Lista de Poemas
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Valter Bitencourt Júnior
Rosa
Brotam
Fascinam,
Encantam
Reconciliáveis
Quando tudo
Está ao avesso.
Valter Bitencourt Júnior
CORASSIS
Amor sem amor

Ela destruiu um alegre coração
amor sem destino, pássaro sem ninho
fuzilou o soldado sem guerra em seu caminho
passou falso carisma, um trem sem direção
Amor sem carinho acabou em grande ruína!
deixou o soldado já fuzilado em invencível solidão
tantos amigos na batalha, mas o amor de ilusão
nas cartas contava tantas coisas impossiveis ou genuínas:
Sonhos e também o doce coração daquela que amava
brincou na cama ,teve seus lábios, amor
o enebriante corpo que o melhor perfume exalava
E na ultima carta findou o triste relato de dor:
amor traidor , fostes artemanha e ilusão!
o soldado sofreu a terrivel dor do amor
Jorge Pimenta
Simplesmente, o amor enfim...
Jorge Pimenta
Um simples poemeto
natalia nuno
guardo o sonho...
serena do poente
não quero de mim o sonho
ausente.
O tempo é amargo
saudade é o que trago
e o que sinto, enquanto
a noite desce e o dia finda
em breve o silêncio se instala
e a lembrança vem comigo
à fala.
Traz-me a alegria viva
ou o a tristeza cinzenta
lembra-me os passos que dei
e tudo a saudade inventa,
ignoro por onde andei
até que aqui cheguei
já a noite desce e o dia finda
mas o sonho encanta-me ainda.
Efémera a juventude
como uma flor que desabrochou e morreu
meus dedos reconhecem-lhe a ausência
e amiúde, choram por mim,
o tempo roubou o sentido
e de solidão a vida encheu
levo horas vazias
já a luz se desvanece
voam meus olhos em busca da alegria
mas logo a saudade aparece
e traz com ela a nostalgia.
natalia nuno
Paulo Faria
CORAÇÃO DE GELO
São pedras preciosas
Únicas...reais e verdadeiras
Que um dia em tuas mãos depositei
Não vou deixar que te aproveites deles
Sem te importares com o que eu sinto por dentro
O teu coração é feito de gelo
Quando ele começar a derreter...
Vais olhar para trás
Apercebendo do bem precioso que jogaste fora
Vais vir ao meu encontro...
Poderás falar o que quiseres,
Não irei ser frio...
Apenas vou valorizar o amor próprio
Hoje, evito mais decepções...
Não me entregando para falsos sentimentos.
De mim para ti...
Apenas existirá... compaixão.
In "Palavras Guardadas"
Paulo Faria
Sândalo de Dandi
Irreversível
Abra suas asas e visite nossos sonhos
Pois somos exatamente
Tudo que tememos.
stellarprince
Recordações
aqueles sons da minh'infância
Renascem os sons frenéticos
das novas locomotivas a Diesel.
Oiço ainda a Sirene da Charqueada
Relembrando seus empregados,
Com'os lavradores distantes à léguas
Sua hora d'almoço havia chegado.
Renova se ainda do sinal do cinema
Anunciando a aproximação da sessão.
O som vigoroso dos sinos centenários
Da Matriz anunciando um novo evento.
Ressurgem ainda hoje muitos eflúvios
Como os emanados da ferrovia daqui
Como a d'antes da cidade q'eu vivia
Lá não emanam hoje, mas aqui sim.
Os pássaros que lá gorjeavam afoitos
Hoje ainda frequentam meu quintal
Penso n'aqueles dias de meninice
Na fazenda ao meio da doce natureza.
A tarde da varanda da casa de vovó
Avistava e ouvia a buzina do ônibus
Avisando a toda cidade que's viajantes
Saudosos estavam de volta em casa.
Hoje aqui distante de minha terra natal
Ressurge nas minhas lembranças
Os sons, os olores, as mudanças...
