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A poesia de JRUnder
No escuro da solidão
E mergulhei no escuro da solidão, buscando encontrar dentro do meu “eu", as respostas para tantas dúvidas que acumulei.
E não é fácil procurar tesouros, em meio a tantos falsos risos, em caixas abarrotadas de hipocrisias, em velhos baús repletos de antigas mentiras.
Encontrei embalagens de promessas vazias, falsas amizades inutilizadas, que não resistiram ao tempo.
Pacotes finamente preparados para tornarem atrativos, momentos deteriorados por intenções espúrias.
Amarrotadas e lançadas em um canto qualquer, esperanças, ilusões e enganosas paixões, misturavam-se com amarguras e decepções.
Velhos sonhos...mal pude reconhece-los...
Estavam judiados, desbotados pela ação do tempo.
Uma velha arca com objetivos que não se cumpriram, alguns dos quais já havia esquecido por completo.
Uma luz chamou-me a atenção. Algo reluzia na escuridão.
Um antigo amor, que um dia, o destino levou para bem distante.
Ainda estava intacto, como se os anos não tivessem se cumprido...
Ali estava a resposta que tanto procurava. Ali estava o grande vazio da minha vida.
Um amor verdadeiro que até hoje me pertencera, mas eu nunca soube acolher...
632
POETA ALEXSANDRE SOARES DE LIMA
ENTRE AS NUVENS
OLHOS QUE REGOU
EM MIM TERNURA.
DESVENDEI
SUA ALMA PURA,
LIBERTEI-ME
DOS PENSAMENTOS
SOMBRIOS,
DA VIDA APÁTICA
QUANDO VOCÊ
ME CONQUISTOU
TÃO SIMPÁTICA.
AQUECENDO-ME
NESTES DIAS
TÃO FRIOS.
AGORA ANDO
POR ENTRE NUVENS,
RETIREI DO MEU CAMINHO
O DESESPERO.
ACREDITEI NO SEU OLHAR
E NÃO HOUVE DECEPÇÃO.
ACORDEI COM
UM BEIJO SEU,
COMEÇOU FELIZ
O MEU DIA.
VOCÊ É ALGUÉM
QUE DESCOBRI
SEM INTENÇÃO
DE DESCOBRIR.
.
( Autor: Poeta Alexsandre Soares de Lima)
381
Sândalo de Dandi
Solidez II
Não há espaço
Nem tempo
Para minha
Poesia desaguar
De amor,
Apenas sei
O que fazer.
No desespero
Sussurro teu nome,
Penso em teu rosto,
Desenho teu corpo.
E sei que é parte
De mim,
Que és metade
De mim.
O que sinto por te
Não tem cheiro
Nem cor...
E mesmo que deslembrem
Os dias que moveram se
E tudo quanto desejaram os meus olhos.
Será dito, que sou apenas
Pedaços do que senti.
1994
Nem tempo
Para minha
Poesia desaguar
De amor,
Apenas sei
O que fazer.
No desespero
Sussurro teu nome,
Penso em teu rosto,
Desenho teu corpo.
E sei que é parte
De mim,
Que és metade
De mim.
O que sinto por te
Não tem cheiro
Nem cor...
E mesmo que deslembrem
Os dias que moveram se
E tudo quanto desejaram os meus olhos.
Será dito, que sou apenas
Pedaços do que senti.
1994
1 260
mgenthbjpafa21
Click Neural.
Nesta hora sem demora one nem se habita nem se mora,
Tenho os neurônios ocupados pela batida
Diz que o meu pai era rico e bonita a mãe.
O Sourceforge revisitado está ligado ao Git
Na rua calcorreada a cachorrada não admite.
Annabel Lee no seu reino junto ao mar,
Um casal novo de aves, ícones de amar.
O meu pequeno a dar jeito de me dar proveito,
Não sei do que sou feito, sei que anseio
Pelo mar, som near and yet so far, devaneio,
Pois a minha natureza é a ausência da presença,
No paradoxo de estar, me ausentar, voltar,
Sem nunca, nunca achar que é bem feito acordar.
