Lista de Poemas
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charlesburck
Velhos Milagres
Os milagres envelhecem na antiga madeira da igreja
O espírito do mar já não dá peixes maduros,
As gaivotas choram os tempos sem pão
O oceano é um muro, e os sonhos demasiados longos
Ajeita os cabelos nas águas tristonhas, e repousa no peito de Deus
No fim do dia descansar como as aves humanas,
No fim da noite te conto o resumo do que somos
A macieira floresce, mas deixou de servir aos homens
Charles Burck
O espírito do mar já não dá peixes maduros,
As gaivotas choram os tempos sem pão
O oceano é um muro, e os sonhos demasiados longos
Ajeita os cabelos nas águas tristonhas, e repousa no peito de Deus
No fim do dia descansar como as aves humanas,
No fim da noite te conto o resumo do que somos
A macieira floresce, mas deixou de servir aos homens
Charles Burck
370
charlesburck
Labirintos Forjados
Havia um canto para onde eu corria para me proteger do mal,
Onde a vida e as pessoas se esqueciam de mim,
Labirinto forjado na inocência do medo,
As fugas dos vazios do mundo
Às vezes, criava asas, fluido na direção contrária do pouso,
E lá do alto eu via as paredes ocres, e as moradas dos pássaros
De cima, vindas do céu minhas lágrima pareciam chuvas,
Havia nesses momentos um riso solto, a liberdade criando alegrias
E eu era apenas feliz, não sabia de mais nada,
Deus tocava o meu peito menino com um carinho que só Deus tem
Assim eu era dono de mim, filho do mar com os ventos,
Onde os sons tinham bocas e dentes e uma flor no canto dos lábios,
O meu jardim era o espaço, o infinito feito de mim,
Um assovio feito de algum elemento divino chamando o meu nome,
Disseram-me que eu inventei um céu de histórias
Acho que nunca inventei nada, era tudo nascido da vontade de ser
Ainda lembro-me dele até hoje, do menino feliz, me chamando para o seus voos
389
natalia nuno
saudade, forte refúgio..
lembro quando os pirilampos
corriam à minha frente
iluminando o caminho
e eu inocentemente corria
e a terra já dormia
as estrelas olhavam-na do céu
o vento brincava nos meus cabelos
que caíam em anéis espessos
e meu riso soava doce
lembro-me como se hoje fosse,
o orvalho tombava do céu
tão puro quanto eu.
já dormiam os vivos
os pássaros recolhidos no ramo
só os pirilampos me faziam companhia
também o som das águas do rio que da janela
ouvia...
o vento sempre me fala da saudade
saudade do freixo, saudade do açude
e da menina que nos sonhos vejo
a atravessá-lo amiúde,
quando é maior a solidão
e o sonho ilusão
volto à meninice, onde os pássaros cantam melhor
e o rio chama por mim
eu sonhadora lá acudo ao chamamento
e vou ao lugar de onde vim
e se por ventura o moinho ainda chora
interrogo o vento na hora
invento, invento como se os pirilampos
ainda estivessem por perto
e com o coração aberto
tudo o resto passa ao lado
dos meus olhos fechados
.....................
tudo isto sonha o poeta
mas o poeta não sabe nada
fala por ele a saudade, quando
faz poemas na madrugada
saudade é sua chuva seu sol,
seu ânimo para qualquer ocasião
é o acomodar a paz no coração.
palavras e lembranças, adoçam-me a boca
aos ouvidos fazem cantar os pintassilgos
docemente... e assim, ainda me sinto gente!
neste mundo meu, há lírios que a memória retém
que só eu vejo crescer, que serão o embalo
do inverno que aí vem...
natália nuno
https://nataliacanais.blogspot.com/
204
Flavio Lichtenstein
Avise aos amigos
Tanto quão tanto que não me sustento
Santo tão santo que atrevo o zombar
Saiba tão tanto que em si é tão pouco
A vida me trouxe e já quero voltar
Risco e arrisco, decolo a nave
Fico e agito, e não posso parar
Se há ventos sou vela, se há praias sou mar
Nave que é nave só quer velejar
Ouso e não ouço, estou rouco em silêncio
Ouço tão pouco e não quero falar
Ouço a tão poucos e mais quero ouvi-los
Poucos são muitos, são de emocionar
Flerto os segundos e me perco nas horas
O instante é tudo, solene inspirar
Vou lépido, vai vida, vou só, vou embora
Pois vale o risco, destino arriscar
De longe vai vela
Vou nela, vou forte
Riscando horizontes
Despertar, despertar ...
