas costelas foi tirar uma mulher para ele amar.

Ipatinga, 03/08/2018
Erimar Lopes.
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natalia nuno

natalia nuno

é louca esta saudade...

Tenho saudade nem sei de quem
Levo a vida a pensar nisto
Sei lá donde a saudade me vem?!
Mas chega e eu não lhe resisto.

Saudade louca sempre a crescer
não me deixa entregue à solidão
Saudade que mais ninguém quer
sem ela m'espírito vagueia orfão

Deixo-me no sono branco d'águas
saudade é ave que canta no ramo
e o rio é q'esconde minhas mágoas

Saudade amargo doce em m'coração
q'inventa sonhos e sabe a quem amo
a quem dou a mão e partilho solidão.

natalia nuno
rosafogo
2001
248
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Antes de tud’o mais ...




Antes de tud'o mais ...

Antes que tudo, desfaço a minha barba com a Gillette, a mais perfeita e bem-feita do mundo e depois de levantar de manhã-cedo, o leito ainda aquecido e marcado pela fixa posição corporal; como uma praxe, faço a cama quando sou o último a levantar, ponho as "orelhas dos lençóis num ápice por cima das almofadas" , a chávena de leite amornado no micro-ondas com a substancial aveia e antes de qualquer outra coisa do dia e no princípio de tudo, de todos os acontecimentos que não serão cerimoniais tanto quanto os da manhã e do café, além de trabalhar das oito e pouco- às sete e tal, olhar na rua o escasso movimento habitual, a apatia dos transeuntes e a simpatia do vizinho da frente que comparece na loja a horas e minutos fixos e certeiros para dizer bom dia, comentar o jornal da véspera e os acontecimentos da periferia, além disso traz por vezes ameixas ou damascos para o lanche ou melancia da quinta que cultiva nem sei onde.
A meio da manhã com a vinda do carteiro, as facturas da luz e da água forçando-nos a pensar que só pode ser assim, a realidade a deixar-se fazer sentir.
Música por "background", "Dark Blues" ou "Motown Jazz" sempre igual a sempre, assim também a falta de respeito habitual quando pedalo pra cá e pra lá de bicicleta, pela berma da estrada como manda a segurança; faço todos os dias uma silenciosa digressão para a urbe com os carros colando em mim como um estranho "chiclete" de banana com maracujá, uns pegando a outros, como peste; a minha indignação sempre presente, a título de "karma" ocidental e pungente, quase como uma bofetada a frio de "dia-a-dia" é o que acontece quando dou por mim na cidade das más vontades quotidianas, do massacre e da ignomínia, dos cidadãos sem honra nem tino apesar da pressa de alguns; parecendo ser abastados a julgar pelas máscaras fechadas e imponentes e no que diz respeito a carros e a cigarrilhas de saquetas douradas dobradas amarrotadas, atirados com desleixo e ainda com morrão aceso, com ou sem intento, (suponho que não), para a berma mesmo que esta esteja seca, restolho de pirotecnia, incêndio; ruidosas procissões de gentes escravas de uma missão que não entendem e as transcende deixando elas próprias de fazer sentido ...
Antes de tudo, Sou um ser indignado por defeito embora o meu feitio seja feito de boas vontades saudáveis e intrínsecas como o salmão e o seu óleo qua tanta falta faz a uma boa, equilibrada dieta, excepto o óleo da batata frita embrulhada, que na ausência me não faz pesaroso ou triste, excepto a um "Mc Donalds" rico, untuoso, obeso e prejudicial, meu rival de peso no que diz respeito ao colesterol que não controlo nem consigo controlar apesar do esforço e da intenção.
Ainda assim e antes de tudo respeito o "laissez-faire" dos outros, além as parcas boas vontades de um sistema global e globalizante, castrador da firmeza individual, legível até na escolha gastronómica das filas diárias e intermináveis de consumidores, nem firmes nem filiformes, em veículos perfilados, cada um com o som do rádio mais irritante que do outro da frente ou no detrás, do sofisticado look de marca nos óculos, da arrogância egocêntrica e automobilística de enfileirado de um e de outro lado nos "drive-ins", como se fosse aquele o melhor petisco e manjar da Terra e do céu juntos na mesma receita, lado a lado, pão com pão, carne com carne, ambos de duvidosa origem, mercado pra' apáticas bocas, fácil digestão, chiclete-gástrica.
