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natalia nuno

natalia nuno

o brotar da nostalgia...

cansadas docemente sobre o regaço
gestos multiplicados sempre iguais
mãos hábeis... morrendo de cansaço
cálices de amor q' agora não são mais

perdidos andam  pensamentos à toa
procurando-me cada vez mais no fundo
solidão, carência nada há  que não doa
despojada de sonhos invento meu mundo

perco o olhar, não há sonhos ou desejos
apenas se esgota na distância do que vivi
lábios, já não se entregam aos teus beijos

passam as noites e não vislumbro nos dias
a ternura cega que vinha falar-me de ti!
do quanto, fervorosamente tu me querias.

natalia nuno
rosafogo


132
kauanoliveira__

kauanoliveira__

Tempos sombrios

As luzes se apagarão
Eu que não quero ser o último a sair
Perdido caminhamos sobre a escuridão
São tempos sombrios, não dá pra fugir

Na Cidade de Deus não há mais fé
Não temos mais forças para resistir
O moleque já não têm mais a bola no pé
Coração aqui não dá mais pra sentir

A humanidade se esvairou
E o ódio, doutor, aproveitou
No barco da negação tem até religião
Em nome de deus, eles proliferam ódio, irmão...

Mas o samba aqui ainda não acabou
Em terra de gente bamba
Que sabe dar a volta por cima
Eu acho que ainda conseguirei cantar
O quanto a vida é bonita



Kawã Oliveira
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JOAO VITOR LIMA ROCHA

JOAO VITOR LIMA ROCHA

Desconhecido


 Eu não sei o que será de mim
 Se eu acordar quero estar sozinho
 Este trem deixou de andar em trilhos
 Para um ferido a solidão é o melhor caminho

 Se fiz algo de errado
 Senhor me julge por favor
 Tenho pena da morte
  Ela nem sempre é dor
  Nós enxergamos com medo o desconhecido
  Somos hipócritas querendo o paraíso 

 Ninguém é capaz de pensar no que há do outro lado
 Continuamos a viver como se não houvesse legado
 E o que for para ser será
 Não faz diferença para o mundo
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JOAO VITOR LIMA ROCHA

JOAO VITOR LIMA ROCHA

Tal pai, não filho


 Ninguém compreende
 Nasci em uma geração de loucos
 Não há cara a cara
 Não há olho no olho
 E os pais não entendem onde estão
 Os filhos
 Com seus celulares, em mundos longinquo

 Não se preocupe com isso 
 Não se preocupe com isso
 É a magia do tempo
 Tal pai, não filho

 Os aviões estão voando
 As paisagens em chamas
 As novas lendas surgindo
 Moldarão o amanhã
  
  As bandas que antes tocavam
  Estão na última fileira do bar
  Ninguém compra mais discos
  A sociedade desaprendeu a falar 

  Não se preocupe com isso
  Não se preocupe com isso
  Os bebês começaram a andar
  Tal pai, não filho
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ArmandoNascimento

ArmandoNascimento

Armando Nascimento

De que vale eu te oferecer os meu desejo insaciável se não me pertence, pra que espalhar no ar meus desejos por ti, desejos que guardo entre meus olhos, se minha a minha vontade não pode lhe alcançar, nem a sua mão tenho a condição de pegar, ja o meu desejos se miatura com o meu prazer que se espalha longe do você, de que vale eu lhe desejar apenas no meu olhar, se seus olhos estão distantes e em outro lugar, fico Impossibilitado de te observar mesmo a distância, de que adianta eu lhs desejar a ti me entregar, se o próprio tempo está contra mim, apenas ficou aqui me queimando de tanto prazer mesmo sem ter você, escrito por Armando Nascimento
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Iago R Carvalho

Iago R Carvalho

Valha-te o inferno!

Dir-me-ia na mais pura verdade
Que a situação se esvaíra,
Que na verdade era mentira
A situação do gordo frade.

