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leosants

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A infinidade da eterna saudade

Ó, noite eterna mundo terreno
Nunca vem para me acalmar o sereno
Deste olhar imundo 
Acalma este sentimento profundo

A vós dá-lo-ei
Todo meu amor eu direi
Impresso no fundo d'olhar
Esta dor eterna de amar

Para sempre e todo sempre
Este amor viverá neste ventre 
Em face da vida mal vivida 
Irei te amar até à morte mal sentida

Queima comos as chamas do inferno
Este sentimento eterno
Nunca morrerá esta paixão
Mesmo em face da solidão 

Meu amor, sempre hei de te amar 
Mesmo que algum dia se afastar 
Mesmo que a doce morte me encontre 
Deste amor eu ainda beberei da fonte

L.S.
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leosants

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Ao meu interior

Só pare de pensar nela
Tu sabes que isto não te levas a nada 
Sabes que não quer ser sua amada 
Sabes que no final você se machuca

Desculpe eu não consigo 
O sorriso dela é muito lindo 
E o jeito dela 
Com sua beleza pura e bela 

Sabes que não podes continuar assim
Ela não vai vir a você
Crias esperança demais 
E vês a realidade de menos 

Sei que não posso 
Sei que jamais serei o que ela precisa 
A esperança que crio é morta 
Jamais virá à realidade 

Já lhe disse várias vezes 
Para que não voasses tão alto
Já lhe disse várias vezes 
Para não navegar em mares profundos 

Sei o que dissestes 
Mas a altura me intriga 
Sei o que dissestes 
Mas este mar me parece tão puro 

Sente este amor a queimar 
E sabes o pecado que irás pagar 
Corta como navalha 
Sangra como os olhares 

Este amor queima intensamente 
E só mais um pecado? Depois de tantos...
Esta navalha afiada está
E sangro de mim a dor 

Vives enquanto podes viver 
Ame enquanto podes amar 
Mas sabes que no final 
De tristezas irás chorar 

Estou vivendo tudo 
Amando mais ainda 
Este final me assusta 
E de tristezas irei transbordar 

Corre enquanto podes
Esconda-se enquanto consegues
Quando este amor evoluir 
Sofrerás como nunca 

Por que correr?
Já dissestes a mim 
"Não corra para não se cansar"
Tu errastes pela primeira vez

Se eu erro uma vez 
Tu erras infinitas vezes 
Se eu desisto uma vez 
Tu desistes da vida 

Os meus erros vêm de você 
Queres a mim enganar?
Se tu és minha consciência
Ignoras tua essência

Eu penso mas tu fazes 
Às vezes errado demais 
Eu sou eterna 
E tu és pó

Eterna tu não és 
Que se eu morro tu morres 
Eterno só o que sinto 
Eterno só este sentimento 

O que sentes não queres sentir 
Eu que quero que sintas 
Estou querendo lhe mostrar 
O que acontece ao amar 

Como queres me mostrar ?
Algo que tu fazes 
Algo que queres que eu sinta 
Algo que me mata 
E ainda diz 
Que não é sua culpa 
Saibas que a primeira culpa foi sua 
Porque fostes tu que começou a amá-la
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ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

TEMPO OPORTUNO

Eu pensei te confessar
Com todas as palavras
Que amar você
Era tudo que bastava,
Mas fui deixando acontecer
De um jeito que eu gostava,
E ao amanhecer
Do meu lado não estava.

Eu não soube entender
Aquela atitude insatisfeita,
Mas o que fazer
Nessa guerra que não mata,
Se for pra te perder
De forma tão exata
Não me deixe mais sofrer
Até outro amanhecer.

Não faz assim comigo não
Com essa insatisfação
O meu corpo está partido
Meu coração está dividido
E entregues em suas mãos.

Mesmo assim está correta
Perdi minha razão
Não confessei de antemão
Por isso a porta está aberta
Para que volte sem demora
Pois a saudade já aperta
Desde o momento em que foi embora.

Não faz assim comigo não
Com essa insatisfação
O meu corpo está partido
Meu coração está dividido
E entregues em suas mãos.

Erimar Lopes. 


1 539
Romildo

Romildo

Tietê


Um rio cheio de lágrimas
que se escorre solitário
rumo ao sertão,
cheio de solidão.

