Escritas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

asliddell

asliddell

Copeiro de Rei

Estou como a esperança incrédula, lavando o rosto em água suja para acatar da perda, aquilo que ganharei perdendo.
Viver como copeiro de rei, que bebe da copa, o veneno que mataria o tirano e salvaria o reino.
Eu sou quem salvo o carpido
enquanto oro para vê-lo morrendo,
pulo dos romances, seus epílogos,
rebobino a música da fita, antes que pare o som e prevaleça apenas eu e a voz de deus em seu sacro silêncio.
Em enterro de copeiro, a carpideira é o coveiro, com mais um rosto familiar para enterrar num jazigo do gueto.
394
Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Lembras-te?


Lembras-te quando te sentaste?
naquela rocha juntinho ao Mar?
Ali onde me pensaste,
e chegou-te a tristeza e iniciaste a chorar...

E eu la do cimo das falesias,
mandei dois beija-flor,
onde nas asas havia uma escrita,
onde dizia te Amo meu Amor...

Luzern, 20.06.2015, Joao Neves
205
_tuliodias

_tuliodias

Uma escrita após a pista de skate.

Uma face vivente de mim paira como um azeite na lamparina, num mar de escuridão. São vivências, boas vivências minhas.

10.06.2020

534
A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Micros


E mergulhei no profundo da alma,
Onde um corpo não mais bastasse.
Buscava razões, que me ajudassem
A decifrar, as dúvidas e os impasses.

Por que o “de onde vim” e o “para onde vou”
Ganha na mente a significância,
Que despreze o “sou” ou mesmo o “estou”,
Tirando-lhes da vida, maior importância?

Nada se é, tão só se imagina.
Nunca se está, é só o momento...
Qual é o valor que nos domina:
A realidade ou o pensamento?

Sou o que penso, penso que sou...
Agora estou, mais tarde... talvez.
Certeza que tenho, olhando a vida,
É o tamanho da minha pequenez.
677
Jéssica Iancoski

Jéssica Iancoski

Chilique - Jéssica Iancoski | Poesia Infantil | Poemas Para Crianças

Mãe não venha com chilique 
Que se não for no joystick 
Eu não vou brincar de pique. 

Brincadeira na rua
Para mim é coisa sua 

Por favor vê se não ura 
Mas me deixar ser tv
É a maior censura! x.x

Acesse www.jessicaiancoski.com
1 519
Samuel Castro

Samuel Castro

Perante a luz


Àos mais inocentes
A vida aplica um golpe,
nem a lógica perceptível lhe suporta.
Há nele, um teste de resistência que coíbe de satisfazer ao provar o contrário...

Cercado em um labirinto vasto,
cheios de tentações delicadas,
que aos seus olhos o recebem na desesperança.

Mas há nele, uma essência de furor que havia de se despertar,
tornandos-os substimados aos que estavam a frente de suas vistas.
Reerguendo-se das cinzas como a fênix,
exalando o cheiro de sua força e autenticidade.
E que neste extao momento,
se reverenciam perante a luz,
e que ao andar no carreiro que antes perdidos,
hoje se prontifica num agregado de guerra e paz.
311
Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Ser criança é!! Dia da criança 1 Junho

Ser criança é!!!

É beber água em qualquer lado,
seja ela pura ou não,
é sonhar com presentes,
é descer barreiras com o pneu,
é fazer bolinhas de sabão,
é ser feliz a sua maneira,
é ter direito a ter atenção
é caminhar sorrindo, é saltar e fazer asneiras,
é tantas vezes falar e mentir,
é viver a vida de sonhos e neles sorrir,
é viver a fantasia,
é saltar e gritar com alegria
é ouvir histórias com atenção.
é levar todas as cores do arco íris
no seu inocente coração e ser feliz,
é sorrir sempre, é fazer maldades e fugir
é chorar por tudo e por nada,
é pedir protecção a sua mãe,
é brincar com qualquer coisa,
é sentir e viver a felicidade,
sem ter consciência do que e a realidade,
ser criança é ser um anjo presente,
aqui na nossa terra, frustrada! e carente...