Uns e outros, versos soltos, ditos livres,
De quem nunca se lançou numa rima formal,
Memory dump no chiaro escuro da noite,
A mente presente, e o medo numa caixa,
Engarrafado por dois copos de maduro,
Que dão um click neural, sensível e duro.
212
paola_
vaporosa
Têm vezes que me sinto uma adolescente de 15 anos
Sempre que vejo os clichês românticos dos filmes
É como se pudesse sentir a sensação de desejar e ser desejada
Torcer para que os personagens se entendam
Que seja recíproco
Me pego perdendo o fôlego com cenas prontas
Roteiro manjado
Tudo ensaiado
Mas a sensação sempre brota
Acho que sou terra fértil
Ou teria uma mente débil?
Sempre que vejo os clichês românticos dos filmes
É como se pudesse sentir a sensação de desejar e ser desejada
Torcer para que os personagens se entendam
Que seja recíproco
Me pego perdendo o fôlego com cenas prontas
Roteiro manjado
Tudo ensaiado
Mas a sensação sempre brota
Acho que sou terra fértil
Ou teria uma mente débil?
165
yuri petrilli
aldravias
I
A
Vaidade
Se
Concede
A
Eternidade.
II
Grilos
Folhas
Vento...
Silêncio?
Não.
Pensamento.
III
Translúcido
Palatável
Inteligível
E
Maravilhosamente
Irreal.
IV
Nada
Mais
Lúcido
Que
Ser
Lúdico.
V
Não
Será
Tudo
Um
Sonho
Lúdico?
VI
Coração
Numa
Mão,
Transcrição
Noutra
Mão.
VII
Presente
Feito
Ausente,
Passado
Feito
Presente.
A
Vaidade
Se
Concede
A
Eternidade.
II
Grilos
Folhas
Vento...
Silêncio?
Não.
Pensamento.
III
Translúcido
Palatável
Inteligível
E
Maravilhosamente
Irreal.
IV
Nada
Mais
Lúcido
Que
Ser
Lúdico.
V
Não
Será
Tudo
Um
Sonho
Lúdico?
VI
Coração
Numa
Mão,
Transcrição
Noutra
Mão.
VII
Presente
Feito
Ausente,
Passado
Feito
Presente.
163
ANTONIA K
Pássaro
Pássaro da liberdade
Aprisionado em fios de tapeçaria
Em um quadro mental
Canto perpétuo
A caixa de vidro sonante
Mãos erguidas aos céus
Por não ver-me
No estado em que me encontro
AK
Mãos erguidas aos céus
Por não ver-me
No estado em que me encontro
AK
428
Paulo Faria
COM MEIA ASA PARA VOAR
Voei sempre em contra mão
Com pressa de ao máximo viver
Sem horas...
Nem destinos traçados.
Depois de tantos voos rasantes
Isolei-me longe do mundo e de todos
Rasguei meu corpo...
Li cada artéria coronária
Descobri em cada goticula
Que voei sem direção
Perdido em falsas paixões
Sem principios...
Sem conteúdos...
Só existiram fins
Pois em todos os voos errantes
Indaguei sempre por tuas mãos
Para meu coração entregar.
Hoje...
Estou cansado
Já não tenho pressa de viver
Sou um pássaro ferido
Carregando dores do passado
Hoje...
Sou um pássaro
Apenas um pássaro
Com meia asa para voar
In "Palavras Guardadas"
Paulo Faria
Com pressa de ao máximo viver
Sem horas...
Nem destinos traçados.
Depois de tantos voos rasantes
Isolei-me longe do mundo e de todos
Rasguei meu corpo...
Li cada artéria coronária
Descobri em cada goticula
Que voei sem direção
Perdido em falsas paixões
Sem principios...
Sem conteúdos...
Só existiram fins
Pois em todos os voos errantes
Indaguei sempre por tuas mãos
Para meu coração entregar.
Hoje...
Estou cansado
Já não tenho pressa de viver
Sou um pássaro ferido
Carregando dores do passado
Hoje...