Um rio que...
lentamente vai,
vai para bem longe do mar,
um rio que não aprendemos a amar.

Lá no fundo é um rio que respira,
tentando entender toda esta ira.
E reciclando todo descaso,
todo cinismo,
todo pecado.
se mantém escuro,
solitário,
pesado.

Salve! Meu rio tietê!
Um rio que todo mundo vê,
fingindo não entender.
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laertgoulart

laertgoulart

Entender melhor.

Mergulhado
em pensamentos
observo ao redor,
quero entender 
melhor...
O ar por si só,
não se expressa. 
É preciso haver
movimento
para que o vento
se faça presente !
A água por si só,
insípida, inodora,
é só um elemento,
mas em seu curso
promove a vida...
A luz por si só,
não inspira...
É a matéria refletida
que dá sentido
às coisas percebidas !
Mergulhado 
em pensamentos,
sentado a beira
de um regato,
medito ao som 
da água caindo,
sinto que existe vida
através do toque
de uma brisa.
Os raiosdo sol
iluminam tudo
ao meu redor. 
Uma paz interior
me ajudou
a entender melhor !

Petropolis 14/05/2019.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Desculpe, foi engano...


Eu pensei tanto, mas tanto, no nosso tresloucado amor, 
E foram tantas as perguntas que me fiz...
E foram tantas as respostas que não tive... 
Que acabei por entender, que na verdade, 
Estávamos vivendo um grande engano...

E os sentimentos não são brinquedos, 
Não são objetos de descarte, 
precisam de alma, de coração para sobreviverem...

Descobri que gostar de ficar junto, é amizade e não amor...
Descobri que fazer sexo, é prazer, paixão mas jamais, amor...
Descobri que embora mágico, o tempo não detém a alquimia necessária
para transformar desejos em realidades, busca em encontros, gostar em amar.

Eu pensei tanto, tanto em nosso louco romance, 
Que decidi confessar o quanto tenho de admiração por você, 
Que sinto por você uma amizade que pode ser infinita.
E mesmo sentindo essa dor da separação de sentimentos, resolvi nos dar 
mais uma oportunidade, mais uma chance, de encontramos um
verdadeiro e derradeiro amor...
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Debruçado na janela


Debruçado na janela,
Eu vi o tempo passar...
O vi seguir seu caminho,
Sem nunca sair do lugar.

Vi, ao passar no horizonte.
Pude vê-lo passando nas ruas.
Vi o tempo branquear meus cabelos...
Vi que ele brincava com a lua.

Vi o tempo curvando os corpos
De tantas pessoas amigas.
Vi força, vigor, juventude,
No tempo, ficarem perdidas.

Vi o tempo, mostrando verdades,
Deixando questões resolvidas.
O flagrei entregando saudades,
E também a mudar muitas vidas.

Vi o tempo criando amores
Levando pessoas queridas...
Vi que a muitos ele machucou,
Como o vi, curando feridas.

O tempo que trouxe alegrias
Deixou-nos as recordações,
Que hoje alimentam as almas
E confortam, os corações.
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Nilza_Azzi

Nilza_Azzi

O impossível nós


Quando contempla a sucessão dos dias,

esse rosário de infinitas contas,
que lhe escorregam pelas mãos vazias,
por dedos pasmos, ante as horas tontas,

guarda a tristeza das ave-marias,
das ilusões e das certezas prontas...
Se redescobre o amor e as fantasias,
como afastar as dúvidas e afrontas?

Livra ao silêncio um grito sufocado,
de extrema rebelião, pelo pecado
de amar assim a quem amar não deve.

Mas o inimigo é sempre mais feroz,
tempo suspenso  que lhe cala a voz,
pelo impossível desse sonho breve.