Flavio 14/12/2018
Santo tão santo que atrevo o zombar
Saiba tão tanto que em si é tão pouco
A vida me trouxe e já quero voltar
Risco e arrisco, decolo a nave
Fico e agito, e não posso parar
Se há ventos sou vela, se há praias sou mar
Nave que é nave só quer velejar
Ouso e não ouço, estou rouco em silêncio
Ouço tão pouco e não quero falar
Ouço a tão poucos e mais quero ouvi-los
Poucos são muitos, são de emocionar
Flerto os segundos e me perco nas horas
O instante é tudo, solene inspirar
Vou lépido, vai vida, vou só, vou embora
Pois vale o risco, destino arriscar
De longe vai vela
Vou nela, vou forte
Riscando horizontes
Despertar, despertar ...
Flavio 14/12/2018
275
Neto Ribeiro
Separados pela distância
E quando um obstáculo é encontrado,
É quando se torna a razão da solidão,
Maltratando os corações apaixonados,
Fazendo o coração deságua de emoção.
Suadades do seu abraço protetor,
Dos seus beijos que enchem de calor.
Suadades das conversas entre olhares,
Dos sorrisos ecoados no descampado.
E ruim viver um amor assim,
Mas pior é desistir sem insistir.
Apesar de todos os sentimentos de angústia,
Sonhar em revé-lo me prende na labuta.
Esse são os apaixonados solitários,
Distantes por causa da distância,
Como um obstáculo amargo,
Sempre separados pelo obstáculo.
NETO RIBEIRO
É quando se torna a razão da solidão,
Maltratando os corações apaixonados,
Fazendo o coração deságua de emoção.
Suadades do seu abraço protetor,
Dos seus beijos que enchem de calor.
Suadades das conversas entre olhares,
Dos sorrisos ecoados no descampado.
E ruim viver um amor assim,
Mas pior é desistir sem insistir.
Apesar de todos os sentimentos de angústia,
Sonhar em revé-lo me prende na labuta.
Esse são os apaixonados solitários,
Distantes por causa da distância,
Como um obstáculo amargo,
Sempre separados pelo obstáculo.
NETO RIBEIRO
334
eerina
Tinta De Cerejeira
Tinta de Cerejeira
Eu amava escrever
Derramava meus males e bens
Em um puro e inocente papel
O pintando com meus pecados
Ridicularizando minha vida
E enaltecendo minha morte
Eu amava o som da caneta
Criando palavras
Recriando pedidos de ajuda
E mostrando meu desespero
Eu adorava escrever
Sobre um garoto o qual eu amava
O qual ainda amo
O qual me amou
Eu criava palavras de amor
Palavras de ilusão
Para viver um sonho
Que era meu maior pesadelo
Escrever era bobo
Idiota
Patético
Por isso eu adorava escrever
Escrever era como eu
Rabiscos de letras
Recriavam minha vida
Ouviam meus clamores
E gritavam em um espelho
O que ja eu sabia
Eu queria pintar
Em minha carne e osso
Com uma chama ardente
Todas as vezes que errei
Eu queria marcar em minha mente
Com uma lâmina afiada
Todas as vezes que pequei
Porém tudo que consegui
Foi escrever em minha alma
Com meu próprio sangue
Todas as cicatrizes que ainda tinha
Pegue sua melhor faca
Abra meu coração
E o dilacere
Para que de corpo e alma
A dor seja igualmente excruciante
E sua tortura possa arruinar
A pureza de meu papel
Para o que o meu papel que se despedaçou
A tinta que o encharcou
E o sangue que de minhas palavras se derramou
Não sejam lidos em vão
Como assim foi a morte de meu amargurado coração
-eerina
Eu amava escrever
Derramava meus males e bens
Em um puro e inocente papel
O pintando com meus pecados
Ridicularizando minha vida
E enaltecendo minha morte
Eu amava o som da caneta
Criando palavras
Recriando pedidos de ajuda
E mostrando meu desespero
Eu adorava escrever
Sobre um garoto o qual eu amava
O qual ainda amo
O qual me amou
Eu criava palavras de amor
Palavras de ilusão
Para viver um sonho
Que era meu maior pesadelo
Escrever era bobo
Idiota
Patético
Por isso eu adorava escrever
Escrever era como eu
Rabiscos de letras