Luzern, 01.06.2018, Joao Neves...
198
rosalinapoetisa

rosalinapoetisa

A Morte da Flor

A Morte da Flor
(Rosalina Lopes Pires Fialho)
A vida é como um majestoso jardim,
Tem lírios, orquídeas, rosas e jasmim,
Cada flor tem sua magia e sua beleza,
Tem seu aroma, seu brilho e delicadeza.

Mas nem toda flor tem a mesma sorte,
Algumas perfumam e adornam a morte.
Outras enfeitam e celebram a vida,
Tem a Rosa a Amarílis e a Margarida.

Um belo jardim requer muitos cuidados,
Água e sol na medida certa e ser adubado,
Retirando todas ervas daninhas com amor,
Para que não sofras com a morte da flor.

691
rosalinapoetisa

rosalinapoetisa

Eu só quero Paz

Eu só quero paz
(Rosalina L P Fialho)
Não posso me calar nunca mais,
Chega de guerra, eu só quero a paz.
Esse mundo está tão conturbado,
Fascismo, racismo, está tudo errado.

Somos todos seres humanos,
Essa estupidez nos faz insanos.
Acordem enquanto temos chance,
A paz ainda está ao nosso alcance.

Seja qual for sua ideologia política,
Tenha consigo uma visão pacífica.
A violência não traz coisas positivas,
Armas causam dor, são destrutivas.

O mundo está caminhando para trás,
Os líderes querendo guerra e não a paz.
Os valores morais estão caindo em desuso,
As minorias sendo vítimas de abusos.

Eujá não tenho mais argumentos,
Cansada de tanta falta de bom senso.
Vidas sendo tiradas por quem deveria proteger,
As pessoas estão perdendo o direito de viver.
748
Jéssica Iancoski

Jéssica Iancoski

Polinização Por Afeto - Jéssica Iancoski | Poesia Atual Brasileira | Poeta do Paraná

Nos meus poros
Quando tu depositas tuas estimas
Germinam-se jardins

Assim quando sopra
A brisa quando bate bebe o néctar 
E volta ao mundo pelo vento 
O pólen mais puro do meu peito

E todo asfalto 
Gramado ou gente
Por mais pedra
Flor ou a gente 
Sente

Que de estigma em estima
Da tua semente leva-se o pó
E do meu pó 
Semeia-se mais gente.
1 547
paola_

paola_

fita k7

Era uma aventura, procurar filmes na locadora, andar entre os corredores, os minutos fluíam sem dificuldades. Não tive videocassete, nas poucas vezes que fui numa locadora foi na companhia de algum parente - era visita. 

Achava um máximo: pegar a fita, ver o filme, rebobinar, e devolver no prazo. 

Hoje, o acesso é um pouco melhor - digo isso com base na minha realidade - o catálogo de filmes está logo aí, na palma da mão.

É, deveria estar satisfeita por esse tempo que estou vivendo…...não, não estou 

Sinto um descontentamento voraz: olho a lista de filmes, pulo de uma seção para outra, e nada, nada é capaz de despertar meu interesse.

Chego a pensar que sou ingrata

Tantos outros querem e não podem ter - agora me refiro a qualquer outra situação genérica, além do acesso a filmes - sou um desperdício ambulante! 

230
JCDINARDO

JCDINARDO

LEMBRANÇAS DE UMA ROSA

Rosa que aponta
Seu manto de beleza
Para o céu,
Em pouco tempo
Morta estará.

...........................

Na haste vazia,
Nos espinhos intactos,
Nas pétalas que forram o chão,
Nos aromas esvanecidos,
Lembranças que ficarão.

139
marinasatiro

marinasatiro

Naquele quarto

E o coração permanece conforme o quarto de antes.

À cama, lençóis debruçados em lágrimas exauridas.

A toalha molhada deixada sobre a poltrona ressecou, juntamente com a pele desgastada.

O rádio na pequena escrivaninha não mais se envaidece com tua voz.

O silêncio é absoluto!

Da janela as nuvens continuam as mesmas. O sol com todo o seu brilho, arde da mesma forma de sempre.

O corpo permanece execrado em dor.

As paredes cansadas da ânsia das lamentações, continuam em pé e se tornam as mais fiéis das confidentes.

De fora as folhas das árvores arquejam sobre o vento, mas à estante, páginas do poetinha e Neruda repaginam os poemas mais tristes.

No retrato empoeirado sobrevive todo o discurso, envelhecido com as marcas do sofrimento.