Sou um pássaro
Apenas um pássaro
Com meia asa para voar
In "Palavras Guardadas"
Paulo Faria
537
Gabriel Felipe Silva Coelho
Passarinhos
Passarinhos
Fomos acostumados a achar
Que os passarinhos
Não deveriam voar
Começamos a normalizar
Um animal livre,
Forçado a ficar preso,
No mesmo lugar.
Sempre foi difícil se identificar
Ter empatia, ou nos preocupar
Afinal de contas,
Por que deveríamos nos importar?
Mas o jogo virou,
O pássaro escapou
E o homem hoje vive enjaulado
Sem esperança, de que em algum dia
Será libertado.
O fim está se aproximando,
E um novo início chegando
Passarinhos livres estarão cantarolando
E os seres humanos?
Já foram...
Gabriel Felipe Silva Coelho
Fomos acostumados a achar
Que os passarinhos
Não deveriam voar
Começamos a normalizar
Um animal livre,
Forçado a ficar preso,
No mesmo lugar.
Sempre foi difícil se identificar
Ter empatia, ou nos preocupar
Afinal de contas,
Por que deveríamos nos importar?
Mas o jogo virou,
O pássaro escapou
E o homem hoje vive enjaulado
Sem esperança, de que em algum dia
Será libertado.
O fim está se aproximando,
E um novo início chegando
Passarinhos livres estarão cantarolando
E os seres humanos?
Já foram...
Gabriel Felipe Silva Coelho
162
Tsunamidesaudade63
Esta noite
Acordei noite dentro, não senti,
teu cheiro na minha almofada,
não minto, nem te mentirei
ao dizer que noite é esta? Tão amargurada...
Luzern, 23.06.2017, Joao Neves
40
Paulo Sérgio Rosseto
JAMAIS AS ILUSÕES
Se eu pudesse voltava ser explorador
Faria novamente as minhas próprias trilhas
Por entre matas fechadas
Nominando rios dimensionando lagos
Recalculando estradas medindo caminhos
Viajando em sua companhia
E se você não fosse seguiria teimoso sozinho
Por longas viagens invernadas de moço
Em terras distantes e estranhas massas
Como quem aventura e inicia um romance
Mas já não saio daqui da rua e calçadas
E a cada dia vou diminuindo ainda mais
Todos os meus mínimos mesmos espaços
Procuro nos meios-fios os fáceis acessos
Não pulo mais degraus nem saltito tanto
Diminuindo sempre o quanto posso
A distância do entremeio de cada passo
Nem lembro mais certos endereços
E apetece-me permanecer em casa
Não que esteja envelhecendo não é isso
Apenas preservando o coração acomodado
Das emoções de alguns impróprios percalços
Longe dos riscos incertos de efervescentes paixões
O tempo matura a idade e até nos faz perder as forças
Jamais as ilusões por isso nos põem mais sábios
www.psrosseto.com.br
Faria novamente as minhas próprias trilhas
Por entre matas fechadas
Nominando rios dimensionando lagos
Recalculando estradas medindo caminhos
Viajando em sua companhia
E se você não fosse seguiria teimoso sozinho
Por longas viagens invernadas de moço
Em terras distantes e estranhas massas
Como quem aventura e inicia um romance
Mas já não saio daqui da rua e calçadas
E a cada dia vou diminuindo ainda mais
Todos os meus mínimos mesmos espaços
Procuro nos meios-fios os fáceis acessos
Não pulo mais degraus nem saltito tanto
Diminuindo sempre o quanto posso
A distância do entremeio de cada passo
Nem lembro mais certos endereços
E apetece-me permanecer em casa
Não que esteja envelhecendo não é isso
Apenas preservando o coração acomodado
Das emoções de alguns impróprios percalços
Longe dos riscos incertos de efervescentes paixões
O tempo matura a idade e até nos faz perder as forças
Jamais as ilusões por isso nos põem mais sábios
www.psrosseto.com.br
228
Tsunamidesaudade63
Querido vinho
Tu meu querido vinho,
és e serás a minha maior inspiração,
ter um copo cheio é a solução,
pra escrever versos que tenho guardados no coração,
eu não sou nem poeta nem escritor,
na tela serei o pintor,
que pintarei as lágrimas da tua dor,
com este lindo poema de amor...
