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marilu

marilu

A chuva

A chuva cai escorrendo no telhado
molhando nosso terraço
refrescando o ambiente 
alegrando agente
assim que ela cai
molha as plantinhas deichando-as
bem verdinhas para crecer
florecer e
brota

ESCRITORA:MARIA LUISA
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Nilza_Azzi

Nilza_Azzi

Vazio


Hoje acordei com saudade de ti
do tempo que nunca tivemos juntos
esse intervalo vago, inexplicável

Investiguei minhas entranhas
e no vazio abri mais chagas
as dores amargas recrudesceram
e te busquei como se foras pedaço meu

Hoje senti falta dos beijos que não dei
do passado que nunca foi presente
de não saber se me amas, se me amaste

Encontrei-me abandonada em meu desterro
como se o amado habitasse minha alma
e validasse para sempre o meu sentir
sem razão e sem consentimento

Nilza Azzi
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natalia nuno

natalia nuno

a luz do sol...

a luz que o sol distribui tão generosamente tudo gera, é ele o olhar da manhã que aquece o dia e esmaga a noite, adoça a vida, com sua mão quente percorre nosso corpo, e depois corre disfarçado por entre as sombras e vai deitar-se por detrás do horizonte, deixa a saudade, o cansaço, os sentidos adormecidos e a luz se fecha. As rosas respiram o orvalho da noite nos montes tão velhos como o dia e, a noite faz-se paz... até que ensolarada nasce a vida de novo no dia que clareia...nas telhas partidas dos telhados já entram raios, é o sol que abre as pestanas dizendo bom dia à terra, o ar do campo é lavado e saudável, acordam os girassóis, não há tempo a perder que o sol vai caindo calmo e tranquilo fechando os olhos...lá cai mais um dia... espero há horas calada, pelo amanhecer da noite, mais uma tarde que se despede, os sinos tocam as trindades, de repente lembro as horas e é então que sinto no vazio um novo um sonho, cheio de novas esperanças no sereno da noite, faço aceno ao dia que parte, a solidão é difícil e profunda, tão próxima estou do passado e tão ausente do presente, dou dois passos em frente e ando só por andar não por ter pressa de chegar. invento sonhos a vida inteira, trago o coração doído, o tempo sempre à minha beira e, eu pensando tê-lo perdido.

natalia nuno
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jfolpf

jfolpf

Dizem que o corpo é porco

Dizem que o corpo é porco
e se queres ver o teu porco
abre o teu corpo,
é que o anagrama do corpo
que se obtém do porco
que humilha o turco
o qual não conspurco
faz do porco o corpo
do bárbaro suíno
que cadáveres ingere
que reza a deus e ao trino
que a gula não mede
e tampouco
conhece o seu corpo

Abre o porco e o ingere
dias sem vez
e quanto mais o degola
mais porco se fez,
arroga-se acima do porco
pois reza a deus e aos três,
mas não passa dum porco
que para gula do corpo
racional nem tão pouco
e nem o porco é tão louco
conspurcando, se fez
um católico português

Degola-os o porco outra vez
com vil mesquinhez
na senda da gula
de um porco burguês,
arroga-se austero
católico, português,
e com cadáveres no prato
conspurcam-se à vez.
Sim, são vocês,
será malcriadez
com plena nitidez
criticar o carniceiro
o javardo festeiro
e um porco burguês?

Mas Deus é Grande
digo-o outra vez
sem mesquinhez
com mui sensatez,
e de cancro e maleitas
pela barbárie que fez
por não conhecer o seu corpo
chacinando o seu porco
criando-os à vez
num matadouro soez
para no prato, já morto
saciarem a gula
dum porco burguês,
que se arroga
superior
por rezar a deus e aos três!

Pois Deus,
Aquele que vos fez
na sua magna lucidez
imputa ao porco burguês
cancros, enfartes e AVCs
por este chacinar
qual massacre de Fez
a Criação animada
do Criador que lhe fez

Se queres conhecer o teu corpo,
o animalesco e grotesco,
chacina o teu porco,
trucida-o, esquarteja-o,
tortura-o, massacra-o,
fatia-o, degola-o,
decapita-o, ingere-o,
apunhala-o no pescoço
bebe o seu sangue
trinca o seu osso
e serás pois mais louco,
mais animalesco,
ainda mais javardo,
e mais grotesco
que esse mesmo porco

Pelo contrário
tal como no anagrama
se queres conhecer o teu coração
luta e combate
conhece a Razão
e ama
os entes animados
consagrados
que te oferendou
a Criação!
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laertgoulart

laertgoulart

Eu deveria ler mais o que escrevo

Eu deveria ler mais o que escrevo!
Apenas pra saber mais sobre mim,
apenas pra ser mais eu
e não apenas 
ser o que penso que sou...
Alinhar discurso com atitude,
não me perder na retórica...
Largar palavras perdidas 
na minha história...
Difícil ser assim !
Sair escrevendo
deixar tudo por aí 
depois lutar pra não me esvair..