“Valha-te o inferno!”, Dir-lhe-ia 
                                             [toda a cidade.
Sinto que ao mal o frade se unira,
Mas a situação que outrora sentira
Levara-nos a aceitar tal podestade

“Valha-te o inferno!”, dir-te-ei em um sismo
“Não te jogas ao buraco porque te persegue
                                                         [ o imaginário.
Te jogas porque te anima o ideário
Que o espera ao fundo do abismo!”.

Em meio às pedras agora chora.
A escuridão que o encobre hodierno,
Rota e pérfida, não mais o namora.

Mesmo que me encontre igualmente, agora,
Dir-te-ei irritado e sem demora:
“Valha-te o inferno!”
268
olharomar

olharomar

NÃO HÁ MARÉS EM ESPERA

NÃO HÁ MARÉS EM ESPERA

não há amor nem marés em espera
nesse olhar que me atravessa

há só um desejo imenso
que ficou no limbo duma porta entreaberta
perdeu-se no toque do silêncio
enrolou-se no vento
e gritou

não há amor que não traga
um breve e suave desejo
estampado no olhar
dum sonho que não acabou
166
Alexandre Rama

Alexandre Rama

Viver Novamente (Da Série Histórias ao Vento)

Eu teria falado menos e ouvido mais.
Eu teria convidado meus amigos para o jantar mesmo que o carpete estivesse sujo e o sofá desbotado.
Eu teria tirado um tempo para ouvir meus avós contarem sobre suas juventudes.
Eu jamais insistiria para que as janelas do carro ficassem levantadas no imenso calor do verão, por causa do cabelo, que havia acabado de arrumar.
Eu teria acendido a vela cor de rosa, em forma de rosa, antes dela se desmanchar.
Eu teria me sentado no chão com meus filhos, sem me preocupar em me sujar.
Eu teria chorado menos assistindo televisão e chorado mais vivendo a minha própria vida.
Eu teria ido para cama quando estivesse doente, para ter tempo de receber carinho de amigos e familiares ao invés de agir como se o mundo fosse acabar, caso eu não saísse aquele dia.
Eu aproveitaria casa momento, pensando como dentro de mim e na minha visa Deus realizava milagres.
Quando os meus filhos me beijassem compulsivamente, eu jamais diria, “mais tarde, agora vamos lavar as mãos para jantar”. Haveria mais “te amo...” mais “me desculpe”.
... Mas principalmente, tendo uma segunda chance de vida, eu iria juntar cada minuto...
Olhar e realmente vivê-los... e nunca desperdiça-los!  (Autor Desconhecido)
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silvano75

silvano75

Cordel da Ópera.

Cordel da Ópera.

A lua, bela e cheia, cintilava na nau quebrada,
A areia branca da praia, mancebo desmaio mostrava,
Recobrando-se o jovem vê, a donzela que a seu lado estava,
Velando por ele como anjo, a bela sílfide chorava.

Tomando-a em seus braços teve, certeza que a amava
Não sabia o incauto náufrago, que a jovem era pérfida maga.
O encanto se fez no covil e logo a maga sorriu
O enamorado marujo senil, caíra em seu ardil.

Na ilha de Morgana chega, sua noiva que o procurava,
Disfarçada de efebo viril, também esta, foi procurada,
Pela bela maga Alcina, que a todos enfeitiçava
Com Évora canção antiga, em pedra os transformava.

A bela noiva descobre, a urna que o feitiço guarda,
Quebrando o bojo em pedaços, o poder da maga se escapa,
Perdendo a força da terra, desespero toma a grande dama,
Que vê seus consortes de pedra, fugirem de sua trama.

O enamorado jovem também, do encanto se desenlaça,
Encontrando sua noiva convém, que logo da ilha partam,
A maga agora chora, a perda de seu consorte Airão
Agora virando a sorte, é da maga que temos compaixão.


torname a vagheggiar.
 

autor: daniel silvano
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donna47

donna47

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio



Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.

              (Enlacemos as mãos).

 

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,

                Mais longe que os deuses.