O quarto continua o mesmo, o ar ofegante se esvaiu, a voz emudeceu na face, mas tudo continua.

Nos olhos fitos ao nada, isolada na tua presença, ouço as histórias, deitada ao colchão ao teu lado vazio.

E o sentimento permanece conforme o quarto de antes.

E a presença da falta, faz mais falta que antes.

E a dor que consome, dói mais que antes.

E em meu olhar há mais lágrimas que outrora.
267
Carlos Ramos

Carlos Ramos

À JANELA NO TEU ANIVERSÁRIO


A vida passa-te à janela

um ar gelado

queima-te o tempo que resta

ela parte para longe

tu ficas

cortado ao meio

morres

no absinto dos dias

com a boca cheia de abysmo

e os olhos fundos

postos na sebenta

escrevendo ao anjo

o desespero do vazio

o osso duro na garganta

a tesoura na língua

o sangue seco

sobre a ferida da tarde.

 

Todos os desastres do mundo

buscam o teu corpo.

 

Vai-te embora

não lamentes

não voltes.

 

400
rosalinapoetisa

rosalinapoetisa

O Canto da Sereia

O Canto da Sereia
(Rosalina L P Fialho)
Quando o oceano suavemente valseia,
Ouço o canto hipnótico da sereia.
Seduzindo o desavisado navegador
Levando pro fundo do mar o seu amor.

Fazendo - lhe enamorar,
Com seu canto ao luar.
Enfeitiçado pelo canto da sereia,
E o amor em seu peito incendeia.

O marinheiro por ela se apaixonou,
E no mar ele se adentrou.
Sem saber mergulhar,
Com a sereia foi se encontrar.

Com você a me conduzir,
Deixei seu canto me seduzir.
Pelos oceanos sem fim,
Mas quero seu amor só pra mim.

E esta sedução me encanta,
Como a poesia que acalanta
O meu pobre versejar,
Que lindo é este cirandar.

1 107
A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Seu nome


Entalhei seu nome em uma pedra,
Que as ondas do mar vêm beijar.
E pensei que ali, para sempre,
Gravado, iria ficar.

Fiz o mesmo em meu coração,
Gravei seu nome bem fundo.
Para nunca mais esquecer
Por coisa nenhuma no mundo.

As águas bateram por anos,
E a pedra não resistiu.
Seu nome foi-se apagando
Até que um dia, sumiu.

Mas cá no meu coração,
Guardei com tanto cuidado,
Que até hoje, perfeito...
Seu nome se encontra gravado.

569
allycia

allycia

Amá-la-ia

Há uma sensação de solidão em estar sozinha na madrugada,
Sinto em mim saudades de ser amada.
Saudades de viver a intensidade,
E acreditar com todas as letras e com meus pés juntos
Que aquele amor é a minha base
Para tudo.

Dos braços ao redor de minha silhueta,
Sorrisos e risadas,
Amar detalhes do corpo de quem amo,
Deitar em seu peito enquanto pego no sono...
Sentir das carícias mais sutis,
As ferventes.

De dedicar cada verso dos meus poemas,
Transmitir em cada letra, em cada palavra
Tudo que sinto dentro do meu profundo e caótico eu.

O mundo em um suspiro,
Amar e e ser amada.

Deslizar as mãos numa face que aos meus olhos
É o ser mais lindo que Deus pode um dia ter feito.
Reparar o piscar dos olhos, o bater dos cílios.
Ver um sorriso, poder sentir o cheiro do cabelo...

Abrir sorrisos,
Ouvir canções.
Sentir.
Lembrar.
Tocar.
Amar...

Há espaço em minha cama
Onde travesseiros ocupam um lugar,
Sabendo-se lá que um dia alguém poderá ocupar.

Saudades de deitar minha cabeça turbulenta em meu travesseiro,
E suspirar pro-fun-da-men-te
Porque em meu peito há tanto amor
Que não sei ao certo como controlar meus batimentos.

Saudades do amor fazendo moradia em mim
Logo eu,
Que não acreditava ser possível sentir saudades de amar.

A.R / RJ - Volta Redonda
17/06/2020
1 188
gioliveira

gioliveira

A dor da vida o sucumbiu!