Daquele tempo que'inda paira em mim.
Heinrick
Insônia do Morto
Por favor, imploro, não deixe a noite cair
Papéis, tantos amassados
Pulsos, tantos cortados
Mas a tinta vermelha ainda há de fluir
Quero morrer, não dormir
Talvez seja o fato de não querer acordar
Mas acordo... não queria
Uns imploram para acabar,
outros rezam por mais um dia
Na terra dos mortos,
vejo um sonho
impregnando tudo que componho
Na terra dos sonhos,
vejo a morte
uma caneta e um corte
tão subversivo
mas ainda submerso
Não! Imploro! Não me leve pro próximo excesso
Quem? Quem deu-me outro dia?
Quem me trouxe até o último verso?
kennedy Araújo
Poema da desesperança
Depois de acimentada a última praia,
o horizonte se encolherá
até o ponto de não mais existir.
No lugar do antigo sol,
apenas o fogo de uma estranha estrela morta
aquecerá
os corpos
mutilados de sonhos e sentidos...
Quando a iminência do adeus,
que tomou conta de todas as coisas,
que um dia nos engendraram de imagens e sons,
se converter em vazio e esquecimento,
então, os deuses
deixar-se-ão eternamente ocultos
no ventre da terra
e da escuridão,
apenas mais escuridão brotará...
No dia em que as florestas e mananciais
resumirem-se
a vastos cemitérios
assombrados pelos espectros da nossa ignorância,
então, a vida humana
ter-se-á reduzida,
como num ato trágico de puro engano
à fria consumação de todo mal.
Valter Bitencourt Júnior
Vícios
Em um caminho sem saída
Sua vida iguala um forte rubro
Sem paz!
Faz da vida um jogo
Que flutua e desce
Nas águas cristalinas
E se transforma
Em sofrimento singelo
Se perde nos vícios asquerosos
Quando tudo esta pra ser tarde
Você se isola, se entrega
Sequer vislumbra vontade
Se debate com crise
De abstinência, pertinência
Dias depois tudo parece ser bem.
É solto!
Mas o que vem a sua cabeça
Alimenta-se dos seus vícios
Deixando tristes lágrimas
Descendo pelas cachoeiras?
Valter Bitencourt Júnior
Jorge Pimenta
Se eu sou louco?
(Jorge Pimenta)
Vilma Oliveira
ALIMENTO DA ALMA
Embora ter que chorar
Tantos sonhos em vão...
Não importa o que passou
Isso o tempo levou...
São coisas do coração!
Eu também sou filho teu
Universo! Me esqueceu?
Estou aqui, vou lembrar:
Desde o dia em que nasci
Sinto que me perdi...
Não consigo me encontrar!
Esbarrei em tantos planos
Tropecei em quantos danos
Em demasia eu chorei
Implorei o teu olhar
Gritei pra te acordar...
Mesmo assim, não te achei!
O’ Pai dessa imensidade
Em termos de afinidade
Quisera apenas te imitar
Nem que fosse só de longe
Pudera eu ser um monge
E assim te acompanhar!
Perdoa-me a insensatez
Talvez não chegue minha vez
De conhecer-te: Meu Pai!
Sou um pecador miserável
Desses, um inconsolável,
Uma vez mais, perdoai!
Dá-me tão somente a certeza
Conforto, paz e grandeza,
Sensibilidade e utopia,
Não deixes nunca morrer
Enquanto eu tiver que viver
Meu alimento: A Poesia!
Vilma Oliveira
CURIOSIDADE
Saudade... saudade... saudade...
As visões que me perseguem nas noites
compridas – são sombras que se misturam
a realidade e me produzem calafrios...
As confissões de amor que morrem
na garganta – são como os espinhos
(as rosas que colhemos para serem pisadas).
À noite, fecho as portas – e sento-me
à mesa da sala de jantar: me iludo e sonho.