Antes de tud'o mais, cometo a ignomínia de me regalar com as palavras-minhas desde que chego ao trabalho até que me escapo e quando posso, por vezes parece uma manta de retalhos o que s'crevo ou um labirinto sem saída, sei isso e sinto mas o fio quando se parte da meada numa mais é fio contínuo e os nós se enredam dando uma sensação de trama mal acabada, mal alinhavada, como se fosse um pintor chinês pintando paisagens da Holanda de Gogh em aguarela.
Compõe-se a linha da beleza artística de uma fina camada de sensações das mais longínquas proveniências e até no fazer da barba se define o que será o dia e a semana e a emulsão analgésica do creme de barbear prepara-me a face e o espirito, absorve-me e observo no espelho a consciência separando-se como uma espécie de publica instituição física e intuição profética e poética profunda, criadora.
A missão é não desejar, não triunfar, embora o quisera eu interiormente; em privado ainda assim triunfo, liberto-me de ser escravo embora na realidade não deixe de o ser, natural é o que sempre fui e sou desde que faço a barba de manhã cedo, arrasto os lençóis da cama sobre as almofadas e persuado-me de que tudo é uma narrativa que estico sem o menor esforço. A calçar e descalçar é que experimento o melhor sapato, o que faz menor peso ou melhor passo.
Antes de tud'o mais seduz-me o que é reduzível ao absurdo, a interpretação dos sonhos, a apreciação das acções dos outros e o modo de exprimir que se desenrola do meu polegar erecto à expressividade côncava do que tenho pra dizer na palma da outra mão, astucia ou dom de camada fina.
Antes que tudo, desfaço a minha barba com a Gillette, depois vem tudo o que consegui ser, a repetição dos movimentos da mão destra, nem estrelas mestras nem cometas, o universo inteiro para mim é uma brecha sem conteúdo flui pela minha vontade sem que agarre senão a sensação inútil de repetir os mesmos gestos na orla onde as estrelas começam, a floresta escura.
A missão não é desejar puro, sublime e sem corpo, nem a imaginação se mede na pele dos outros, aos palmos,nos pulsos ou com um termómetro, a única maneira é reconstruir tudo, algo novo, um mundo, pra admitirem que temos isótopos do dom que é sonhar como uma medida real, escudo pra tudo e até contra o tempo, a fluência é um mito urbano, o desapego um medicamento contra nós mesmos, acção pode ser desencanto como a emoção é analgésico, a emulsão do creme de barbear prepara-me a face e o espirito como substancia especial que reage ao exterior e ao submundo, o oculto.
Profetas são os que observam na sonolência dos outros o mistério do sono absoluto, supremo e simbólico, deles próprios assim como a emulsão dum creme de barbear, na pele do rosto...

Joel matos 07/2018
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327
gyxdvicttor

gyxdvicttor

Eu te amo com todas as forças possíveis

você representa amor e doçura
És bela como uma espuma,
Suave como a nuvem

Em meu peito se deleita
Entrelaçada entre meus braços
És meu refugio, meu cais,
És minha raíz, meu porto seguro

Seus olhos representam as estrelas, a luz no fim do túnel
Eu te amo com todas as forças possíveis
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natalia nuno

natalia nuno

pensamento...

de cada vez que te lembro, é como se o amor insistisse em me prender... a um encontro sempre adiado.

nnuno
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Puder-eu-o-ter




Puder-eu-o-ter
Mar que há em mim,
Puder eu o ter não no lugar
Que tem o mundo, mas no peito,
Profundo, perdido e fundo.

