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Ricardo Santos de Souza

Ricardo Santos de Souza

Cura-me!

Morro de saudade do teu sorriso, ele alimentava o meu;
Sinto muito a tua falta aqui no sofá de casa embaixo das cobertas comigo;
Sofro amargamente com o frio da solidão;
Não ter você é a mesma coisa que andar sem roupas, pois me sinto nu e despreparado é o mesmo que caminhar com calçados apertados, pois revela pouco do muito que incomoda por dentro;
A cruz que carrego pesa toneladas, ela está me esmagando;
Livrai-me dessa penitência, quero me curar e voltar a sorrir de novo, ao teu lado.


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outono

outono

o vazio

e é no vazio escuro do meu quarto
que eu paro,
respiro
e penso
na solidão
aquela que me rodeia,
se estagna
e fica
que uma hora vem,
que outra hora vai
tão intempestiva ela é
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

- Papoila é nome de guerra -



– Papoila é nome de guerra –

 

 

 

Seja como for sempre volta sendo,
Não haverá antinomia,
Sem a aparição dos medos,
Quanto às flores da Terra,
As pétalas senão rubros dedos, 

Indultos os próprios 
Caules presos sentindo calor,
Tuas mãos opostas das ervas,
Seja qual for a razão,
De ser desse amor certo.

No meio dos desertos,
Ruas serão campas abertas,
Testas de ferro néscios,
Todavia não me abstenho,
Enquanto há flores no árido,

Eu escrevo a vermelho insulto
E ao vivo – Papoila, meu nome de guerra –
Rosa brava, Tomilho, salva, versículos islâmicos, 
A maré vai e volta sempre, só meu coração rompeu, 
Vai e não volta sendo, não faz falta

– Papoila é nome de Terra,
Humildade é ocupação de santo, humilhação,
E eu não sou frade de verdade, 
Sejam Eles quem forem, é da emoção que falo
Quando me exprimo p’los beiços e p’los gestos…

 

Joel Matos 04/2019
Http://joel-matos.blogspot.com
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Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

E daí?

Daí se somos diferentes?
Se você anda de carro importado, 
E eu ando a pé? 
Se adoro fumar quando tenho vontade, 
Tomar um bom uísque, 
Ou quem sabe uma boa cachaça, 
Seja em casa ou num botequim? 
Qual o problema se ando de carro velho, 
Se estou fora de moda, 
Se falo palavrão ou não? 
Fora daqui com tanta hipocrisia, 
Vida de aparências para agradar o freguês, 
Esta louca vida de insanidades, 
Nas camadas sociais de intempéries, 
Repletas de esquisitices chatas. 
Mulheres são mulheres, 
Homens são homens, 
Travestidos ou não de suas escolhas, 
Estamos todos fadados a velhice, 
Toda sorte de emoções,
Com a morte a caminhar ao nosso lado, 
A esperar o momento exato, 
Ou atender os apressados. 
Com rima ou sem rima, 
Métrica ou sem métrica, 
Se é um poema ou não, 
Pouco me importa as convenções, 
Nesta confusão de verdades vazias, 
Nudez das massas revestidas de santidade. 
Risos, muitos risos para este mundo, 
E seus artistas de mil faces, 
Palmas para os desavisados, 
Os sãos e suas certezas, 
Bebendo-se da sua imortalidade, 
Na imbecil clareza dos seus atos. 
Daí se esta poesia não faz sentido?
Saiba que também não me importo, 
Pare de ler antes que enlouqueça, 
Ou me chame de energúmeno, 
Beijando minha ignorância aos seus olhos, 
Contamine a sua razão(Risos).
Há coisas que importamos sem precisar, 
Outras que deveríamos nos importar,
E simplesmente não ligamos, 
Nosso tempo é apressado demais, 
Até mesmo para continuar vivendo, 
Sob tanta pressão de ser gente. 
Vou parar por aqui, 
Faltou alguma coisa a dizer? 
Daí, o que me importa?
Siga as suas conclusões, 
Há muitas coisas a dizer, 
Mas não sou dono da verdade, 
Estou apenas tentando quem sabe, 
Me rebelar num provável poema.(Risos)
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Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Dois corpos

Quebrei o meu silêncio em tua direção,
Tive coragem de enfrentar o medo de amar,
Entreguei o meu coração em tuas mãos,
Mesmo estando com a alma tímida,
No desconhecido mundo deste sentimento,
Tão novo quanto o teu olhar em mim.