Nilza Azzi

 
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Rinaldo Rodrigues

Rinaldo Rodrigues

É quando



É quando o coração já não cabe no peito.
É quando derrama em vontade, arde em desejo,escorre pelos olhos.
É quando o minuto de ausência vira vira hora.
É sonhar acordado, dar bom dia aos passarinhos,ver o nascer do sol.
É ver o sorriso de alguém refletido nas ondas e seu olhar estampado na lua.
É ficar com sorriso patético o dia todo, levitar ao invés de andar.
É perder a nosção do tempo, a razão das coisas, o equilíbrio e o raciocínio.
É já não ter que ter razão, não se sentir obrigado, não ter medo de errar .
O amor não tem prazo de validade caso contrário seria vendido em farmácias, viria com uma bula dizendo " bom pra isso, não recomendado praquilo O amor te obriga ser paciente, ter medo de perder, de vontadee ficar pra sempre.
Da vontade de gritar pro mundo e ter que ser mudo, Pixar os muros, roubar rosas, dançar sem música.


Não me peça pra explicar o que transborda em mim.
Não me peça pra explicar uma coisa que só sei sentir
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André Medeiros

André Medeiros

No Banco da praça.





 

A noite na praça

Enquanto jovens dançam

Idosos se observam

E o pipoqueiro faz seu trabalho

O ar é bucólico

E o diálogo é leve e descontraído.

 

Assim como os teus passos tímidos

Ao entrar no café

Pra pedir ao tempo que espere a vontade passar

E possa servir uma xícara com afeto e boa companhia.

 

Sem a pressa do ponteiro do relógio

Não me incomoda a tua despedida

 

Sei que o tempo as vezes morre,

Mas o teu sorriso, é vida.

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Ricardo Santos de Souza

Ricardo Santos de Souza

Colecionador de Sonhos

Rico em coletâneas de saudades, amores e viagens reais e surreais;
Sorrisos, choros, realidades e imaginações gostosas de serem sentidas;
Conseguir olhar para dentro, ou sair do corpo e vagar pelo mundo a fora;
Se encontrar no passado e ter o dom de se enxergar no futuro;
Me vejo dando alguns passos, carregando uma maleta na areia a beira mar, então parei olhando firme para o horizonte e joguei a maleta, nela as crises e os problemas mergulham em direção ao fundo do mar.
Não sei, neste momento se estou acordado ou se continuo dormindo, mas posso revelar que a sensação de paz e alegria que carrego no mundo dos sonhos é transparente, intensa, vai além da minha compreensão, enfim, me realiza.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Um raio de sol


Um raio de sol adentrou, 
Pela fresta da janela, 
E curioso andou
Pelo nu, do corpo dela.

O raio de luz, fragmento, 
Do sol que fulgia, lá fora.
Tocou sua pele macia, 
No despertar da aurora.
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laertgoulart

laertgoulart

Aquela Toalha.

Aquela toalha
que amparava 
nosso pranto,
onde misturamos 
nossas lágrimas,
pequenas 
gotas de ausência,
misturaram 
nossas tristezas !
Essas lágrimas
juntas
formaram a essência
da hora da despedida...

Petropolis 31/05/2019
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Danilo  de Jesus

Danilo de Jesus

Declaração

Quando olhei, lá estava o belo Corpo dentro dum caixão! Não foi-me dado conhecer a vida dele e os diversos ramos dela. Sobre o mesmo, sei é que era lindo e que era um Belo Corpo, um Belo Corpo num caixão! Mas de tão lindo que convidada à morte, o Corpo no caixão que parecei Narciso olhando-se naquele fatal rio. Estava circunstancialmente – isso é “faca me escavacando” – morto, no entanto, parecia que a morte o enfeitava de vida e distância, uma  desconhecida vida que por sua beleza faz também com que queiramos revivê-lo.

Olhei-o mais de perto: ele cheirava a luz! E, como em um sonho, quis, mas não consegui tocá-lo porque, com o aproximar das minhas mãos, ele, meiga e respoeitosamente, se desfazia em pó de luz-brilhante. Mas de um pó tão esplêndido que mais parecia reflexão de vida. Então, já que estava perto dele, desejei conhecê-lo. Desejei entrar dentro da morte, e com a força da minha espada tomá-lo dela. Isso desejei tão forte, tão forte que o Corpo, o Belo Corpo no caixão, se fez de uma clara luz brilhante e calma.

 “Por que foi-me dado conhecê-lo nesse estado?”, pensei lembrando dele! Mas logo emendei o pensamento: Para espada minha, “deixar o pensar na cabeça”, porque você só quer revivê-lo e sujá-lo, o Corpo é um Belo Corpo, mas estar dentro de um caixão, sua fúria não é mais forte que isso. Ela é, pelo contrári, fraca e má, de consumidor querendo promoção – Chora e “estala”, espada  de “vidro pintada”, conclui!