O pensamento longe – vaga na ociosidade.
Procuro-te em vão por todos os cantos
da casa e não te encontro. Há tantos cantos...
Nosso sonho nunca é o mesmo que vemos
quando abrimos a janela e nos defrontamos
Com um céu cinzento
Com um mar agitado
Com embarcações perdidas...
Em nosso subconsciente nublado de medo.
Ponho a saudade para repousar e vê-la
distante é o que mais quero – persuadi-la.
Que este não é o seu lugar – não comigo.
Tento arrastá-la pra bem além daqui...
Desviar seu curso, seu percurso, seu caminho
errado – como errado é meu viver – aceito.
Atiro-me, retiro-me, fico e parto...
Reparto-me em mil pedaços – reinvento
outra história menos ridícula que me revele
o quanto de cruel existe em se morrer de saudade.
Sem ao menos, poder conhecer a verdadeira razão
que nos levou a enlouquecer de tanta curiosidade...
Ricardo Santos de Souza
Sólidos significados
Uma constante na minha vida,
Estou construindo a minha casa em solo fértil,
Como base, já tenho por dentro o mel,
No jardim que a cerca, reside um nobre pavão, a tonalidade da sua calda ilumina o clima do lugar,
O Sol é atrevido, pois sempre entra sem pedir licença pelas janelas, ele não deixa de ser uma visita agradável,
Da sacada, consigo ver além dos muros uma vasta plantação de girassóis dançando para o servente dos navios, um belo farol.
Lucas de Medeiros Hipolito
À Manuella
Flutua a tábua nas águas cintilantes,
Frente a ponta das falésias… e amar! -
O oceano dos teus olhos brilhantes.
Eu vi n’outro dia, nas manhãs da praia,
Luzindo sutileza nas ondas muito bela,
Uma mulher que na cidade se espraia
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.
E que na noite quando visitei tua casa,
Estava confuso aqui dentro, não sei...
Mas eu quis tanto um beijo teu na sala
Subir as escadas, deitar na cama, talvez...
E amar-te por noites, luzais cadente!
Suspirar os astros! Viver da grã estrela,
E beijar-te até que estejas dormente
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.
Pelas prosas nas bordas da madrugada
Eu vi horizontes, a imensa simplicidade
Com o Nauê - luz crescente - Alvorada
E como tu és natureza, mãe de verdade.
Então dormes tão idílica, meu bem
Pois amanhã nasce uma manhã bela,
E sois outra que em outras não têm
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.
Pois escuta, querida, tu fostes intensa
Que n'aquela manhã... na tarde chuvosa,
Uma mulher entreabriu-se imensa
E senti, dentro d'ela, o quão és formosa.
Vivi, oh céus, paixão!... e quero falar;
'Entreguei-me nos abraços d'aquela!
Mas eu não sinto merecer ou navegar
Em vagantes sorrisos, linda Manuella."
Eu sonhei por noites os beijos teus
Que viver contigo parece uma fantasia,
E que o tempo saltou as regras de Deus
Fora de mim, exuberante nostalgia.
Teus cabelos dão vontades de tocar
Sentir teus lábios, esta boca singela,
Tomar o teu amor, levar-te para o mar
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.
E queria tanto contigo uma noite dormir
Ver a via láctea mais uma vez em teu lar,
Deitar na prancha, entre oceanos sumir
E brindar mais um vinho, depois te beijar.
Viver os sonhos de uma inteira vida contigo
Viajar entre os tempos de uma estrela,
E vim conhecer outro mundo aqui comigo
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.
Só digo: ‘Adeus! Eu preciso embora ir’
Que decidir não é uma boa hora…
Só peço-te perdão, por tão rápido partir
Pois ela me chama, a luz de minha aurora.