Luzern, 23.06.2017, Joao Neves
175
natalia nuno
Quem morreu?...
Levantam-se os ciprestes
Quem foi que morreu?
E aos ventos agrestes
Minha alma grita...aflita,
Não fui eu!
Há sempre um sinal de desalento
A cada noite ao adormecer
Os olhos se apagam de fadiga
É o tempo que está a morrer.
Já a solidão tudo esfria
O tempo tudo corrói
Só ao sonho suplico companhia
Enquanto há um pouco de luz
na queda que dói.
Sobre o campo adormecido
há um escuro que se amontoa
estou-o vivendo, por mais que doa.
Nas horas da vida há ondas alterosas
e espumas furiosas.
E meu rosto olha o sol que se apagou,
meu barco ainda assim não naufragou...
Resta um tempo que me destrói,
mas ao mesmo tempo me realiza
Caminho onde chego... e a vida
se suaviza.
natalia nuno
Quem foi que morreu?
E aos ventos agrestes
Minha alma grita...aflita,
Não fui eu!
Há sempre um sinal de desalento
A cada noite ao adormecer
Os olhos se apagam de fadiga
É o tempo que está a morrer.
Já a solidão tudo esfria
O tempo tudo corrói
Só ao sonho suplico companhia
Enquanto há um pouco de luz
na queda que dói.
Sobre o campo adormecido
há um escuro que se amontoa
estou-o vivendo, por mais que doa.
Nas horas da vida há ondas alterosas
e espumas furiosas.
E meu rosto olha o sol que se apagou,
meu barco ainda assim não naufragou...
Resta um tempo que me destrói,
mas ao mesmo tempo me realiza
Caminho onde chego... e a vida
se suaviza.
natalia nuno
50
MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES
Lições de um cajueiro, lições de vida (crônica)
Olhei para ele demoradamente e lembrei-me de quantas vezes estive sob a sua sombra e do quanto saboreei os seus frutos, senti o seu aroma, aparei no ar as suas folhas secas e admirei os seus frutos.
Sob o seu olhar atravessei desertos, transpus continentes, admirei mares e lugares. Por ali viajei, viajei, viajei.
Agora, as lembranças do seu aconchego acionam meus sentidos.
Ah! Que saudades daquele cheiro gostoso de fruta, misturado com o da terra molhada! Os dois juntos me aguçam por demais os sentidos!
Mas não são só os cheiros e os sabores que fortalecem os nossos laços, a sua simples presença nos instiga, pois muitos lugares em nossas vidas ele ocupa. Em minha memória ainda ecoam gritos infantis que em períodos recentes, à sua sombra, me traziam de volta à realidade.
- Mainha, Mainha, cadê tu?
Saía da sombra do cajueiro para receber abraços suados, e acolher alegrias, brincadeiras e traquinagens das minhas crianças e, as vezes, de seus amiguinhos.
Nesses momentos havia sempre alguém a "enredar" do outro, a contar uma descoberta, uma novidade, a querer ensinar um jogo, ou a cantar uma canção. Gostávamos muito de ouvir as músicas do álbum Os Saltimbancos, e quando me pediam música, e as minhas cordas vocais não ajudavam, recorríamos ao nosso acervo musical infantil. Os saltimbancos vinham à escuta em primeira mão:"Jumento não é. Jumento não é o grande malandro da praça. Trabalha, trabalha de graça..." . E se após tantos folguedos ainda sobrassem energias, nos lançávamos às brincadeiras de esconde-esconde.
O cajueiro tudo testemunhava silencioso, e acolhedor e, quando chegava dezembro a sua safra de frutos era enorme, o que atraia a si os passantes da rua escritor José Vieira. Às vezes doávamos frutos, outras nem isso era necessário, pois eram retirados com ou sem a nossa permissão.
E nos períodos de safra quando a vovó Terezinha chegava para passar uns dias conosco, era certo que teríamos os deliciosos doces de caju nas modalidades compota e geléia. Que delícia!