Perdi o rumo! Já não estava diante de um Belo Corpo, circunstancialmente, num caixão! Estava num um verdadeiro labirinto, e só uma coisa me guiava: o som de um violão e a certeza que eu precisava tocá-lo, danadamente tocá-lo. No entanto, foi-me mais difícil concebê-lo assim do que aceitar a impossibilidade de invadi-lo. Certo disso, lágrimas puras e duvidosas caíram dentro de mim: Desejoso, eu chorei! E o Corpo caia cada vez mais fundo e alto dentro de mim.

"Você não morre, Belo Corpo dentro do caixão, porque levo-lhe no esquecimento, como aquela menina do poema”, gretei à noite olhando para a vida!  Mas o Corpo, o Belo Corpo dentro do caixão, o Corpo que parecia um anjo em oração, que como um instrumento musical continuava a tocar e que eu precisava tocá-lo, danadamente, se refazia em distância luzente e eu, com a força do gerúndio, aí matando-o –  porque era preciso!

 – Porque um Belo Corpo dentro de um caixão, meus Deus!  Por que não em vida, como uma árvore na qual  eu poderia subir e colher-lhes os frutos ou como um presente a tanto tempo  sonhado e que  tanto mereço, e que eu pudesse abri-lo em casa, sem medo e sem culpa e como fome e com sede, meu Deus, por quê? Mas, na " selva selvagem" em que me vira subir na árvore errada, apos isso  " esta a reta minha via perdida"!

Para não sucumbir ao desejo, pois, avistei-me dele o quanto pude. Melhor que isso: fugir dele – a fuga mais triste e precisa de todo a minha vida porque na consciência da potência do ato de fugir, eu vi que espada já não era e nunca fora preciso nesta batalha. Não obstante, à distância que me coloquei, pois tive medo de ser tragado por ele, ainda sentia seu calor fervente, seu branco cheiro de vida que convida a viver, imensamente!

–  Por que, meus Deus! ó Corpo, vir-te num caixão e tão vestido de vida! Por que não pude conhecer teus movimentos e perguntar teu já conhecido nome e ouvir tua já conhecida e aclamadora voz e assistir minha vida inteira em teus olhos de de dúvida e resposta! Desta vez sentindo amor eu chorei e pude, então, voltar para perto dele.

Aqueles olhos fechados, aquela silenciosa boca ceivada e viva, davam àquele rosto de leva luz nas trevas um aspecto de Anjo em oração. Ao revê-lo, o que mais desejei foi um gesto de vida! E já sem espadas nas mãos nem nada, eu só queria conhecê-lo, vê-lo brilhar e viver, imensamente, vê-lo brilhar e viver. Sentindo dor eu também chorei.

A maior dor não é vê-lo nestas circunstâncias, é o vê assim ser preciso e saber que, como dito, circunstancialmente ele estar morto e que eu o matei, que é preciso continuar matando-o. A verdadeira dor  é vê-lo cair dentro de mim cada vez mais fundo e cada vez mais alto, de modo que eu nunca posso alcança-lo, é fechar meus olhos para carregá-lo comigo sem que eu o veja e  olhar para ele e saber que não pode haver dor alguma que fosse.

Dor essa, essa dor sem nome e sem dor, é dor de noite esquecida dentro do segundo que não veio, de “pétala de estrela caindo bem devagar”,  de “gole de água bebido no escuro”,  de poema molhado e de gota de luz presa no fundo do abismo, brilhando e queimando e morrendo e revivendo até apagar a escuridão! Mas  como é preciso senti-la! Eu quero dormir essa dor e sonhar com o Vida, quero lembrar à Vida  e esquecer a dor, o corpo  e o caixão! Peço-lhe, Corpo sem dor e belo, que me leve, que me leve em algum lugar, por mais fútil que seja!