Recriavam minha vida
Ouviam meus clamores
E gritavam em um espelho
O que ja eu sabia
Eu queria pintar
Em minha carne e osso
Com uma chama ardente
Todas as vezes que errei
Eu queria marcar em minha mente
Com uma lâmina afiada
Todas as vezes que pequei
Porém tudo que consegui
Foi escrever em minha alma
Com meu próprio sangue
Todas as cicatrizes que ainda tinha
Pegue sua melhor faca
Abra meu coração
E o dilacere
Para que de corpo e alma
A dor seja igualmente excruciante
E sua tortura possa arruinar
A pureza de meu papel
Para o que o meu papel que se despedaçou
A tinta que o encharcou
E o sangue que de minhas palavras se derramou
Não sejam lidos em vão
Como assim foi a morte de meu amargurado coração
-eerina
115
joaopedro
Pra mim
pra mim, ainda não acabou
enquanto você seguiu em frente e voltou pra trás pensando nela
o meu peito chorou.
chorou pq eu não consigo viver sem ti
ou pensar em viver sem seu beijo
toda vez que fecho os olhos, tento te sentir aqui.
a dor insuportável parece não ter fim
tortura a amargura
e se instala em mim.
enfim, eu tentei não me apegar
pra mim, a dor apenas começou.
enquanto você seguiu em frente e voltou pra trás pensando nela
o meu peito chorou.
chorou pq eu não consigo viver sem ti
ou pensar em viver sem seu beijo
toda vez que fecho os olhos, tento te sentir aqui.
a dor insuportável parece não ter fim
tortura a amargura
e se instala em mim.
enfim, eu tentei não me apegar
pra mim, a dor apenas começou.
235
Marnielly
Estrelas
As estrelas que brilham no céu
que nos cobre como um
infinito e adornado véu,
coberto por astros brilhantes,
e fulguran resplendentes como diamantes,
parecem tão próximas mas estão tão
distantes.
estrelas que dádiva poder
vê-las,
o meu céu iluminar
aqui e em qualquer lugar
onde que que eu vá tu
vais está lá,a brilhar sempre
a brilhar e iluminar.
que nos cobre como um
infinito e adornado véu,
coberto por astros brilhantes,
e fulguran resplendentes como diamantes,
parecem tão próximas mas estão tão
distantes.
estrelas que dádiva poder
vê-las,
o meu céu iluminar
aqui e em qualquer lugar
onde que que eu vá tu
vais está lá,a brilhar sempre
a brilhar e iluminar.
43
joaopedro
Primeiro de muitos
O espaço vazio que rondava meu peito, está sendo preenchido pelas lágrimas que rolam deste santuário mais uma vez. A solidão e a insanidade investigam o aluguel para se instalarem novamente em mim. Como elas podem tirar tanto de mim? Ameaçam minha personalidade de forma constante. Por isso, me pergunto: como você pode tirar tanto de mim? Antes, fez de mim o menino mais feliz do mundo; eu estive no topo de seu reino e me sentei ao seu lado. Éramos um e sua coroa refletia minha melhor parte. Agora, sua indiferença e sua armadura me alcançam, pois eu ainda estava no território de seu castelo. Pensei que, se continuasse rondando, uma hora seria posto para dentro mais uma vez. Teria sido uma honra. Os cavalheiros do sangue derramado e da mão que tapa a respiração já me capturaram. Apenas você poderia me salvar, uma vez que, de forma inconsciente, você os liberou em minha direção. Não fui sempre trevas. Até poucas horas atrás estava apenas brincando de me equilibrar na beira do abismo. Mas acho que entendi os sinais e persegui sua frequência até o final desse buraco. Mas, caso você apareça lá em cima, eu seria abduzido de volta por meio da sua luz e seria salvo. Caso você apareça. Mas acho que não vai acontecer. Acho melhor eu me acostumar com a ideia de ter sido apenas uma ampulheta que não voltará a medir o tempo - e como poderia? O espaço vazio, oficialmente rondando meu peito, se instalou no meio e quebrou o artefato. O artefato que você construiu e despedaçou com as próprias mãos.