O mar que há em mim passei,
Saudarei da margem dele
O mar sem farsas falas, pois
Que hei-de por ele passar,

Eu sei que é o mesmo
Porque me corre nas veias
E é salgado tal e qual o sal
No mar imerso e imenso.

Abraço o nosso e o falar
Que não se distingue
No mar entorno que volta fatal
E eu vou ao ritmo da maré,

O mar que há em mim
É supremo, confesso-me
Imperfeito não me alimenta
A beleza, não compreendo

Os elementos nem o critério
Da natureza, da espuma,
Apesar de fluída e me aperta
O peito, estéril, amiga,

Ouvir o som das águas
E morrer, é como descrever
A própria calma e saltar
Dos ribeiros para o domínio

Que me corre nas veias,
O destino é sentir que vou,
Sem deixar de ser o mar
Que volta e me tem, puder-eu-o-ter,

Confesso-me ...

Jorge Santos 08/2018
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Matheus de Andrade

Matheus de Andrade

Tempos mudam mas algumas pessoas ficam estagnadas

As vezes fecho meus olhos e observo minhas emoções
Mas mantenho uma certa distância
Fico observando de longe com olhos fechados
Oque aconteceria se eu mergulhace nesse mar de solidão ...
Uma pedrinha caindo pode criar ondas .
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Gostaria de ter um Cadillac novo,




Gostaria de ter um Cadillac novo,
Daqueles verdes vivo ou claro,
Assentos cor de ovo, a casca
Ou da minha pele morena,

Gostaria de ter um Cadillac,
Como outra "gente bem",
Aquele que reproduz
Um trovão quando passa rente,

Sem esforço, plo meu coração
Parado, aquele que não afrouxa,
Como tudo na vida e enfim,
Como toda a gente comum,

Que gostaria de ter um Cadillac
Novo, mas sou cercado de coisas
Incompletas, assim os jardins,
Onde pobre me deito e ouço as rosas,

Sorrir nas pétalas, Dálias do Japão
Sedan Azul na América do sul,
Correr cidades e subúrbios,
Gostaria de ter um Cadillac novo,

E esta intenção de me encontrar suposta,
Esta inquietação de correr cidades de costa
A costa. Tornar parte da paisagem
E do ruído metropolitano, dos rostos humanos,

Esta intenção de me encontrar em tudo,
No ouvido dos vizinhos a falarem alto,
No trânsito do subúrbio, sempre parado,
Ao volante de um Cadillac-de-fazer-vista.