Alguém não suportou o peso
De ser ele mesmo e sucumbiu.
Alguém não se sentiu com coragem
De seguir viagem e sumiu.
Uma corda serviu de transporte
Para dar fim a má sorte
Para aquele que tanto se feriu.
Mas aqui todos choram sua partida
Sentem culpa pela vida
E pela felicidade que ele nunca sentiu.
No entanto, não existe um culpado
Ninguém pode carregar o fardo.
Da dor que o outro não suportou.
Agora é seguir em frente
E entender que lá na frente
A verdadeira felicidade se fará presente
E toda dor terá um fim.
(Gi Oliveira)
444
A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Dor da partida.

Dor da partida...
Vou chorar na despedida
Odeio essa coisa de ida
Sem saber se vou voltar.

Quanta agonia,
Vou viver nesse momento
Vai ser puro sofrimento...
Este adeus vou ter que dar.

Olhar distante,
Já prevendo a saudade,
Que vou sentir na verdade,
Mesmo antes de partir...

E essa mágoa,
Eu vou transformar em lágrimas.
Preciso muito um motivo
Que me impeça de ir...

Dor da partida,
Por deixar a minha terra,
Por me colocar distante
Do brilho deste luar...

Eu vou embora,
E meu coração segue,
Partido, de tanta tristeza
Por deixar esse lugar...
849
shadowoftheworld

shadowoftheworld

Canção

A voz do infinito ouvi cantar 
Seu som me carregou para toda a imensidão 
A ouço sem precisar falar
Me esqueço e me encontro mais um pouco, então
275
Frederico de Castro

Frederico de Castro

Rumores da tristeza



Geme além um rumor triste e indigno
Escapa pelas frestas de um eco quase maligno
Estatela-se na calçada do tempo que fenece fidedigno

Indomável possante e enraivecida a noite vagueia
A bordo de um pranto indecente, árido e enraivecido
Saboreia cada fétido lamento viciado e escarnecido

Ao longe ouço desintegra-se aquele silêncio entristecido
A escuridão exposta a esta imensa solidão quase esquecida
Adormece nos braços de um endurecido sonho tão enfurecido

Frederico de Castro
243
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

A sucessão dos dias e a sede de voyeur







(Nada menos estranho para mim do que ser universal, humano e eu próprio, de versão consciente e de consciência livre, eu e sempre que posso)

 

 

 

 