Deixei o riso desconcertado ilustrar-me,
Inquieto desejo em mãos trêmulas,
Tendo o olhar perdido em confidências,
A viajar no infinito da imaginação,
Desenhando os beijos que ainda não te dei,
Inquieto coração incandescente.

Meu pensamento canta o teu nome,
Enquanto meu corpo eclode lentamente,
Inebriado de fantasia cintilante,
Buscando o seu interior de delícias,
Tesouros corporais que me enriquece,
Neste palácio de amores que me abriga.

Vou entre as curvas do caminho,
De mãos dadas com a esperança,
Olhando seu nome gravado nos astros,
Este céu de estrelas que te revela,
Na imensidão da nossa evidência,
Sublime prodígio do destino.
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fernanda_xerez

fernanda_xerez

E O TEMPO PASSOU... IV

Às vezes
o tempo tem o poder de
me assombrar,

(...) imagina aí:
você com um filho de 32 anos
e ter a sensação de que ''parece que foi ontem'' .
_______ que ele nasceu!

Isso é coisa de mãe?
_______ quiçá!
Mas ainda assim é intrigante, porque
hoje tenho dois netos:

(...) Marina com 13 anos
e Caio com 11, a mesma sensação:
''parece que foi ontem'', que eu estava
dando banho e trocando
fraldinhas...

E tem mais, paro e penso:
ora, tenho 62 mas
_______ '' parece que foi ontem''
que festejei minhas 15
primaveras!

Que troço maluco é esse?
* é o ''senhor tempo'' que passa ou somos
nós que passamos por ele?
___ Há controvérsias!...
102
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

A ilusão do Salmão ...








Onde anda o mar, pergunto eu, ao Sem-Rosto...




Perguntei a um triste búzio Quasímodo,
O que dizia bem de dentro da maré ferida,
Respondeu bramindo e a custo, que dentro,
Havia tanto asco de tainha verde, era o búzio

Quem não se ouvia do mar, nem ao plágio fanho,
Ao tom do jazz, ronco de esquadrilha mortal,
Onda do mar a bater no bojo, morteiro
Estoirando o ar, alga podre, peixe-gato, nojo,

E dum oco, ocre, búzio torto, nem ralho... 
Onde anda o mar pergunto, debruçado,
Moribundo doente e coxo, ao rouco mar de junco,
Aí onde a costa engorda o atum infecto...

Respiramos ar gordo a contragosto,
Um monstro, tanto Ogre quanto Elfo-de-caça, 
Me treme na voz, quem sou, que importa à corça,
O pavilhão na caça, sem a salvação da grossa, 

A poça à soleira da porta é rasa, nossa rude tábua 
Ardeu, pegando fogo ao mastro e à casta aurora,
Aonde andas justo agora, ao mar eu pergunto,
-Para onde caminho, O Sem-Rosto és tu, Salino,

Pergunto eu indigno e mudo, pro céu do
Sol-posto com o mindinho abreviado e meio, 
-No meu peito reinou um salmão e de desgosto
Morri eu, seu irmão, - O Do-Coração-Ateu -...