Petropolis 20/06/2020
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Nadia Celestina Bagatoli

Nadia Celestina Bagatoli

NOS TEUS SONHOS


Nos teus sonhos, eu entrei;

Você me encontrou pelo caminho,

Estando as estrelas a brilhar,

Nos teus sonhos você me pegou,

O amor lindo com você fui mergulhar...

Estava feliz, você me cativou;

Promessas de amor de um dia voltar...

Falando que eu estava nos teus sonhos...

Que eu sou a tua promessa....

Que falou-me que iria voltar.

 


Nos teus sonhos, eu entrei;

Para se tornar realidade,

Você me encontrou pelo caminho.

Céu lindo, estrelas brilhantes;

Entrei no teu sonho;

Você voltou nos meus braços, amou-me,

Profundamente para sempre;

Estava debaixo do céu. Céu lindo....

Você me tornou sua, no amor eterno...

Tudo tornou-se realidade,

Esperarei você.

 

 
30 de dezembro de 1987. Quarta-feira.


AUTORA: NADIA CELESTINA BAGATOLI.


(Direitos reservados ao autor sob a lei de direitos autorais n° 9.610/98).



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Frederico de Castro

Frederico de Castro

E depois do por do sol



E depois do por do sol chega a noite escrutinável
Indominável a escuridão ruge feliz e inimaginável
Onde cada brisa fatigada adormece inexpugnável

E depois do por do sol chega este silêncio incontornável
Expele no tempo infinito um eco ávido e improfanável
É a vitória da vida colorida com este esplendor tão insubordinável

E depois do por do sol…a solidão apascentada e inalienável
Os doces beijos da maresia elástica, romântica, impressionável
Onde o silêncio repercute uma onda vadiado além incontaminável

Frederico de Castro
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F.odassi

F.odassi

Não

Não serei o descanso,
tua tarde de domingo.

Não serei terna lembrança,
teu sorriso de criança.

Serei teu desvio,
a pedra do teu caminho,
exceção da tua regra,
a regra dos teus excessos.

Serei a fuga no teu contraponto,
o infiel da tua balança,
da tua boca serei o fel.

Não serei tua escapadinha,
teu amigo oculto.

Serei corda e laço,
a lágrima pintada
na última alegria.

Teu choro palhaço.
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Amiga


Há pouco tempo te conheço,
e nunca te vi,
nasceu dentro de mim um sonho imenso,
um sonho sem fim,
sabes uma coisa?
Tu és o meu sol,
nos dias mais claros vejo-te nascer, 
em cada por-de-sol vejo-te desaparecer,
e eu fico aqui sentado a pensar, 
será que até ao resto da minha vida irei contigo conversar?

Luzern, 15.01.2019, Joao Neves
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marilu

marilu

As plantinhas da vovó

As plantas da vovó 
na quela casinha
lá no sitio do interior
molhando as plantinhas 
com muito amor
o jardim é bonito
não para de brotar novas plantinhas
para molhar
as abelhas
borboletas e 
passarinhos não param de passar
todo dia um novo ninho a se formar
quam bela é a natureza a se adimirar e
quanta saudade daquele lugar

POEMA ESCRITO POR:MARIA LUISA

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gabicarnavale

gabicarnavale

QUASE ME ESQUECI DE QUE SOU TRISTE

Hoje quase me esqueci de que sou triste.
Ri até a barriga doer com uma piada de pontinhos.
Tinha até me esquecido do quanto meus olhos ficam pequeninos
e como minhas covinhas ficam aparentes quando rio
Hoje andei por aí me sentindo leve
E pela primeira vez o tique-taque do relógio não me deixou impaciente
Pelo contrário;
Aproveitei cada segundo com sabedoria
Os pássaros pareciam assoviar uma canção de Chico Buarque
e meus olhos refletiam uma luz maior
como a lua refletindo a luz do sol
Não sei bem o que é alegria,
mas deve ser o que senti hoje
E com o peito inflamado de desejos não-maduros
andei por aí exibindo meu sorriso de vidro
daqueles que quebram na primeira pancada
Mas ainda assim era um sorriso
Natural
Sincero
Feliz.
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tonbrasil

tonbrasil

O Bando de Poetas

Encontrei um bando de poetas
Junto a uma praia imperfeita
De sentimentos que se misturavam a areia
O sol queimava todas as letras
E nem mesmo as paixões suportavam o intenso calor

As palmeiras e a vegetação estavam tristes e melancólicas
E a mais breve alegria se dissipava com o vento

Era um bando de poetas perdidos em ondas de pensamentos
Disputando um pedaço de papel
Que insistia em aparecer e desaparecer
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ANTONIA K

ANTONIA K

Dança do Sentimento

Sentia a respiração dele feito uma dança melódica e rítmica
A única respiração alí, agônica
Tocar teu instrumento
O contratempo  impedia-os
Ansiou tua chegada
Nunca vieste
Tocaria sua partitura
Entoando a tua linguagem musical enganadora
A dança das palavras
A música e o ritmo
Adormecido desperta
Sons em sentimentos partidos
O arranjo orquestral seu recurso musical: euritmia.