 

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente

                E sem desassossegos grandes.

 

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,

                E sempre iria ter ao mar.

 

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e caricias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro

                Ouvindo correr o rio e vendo-o.

 

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,

                Pagãos inocentes da decadência.

 

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos

                Nem fomos mais do que crianças.

 

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,

                Pagã triste e com flores no regaço.

12-6-1914
Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). 

 
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kauanoliveira__

kauanoliveira__

Amar é sofrer

Desde que aprendi a amar
A vida me pareceu mais difícil
Tirou de mim a ingenuidade
E me afogou num mar escuro

Passei a tentar entender o coração
Mas me perdi em caminhos inseguros
Não sei mais o que é viver em paz
Não sei mais o que é ser livre

Na escola do amor
Fui ensinado a amar
Por gente que nunca amou

Kawã Oliveira
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Paulo Faria

Paulo Faria

FIZ-TE MINHA

Num pequeno toque teu...
Despi teus sonhos mais intimos
Desvendando todo o prazer
Meu corpo irriquieto...estremeceu.
Desnudei as nossas almas
Embrenhando-me em teus afagos
Suavemente...
Matei a sede de teus beijos
Alimentando-me dos poros do teu corpo
Sentindo a brisa do teu respirar,
Que nos meus ouvidos,
Em grande alvorço,
Sustentavam únicas emoções.
Fiz-te minha...
Em um passado só meu

In "Palavras Cruzadas"
Paulo Faria


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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

amor próprio


Um dia iniciei por livrar-me,
de tudo que não era saudável,
pessoas, maus caminhos e vícios,
tudo e qualquer coisa,
que me punha ainda mais para baixo,
de início até pensei,
que seria uma atitude de egoísmo,
mas hoje sei que se chama!!!
amor próprio...
299
Luiz Rossini

Luiz Rossini

Memórias

Mesmo que tu não esteja mais comigo
Ainda consigo sentir o que mais admiro
Seu suave toque em meu rosto
Enquanto admiramos a beleza de um do outro

E por mais que eu tente,
Não há como esquecer
É como dias de luz, cercados por cordeiros
E outros escuros, parecidos com pesadelos

Um duplo sentimento;
É como pegar e acariciar a bela rosa
E se espetar com suas lâminas furiosas

A dor e o amor caminham juntos
E jamais irão se separar
Talvez seja isso que não há como esquecer
O amor e o sangue no ar

L.R.
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rodri_200

rodri_200

Desencanto

Cavalguei muitas auroras para chegar até aqui.
Mas o que vejo são águias atrozes, supersônicas,
sobrevoando o Atlântico Sul e os mares do Leste.
Bromélias ogivais colhidas no asfalto, sem pudor;
hortas de magnésio plantadas no algodoal,
                                       sobre as ruínas.

 Túmulos foram erguidos nas montanhas, ao longe,
para ajuntar as colheitas mortas.
Haverá colheitas futuras?
Galguei as noites do passado para dormir agora,
deitar-me na pedra
e contemplar, com tristeza,
os incêndios,
os cactos fendidos,
os séquitos blindados,
a Vênus eclipsada,
demônios nus a irradiar no céu,
                         como estrelas.


(Poema extraído do ebook Prece à Minerva, disponível nas lojas virtuais da Amazon, Cultura, Ubook, entre outras)

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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

amamo-nos pois


Hoje é um dia reservado ao Amor,
a fragrância das flores confunde-se com a maresia
amamo-nos pois, com todo o nosso ardor,
que felizes seremos, sim hoje é esse Dia...
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rianribeiro

rianribeiro

Pequena peça

Hoje não escreverei nenhum poema de amor, eu disse a Deus. O que ele respondeu? Nada. Está quieto há meses.
Ouço sua sombra bater asas sobre o cume da casa. Suas mãos rasgam o silêncio: o amor é uma fruta.

Deus... És uma árvore, eu digo. Ele grita:escreve. Escrevo:- coração machucado bate asas ao infinito.