255
Maria Antonieta Matos
Natal
Sentimento à flor da pele,
Dores, num amargo fel,
Arrepios que a vida tece,
Muita fome, que o dia esquece,
Pedra fria,
Gelo e maresia,
A manta que não aquece,
Alegria, mordomia,
Muitas luzes a brilhar,
Um sem fim, a desperdiçar,
Outro sem fim, sem um lar,
Sem uma pia de despejos,
A céu aberto,
Em qualquer lugarejo,
Numa tristeza sombria,
Sem apetite, sem magia,
Natal, uma longa noite fria,
Natal da saudade,
Do nascer e do morrer
Do sofrer na enfermidade,
Natal do ódio,
Do subir ao pódio,
Natal do amor,
Da família,
Da homilia,
Do frenesim, do festim,
Da solidariedade,
De parecer verdade,
O doce Pai Natal,
Que a chaminé invade,
Que deixa presentes,
Na madrugada quente,
Quando tudo descansa,
Em sonhos de esperança!
Maria Antonieta Matos, 09-12-2015
Dores, num amargo fel,
Arrepios que a vida tece,
Muita fome, que o dia esquece,
Pedra fria,
Gelo e maresia,
A manta que não aquece,
Alegria, mordomia,
Muitas luzes a brilhar,
Um sem fim, a desperdiçar,
Outro sem fim, sem um lar,
Sem uma pia de despejos,
A céu aberto,
Em qualquer lugarejo,
Numa tristeza sombria,
Sem apetite, sem magia,
Natal, uma longa noite fria,
Natal da saudade,
Do nascer e do morrer
Do sofrer na enfermidade,
Natal do ódio,
Do subir ao pódio,
Natal do amor,
Da família,
Da homilia,
Do frenesim, do festim,
Da solidariedade,
De parecer verdade,
O doce Pai Natal,
Que a chaminé invade,
Que deixa presentes,
Na madrugada quente,
Quando tudo descansa,
Em sonhos de esperança!
Maria Antonieta Matos, 09-12-2015
279
beguedes
de dia
Eu estava parado
O sol temia a me queimar
Mas não doía
E eu estava parado
Depois de uma conversa incerta
É uma troca de olhares que muda tudo
Mas foi você que deu as costas
E eu fiquei ali parado
Nem sei se era novembro
Porém as folhas cobriam aquele chão
Eu estava com frio e você vestia um blusão
E minhas mãos nervosas tremiam nos meus bolsos
Livrei do medo o teu coração com o meu forte e sincero abraço,
Neguei o meu merecido sono só pra te ver dormir,
Um dia até me machuquei só pra te ver sorrir.
Depois de uma longa conversa um olhar muda tudo
Eu, ... Já não consigo segurar o choro...
Eu estou rodeado de medo
Não tenho ninguém.
Fiquei só...
Daqui eu não consigo ver você
Me encontro agora desesperado mentalmente
Estou sem ar
Alguém me ajude por favor
Agora sem destino eu dou as minhas costas. Piso numa areia fria e molhada onde sinto um cheiro forte de peixe.
Continuo andando e andando e nadando e me perdendo e em silêncio continuo gritando.
Porém no meio da minha cura alguém me puxou
Alguém sugou a elixir do meu pulmão
Alguém fez massagem no meu inimigo
Inimigo esse que bateu em mim...
Depois de ter me iludido
De ter me cegado.
Ainda estou aqui esperando morrer o que faz tanto mal a mim!
Qualquer dia desses eu perco essa vontade estranha de querer amar e nao ser amado.