AK
435
Paulo Faria

Paulo Faria

NOIVA

Ecoam os sinos da igreja
Anunciando a tua chegada
De longe te observo
Trazes em teus ombros
Uma echarpe de renda
Branca pura como a neve
Que gela o meu coraçao.
Rolam minhas lágrimas
Alimentando as petalas de rosas
Soltas a porta da igreja
Porque este desfecho
Quando tudo em nós era intenso
E as estrelas contemplavamos 
De um jeito igual só nosso
Diz-me o porquê
Não entres...
Volta para o nosso amor

In "Palavra Guardadas"
Paulo Faria

500
entre cacos e segredos

entre cacos e segredos

Amor na cabeça

O pior amor é aquele da cabeça
quando ele chega na mente o 
corpo todo já foi dominado
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mgenthbjpafa21

mgenthbjpafa21

morrer é sempre divino

Horror da floresta, 

Que me olhas pela fresta, 

Devora-me e morre de indigestão, ignoto da razão. 


Era um fumo de heroína 

Um charro de óleo e axe

Era uma panóplia, de repente, 

Em forma de cornucópia

Crescia em padrão circular

Sempre em direção ascendente.. 


O monstro da floresta 

Não tinha tolerância 

Já estava morto na ânsia 

Que lhe caiu quando olhou 

Pela aquela sinistra fresta 

Donde vigiava vítimas 

Não tóxicas, enganou-se nesta.


O horror do bosque repousa

E á roda dele, 

Os putre ingíridores 

Não terão sensores 

Não sentirão as dores

Apenas repousarão 

Numa camada tóxica 

Então um ouriço ou passarão 

Terão o mesmo destino

A cadeia ecológica concentra

E morrer é sempre divino

Como nós, obras do destino. 

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ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

SEM SABER POR QUE

Passou por mim e me ignorou,
Corri atrás e parei diante dela,
Olhou-me nos olhos e me esnobou,
Fiquei sem saber o que fiz a ela.

Sem dizer uma simples palavra,
Fez o meu mundo desabar,
Terra nova que não se desbrava,
Ela se tornou ao me deixar.

Se ontem estávamos tão bem,
O que houve para agir assim,
Com meu coração a mais de cem,
Negou todo o seu amor por mim.

Não me deu tempo para nada,
Não fiz nada para a desmerecer,
Ó meu Deus que derrocada,
Traz de volta o meu bem querer.

Não tenho notícias do meu amor,
A procuro e não a encontro,
Em meu coração é forte a dor,
Sem a certeza de um reencontro.

Fazia-me ver como é linda a vida,
Em um perfeito sonho de amor,
Numa história tão bela e vivida,
Mas de repente se foi sem temor.

Ipatinga, 02 de julho de 2020.

Erimar Lopes.
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ANTONIA K

ANTONIA K

voz

Sem teu canto
Sinto-me chicotear e mutilar
Tu não sabes o que cantas
Sem tuas notas
desencantarei
Tu minha composição poética
Sou asfalto com crateras
 
AK
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gersonderodrigues

gersonderodrigues

Poema – Depressão

Poema – Depressão

Estive ao seu lado em suas
noites de insônia

E quando você se sentiu sozinho
e clamou aos deuses
quem atendeu suas preces fui eu

Caminhei ao seu lado
durante noites infernais

Mas ao contrário da sua sombra
eu não te abandonei na escuridão

Roubei a sua alma
e conquistei a sua fé

Sou o seu novo Deus
você queira ou não

Fiz ateus dobrarem os joelhos
e cristãos clamarem pelo diabo

Dancei na frente de judas
quando ele se arrependeu
pelos seus pecados

Tomei o sangue dos seus pulsos
quando você o dilacerou pela
última vez

Eu sou o monstro que
te impede de viver

A voz presa em sua garganta
querendo fugir desta prisão

A timidez rasgando suas vísceras
quando olhos de julgamento
te encaram em publico

Eu sou a insegurança
que faz você odiar o seu corpo

Transformo os seus sonhos
em pesadelos terríveis
que fariam de mim
o seu melhor amigo

Eu sou a corda
esmagando o seu pescoço
enquanto você se debate em agonia

Eu sou os olhares de pena
quando colocarem em você
camisas de força

O seu único companheiro
quando os remédios
não fizerem efeito

Te contarei piadas infames
que transformarão suas risadas
em gritos de dor

E quando tentarem falar de mim
para alguém

Farei da sua insegurança
um ninho de incertezas
até que a morte seja sua única amiga

Você irá implorar para que
eu te deixe em paz

Gritará pelas ruas para que
tirem a sua vida
como um ato de misericórdia

Farei com que todos aqueles
que te amam
se afastem e o deixem no limbo

E quando na mais negra escuridão
você se encontrar
tirarei também as suas esperanças

Pelas asas podres
de Ba‘al
o rei das moscas e das pestilências

Direi o meu nome em segredo...