Joel Matos 04/2019
Http://joel-matos.blogspot.com
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Rinaldo Rodrigues

Rinaldo Rodrigues

Para ler ouvindo paixão - Kleiton & Kledir

Chegou assim desse jeito,
tomando-me a alma e a paz,
colocando em minha boca o riso?
e essa mão a acariciar o meu peito,
esse olhar, com tom negro-lilás,
a me deixar perdido e indeciso?
não sabes que sou obsceno?
e que toda vez que a vejo acende em mim o desejo de contrariar toda logica, toda decência
ah! mulher, tu não sabes!
por que não foges?
vai com um aceno,
numa centelha, num lampejo,
antes que o meu corpo desabe sob o teu copo nu
Ò rosa cor-de-rosa
por que provar desta minha paixão ilícita, proibida e tão ardente
quedar em minha cama, nua e sorrindo trajada de lingerie cor-de-rosa
da cor de sua pele, com coxas bem desenhadas, seios bosquejados
que eu a tome nos braços sem reclame
igual noite envolvendo dia.
Mulher,
 ao ter jogado nos meus
o brilho dos olhos teus,
ao permitir que o teu beijo,
ardente, queimando em desejo,
me fizesse em teu sonho adormecer.
agora, mulher,
no teu corpo suado,
perdido, possuído e gozado,
em todas as manhãs hei de amanhecer.
 
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Paulo Sérgio Rosseto

Paulo Sérgio Rosseto

UM LADO DA RUA

A cidade essa noite ficou diferente
Apagaram-se as luzes, se acenderam as estrelas
E da varanda contando longínquos relâmpagos
Entre nuvens severas, pudemos vê-las
E enquanto as contávamos falamos das belas
Fotografias que juntamos no decorrer do dia
Olhando o escuro da praça e a ousadia da lua

Depois sorrimos desse momento leve
Dissemos adeus e até breve
E cada um seguiu para um lado da rua
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outono

outono

amar é morrer

eu não sei o que estou sentindo
eu preciso me esconder agora
eu preciso ser abraçada agora
antes que seja tarde
eu não quero partir
mas é necessário
estou me afogando em um oceano maior
maior do que eu posso suportar
maior do que todas as coisas que já lutei na vida
e as minhas forças
estão se esgotando
não sei por quanto tempo vou aguentar
até o final
não há mais tempo
não para mim
não conhecerei o amor
pois o tempo está se esgotando
não saberei o que é sentir felicidade
pois estou morrendo aos poucos
estou desistindo
de tudo aquilo que ainda não vivi,
não senti,
não conheci,
não sei quando chegará ao fim
todo esse sofrimento
essa dor que sinto
que habita em meu interior
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

A Paz


A paz pode ser apenas olhar o céu.
Pode ser o som do mar no quebrar das ondas, 
pode ser o voo do pássaro, 
pode ser a gota da chuva que cai e brinca ao desenhar no chão seco...
 
A paz pode ser um ombro abrigo, 
o calor de um abraço, o contágio de um sorriso, 
uma palavra amiga, aquela se ouve bem na hora certa...
  
A paz pode ser ficar, pode ser partir, pode ser um aceno de adeus
ou um agitar de mãos que querem dizer: Olha, cheguei, estou aqui!
A paz pode ser o caminhar inseguro de uma criança 
ou o andar apressado que quer chegar ao momento certo.
  
A paz pode estar no tempo, pode estar no espaço, 
pode estar na convivência ou mesmo na ausência. 
A paz pode ser branca, ou colorida quem sabe?
Pode estar vindo do sul, do leste, do alto 
ou bem do fundo, talvez do fundo da alma.
  
A paz pode estar no sim, ou não? 
O “talvez”, talvez nos dê mais tempo para encontrar a paz.
é... talvez sim, talvez não.
A paz pode estar na esperança de vida 
ou na espera da morte. 
Pode estar na sorte, pode até ser forte 
ou sempre apontar para o norte... Quem pode saber?
  
A paz pode conter, pode estar contida, 
pode ser indolor ou pode até ser doída, 
mas se for paz, ser desejada, querida...
Pode ser um caminho ou mesmo um fim, 
pode estar em você, pode estar em mim.
  