Porém, O corpo não estava morto nem nada. Era uma linda Vida viva e que existe e estava diante de mim!  Esse e a verdade.Outra verdade é que as estralas brilham no infinito desconhecido do espaço e que um coração sensível como o meu não poderia resistir – eu a amei orgulhosa e erradamente! Sim! Um Amor Cacheado, Puro que é Criança. 
–  Quem me dera o amanhã em teus Braços, Sentimento Cacheado e longe de mim!  O resto foi uma "fotografia" de Itabira que eu compus  dentro de mim. Apenas "uma fotografia", meu Deus, “mas como dói”!
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marcosadpereira

marcosadpereira

Paredes

Sou tão teu
que te pareço
algo igual
aos móveis da sala
aos quadros nas paredes
a carecerem umas demãos
de pintura, sim, nas paredes
descascando-se dos tijolos
que estão
Sou tão teu
que me assemelhas
aos tapetes empoeirados
aos recados esquecidos
pela urgência de cada dia
Sou tão teu
que te pareço
disponível a todo tempo
disponível e disposto
a todo teu pensamento
Mal percebes
que tudo que pensas
já passou e não faz pouco

#marcosADpereira
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92883575

92883575

Tua face e voz me lembram o cosmo em sua infinidade

teu sorriso se asemelha ao vagaroso brilho das estrelas,
Teu olhar é tão afiado quanto o maior dos meteoros caindo em direção a terra
Sendo moldado e refinado pelo fogo que o consome.
Lentamente falando em meu ouvido faz meu pobre coração disparar,
Como uma estrela prestes a entrar em colapso.
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Paulo Sérgio Rosseto

Paulo Sérgio Rosseto

CHEGA DE PROMESSA

Chega de promessa
De esperar sem pressa
Vamos em frente
Cuidemos da vida
Amanhã é segunda
Depois inverno
E a vinda engana
Quem não alcança
Porque nem partiu
Não saiu da cadeira
Nem foi, nem seguiu
Nem se dispôs a acordar
Desperdiçou o abono
Que o tempo deu

Hoje ninguém chora
Estamos protegidos
Da fada da morte
Ainda é outono
Começo ariano
Cedo de abril

Acende a luz
Ou coisa parecida
Busque porque acaba
O que existe além
Da porta que se abriu
Antes que todos
Fiquemos sem
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Rinaldo Rodrigues

Rinaldo Rodrigues

Rabisco de Mulher

Sou amor que tira o fôlego...
Tenho partes em mim que são pura profecia
Entre olhos amendoados sou momentos de paixão


Hoje perdi a quietação da vida em pensar que sou..
Boca,pele,cabelo e dentes
Sou louca intensa mulher e desejos ardentes
Mansidão, vinho, copo e coração.
Vento,brisa, tempestade, solidão.
Uma garabulha
  num papel dobrado com os seguintes dizeres ao roda pé 
Feita pra você.


                                                                                                                           Rinaldo Rodrigues 
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Flor


Para entender uma flor,
É preciso viver
Da vida, apenas o néctar...
É preciso sentir, 
Dos sentidos apenas os interiores, 
É preciso calar, ensurdecer, cegar, adormecer...

Para entender uma flor, 
É preciso sentir com a alma, 
Ouvir com o coração, ver com a razão...
No domínio de ser, transparecer a essência do existir...

Para entender uma flor
É preciso transformar brados em brisas, 
Desejos em cores, ansiedades em espera.
É preciso dar ao ódio, o perfume, 
À violência, pétalas e à indiferença, beleza...

É preciso oferecer o caule ao corte, 
Assim como se oferece a própria vida, 
Na felicidade de quem se ama...

Para entender uma flor...
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Rinaldo Rodrigues

Rinaldo Rodrigues

Para ler ouvindo paixão - Kleiton & Kledir

Chegou assim desse jeito,
tomando-me a alma e a paz,
colocando em minha boca o riso?
e essa mão a acariciar o meu peito,
esse olhar, com tom negro-lilás,
a me deixar perdido e indeciso?
não sabes que sou obsceno?
e que toda vez que a vejo acende em mim o desejo de contrariar toda logica, toda decência
ah! mulher, tu não sabes!
por que não foges?
vai com um aceno,
numa centelha, num lampejo,
antes que o meu corpo desabe sob o teu copo nu
Ò rosa cor-de-rosa
por que provar desta minha paixão ilícita, proibida e tão ardente
quedar em minha cama, nua e sorrindo trajada de lingerie cor-de-rosa
da cor de sua pele, com coxas bem desenhadas, seios bosquejados
que eu a tome nos braços sem reclame
igual noite envolvendo dia.
Mulher,
 ao ter jogado nos meus
o brilho dos olhos teus,
ao permitir que o teu beijo,
ardente, queimando em desejo,
me fizesse em teu sonho adormecer.
agora, mulher,
no teu corpo suado,
perdido, possuído e gozado,
em todas as manhãs hei de amanhecer.
 