Eu sou aquele
diante do espelho!
- Gerson De Rodrigues






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João de Castro Sampaio

João de Castro Sampaio

doravante, cego

E se por acaso do destino,
Bem no instante em que vi a luz,
Em um átimo, ela se apagasse, e eu
Ficasse cego?
Pois então, se por agora entendermos como cego,
Pura e simplesmente a ausência de visão,
Teria sido me negado o prazer de ver
Chover ao fim da tarde, e o céu, que por inveja
Da chuva que veio do vento sul, se recusou 
A fechar.
E no crepúsculo, dando seu último suspiro,
Uns tímidos raios de sol fuzilam as gotas;
Formou-se um arco-íris que não pude ver.

É verdade, não tive o prazer de vê-lo,
Mas mesmo assim eu estaria aliviado,
Pois logo abaixo do arco-íris estava o mundo.
E eu sei que, no instante que o sol se pôr,
Eu não vou querer olhar pela janela.

Se por acaso do destino,
Eu cegasse no instante que vi a luz,
Meu Deus, tudo se resumiria:
Pois estou fraco demais para presenciar
Essa tragédia que acontece quando
Baixa o véu noturno, pois, num paradoxo,
À noite, já não somos mais os atores e nem
O mundo é o nosso palco.

Quando cai a noite, escura e fria,
E o homem vira uma fera selvagem,
Uma fera selvagem tornar-me-ia?
Não! Pois como não vejo a imagem
Do espelho, deliro em fantasia,
E como fiz-me cego nessa passagem,
Ser cego, para sempre, me pareceria
Tão somente um ato de coragem!

Mas se eu fosse eternamente cego
Aparece-me uma dúvida mortal:
Saberia eu dizer
Quando cai a noite, escura e fria?
E se no momento em que o homem,
Inevitavelmente, torna-se selvagem,
Eu, que vivo na escuridão;
Eu, que vivo na treva;
Será que eu também me tornaria selvagem?
Ou será que eu lembraria da luz,
Ainda que eu a tenha visto
Apenas por um instante?
A verdade é que somos
Escravos da consciência.
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Frederico de Castro

Frederico de Castro

Marés flamejantes



Sussurra o mar desaguando numa onda que
Além flameja absurdamente estética e exuberante
Fenece síncrona ciclóide, apopléctica e petulante

O silêncio quase linfóide segrega uma imensa
Luminescência esbelta, deliciosa e chamejante
Cheio de ganas desfibrilha qual eco arquejante

O poente ferido de morte jaz inerte e rastejante
Algema a astuta escuridão que divaga a jusante
Dirime com um breu empírico que se refresca inebriante

Frederico de Castro
314
Frederico de Castro

Frederico de Castro

De mãos dadas



- para a Carla

De mãos dadas o tempo repercute um eco que
Só o imaginário detecta, decifra e intersecta
Ali clama um queixume sequioso e descontrolado
Apressa-se a incendiar o poente fecundo…mais consolado

De mãos dadas deixo a solidão pousar no algeroz
Da vida desaguando qual aguaceiro trepidando assolapado
Só ele descortina uma caricia que amarinha tão incontrolada
Só ele corporiza e algema uma prece proliferando quase imolada

Frederico de Castro
353
Alba Caldas

Alba Caldas

Queria ser

Queria ser árvore,
que se contenta em doar
e estar só.
Dança, balança, é bela, é vida
e é só.

Queria ser lua,
que reflete a luz do outro,
brilha
e a transforma em sua.

Queria ser mar,
que força,
pulsa,
calma,
desabrocha.

Queria ser eu,
porque essa é a busca mais imbecil
e pura possível.
317
Paulo Faria

Paulo Faria

MUDEI

Mudei...
Comecei de novo...
Arrisquei...
Perdi vezes sem conta
Nos dias andei errante 
Peregrino de mim próprio
Buscando forças para me erguer.
Construí novos alicerces
Com os equívocos do passado
Mesmo sem vontade
Nos limites da esperança
Gritei bem alto ao mundo
Sorrindo de novo para a vida

In "Palavras Guardadas"
Paulo Faria
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