O sol temia a me queimar
Mas não doía
E eu estava parado
Depois de uma conversa incerta
É uma troca de olhares que muda tudo
Mas foi você que deu as costas
E eu fiquei ali parado
Nem sei se era novembro
Porém as folhas cobriam aquele chão
Eu estava com frio e você vestia um blusão
E minhas mãos nervosas tremiam nos meus bolsos
Livrei do medo o teu coração com o meu forte e sincero abraço,
Neguei o meu merecido sono só pra te ver dormir,
Um dia até me machuquei só pra te ver sorrir.
Depois de uma longa conversa um olhar muda tudo
Eu, ... Já não consigo segurar o choro...
Eu estou rodeado de medo
Não tenho ninguém.
Fiquei só...
Daqui eu não consigo ver você
Me encontro agora desesperado mentalmente
Estou sem ar
Alguém me ajude por favor
Agora sem destino eu dou as minhas costas. Piso numa areia fria e molhada onde sinto um cheiro forte de peixe.
Continuo andando e andando e nadando e me perdendo e em silêncio continuo gritando.
Porém no meio da minha cura alguém me puxou
Alguém sugou a elixir do meu pulmão
Alguém fez massagem no meu inimigo
Inimigo esse que bateu em mim...
Depois de ter me iludido
De ter me cegado.
Ainda estou aqui esperando morrer o que faz tanto mal a mim!
Qualquer dia desses eu perco essa vontade estranha de querer amar e nao ser amado.
501
João Ninguém
Como conhecer diferentes lugares, e viajar em si mesmo!
Humildade
Mantenha a postura
Sorria seja receptivo
Abrace as oportunidades
Em ser você mesmo
O encontro do lugar
O encontro da mente
Em estar bem com você mesmo
Abra seu coração, medite
Seu corpo e sua mente
Respire o ar
Aprecie a paisagem
Trabalhe, mas aproveita
A vista
Mantenha a postura
Sorria seja receptivo
Abrace as oportunidades
Em ser você mesmo
O encontro do lugar
O encontro da mente
Em estar bem com você mesmo
Abra seu coração, medite
Seu corpo e sua mente
Respire o ar
Aprecie a paisagem
Trabalhe, mas aproveita
A vista
192
aleomar_fbi
ATO SUJO, ALMA LIMPA
ATO SUJO, ALMA LIMPA
Da janela do seu escritório, no vigésimo quinto andar de um luxuoso edifício, Dr. Edson Fattori, empresário do ramo petrolífero, vê a chuva bastante intensa cair sobre uma cidade que ele considera ter em suas mãos, enquanto aguarda os participantes de uma reunião que está prestes a começar.
Lá embaixo, dos buracos de sua lona, dona Francisca das Chagas Medeiros, moradora de rua, vê os carros passarem, carregando seus donos e suas histórias, enquanto aguarda o fim da chuva para voltar a pedir.
Carros luxuosos entram na garagem do edifício e, deles, saem pessoas bem vestidas e com maletas intrigantes, os quais sobem, para o alívio da espera do Dr. Fattori. Como se ele precisasse, seus colegas de reunião lhe trazem presentes tal como dotes de um casamento muçulmano: vinhos caros, um relógio suíço, uma gravata italiana e até uma joia para sua esposa. Depois de tanta pompa, eles vão logo ao que interessa: as malas são abertas e o jogo é apresentado. Membros do governo trouxeram as malas vazias para que voltassem com elas carregadas de dinheiro que alimentaria um grande esquema de corrupção. A empresa do Dr. Fattori ganharia algumas concessões milionárias e, em contrapartida, cederia um pequeno percentual para a campanha eleitoral de alguns candidatos na eleição daquele ano.
Dona Francisca recebe a graça da companhia de outro andarilho que lhe pede abrigo em troca de alguns dos pães que carregava. É motivo de festa, pois ela e seu netinho de seis anos já não sabiam se iriam comer novamente caso a chuva não passasse.
Para comemorarem, Dr. Fattori e seus comparsas abrem alguns champanhes e se servem a sorrisos largos como se o mundo todo estivesse feliz naquele momento.