Perdão!… por bagunçar aí dentro em ti
Tu fostes meu amor, minh’amada bela,
Tu fostes paixão! Mulher que fundo senti
Em sorrisos vagantes, linda Manuella.
rianribeiro
Pequena peça
Ouço sua sombra bater asas sobre o cume da casa. Suas mãos rasgam o silêncio: o amor é uma fruta.
Deus... És uma árvore, eu digo. Ele grita:escreve. Escrevo:- coração machucado bate asas ao infinito.
Meu amor, Deus é uma árvore... És fruto? Chama minha boca a teu corpo.
- Ele bate asas na cumeeira da casa.
- Acende o candeeiro.
- Vai assusta-lo.
- muito antes disso, sua voz me chamava.
Vilma Oliveira
QUADRAS DE LAMENTO V
Que tu estavas voltando
Como uma bela imagem
Aos meus pés se ajoelhando
E como quem não entende
Essa tua aparição...
Tão deslumbrada eu fiquei
Que te peguei pela mão...
Caminhamos lado a lado
Como se fôssemos irmãos
Alma gêmea do passado
Amantes em tempos vãos...
Entre as flores do jardim
Juras de amor nós trocamos
Vemos fagulhas acesas...
Nos olhos de quem amamos
E nessa troca de olhares
Nos doamos ternamente
Um ao outro confessamos
O nosso amor como um crente
Embaixo da laranjeira
Nós ficamos abraçados
E quantos beijos nós damos
Como se fosse um pecado...
Os versos que tu me deste
Como se fossem violetas
Eu os guardei junto a mim
Tua inspiração de poeta!
Quando eu quis ser só tua
Num arfar eu suspirei...
Como num conto de fadas
Desse meu sonho acordei!
adrianoperalta
Tia Márcia e seu gato inútil
rianribeiro
Essa noite fui feliz
No meu peito a alma dança, sem se lembrar de cicatriz, as vezes fui infeliz, mas agora ela só canta:
Que bom lembrar de ser criança, nesta noite de alegria, não abandonei minha infância nesta vil fantasia.
joaoeuzebio
QUEM É VOCÊ
que deixa perfumes
pela casa;
que incendeia feito
brasa;
e me faz de noite sonhar?
Quem é você
que reflete no espelho,
que deixa marcas de batom
vermelho
em minha face serena,
quando pequenas
gotas de orvalho
caem sobre a flor?
Quem é você
que me enche de beijos
madrugada a dentro,
assim como o vento
que brinca com a cortina,
assim como teu sorriso de
menina
brilha feito a lua pelo
espaço?
Quem é você
que me agasalha
em seu abraço
e me acaricia suavemente
nesta tempestade que traz
a enchente
e me inunda de saudade?
Quem é você
que na manhã que vem clareando,
quando o sol está chegando,
mas só você não chegou?
Quem é você,
mulher deliciosa,
que tem o encanto da rosa,
e conhece todos os segredos
do amor?
Quem é você
que em mim despertou
a realidade
assim que a lua se apagou,
deixando em mim essa louca saudade?
Valter Bitencourt Júnior
Uma rosa
Uma rosa falsa,
Talvez uma rosa,
Feita por uma mão
Delicada!
Miro uma rosa
Sem espinhos,
Uma rosa completamente
Rosa.
Valter Bitencourt Júnior
rianribeiro
O que há embaixo do teu vestido, amor?
O que há embaixo do teu vestido? Mansos rios e pés de laranjeiras; amoreiras e frutos saborosos?
Nilza_Azzi
Correntes
A tua quietude é pausa,
camada aparente, é superfície
armadilha a atrair loucos e parvos
Nas profundezas das águas
revoluciona e não cessa
o movimento das ondas...
A voz calada alheia ao meu encanto
pressente as correntezas subterrâneas
por onde viajam todos os pensamentos
... e o mar se agita
o sal por fim afoga a minha sede
Longe de alcance vagam à deriva
os focos que me levam à voragem
então confesso
estranha e companheira
possuir esse tesouro será sempre
minha quimera
Nilza Azzi
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