Assim seguia a vida; a nossa e a do Cajueiro. O tempo transcorria a seu sabor e com ele se passaram as festas do ABC, a conclusão do Ensino Fundamental, as viagens pelo Brasil e pelo exterior, e o ingresso na universidade daqueles adolescentes em busca de seus sonhos.
As crianças travessas cresceram, voaram: Fortaleza, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, Paris, etc.
Os tempos são outros.
Hoje ao observar o cajueiro vi as suas folhas amareladas, os seus galhos retorcidos e o seu tronco envelhecido, e isso me fez ficar atenta ao seu destino.
Onde anda o seu vigor? E aquela alegria que o mantinha sempre a brincar ao vento ?!
Com a nossa semi-ausência, vida de adultos, viagens, trabalho em demasia, idas e vindas ele deixou de produzir frutos. Faltam-lhe afagos? Sentirá falta dos ruídos infantis a sua volta?
Em sua aparência revela-se adoecido, cansado. E aí veio o veredicto do jardineiro:
- É melhor plantar outro cajueiro. Já expurguei seus galhos com defensivos naturais, já fiz podas e ele não melhora. Não vamos conseguir curar essas pragas.
Fiquei triste e pasma com essa observação.
De imediato descartei aquela ideia. Tirá-lo dali seria como se parte de nós fosse embora com ele. Pensava:
- E as nossas histórias que outrora ele tão bem testemunhara?
Precisaria de muitos dias e noites para registrar uma pequena fatia do que ele sabe.
Lembrei dos meus medos quando, o portão da garagem não era ainda automatizado, ao chegar em casa a noite, do trabalho, e ter que descer do carro para abri-lo manualmente.
Ele sempre estava lá corajoso e forte a amparar-me.
Aquela conversa com o jardineiro caiu nos seus ouvidos. Ao olhar para o seu tronco avistei seus olhos a marejarem, assim como nadavam em lágrimas os meus.
Abraçamo-nos e choramos esse nosso reencontro inusitado, que só o amor faz acontecer, e ali mesmo selamos um acordo em defesa da vida.
Sob o seu olhar atravessei desertos, transpus continentes, admirei mares e lugares. Por ali viajei, viajei, viajei.
Agora, as lembranças do seu aconchego acionam meus sentidos.
Ah! Que saudades daquele cheiro gostoso de fruta, misturado com o da terra molhada! Os dois juntos me aguçam por demais os sentidos!
Mas não são só os cheiros e os sabores que fortalecem os nossos laços, a sua simples presença nos instiga, pois muitos lugares em nossas vidas ele ocupa. Em minha memória ainda ecoam gritos infantis que em períodos recentes, à sua sombra, me traziam de volta à realidade.
- Mainha, Mainha, cadê tu?
Saía da sombra do cajueiro para receber abraços suados, e acolher alegrias, brincadeiras e traquinagens das minhas crianças e, as vezes, de seus amiguinhos.
Nesses momentos havia sempre alguém a "enredar" do outro, a contar uma descoberta, uma novidade, a querer ensinar um jogo, ou a cantar uma canção. Gostávamos muito de ouvir as músicas do álbum Os Saltimbancos, e quando me pediam música, e as minhas cordas vocais não ajudavam, recorríamos ao nosso acervo musical infantil. Os saltimbancos vinham à escuta em primeira mão:"Jumento não é. Jumento não é o grande malandro da praça. Trabalha, trabalha de graça..." . E se após tantos folguedos ainda sobrassem energias, nos lançávamos às brincadeiras de esconde-esconde.
O cajueiro tudo testemunhava silencioso, e acolhedor e, quando chegava dezembro a sua safra de frutos era enorme, o que atraia a si os passantes da rua escritor José Vieira. Às vezes doávamos frutos, outras nem isso era necessário, pois eram retirados com ou sem a nossa permissão.
E nos períodos de safra quando a vovó Terezinha chegava para passar uns dias conosco, era certo que teríamos os deliciosos doces de caju nas modalidades compota e geléia. Que delícia!