Jorge Santos 08/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

-O corte do costume, se faz favor –




-O corte do costume, se faz favor -



" - É o costume?" - Digo eu, perguntando como sempre faço, embora sem esperar pela resposta, como se fosse um ritual castiço - O costume, se faz favor - é a réplica espontânea, mesmo nas tascas das s'quinas ou no restaurante onde se almoça quase todos os dias do ano e na taberna do copo de três, que infelizmente já não existe ou apenas nas historias do "era uma vez".
" - É o costume!" Costuma servir de resposta e é lançado como um dado, prontamente e na primeira frase, depois do cliente sentar lento e logo a seguir ao bom dia ou à boa tarde, ditos como numa praxe que nos habituámos no ocidente.
São fundamentais estas palavras que trocamos com qualquer cliente conhecido numa qualquer e normalizada oficina de barbeiro e também a frase mais comum, rotineira até à exaustão e dita no local onde trabalhamos eu e meu pai desde que me lembro, tenho cinquenta e poucos anos, ele oitenta maduros e muitos mais de sagacidade, a memória mais activa e infinita do mundo, enquanto a minha, a imediata me basta pois é dele, em si mesmo como homem bom, que me lembro desde sempre, do meu atencioso pai, atenciosamente atendendo clientes acostumados à sua cadeira de barbeiro, bem ao lado da minha, apesar de não falamos muito somos "unha com carne" desde sempre; houve um tempo em que eramos três, três cadeiras sendo a do meio pouco usada ou foi usada por um curto espaço de tempo, agora apenas duas, sendo menor o número de clientes "do costume", menor o vulgar protocolo cliente/ barbeiro-de-bairro.
Faço a viagem diária do costume, tomo o pequeno-almoço do costume, janto o jantar costumeiro com a família com que costumo sem excepção, partilhar as minhas refeições à beira, os meus humores e as minhas ralações costumeiras, não me costumo desacostumar de um casulo que me proteja do exterior e dos outros, pois tenho sempre os mesmos costumes seja qual for o dia a semana o mês ou o ano, sou um ser naturalmente enfático sem ser autista, assim como qualquer outro normal ser humano de costumes ditos fixos.
Tenho um cliente autista profundo, com o qual troco apenas meia dúzia de palavras ou nem isso, não costumamos falar demais nem demasiado, nem posso, não exagero no que digo nem quando afirmo serem meia-dúzia as palavras com que conversámos faz até esta data mais de vinte anos, vinte anos em que é e tem sido cliente habitual; fui e sou das poucas pessoas em quem ele confia para trocar certas curtas palavras e para lhe prestar ou proporcionar um serviço mensal ou bimensal dependendo da ápoca dos meses e do anos serem menos quentes, mais húmidos ou mais frios.
Também ele se protege num casulo invisível, indivisível e bidimensional, à sua medida e à do mundo exterior, cria rotinas talvez para subverter a ânsia que é sobreviver numa "super-colectividade" de ansiosos eficientes, não dizemos as palavras da rotina, "é o costume" ou o "está um dia de sol"," como vai a saúde" etc. Entende-nos o tempo que nos conhecemos, igualmente sem palavras, assim como nós os dois, dirimidos intérpretes, dirimidas actuações sem conversas do - O costume, se faz favor - como sempre, perdurará noutra gente, noutros tempos "como-de-costume", autistas ou não, pais de filhos, filhos com pais, tal e qual como sempre.
Se faz favor, etc e tal ...qual e tal gregos na liturgia papal Romana ou da antiga Pérsia, ainda não Otomana e no sal do mar, que habitualmente sabe muito a peixe.


Joel Matos (2018 Junho)
371
natalia nuno

natalia nuno

pensamento...

a noite caiu depressa e as tuas mãos dançam sobre o meu corpo suavemente...temo que partas ao raiar do dia...

nnuno
191
Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Autenticidade

Destinos imprevisíveis,
Momentos feito páginas,
Brancas, rasuradas,
Escritas além de tudo,
Submissão da vida,
Prantos de emoções,
Aos olhos atentos,
Sedentos de esperança,
A cada dia vivido.
Desatam-se os nós,
Pontes de novos laços,
Sementes da alma,
Ao longo do caminho,
Sob os encantos do tempo,
Sublime imperfeição,
Soprando nos corações,
Borrascas e brisa leve.
Entre manhãs e noites,
Açoites e ledices,
Vai o amor adindo,
Flores e dissabores,
Rastos tênues,
Reinventando passos,
Abraços, olhares e beijos,
Sondando o tudo e o nada,
Ensaios da vida,
Meneios da despedida,
Vazio singular da saudade.
504
ane_getirana

ane_getirana

Conversas Mentais

E se você soubesse
o que penso de ti
notaria que o mal que me deseja
é pouco de mais
diante de todas conversas mentais
que tenho sobre você

O fato é que eu não consigo nem ao menos te odiar
é um tanto faz de pena
de que deixe para lá
a indeferença, meu bem
é mais forte do que o atacar

A natureza foi tão cruel que
te fez dentro de você
uma tortura eterna
eu sei que é
duro viver assim
mas, vc para mim é
problema seu


O que você acha que é força
me faz gargalhar
depois que morrer e nascer várias vezes
talvez entenda ...o que já é bem claro
quando você acha que pisa só faz afundar

