Escritas

À JANELA NO TEU ANIVERSÁRIO

Carlos Ramos

A vida passa-te à janela

um ar gelado

queima-te o tempo que resta

ela parte para longe

tu ficas

cortado ao meio

morres

no absinto dos dias

com a boca cheia de abysmo

e os olhos fundos

postos na sebenta

escrevendo ao anjo

o desespero do vazio

o osso duro na garganta

a tesoura na língua

o sangue seco

sobre a ferida da tarde.

 

Todos os desastres do mundo

buscam o teu corpo.

 

Vai-te embora

não lamentes

não voltes.

 

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