Ao final, aqueles homens, que parecem boa gente, voltam para os seus carros e, na volta, passam pela pista cuja barraca de dona Francisca margeia. Dona Francisca insiste em olhar pelos buracos, ao que um dos carros não desvia da poça de lama e “fuzila” seus olhos com água suja. Mas aquilo se torna motivo de risadas por parte dela e do seu novo amigo com o qual saboreia uma bela janta repleta de quase nada. A felicidade do seu netinho, com um pão inteiro só pra si, o qual se torna enorme naquelas mãozinhas tão pequenas, faz dona Francisca ficar grata por tanta sorte que tivera naquela noite.
A chuva passa e o dia chega. Dr. Fattori teve uma noite de sono muito agradável, e, numa espécie de agradecimento a sabe-se lá quem, passa em uma padaria, depois pede ao motorista que pare o carro em frente à barraca de dona Francisca. Desce do carro e vai ao encontro dela carregando algo em sua mão esquerda. Olha para ela e diz:
- Toma! É para senhora e para o garoto.
Sai de lá aliviado e achando que se todos fossem bonzinhos como ele o mundo seria bem melhor.
Dona Francisca abre o embrulho e, com uma cara de quem deixou de ser invisível, fala para o seu netinho:
- Come o pão e deixa a mortadela pra mim.
Lá embaixo, dos buracos de sua lona, dona Francisca das Chagas Medeiros, moradora de rua, vê os carros passarem, carregando seus donos e suas histórias, enquanto aguarda o fim da chuva para voltar a pedir.
Carros luxuosos entram na garagem do edifício e, deles, saem pessoas bem vestidas e com maletas intrigantes, os quais sobem, para o alívio da espera do Dr. Fattori. Como se ele precisasse, seus colegas de reunião lhe trazem presentes tal como dotes de um casamento muçulmano: vinhos caros, um relógio suíço, uma gravata italiana e até uma joia para sua esposa. Depois de tanta pompa, eles vão logo ao que interessa: as malas são abertas e o jogo é apresentado. Membros do governo trouxeram as malas vazias para que voltassem com elas carregadas de dinheiro que alimentaria um grande esquema de corrupção. A empresa do Dr. Fattori ganharia algumas concessões milionárias e, em contrapartida, cederia um pequeno percentual para a campanha eleitoral de alguns candidatos na eleição daquele ano.
Dona Francisca recebe a graça da companhia de outro andarilho que lhe pede abrigo em troca de alguns dos pães que carregava. É motivo de festa, pois ela e seu netinho de seis anos já não sabiam se iriam comer novamente caso a chuva não passasse.
Para comemorarem, Dr. Fattori e seus comparsas abrem alguns champanhes e se servem a sorrisos largos como se o mundo todo estivesse feliz naquele momento.
Ao final, aqueles homens, que parecem boa gente, voltam para os seus carros e, na volta, passam pela pista cuja barraca de dona Francisca margeia. Dona Francisca insiste em olhar pelos buracos, ao que um dos carros não desvia da poça de lama e “fuzila” seus olhos com água suja. Mas aquilo se torna motivo de risadas por parte dela e do seu novo amigo com o qual saboreia uma bela janta repleta de quase nada. A felicidade do seu netinho, com um pão inteiro só pra si, o qual se torna enorme naquelas mãozinhas tão pequenas, faz dona Francisca ficar grata por tanta sorte que tivera naquela noite.
A chuva passa e o dia chega. Dr. Fattori teve uma noite de sono muito agradável, e, numa espécie de agradecimento a sabe-se lá quem, passa em uma padaria, depois pede ao motorista que pare o carro em frente à barraca de dona Francisca. Desce do carro e vai ao encontro dela carregando algo em sua mão esquerda. Olha para ela e diz:
- Toma! É para senhora e para o garoto.
Sai de lá aliviado e achando que se todos fossem bonzinhos como ele o mundo seria bem melhor.
Dona Francisca abre o embrulho e, com uma cara de quem deixou de ser invisível, fala para o seu netinho:
- Come o pão e deixa a mortadela pra mim.
