Escritas

A Inveja das Aves

ivchristianmarrs
Quem dá verdade?
Se a quiser, quem ma vende?
É uma ave vespertina,
Que num só bater de asas faz do Mundo um sítio só.
Só e duvidoso,
Da janela que é portal sedutor e virtuoso
Para um lugar onde tudo sem nós
Acontece.
Pois nas flores nada se vê
Nem preocupação nem movimento
Nada de dor ou tormento.
E as pedras não nos lamentam
Perpetuam-se na ausência
Acusam falta de cadência.
E o mar não sofre
Por não nos ver descansar o cansaço
Por saber que a caverna nos tem no seu regaço
E as sombras são como pão duro
Que outrora atirámos ao lago
Dos que dançam à volta
Da fogueira do embargo.
Todo o vento sopra
Tudo permanece
Quando para todos anoitece
Mas nem por isso amanhece
Pois Aquele-que-sempre-é-e-domina
Homem-deus refém, em surdina
São meses longo dia sem rotina.
Homem-deus retém, em retina cobiça e devora
Inveja esse pássaro que frivolamente ignora
Que para nós há todo um Mundo…
Lá fora.

Março 2020
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