Pode fugir, correr, se esconder, 
tal qual o menino que brinca nas ruas, 
pode ser de alguém, pode ser sua, 
pode ser tudo ou até nada ser.
  
Pode ser encontrada, pode ser perdida. 
Pode ser odiada, amada, desejada ou mesmo desprezada, 
só não pode quando se tem, 
deixar de ser vivida...
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allycia

allycia

Felicidade

Ás vezes acho que,
felicidade é apenas uma palavra
inventada por poetas,
que idealizavam dias melhores
que nunca virão.

A.R / RJ - Volta Redonda
14/04/2019
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Como terra me quero, descalço e baixo ...




Como explicar na poesia que faço,
O tempo que faz agora e da morte,
Se a arte de o fazer não é minha,
E lá fora manda o tempo que faz, 

Se o que faço eu é chorar rios de
Chuva quente, menor que arte é fazer
Do tempo, enfim que ri, chora, venta
E ameaça chuva, treme de frio, molha,

Bastando querer eu, estando descalço 
Como a terra me quer nela, morto frio,
E nela me incluir, unir-me ao carvalho
E ao cheiro do estio molhado, amo 

Como ao tempo que faz do Norte chover
chuva forte, Como terra me quero, baixo
E estranho funcho, chã gramínea me faço,
Perfeita alucinação do espaço próximo, cujo

Como terra me quer, ritual e descalço,
Maior que a arte é fazer do tempo uma
Expressão excessiva, sensual quanto
A vida, invocando as horas que morro,

Explicando ao inevitável, o perdido,
Acho eu !…

 

Joel Matos 04/2019
Http://joel-matos.blogspot.com
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lucibei

lucibei

Mulher cão


 
 
És a mulher “cão”
                        de um mundo não.
 
Vida atribulada, consumida,
repetidamente humilhada.

Desde que foste parida...
 
                          alguém se encarrega de ti:
de ser teu dono,
de te amar à sua maneira,
de atirar-te ao abandono,
de arranjar-te coleira.
 
 
Mulher!
Larga o “cão” que há em ti,
solta a raiva que te verga,
as amarras que te prendem.
 
Ergue-te! Sorri!
                   “ladra” ao mundo a tua dignidade,
o teu querer…
                  busca a tua liberdade!
Sê dona de ti!


Lucibei@poems
In "Muita Poesia e Pouca Prosa"
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Danilo  de Jesus

Danilo de Jesus

Declaração

Quando olhei, lá estava o belo Corpo dentro dum caixão! Não foi-me dado conhecer a vida dele e os diversos ramos dela. Sobre o mesmo, sei é que era lindo e que era um Belo Corpo, um Belo Corpo num caixão! Mas de tão lindo que convidada à morte, o Corpo no caixão que parecei Narciso olhando-se naquele fatal rio. Estava circunstancialmente – isso é “faca me escavacando” – morto, no entanto, parecia que a morte o enfeitava de vida e distância, uma  desconhecida vida que por sua beleza faz também com que queiramos revivê-lo.

Olhei-o mais de perto: ele cheirava a luz! E, como em um sonho, quis, mas não consegui tocá-lo porque, com o aproximar das minhas mãos, ele, meiga e respoeitosamente, se desfazia em pó de luz-brilhante. Mas de um pó tão esplêndido que mais parecia reflexão de vida. Então, já que estava perto dele, desejei conhecê-lo. Desejei entrar dentro da morte, e com a força da minha espada tomá-lo dela. Isso desejei tão forte, tão forte que o Corpo, o Belo Corpo no caixão, se fez de uma clara luz brilhante e calma.