A sucessão dos dias e a sede de voyeur

A sucessão dos dias é de facto consensual, a inalterável sequência das horas, a sequela da sensação dos minutos, a prossecução das gerações e das estações do ano, são como um guia, uma cúmplice realidade, viva e implícita, embebida num sudário ou num sáurio sonho, qual fazemos todos parte, a nossa expressão superlativa-quantitativa, embora diminuta, do tempo em forma de arte, pois que emoção é isso, a impressão expressiva do erro racional e não admitido, em forma de apelativo prazer, de estimulante vivido e vital perante a crueldade sincera e a consciência dolorosa in-vitro, que é viver de facto e realmente uma vida ultra e curta, sem sensações para invocar, nem dimensões de ordem extra, a pira ou o crematório para os oito intuitivos sentidos que nos restam e hão de soçobrar pateticamente na gesta de fogo versus ar e luar.
Se todos se sentissem tão comuns perante a vida e nós, como eu, perante a frieza da solidão que de facto se sente e eu sinto mais e muito, na paisagem agreste que me reveste da mesma forma e no mesmo género de satisfação de que eu sou, decomposto a meio, e todos tivessem a mesma sensação indiferente perante o vício solto de pensar e sonhar, dulcíssimos como a natureza do ar, lar intimo do que sinto e o orgulho ferido da realidade que a transfigura em irremediavelmente minha e eu em fatalmente seu, sucederíamos à quinta dimensão do tempo / espaço que diziam as divindades gregas suceder aos desejos de Omega, nas paisagens estéreo/ impassíveis, da fala e do falar que apenas na lua e no luar podem e há-de-haver em cada um, como em todos nós.
Controlamos os nossos defeitos em batalhas e rebeliões viscerais e não há, não existem impropérios reais, nem impérios virais “Do-bem” ou do mal que nos valham, nem sacrifícios que não amputem a razão na dimensão pura do ego, na vala comum e o eco da contenda que nos avise que perdemos. Clamamos pedindo repouso, misturando à lama do chão, ossos e as escaras dos que se diziam superiores, por quem os descreveu, sem estarem presentes nos sons dos campos de guerra, vazios passageiros do que resta da chama real, onírica e do vale de fumo, sem fundo que se chamam, ou de “falhar” ou de fama humana.
Na loucura, as faunas planas vestem-se de ouro em escamas e nas tardes sem honra, estranhos frades de toga buscam um Santo Graal sem validade, sem hora, nem nenhuma outra cura para a fé humana que não seja fraude e a incapacidade de viver sem o Omega, nem da palidez do Alfa, no mármore rósea nas capelas bizantinas, outrora na Capadócia extrema.
A isenção de sensibilidade censuradora, pisciforme, não nos purifica, antes nos esteriliza as escamas ao ponto de negarmos gerações conceptuais divergentes, somos seduzidos pelo asco e pela “touguia” universal, triunfal, pela mecânico quântica da mesquinhez vigente e da gargalhada persistente e viscosa, aplaudível por multidões universais, tosquiadas, sem formas e iguais a nós, eles mesmos, isentos e parciais, asquerosos pisciformes sem cor, ninguém de alma ilesa, acomodados funcionários e convalescentes do sentido estético, conspurcados assintomáticos.
A sucessão genética e embrionária é facto consensual e claro, uma tragédia estéril, quando se caracteriza de ambição e ganância gonorreica e a avidez protagoniza um placebo pouco nobre na ilusão de reproduzir semântica duma caixa de cartão liso ou papel canelado, mas vendável, já previamente cozinhado, com data de consumo obrigatória e a promessa de fomentar a realidade metafísica das sensações que não possuímos, mas reclamamos, tal como estéreis animais de esterco e de pasto para açougueiro.
Reajo contra a ideia cerebral, exacerbada de verdade, acertada e venal que vulgarmente se agrega ao papel higiénico numa crise diarreica fortíssima, provoca em mim uma náusea verbal mística e um sufoco do pensamento que vai além do desígnio consciente repugnante e auto purgante, persigo com o instinto do que procuro, como se fosse uma clarividência arejada, arrojada e doce, embora lhe dê uma designação de destaque, sinto-o agudo e pungente, assim como algo externo a mim, como um destino, um conceito, uma manifestação do que – “há de vir a ser”, clarividente e desapossada até ao tutano.
Bem hajam no futuro os deuses brandos e os mancos que pronunciam simples profecias, pois não haverá tíbias, nem pictóricos porteiros nem cadáveres pendurados pelos dedos em ameias, nem tratados tardios de paz, nem Sibilas, apenas a sucessão parda dos dias parados, como se fosse uma praia vizinha de Tróia, depois da guerra, num mar inclemente mas que é de todos nós, qual nos escapa como areia pelos nós dos dedos, como se fossem cabelos de Portia Deusa, pacata e mansa …a sucessão dos dias e por fim luz, luz ao fim do túnel …