E eu estarei bem lá para não sentir NADA
676
natalia nuno

natalia nuno

dueto...rio/salgueiro homenagem ao rio da minha infãncia

dueto...rio/salgueiro

rio:

pergunta o rio ao salgueiro:
diz-me o que foi feito dela
sempre a avistaste primeiro
quem sabe... estará à janela

salgueiro:

cada pergunta que fizeres
- tu espelho de mil faces!
vê-la-às quando quiseres
sempre que por aqui passes

um dia vais como quem
leva o regresso já perdido
mas no coração d' alguém
jamais estarás esquecido

rio:

salgueiro olha para o céu
manda recado pálo vento
diz-lhe deste amor tão meu
q' levo ao mar como lamento

onde estará hoje em dia
o pé não pôs mais na água
nem ouve minha melodia
por isso ao mar levo mágoa

salgueiro:

pergunta então ao moinho
ao açude que por ela chora
chora por ela tão baixinho
que um nó me dá nesta hora.

minha folhagem castigada
lembranças guardo no seio
e na solidão da madrugada
sonho que ela por aqui veio

rio:

ai salgueiro que eternidade
hoje levo minha água baça
levo esta maldita saudade
que tenho dela e não passa

não trouxe a roupa de côr
nem a branca pôs a corar
escreve mil poemas d'amor
não tem data para voltar...

salgueiro:

tempo que ainda me cabe
tão decisivo e derradeiro
dir-lhe-ei que a roupa lave
ao avistá-la lá no carreiro

sabes demasiado bem
esta saudade é um inferno
tu, eu, ela e mais ninguém
entre nós um amor eterno.

natalia nuno
rosafogo
Setembro/1995
250
Cedric Constance

Cedric Constance

REFÉM DO TEU AMOR

Surrupiastes toda a minha atenção,
Meus olhos presos em tuas feições,
Sorriso rabiscado de ternas emoções,
Fez de refém o meu pobre coração.

Meu pensamento ia em tua direção,
Tendo a lembrança como destino,
E meu peito, clamando em desatino,
Ansiava pelo toque suave da tua mão.

Já não havia vida, sem tua presença,
Tua falta me acometia, como doença,
E a cura, estava só em teu carinho.

Prisioneiro tornei-me do teu querer,
E a distância de ti, só fazia sofrer,
Deixando minh' alma em desalinho.

- Cedric Constance
279
Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Fado

Atrevido ócio me ostenta,
Ruidosa selva amedronta,
Mácula feroz amofina,
Intenso pesar me afronta,
Retiro insolente aprisiona,
Desvario n'alma tortura.
Amei cruel loucura,
Rapto soturno sobeja,
Lírico trovejar nauseabundo,
Ignóbil verso matreiro,
Trova o gentil cavalheiro,
Ao infortuno abandono,
Rimas nefastas ao vento.
Firam-me os astros,
Condigno destino de um pária,
A mercê da morte,
Amada donzela da liberdade,
Confidente do meu último suspiro,
Ao encontro da fina flor,
Paraíso da minha esperança.
Doce elísio me abraça,
Sigo arfando ao meu fim,
Venha doce senhora,
Atenha-me em seu colo,
Meus lábios espirituais,
Beija-lhe a face tão amada.
321
natalia nuno

natalia nuno

pensamento...

hoje dou a mão ao sonho,
amanhã posso ser rosário de quem não reza...

nnuno
209
carolcoelho

carolcoelho

Ode às Batalhas Marcianas

As vezes
parece que eu estou perdendo
porém não existe batalha alguma.
Tudo o que existe são escolhas.
Não há mais comunhão
só cada um vivendo na sua bolha.

Eu realmente sinto que estou perdendo
quando finalmente entendo
não há nada para perder:
Estou de mãos vazias
e novamente cercada
pela ausência de coisas
que nunca foram realmente minhas.

E cada vez mais eu perco
a vontade, o gosto, o eu
talvez eu precise de alguma luz
pra me tirar do meu próprio breu
e não voltar nunca mais
porém, marte, ainda me dói
esquecer-te-ei jamais.
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