Assim seguia a vida; a nossa e a do Cajueiro. O tempo transcorria a seu sabor e com ele se passaram as festas do ABC, a conclusão do Ensino Fundamental, as viagens pelo Brasil e pelo exterior, e o ingresso na universidade daqueles adolescentes em busca de seus sonhos.
As crianças travessas cresceram, voaram: Fortaleza, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, Paris, etc.
Os tempos são outros.
Hoje ao observar o cajueiro vi as suas folhas amareladas, os seus galhos retorcidos e o seu tronco envelhecido, e isso me fez ficar atenta ao seu destino.
Onde anda o seu vigor? E aquela alegria que o mantinha sempre a brincar ao vento ?!
Com a nossa semi-ausência, vida de adultos, viagens, trabalho em demasia, idas e vindas ele deixou de produzir frutos. Faltam-lhe afagos? Sentirá falta dos ruídos infantis a sua volta?
Em sua aparência revela-se adoecido, cansado. E aí veio o veredicto do jardineiro:
- É melhor plantar outro cajueiro. Já expurguei seus galhos com defensivos naturais, já fiz podas e ele não melhora. Não vamos conseguir curar essas pragas.
Fiquei triste e pasma com essa observação.
De imediato descartei aquela ideia. Tirá-lo dali seria como se parte de nós fosse embora com ele. Pensava:
- E as nossas histórias que outrora ele tão bem testemunhara?
Precisaria de muitos dias e noites para registrar uma pequena fatia do que ele sabe.
Lembrei dos meus medos quando, o portão da garagem não era ainda automatizado, ao chegar em casa a noite, do trabalho, e ter que descer do carro para abri-lo manualmente.
Ele sempre estava lá corajoso e forte a amparar-me.
Aquela conversa com o jardineiro caiu nos seus ouvidos. Ao olhar para o seu tronco avistei seus olhos a marejarem, assim como nadavam em lágrimas os meus.
Abraçamo-nos e choramos esse nosso reencontro inusitado, que só o amor faz acontecer, e ali mesmo selamos um acordo em defesa da vida.
695
ANTONIA K
Palavras musicadas
Tua palavra musicada
Criou força
Gerou vida
Suavidade a confortou
Despertando simpatia.
Tuas vogais
Em atributos sonoros
Fonemas ritmados;
Sons, tons e intervalos
A envolveu.
Tuas consoantes
Seguem percorrendo os espaços no contorno das palavras musicadas.
AK
Criou força
Gerou vida
Suavidade a confortou
Despertando simpatia.
Tuas vogais
Em atributos sonoros
Fonemas ritmados;
Sons, tons e intervalos
A envolveu.
Tuas consoantes
Seguem percorrendo os espaços no contorno das palavras musicadas.
AK
418
Tsunamidesaudade63
Tristes lágrimas
Rolam lentamente pela minha face,
caem velozmente no chão,
secam com o vento,
estas minhas tristes lágrimas,
que nasceram dentro do meu pobre coração!...
Luzern, 28.08.2017, Joao Neves
411
natalia nuno
versos finais...
não fechem minhas portas nem janelas,
deixam entrar o perfume
da madrugada,
deixem-me ouvir o canto dos rouxinóis,
quero sentir-me amada
deixem que entrem outros sóis.
na vida que levo saudosa, lembrada
deixem-me ver o anoitecer,
a lua que sobre mim se debruça
não quero o inverno a corroer
o meu peito que soluça...
quero ser ainda espantosa flor
essência dum grande amor.
quero olhar o infinito
encontrar o sentido de viver
e nesta esperança em que me agito
neste sonho em que me enleio
esquecer por instantes o medo de me
perder.
nestes versos finais
onde eu sou mais um, entre os demais
nada mais tenho a escrever
sou a vela que se apagou
que de tanto arder
a dor no peito deixou
deixem que o sonho em mim
se acoite
que eu volte pela última vez
à rua da minha infância
antes que seja noite.
natalia nuno
deixam entrar o perfume
da madrugada,
deixem-me ouvir o canto dos rouxinóis,
quero sentir-me amada
deixem que entrem outros sóis.