Aleomar Tolentino
305
charlesburck
Não morra
Se eu te matar de ternura, por favor, não morra
Charles Burck
Charles Burck
385
fernanda_xerez
A POESIA ENCANTA
A poesia, com sua leveza, encanta
Tem o poder das dores exorcizar
A tristeza da alma ela espanta
Cada verso vem para encantar
O sangramento do coração, suplanta
Está sempre a me acompanhar
Ela é musical, todo poema canta
Ó poesia minha, vem me embalar
Tens a beleza das estrelas, abrihanta
Todos os meus poemas vou registrar
Que o feitio dos livros garanta
Os meus versos perpetuar
Poesia, és minha linda infanta
Para sempre eu vou te amar
A poesia, com sua leveza, encanta
Tem o poder das dores exorcizar!
Tem o poder das dores exorcizar
A tristeza da alma ela espanta
Cada verso vem para encantar
O sangramento do coração, suplanta
Está sempre a me acompanhar
Ela é musical, todo poema canta
Ó poesia minha, vem me embalar
Tens a beleza das estrelas, abrihanta
Todos os meus poemas vou registrar
Que o feitio dos livros garanta
Os meus versos perpetuar
Poesia, és minha linda infanta
Para sempre eu vou te amar
A poesia, com sua leveza, encanta
Tem o poder das dores exorcizar!
509
natalia nuno
pensamento...
Quando fecho os olhos, vejo atalhos ladeados de girassóis que me sorriem...esqueço os labirintos da realidade e vou sonhando...
rosafogo /Natalia Canais Nuno
rosafogo /Natalia Canais Nuno
177
donna maria
Algarve na objetiva
Algarve é plano e esguio
Com gente de fio a pavio
É azul e verde por natureza
É azul e branco por tradição
Nas casas que construiu
Por imposição ou condição
O Algarve é tosco.
Mas rendilhado também
É o vermelho da terra quente
É o Algarve de Agosto
Destino de férias de muita gente
É o algarve do briosco
Selvagem por condição
Snobe por definição
O Algarve é os opostos
O do Resorts e do dinheiro
É o Algarve dos obradores
Com gente de fio a pavio
É azul e verde por natureza
É azul e branco por tradição
Nas casas que construiu
Por imposição ou condição
O Algarve é tosco.
Mas rendilhado também
É o vermelho da terra quente
É o Algarve de Agosto
Destino de férias de muita gente
É o algarve do briosco
Selvagem por condição
Snobe por definição
O Algarve é os opostos
O do Resorts e do dinheiro
É o Algarve dos obradores
457
natalia nuno
desabafo...
como fruta doce, crescia no meu peito a melancolia e é como se fosse, qualquer coisa que nunca soube, ou será que sabia?! não seu se fiz mal ou bem só sei que amei, sem pertencer a ninguém...
natalia nuno
natalia nuno
117
Rodrigo França
Metamorfose particular
Estou no meu casulo. Não procure a lagarta quando ela, enfim, tornar-se borboleta. Pois, após a evolução, abrirá suas asas e voará na direção ao horizonte da vitória...
Evoluir requer sacrifícios. O primeiro desses seria desapegar-se ao que leva você para trás. E, o segundo, parar de digerir coisas desnecessárias.
- Rodrigo França
Evoluir requer sacrifícios. O primeiro desses seria desapegar-se ao que leva você para trás. E, o segundo, parar de digerir coisas desnecessárias.
- Rodrigo França
12 338
gumball
War
Mais uma vez inicio uma batalha.
Entro na caverna do monstro chamado solidão.
Mais uma vez desperto meu inimigo para uma batalha épica.
Sempre achei que nada acontecia duas vezes da mesma maneira.
Mas o fato que essa batalha sempre acaba com a minha derrota, é uma constante que tende ao infinito.
Entro na caverna do monstro chamado solidão.
Mais uma vez desperto meu inimigo para uma batalha épica.
Sempre achei que nada acontecia duas vezes da mesma maneira.
Mas o fato que essa batalha sempre acaba com a minha derrota, é uma constante que tende ao infinito.