 “Por que foi-me dado conhecê-lo nesse estado?”, pensei lembrando dele! Mas logo emendei o pensamento: Para espada minha, “deixar o pensar na cabeça”, porque você só quer revivê-lo e sujá-lo, o Corpo é um Belo Corpo, mas estar dentro de um caixão, sua fúria não é mais forte que isso. Ela é, pelo contrári, fraca e má, de consumidor querendo promoção – Chora e “estala”, espada  de “vidro pintada”, conclui!

Perdi o rumo! Já não estava diante de um Belo Corpo, circunstancialmente, num caixão! Estava num um verdadeiro labirinto, e só uma coisa me guiava: o som de um violão e a certeza que eu precisava tocá-lo, danadamente tocá-lo. No entanto, foi-me mais difícil concebê-lo assim do que aceitar a impossibilidade de invadi-lo. Certo disso, lágrimas puras e duvidosas caíram dentro de mim: Desejoso, eu chorei! E o Corpo caia cada vez mais fundo e alto dentro de mim.

"Você não morre, Belo Corpo dentro do caixão, porque levo-lhe no esquecimento, como aquela menina do poema”, gretei à noite olhando para a vida!  Mas o Corpo, o Belo Corpo dentro do caixão, o Corpo que parecia um anjo em oração, que como um instrumento musical continuava a tocar e que eu precisava tocá-lo, danadamente, se refazia em distância luzente e eu, com a força do gerúndio, aí matando-o –  porque era preciso!

 – Porque um Belo Corpo dentro de um caixão, meus Deus!  Por que não em vida, como uma árvore na qual  eu poderia subir e colher-lhes os frutos ou como um presente a tanto tempo  sonhado e que  tanto mereço, e que eu pudesse abri-lo em casa, sem medo e sem culpa e como fome e com sede, meu Deus, por quê? Mas, na " selva selvagem" em que me vira subir na árvore errada, apos isso  " esta a reta minha via perdida"!

Para não sucumbir ao desejo, pois, avistei-me dele o quanto pude. Melhor que isso: fugir dele – a fuga mais triste e precisa de todo a minha vida porque na consciência da potência do ato de fugir, eu vi que espada já não era e nunca fora preciso nesta batalha. Não obstante, à distância que me coloquei, pois tive medo de ser tragado por ele, ainda sentia seu calor fervente, seu branco cheiro de vida que convida a viver, imensamente!

–  Por que, meus Deus! ó Corpo, vir-te num caixão e tão vestido de vida! Por que não pude conhecer teus movimentos e perguntar teu já conhecido nome e ouvir tua já conhecida e aclamadora voz e assistir minha vida inteira em teus olhos de de dúvida e resposta! Desta vez sentindo amor eu chorei e pude, então, voltar para perto dele.

Aqueles olhos fechados, aquela silenciosa boca ceivada e viva, davam àquele rosto de leva luz nas trevas um aspecto de Anjo em oração. Ao revê-lo, o que mais desejei foi um gesto de vida! E já sem espadas nas mãos nem nada, eu só queria conhecê-lo, vê-lo brilhar e viver, imensamente, vê-lo brilhar e viver. Sentindo dor eu também chorei.

A maior dor não é vê-lo nestas circunstâncias, é o vê assim ser preciso e saber que, como dito, circunstancialmente ele estar morto e que eu o matei, que é preciso continuar matando-o. A verdadeira dor  é vê-lo cair dentro de mim cada vez mais fundo e cada vez mais alto, de modo que eu nunca posso alcança-lo, é fechar meus olhos para carregá-lo comigo sem que eu o veja e  olhar para ele e saber que não pode haver dor alguma que fosse.

Dor essa, essa dor sem nome e sem dor, é dor de noite esquecida dentro do segundo que não veio, de “pétala de estrela caindo bem devagar”,  de “gole de água bebido no escuro”,  de poema molhado e de gota de luz presa no fundo do abismo, brilhando e queimando e morrendo e revivendo até apagar a escuridão! Mas  como é preciso senti-la! Eu quero dormir essa dor e sonhar com o Vida, quero lembrar à Vida  e esquecer a dor, o corpo  e o caixão! Peço-lhe, Corpo sem dor e belo, que me leve, que me leve em algum lugar, por mais fútil que seja!