na vida que levo saudosa, lembrada
deixem-me ver o anoitecer,
a lua que sobre mim se debruça
não quero o inverno a corroer
o meu peito que soluça...
quero ser ainda espantosa flor
essência dum grande amor.
quero olhar o infinito
encontrar o sentido de viver
e nesta esperança em que me agito
neste sonho em que me enleio
esquecer por instantes o medo de me
perder.
nestes versos finais
onde eu sou mais um, entre os demais
nada mais tenho a escrever
sou a vela que se apagou
que de tanto arder
a dor no peito deixou
deixem que o sonho em mim
se acoite
que eu volte pela última vez
à rua da minha infância
antes que seja noite.
natalia nuno
137
W.Poi
IMAGINAÇÃO
Hoje acordei pensando.
como seria bom ter você aqui.
logo imaginei seu rosto
e sorrindo só, eu fiquei
pois comecei sentir suas mão
tocando minha face,
acariciando meus cabelos
depois leves beijos nos meus lábios
debruçando sobre meu corpo inteiro
um abraço apertado,
deixei você cair de lado
deixei minha imaginação fluir
e continuei nos pensamento a te sentir
nossa como é bom lembrar de ti
como gostaria de ter você aqui
que delicia de sentimento
por favor amor apareça par mim.
W.Poi
como seria bom ter você aqui.
logo imaginei seu rosto
e sorrindo só, eu fiquei
pois comecei sentir suas mão
tocando minha face,
acariciando meus cabelos
depois leves beijos nos meus lábios
debruçando sobre meu corpo inteiro
um abraço apertado,
deixei você cair de lado
deixei minha imaginação fluir
e continuei nos pensamento a te sentir
nossa como é bom lembrar de ti
como gostaria de ter você aqui
que delicia de sentimento
por favor amor apareça par mim.
W.Poi
122
ERIMAR LOPES
LÁGRIMAS SEM NOÇÃO
Todas as vezes que eu tentei,
Digo que foram todas em vão,
Todas as vezes que eu chorei,
Desperdicei lágrimas sem noção.
Você não percebeu as grandezas,
Dos cuidados a ti dispensados,
Ignorou o passado de tristezas,
Portando-se de modos errados.
Insensata em momentos cruciais,
Deixou-se levar pela arrogância,
Proferindo palavras feito punhais,
Ferindo meu coração com violência.
Confesso que cansei de suportar,
As suas atitudes nada amistosas,
Infelizmente tenho que arrancar,
Os espinhos do canteiro de rosas.
Erimar Lopes.
Digo que foram todas em vão,
Todas as vezes que eu chorei,
Desperdicei lágrimas sem noção.
Você não percebeu as grandezas,
Dos cuidados a ti dispensados,
Ignorou o passado de tristezas,
Portando-se de modos errados.
Insensata em momentos cruciais,
Deixou-se levar pela arrogância,
Proferindo palavras feito punhais,
Ferindo meu coração com violência.
Confesso que cansei de suportar,
As suas atitudes nada amistosas,
Infelizmente tenho que arrancar,
Os espinhos do canteiro de rosas.
Erimar Lopes.
1 849
ANTONIA K
Angústia
Olhos sangrando
Nascente perpétua
Derramamento da alma
Feito barragens rompidas.
Nascente perpétua
Derramamento da alma
Feito barragens rompidas.
446
Tsunamidesaudade63
Bombeiros de Portugal
"Bombeiros de Portugal"
Tenho saudades do país que me viu nascer,
o mesmo que me viu partir,
O país do fado e do fandango,
dos pauliteiros e do malhão,
do São Pedro, Santo António e do São João,
do país das lindas praias, e seu valente mar,
onde as cigarras não param de cantar,
País da cerveja fresca e do bom vinho,
seu povo de coração grande e cheio de carinho,
povo que chora, no verão,
ao ver a sua riqueza arder,
e a vocês bombeiros de Portugal,
mil e uma palavras de louvor,
como vocês não há igual,
meu apresso por vocês, é profundo,
vocês são os melhores do mundo,
São os salvadores de Portugal...