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Rinaldo Rodrigues

Rinaldo Rodrigues

Minhas Loucuras

Minhas loucuras
Das minhas loucuras e sandices.
Brotam sentimentos de poder, querer, saber, crescer.
Nas minhas doidices tudo pode acontecer.
Uma mensidão de sentimentos, cheio de desejos que buscam sempre além, numa velocidade feroz de fazer acontecer, sem medo de nada perder.
Nas minhas loucuras e doidices só consigo me ater a possibilidades; ao desejo incontido de abraçar o horizonte, de buscar na vida tu do que ainda não encontrei.
Loucuras, doidices, sandices; sensações de puro êxtase nem sempre compreendidos, mas com certeza sentidos pela alegria de viver.
Alegria da loucura e meio ao racional, da doidice em meio ao real, da sandice em meio ao material.
Resumo do que sou, do que quero e pra onde eu vou.
Nem sempre assim foi.
Essa loucura insandecida chegou através do azul dos teus olhos que me trouxeram o céu, e num encontro feliz brindaram aos castanhos da terra dos meus.
                                                                                                   Néia Furlan 
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Paulo Sérgio Rosseto

Paulo Sérgio Rosseto

UM LADO DA RUA

A cidade essa noite ficou diferente
Apagaram-se as luzes, se acenderam as estrelas
E da varanda contando longínquos relâmpagos
Entre nuvens severas, pudemos vê-las
E enquanto as contávamos falamos das belas
Fotografias que juntamos no decorrer do dia
Olhando o escuro da praça e a ousadia da lua

Depois sorrimos desse momento leve
Dissemos adeus e até breve
E cada um seguiu para um lado da rua
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nato1961

nato1961

Não me renderei

Disfarço cabisbaixo diante do algoz,

engulo saliva, respiro silencioso,

contenho a força da voz,

sutilmente procuro uma saída,

mantenho as mãos cerradas,

pés e olhares vigilantes,

dou trégua ao tempo,

finjo estar aprisionado

para encontrar o caminho da liberdade,

e mesmo que a busca pareça infinita,

não me renderei.
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Tesoureiros da luz,





Tesoureiros da luz,




Tenho alma de cão pastor cego,
Sinto nas galáxias o que não vejo
Cá baixo, caminho na certeza de 
Voltar nunca o mesmo que fui,

Faz tempo, o futuro foi lá trás,
Sigo meus pés descalços, a alma
As estrelas e o espaço, tanto faz,
Formiga d'asa, onde possa voar,

Embarcar para as estrelas que sigo,
Pastor perseguindo velas, cego,
Queimando os dedos noutros 
Universos loucos, menos paralelos,

Assim como um tesoureiro da luz,
Caminhando no breu pelos pontos
Que brilham, sinto pelo som os astros,
Pouso nos cotovelos os ombros,

Nas estepes o desafio, a orgia da luz
Aí percebo quanto sou frágil, caniço
Da luz que sai pela voz e apenas,
Se é chama, é orgânica na lucidez,

Ela nos diz se a podemos desfiar
Ou não fiar, dependendo do ouro,
Da densidade frágil do fio, da voz o ar
E do modo como sai da boca, o cosmos

Da confiança e no tear próximo,
O pouso e os cabelos de Berenice...
Da janela os reconheço, cada transeunte
Pelo brilho que apresenta e usa,

Como que se germinassem espelhos
Na calçada, reflectidos na minha
Face a pontos ouro de luz, fina Ursa Menor
Ou grossa, difusa ou orgia em chama,

Tenha ou não eu alma de pastor cego
Certo é ter de rinoceronte ego, escaravelho
Sinto nas galáxias o que não vejo, pego
O facho e caminho para um Sol poente vizinho,

O meu travesseiro de luz.





Jorge Santos 04/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
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