Porém, O corpo não estava morto nem nada. Era uma linda Vida viva e que existe e estava diante de mim!  Esse e a verdade.Outra verdade é que as estralas brilham no infinito desconhecido do espaço e que um coração sensível como o meu não poderia resistir – eu a amei orgulhosa e erradamente! Sim! Um Amor Cacheado, Puro que é Criança. 
–  Quem me dera o amanhã em teus Braços, Sentimento Cacheado e longe de mim!  O resto foi uma "fotografia" de Itabira que eu compus  dentro de mim. Apenas "uma fotografia", meu Deus, “mas como dói”!
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marcosadpereira

marcosadpereira

Lentos

Ingênuos são lentos
tão lentos
que tudo percebem
nem tudo compreendem
mas amam como poucos
amam com o corpo todo
amam o amor do além
das palavras

#marcosADpereira
159
outono

outono

destruída

estar no fundo do poço
não é fácil
eu só sei sentir
me render a dor
incabível em meu coração
minha alma devastada
estou cansada de fingir estar bem
viver nesse mundo não é fácil...
você tem que sofrer
até se tornar um suicida
você tem que estar vivo
para saber o que é estar morto
não consigo mais sorrir
nem me olhar ao espelho
estou despedaçada por dentro
cansada de alimentar essa dor
que me corrói a alma
eu quero viver
mas ao mesmo tempo estou morrendo 
sou tão fraca querendo ser forte
estou aprendendo a me reconstruir ao invés
de ser destruída
quero sobreviver no meio dessa escuridão
mas estou me afundando
nesse grande abismo
perdendo meus pequenos pedaços pelo caminho...
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marcosadpereira

marcosadpereira

Paredes

Sou tão teu
que te pareço
algo igual
aos móveis da sala
aos quadros nas paredes
a carecerem umas demãos
de pintura, sim, nas paredes
descascando-se dos tijolos
que estão
Sou tão teu
que me assemelhas
aos tapetes empoeirados
aos recados esquecidos
pela urgência de cada dia
Sou tão teu
que te pareço
disponível a todo tempo
disponível e disposto
a todo teu pensamento
Mal percebes
que tudo que pensas
já passou e não faz pouco

#marcosADpereira
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Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Deslealdade

Tantas vezes gritei teu nome por amor,
Desejando que ouvisse meu interior ferido,
Triste pela falta da atenção perdida,
Engolida pelo monstro da vaidade,
A esmagar meu carente coração,
Do primeiro olhar que se foi.

Nada entendia da vida vazia torturante,
Sangrei pela dor do menosprezo,
Um objeto cheio de repulsa,
Um dia chamado de meu amor,
No calor das emoções agora covardia,
A quem te deu a fidelidade por amiga.

Golpeou não só o corpo já cansado,
Mas também a alma suprimida,
Olhando o descaso levar embora a felicidade,
Esta nobre donzela escravizada,
Pelo horror da traição doída,
Arrancando pelos poros tantos sentimentos.

Seguirei por esta estrada tempestuosa,
Firme aos propósitos do triunfo,
Levando comigo os tesouros inseparáveis,
Boas e más lembranças do meu destino,
Esta semente lançada ao olho do furacão,
Pronta a germinar no lugar fértil do recomeço.
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fernanda_xerez

fernanda_xerez

E O TEMPO PASSOU... III

O que eu
faço mesmo com um relógio
na aridez do deserto?

Eis uma
dúvida que a minha mente
esmaga, afinal a vida no deserto
é atemporal...

Os dias
são sucessivos uns aos outros,
então, que importam-me
as horas?