João Neves, 26-06-2017 Luzern.
Tenho saudades do país que me viu nascer,
o mesmo que me viu partir,
O país do fado e do fandango,
dos pauliteiros e do malhão,
do São Pedro, Santo António e do São João,
do país das lindas praias, e seu valente mar,
onde as cigarras não param de cantar,
País da cerveja fresca e do bom vinho,
seu povo de coração grande e cheio de carinho,
povo que chora, no verão,
ao ver a sua riqueza arder,
e a vocês bombeiros de Portugal,
mil e uma palavras de louvor,
como vocês não há igual,
meu apresso por vocês, é profundo,
vocês são os melhores do mundo,
São os salvadores de Portugal...
João Neves, 26-06-2017 Luzern.
140
JCDINARDO
RUA DA PERDIÇÃO S/N
Putas se escondem nos muros
Úmidos de prazeres reprimidos.
Na agonia do dia, tantos se matam
E espalham o tédio do topo dos edifícios.
Braços lascivos brotam dos muros
E consomem, com luxúria encomendada,
Restos de ilusão incrustados em nosso ser,
Nos cantos sem encantos da vida.
84
F.odassi
Fera
Face a face com esta fera estufada
de unhas afiadas, pelo eriçado,
cara a cara.
Veio na dança estéril de uma noite,
na traição da sombra do dia.
Respirei seu hálito pestífero,
sua pata pesou sobre meu peito
e imprimiu-me afeição à morte.
Dei-lhe de comer um pedaço
depois devorou meus objetos diretos,
todos os meus bens, quereres e estar.
Cedi outras partes, o anelar, o apontar,
o curtir do polegar.
Comeu minha medula,
triturou com os dentes meus sonhos,
minha quimera e a Hidra do ciúme.
Depois que mais nada havia
a fera devorou o tutano dos meus versos
e enquanto o amor morria,
debaixo do olhar triste do sol,
a fera comeu toda minha poesia, meus restos.
Sem esperanças, sem desesperos,
sem o gosto do açúcar, sem o sabor do sal,
sem amor e sem mundo, sem o bem nem o mal
à fera não ofereço mais nada
e dou-me ao sono profundo
em seu colo maternal.
de unhas afiadas, pelo eriçado,
cara a cara.
Veio na dança estéril de uma noite,
na traição da sombra do dia.
Respirei seu hálito pestífero,
sua pata pesou sobre meu peito
e imprimiu-me afeição à morte.
Dei-lhe de comer um pedaço
depois devorou meus objetos diretos,
todos os meus bens, quereres e estar.
Cedi outras partes, o anelar, o apontar,
o curtir do polegar.
Comeu minha medula,
triturou com os dentes meus sonhos,
minha quimera e a Hidra do ciúme.
Depois que mais nada havia
a fera devorou o tutano dos meus versos
e enquanto o amor morria,
debaixo do olhar triste do sol,
a fera comeu toda minha poesia, meus restos.
Sem esperanças, sem desesperos,
sem o gosto do açúcar, sem o sabor do sal,
sem amor e sem mundo, sem o bem nem o mal
à fera não ofereço mais nada
e dou-me ao sono profundo
em seu colo maternal.
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bebel61
Te amo...
Involuntariamente,
perdidamente,
equivocadamente,
desesperadamente,
alucinadamente,
erradamente,
inexplicavelmente,
fervorosamente,
calorosamente,
afetuosamente,
ternamente,
ardentemente,
demasiadamente,
deliberadamente,
insanamente,
desde o dia o em
que te vi,
pela primeira vez.
Izabel Silveira - 25/06/2008
perdidamente,
equivocadamente,
desesperadamente,
alucinadamente,
erradamente,
inexplicavelmente,
fervorosamente,
calorosamente,
afetuosamente,
ternamente,
ardentemente,
demasiadamente,
deliberadamente,
insanamente,
desde o dia o em
que te vi,
pela primeira vez.
Izabel Silveira - 25/06/2008
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