No final da luz o fumo e o fim do túnel, sei que já disse tudo isto pois “ando-pouco-de-palavras” ultimamente, uso do mais grave que já disse, por não saber dizer nem mais, nem melhor, sou tudo o que me acusam e ainda mais, mas felizmente para mim segundo eu, ou não, segundo outros. Elegi neste lado do mundo, nesta parcela gástrica virtual,  uma vaidade mecânica de escrita pouco limpa e gasta como opção primeira e privilegiada de pensar e de pensamento e, na minha escrita não permito, nem permitirei, nem a febre dos fenos, nem do contágio decadente que polui de través, é e será o que constituí na minha interpretação de espaço, livre, comum de critica criativa e construtiva, excentricidades são e serão bem vindas desde que não rocem a imbecilidade expressiva e a rudeza, as expressões poética querem-se, quero-as eu e todos nós, vazias de exterioridades egoísticas, assim como a caixa onde o gato defeca diariamente se quer limpa de novos excrementos para que a verdade da agua pura flua e escorra por entre as vistosas pedras em cascata numa montanha livre de doenças parasitárias, malignas e esterilizáveis de pensamento e ideias, que o som das cristalinas águas nos acompanhe a todos e não o cárcere da infâmia e a lâmina da ignomínia com que muitas vezes sou reclamado a cooperar e reitero desde já um voto pelo bom funcionamento das nações e das instituições que minhas são também, quais posso e devo chamar assim, para que não se abra a tampa e pandora invada as nossas oníricas quimeras e as transforme em terríveis sensações decrepitas bem acima da linha do cabelo, bem hajam poetas e homens verdadeiramente amantes da escrita e da poesia, “no pasaran”, jamais passarão, eu passarinho.
Por fim luz ao fundo do túnel, não quero incendiar nem demais, nem – “de-menos” – os ânimos, apenas desejo e apelo ao bom entendimento  funcional do género humano e de algo que pode e deve ser belo, a partilha de palavras e o desejo, egoísta mas louvável de ser ouvido livremente e partilhado em comum por tantos e muitos ouvintes. Obrigado a todos por lerem o que partilho e o que escrevo, nestes momentos difíceis que atravessamos, toda a partilha é, como diz Bernardo Soares “A mais vil de todas as necessidades — a da confidência, a da confissão. E a necessidade da alma de ser exterior ” Obrigado a todos, bem hajam os seres humanos livres por vontade, bem hajam todos os poetas que amam as letras que usam, de todas as formas e em forma de arma, inclusive recriando uma nova, alterada e revolucionária sucessão de dias horas e mentes, pois que inalterável não é apenas a dor, Inalterável é a cachaça e um antropólogo em Marte, inalterável a minha sede de voyeur e a metafísica do terror, inalterável até o leite da Deusa Hera, mas eu não altero em nada seja o que for que sinta, seja ele quem for inclino-me ante quem é alterável quanto a minha dor que alterna entre a brava fúria e essa a qual me converto por amor.
Quando uma pessoa quer ver repetidos os mesmos padrões nos gestos, nas estrela mestras e os mesmos sorrisos nos rostos dos outros e não apenas nos das crianças, imutáveis quanto os castigos quer nos céus como nas gentes e nos despojos de dia zero, que as inúmeras vidas nos deram, quando alguém quer tudo isso o herdado e o por herdar, duma só vez, na breve vida, torna-se autista, Inalterável, incolor, inverneiro…

 

 

Joel Matos (Junho 2020)
http://joel-matos.blogspot.com
https://namastibet.wordpress.com

 
 
187
Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

10 Junho dia de Portugal Y Love Portugal

"10 Junho dia de Portugal" Y Love "Portugal"

Quando vou ao Algarve,
não quero mais regressar;
Ao ver na praia,
sua areia morena fico a sonhar;
falésias, sol e mar pra sempre recordar,
com aquela areia cor de mel,
que brilha até com a luz do luar.
O azul esverdeado das águas tem beleza sem par,
e o mar tem mais calma no seu rumorejar.
não irei esquecer tanta coisa bonita,
muito menos o calor que nos arrebita,
e aquela bela mulher?
ela é a princesa do mar,
deitada ali ao sol risonha a bronzear.
e das noites mornas pra fazer amor,
deitados na areia a sentir o seu calor;
mar rolando na areia e arrastando a tristeza da vida.
Ao longe a gaivota entoa a melodia da despedida.
nossos olhos a dar o ultimo olhar,
no horizonte, ao longo do mar
não será um adeus, mas sim "Um dia hei-de cá voltar"...

Luzern, 10.06.2017, Joao Neves...
225
gabicarnavale

gabicarnavale

O CÉTICO PERDIDO



Mamãe vai à missa todo sábado
Ingere a farinha como corpo de Cristo
Se ajoelha no amadeirado
Reza por seu filho
Durante a semana
Ela põe o copo de água benzida ao lado da televisão
Me pede para tomar a água
Me faz pedir perdão
Me pergunta o porquê eu fujo de Deus
Diz que Jesus me ama
-É por isso que fujo, mamãe
Não gosto de compromissos-

De segunda a segunda
Comungo no bar
Bêbados contando suas histórias tristes
Dizendo como as mulheres belas são cruéis
Ah, meu sagrado boteco
Templo sagrado dos perdidos
Lugar onde se unem até os inimigos
Cantando histórias de amores antigos
Que o tempo não abençoou
A vodka desce ardendo
A garganta grita
E então sinto a vida

É, mamãe
A senhora criou um cético perdido
Que faz questão de morrer todas as noites
Só pra acordar no outro dia
E ver que está vivo
438