O calor
que sufoca durante o dia e o
frio que congela à noite,

(...) é tudo que
o deserto tem a oferecer, o resto
é vaidade!...
161
marcosadpereira

marcosadpereira

Em Prece

Ouve meu silêncio
essa mesma prece
cheia de sol e de orvalho
ouve, mas ouve
com as tuas mãos

#marcosADpereira
248
outono

outono

eu

como eu me descreveria?
um grito no vazio,
o silêncio ensurdecedor dentro de uma alma que clama
por um pequeno ruído
eu sou o meu próprio declínio
intempestivamente
me perdi
inesperadamente
eu me encontrei
mas ironicamente
permaneço sozinha
mas intrinsecamente faz parte de mim

ser
eu sou um rio que corre
e deságua
eu vim das profundezas
mas nasci límpida
feito as águas cristalinas
do mar,
efêmera eu sou
aprendi a me tornar momentânea
na vida das pessoas
não sou mais do tipo que chega
e permanece,
eu sou do tipo que chega
transforma
e vai além
muitas pessoas me descreveriam
como um mistério que paira no ar
alguém que inevitavelmente
faz tudo mudar
boatos maldosos me deram uma má reputação
a garotinha inocente não me parece mais tão inocente assim
eles dizem
mas se esquecem de que
santo ninguém é
talvez eu deixasse transparecer um ar de inocência,
ou talvez
me faltasse um pouco mais de prudência,
e eu sei que sou rodeada pela maldade
mas eu nunca deixei a porta aberta
pra ela ter a oportunidade
de entrar
mas mesmo assim
sinto que há algo em mim
algo de errado, algo que eu não vejo
que eu não percebo
como eu me descreveria?
uma total desconhecida por mim mesma
um espírito livre
amante da luz da lua,
não me enxergo como uma qualquer
nem como a melhor
me sinto como um animal ferido
que busca refugio nos braços de um outro ser
me sinto como um coração fragmentado
me sinto como uma alma livre
sem contradições
sinto que eu poderia ser a cura
sinto que eu poderia ser a salvação
sinto que eu poderia parar o declínio
e evitar a destruição
mas acabo por me tornar o caos
como poderia ser o antídoto
se acabo por ser o próprio veneno?
mas o erro não está em mim
está em como me enxergo
eu me vejo diferente
por um segundo me esqueço de quem sou
sou singela ao escrever
da minha forma singular
sobre o meu pequeno eu
é incrível pensar no meu tamanho
comparado a imensidão que é o mundo
é imensurável
mas ironicamente
pessoas pequenas fazem do mundo grande
elas o transformam em algo
suportável de se viver



188
Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior

Meu aniversário

Meu aniversário, 25 de junho,
21 anos, anos atrás nascia
Em 1994, e o tempo passa
Sou poeta, e continuo vivo

Passar de 21 anos, não é muito
Neste tempo de poetas maior
De idade, que sobrevive
O tempo em nossa contemporaneidade

E vejo dentro do meu ser
A confiança de que cresci
E ganho autonomia

Vivo cada instante e momento
Quero todo dia,
Poder respirar poesia.

Valter Bitencourt Júnior, 2015
996
fernanda_xerez

fernanda_xerez

E O TEMPO PASSOU... V

Ledo
engano quem pensa que tem o tempo
___ na palma da mão!

O tempo
é senhor de si, voluntarioso, cheio de caprichos
e não adianta tentar negociar com ele,
pois o seu ritmo jamais será
___ alterado!...

Desisti
de contar as eras,
pra mim tanto faz ser ontem como ser hoje,
_______ é tudo igual...

Medo da morte?
___ sim (pelo lado humano) e,
___ não (pelo lado espiritual)...

Não desafio o tempo, firmamos um acordo
sem data marcada: seguimos juntos
a mesma estrada, 

(...) pois sabemos
que um dia haverá uma separação e então
cada um seguirá o seu próprio caminho,
______ [sem despedidas]...
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