Meu amor, Deus é uma árvore... És fruto? Chama minha boca a teu corpo.

- Ele bate asas na cumeeira da casa.
- Acende o candeeiro.
- Vai assusta-lo.
- muito antes disso, sua voz me chamava.
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Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior

Vícios

Entra de cabeça e pés
Em um caminho sem saída
Sua vida iguala um forte rubro
Sem paz!
Faz da vida um jogo
Que flutua e desce
Nas águas cristalinas
E se transforma
Em sofrimento singelo
Se perde nos vícios asquerosos
Quando tudo esta pra ser tarde
Você se isola, se entrega
Sequer vislumbra vontade
Se debate com crise
De abstinência, pertinência
Dias depois tudo parece ser bem.
É solto!
Mas o que vem a sua cabeça
Alimenta-se dos seus vícios
Deixando tristes lágrimas
Descendo pelas cachoeiras?

Valter Bitencourt Júnior
563
Jorge Pimenta

Jorge Pimenta

Simplesmente, o amor enfim...

O amor é assim mesmo...
Difícil de compreender.

É um mero sentimento
Que você sente
Por alguém...
E esse alguém
Sente por outro alguém...
E esse outro alguém,
Infelizmente,
Não é você.

O amor é assim mesmo...
Simplesmente, o amor enfim...

(Jorge Pimenta)
 
483
Jorge Pimenta

Jorge Pimenta

Se eu sou louco?

Se eu sou louco?
Não, eu não sou...
Eu não sou louco.
Sou apenas um louco
Entre os loucos.
O louco dos loucos
Neste mundo de doido...
Um mundo maluco.
Um mundo doido,
Coisa de louco.
Um louco
Que se alimenta
Da expressão da loucura.
Afinal de contas...
O que é mesmo
Essa tal loucura?
Talvez a loucura seja
Acreditar
Que eu sou louco,
Sendo
Que eu não sou louco...
E sim,
Sou apenas um simples louco
Maluco neste mundo de doido.
Porque
Todo doido
Que diz que é doido
Não é doido...
Já que todo doido que é doido
Não diz que é doido.
E ser doido
Não é apenas ser doido.
Ser doido é saber ser doido
Entre
Os loucos que não são doidos.
Ser doido é ser louco
E ser louco é ser doido...
E nada mais além
Do que ser louco e doido
E doido e louco apenas...
Porque
Eu não sou louco ou doido...
Ou não sei se sou doido ou louco,
Enfim.

(Jorge Pimenta)
110
adrianoperalta

adrianoperalta

A toga e a balança avariada

“A  toga é o último bastião  que sustenta a democracia.  Quando o povo perde a crença no judiciário, a lei se submete ao latifundiário e ao monetário;  a justiça vira um conto do vigário. O executivo abandona sua liturgia e o  legislativo cede à demagogia, cabe à  magistratura corrigir qualquer desventura. O juiz com a balança avariada transforma a judicatura em piada.  “
108
Ricardo Santos de Souza

Ricardo Santos de Souza

Sólidos significados


Uma constante na minha vida,
Estou construindo a minha casa em solo fértil,
Como base, já tenho por dentro o mel,
No jardim que a cerca, reside um nobre pavão, a tonalidade da sua calda ilumina o clima do lugar,
O Sol é atrevido, pois sempre entra sem pedir licença pelas janelas, ele não deixa de ser uma visita agradável,
Da sacada, consigo ver além dos muros uma vasta plantação de girassóis dançando para o servente dos navios, um belo farol.
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Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior

Rosa

Nascem botões
Brotam
Fascinam,
Encantam
Reconciliáveis
Quando tudo
Está ao avesso.

Valter Bitencourt Júnior
527
Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior

Uma rosa

Miro em minha frente
Uma rosa falsa,
Talvez uma rosa,
Feita por uma mão
Delicada!
Miro uma rosa
Sem espinhos,
Uma rosa completamente
Rosa.

Valter Bitencourt Júnior
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