924
Nathanael
Amor Surreal
São teus afáveis olhares de farol
Que iluminam a cidade
Dentro da minha cabeça
É tua voz soando como um violino
Como uma trilha sonora ao meu filme onírico
Me fazem esquecer o que há lá fora
Teu toque aquece e estremece
E todos os prédios dessa cidade
Tendem a cair
Tu deixas colorido até mesmo
O concreto cinzento
Tuas palavras fazem
Com que borboletas passeiem por toda minha cidade
Ferozes animais passeiam
Por todos os cantos
Tudo fica há solta na cidade
Aqui é sempre noite
Onde os animais passeiam e vivem em harmonia
Não há barulhos de carros
Ou fábricas fumacentas
Apenas rios e lagos cristalinos
Flamboyants amarelos, vermelhos
Margaridas e Rosas
Se misturam em meio ao orvalho
Na beira do rio que corre
Com uma lenta fluidez
E segue tomando outras formas
Para além da cidade
Em um longínquo campo
Informo-lhe que não sou mais o prefeito dessa cidade.
Que iluminam a cidade
Dentro da minha cabeça
É tua voz soando como um violino
Como uma trilha sonora ao meu filme onírico
Me fazem esquecer o que há lá fora
Teu toque aquece e estremece
E todos os prédios dessa cidade
Tendem a cair
Tu deixas colorido até mesmo
O concreto cinzento
Tuas palavras fazem
Com que borboletas passeiem por toda minha cidade
Ferozes animais passeiam
Por todos os cantos
Tudo fica há solta na cidade
Aqui é sempre noite
Onde os animais passeiam e vivem em harmonia
Não há barulhos de carros
Ou fábricas fumacentas
Apenas rios e lagos cristalinos
Flamboyants amarelos, vermelhos
Margaridas e Rosas
Se misturam em meio ao orvalho
Na beira do rio que corre
Com uma lenta fluidez
E segue tomando outras formas
Para além da cidade
Em um longínquo campo
Informo-lhe que não sou mais o prefeito dessa cidade.
494
sinkommon
Intenção
Sal e calor e água amarga.
Sorrisos sem cor e a luz,
reluz no corredor e cai
vai para dentro e sai.
Seca e oca como um coco,
um coco
oco como um coco.
E os olhos vagueiam na areia
rodopia na transmissão lenta
cortada.
E os braços que se estendem
envolvem
não sentem, não sentem
frios sem mácula
e olhos que afastam
que se afastam
desentendidos
longe no abismo
no centro do sismo.
27/12/2018
Sorrisos sem cor e a luz,
reluz no corredor e cai
vai para dentro e sai.
Seca e oca como um coco,
um coco
oco como um coco.
E os olhos vagueiam na areia
rodopia na transmissão lenta
cortada.
E os braços que se estendem
envolvem
não sentem, não sentem
frios sem mácula
e olhos que afastam
que se afastam
desentendidos
longe no abismo
no centro do sismo.
27/12/2018
299
vinicius rosa dos santos
o mundo
esse retrato ta guardado em tudo que imagino,
me recordo nos sonhos que vivem por mim,
as cores da beleza da saudade me acordar,do que aconteceu,
eu sei que o mundo é tudo que esta dentro do seu coração,
que as memorias vivem sempe pra iluminar as nossas historias,
esses sentimentos são toda chuva que cai no mundo,
a lembrança é o valor que se tem,nascendo no sol,
dos seus belos olhos que brilham em meu mundo.
autor.vinicius rosa dos santos
me recordo nos sonhos que vivem por mim,
as cores da beleza da saudade me acordar,do que aconteceu,
eu sei que o mundo é tudo que esta dentro do seu coração,
que as memorias vivem sempe pra iluminar as nossas historias,
esses sentimentos são toda chuva que cai no mundo,
a lembrança é o valor que se tem,nascendo no sol,
dos seus belos olhos que brilham em meu mundo.
autor.vinicius rosa dos santos
323
natalia nuno
coisas de poeta...
hoje não se ouvem os pássaros e há árvores que choram, enquanto eu, desenrolo imagens no pensamento como se as voltasse a viver e, decido amar-te de novo como se fosse a primeira vez...
natalia nuno
natalia nuno
175
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