Lista de Poemas
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Daniel Castro
Cálculos Gaia
Vida
espelho e cachoeira
onde se contempla e
banha, Oxum
corre para o mar amar
as gentes, e terra,
que entranha adentro
somos mesmos um.
Estranha o pensamento e
vaga campinas
deste nosso sertão e mundo
amolando o fio que
o vento corta
quanto mais estou
de vocês
perto.
São
desertos que areia beija
esconde e enterra
segredos de peito
aberto, que se revelam
verso ao reverso
nesse ensejo e fevereiro de todo
domingo, estação
que bruxa sabá impõe
e reza
quaresma
rito pagão.
Destino da terra, que
quarentena sabiá canta
Cantão
não saberemos
quão longínquo, de antemão.
espelho e cachoeira
onde se contempla e
banha, Oxum
corre para o mar amar
as gentes, e terra,
que entranha adentro
somos mesmos um.
Estranha o pensamento e
vaga campinas
deste nosso sertão e mundo
amolando o fio que
o vento corta
quanto mais estou
de vocês
perto.
São
desertos que areia beija
esconde e enterra
segredos de peito
aberto, que se revelam
verso ao reverso
nesse ensejo e fevereiro de todo
domingo, estação
que bruxa sabá impõe
e reza
quaresma
rito pagão.
Destino da terra, que
quarentena sabiá canta
Cantão
não saberemos
quão longínquo, de antemão.
256
Iêda Maria Castro
DESPEDIDA
Pelo tempo percorrido
Largo consciente
Daquilo que existiu
e não existe mais
Sobramos pouco
Pequenos outros
Aquilo que não reconhecemos mais
Eu sinto muito
Mas quero mais
Muito mais
Foi bom te ter
Mas lembranças também fazem presentes
E não apagam da memória
Aquilo que já se viveu um dia
Trazendo a tona
O que somos capazes de fazer
Ou sentir
Eu sinto muito
Eu quero mais
Muito mais
Largo consciente
Daquilo que existiu
e não existe mais
Sobramos pouco
Pequenos outros
Aquilo que não reconhecemos mais
Eu sinto muito
Mas quero mais
Muito mais
Foi bom te ter
Mas lembranças também fazem presentes
E não apagam da memória
Aquilo que já se viveu um dia
Trazendo a tona
O que somos capazes de fazer
Ou sentir
Eu sinto muito
Eu quero mais
Muito mais
333
eliane_ramos
e existe algo que seja real?
Dinheiro
Tudo gira em torno do dinheiro.
Se não temos, deixamos de viver
E quando temos
Ganância
E ambição
Nos deixam cegos.
Em um mundo fictício
Onde tudo depende das cédulas de 50, 100
O que é real?
E existe algo que seja real?
Real.
A realidade
O que significa?
Tudo gira em torno do dinheiro.
Se não temos, deixamos de viver
E quando temos
Ganância
E ambição
Nos deixam cegos.
Em um mundo fictício
Onde tudo depende das cédulas de 50, 100
O que é real?
E existe algo que seja real?
Real.
A realidade
O que significa?
524
helbertalves
Aonde encontrar???
Pai daí de cima há me ouvir
Vendo o mundo de hoje a passar
De joelhos ao chão
Não sei aonde vamos parar
No mundo de hoje
Aonde não posso mais ousar
Sentimentos que são essenciais
São mais raros de encontrar
O amor que Deus nos ensinou
Fica cada vez mais só no falar
Olhando para o céu
Não sei no que vai restar
A inveja que nos atormenta
Cada vez mais temos que orar
Pessoas até às vezes próximas
Não nos que ver superar
Na corrida da vida
O tempo e essêncial
Somos seres de bem
Correndo contra a obra do mal
O sentimento união
Já parece ser sem valor
Conhecendo ao nosso lado
Não saberemos opositor
Em meu quarto deitado
Faço uma simples oração
Deus nos ajude e não deixe acabar
Com os sentimentos da criação.
Vendo o mundo de hoje a passar
De joelhos ao chão
Não sei aonde vamos parar
No mundo de hoje
Aonde não posso mais ousar
Sentimentos que são essenciais
São mais raros de encontrar
O amor que Deus nos ensinou
Fica cada vez mais só no falar
Olhando para o céu
Não sei no que vai restar
A inveja que nos atormenta
Cada vez mais temos que orar
Pessoas até às vezes próximas
Não nos que ver superar
Na corrida da vida
O tempo e essêncial
Somos seres de bem
Correndo contra a obra do mal
O sentimento união
Já parece ser sem valor
Conhecendo ao nosso lado
Não saberemos opositor
Em meu quarto deitado
Faço uma simples oração
Deus nos ajude e não deixe acabar
Com os sentimentos da criação.
246
Daniel Castro
Suspensas considerações
Uma coisa é certa
quanto ao não me haver dado
de antemão ou solução
vida feita cadeado.
Predicado,
descoberta rota
não mais que interpretação,
- de viver
não aprendo é nada.
Janeiro é todo mês
surpresa e prova
de nota nunca igual.
E a namorar Severina
que me deixei à estação
onde trem passa, também
prosa
rima qual converso,
ateu
flores muitas de açucena
Rosas, que recolhi
ao léu.
Sigo adiante brejo
adentro, beijo príncipes
sem cetro e coroa
recupero fôlego
limão
que me adoça a boca.
Tenho frágil a nuca
ao abraço desta vida inteira
e nua
que pelos meus
arrepia, ais ruas afora ecoa.
quanto ao não me haver dado
de antemão ou solução
vida feita cadeado.
Predicado,
descoberta rota
não mais que interpretação,
- de viver
não aprendo é nada.
Janeiro é todo mês
surpresa e prova
de nota nunca igual.
E a namorar Severina
que me deixei à estação
onde trem passa, também
prosa
rima qual converso,
ateu
flores muitas de açucena
Rosas, que recolhi
ao léu.
Sigo adiante brejo
adentro, beijo príncipes
sem cetro e coroa
recupero fôlego
limão
que me adoça a boca.
Tenho frágil a nuca
ao abraço desta vida inteira
e nua
que pelos meus
arrepia, ais ruas afora ecoa.
263
Daniel Castro
Diamantes, palavras e cascalhos
Que dia será, poeta
pergunta à beira do riacho,
lavadeira de tacho na cabaça,
muitas as roupas,
e pouco o sabão nas mãos.
Pergunta que me desata
às palavras desditas, o incerto nó
empregado, quando imprevista é a hora
e certeira a dúvida do vocábulo só.
Eu, que das palavras desejo ser
lavrador, temo a dó
e arada terra semear com deserta
flor - sob gorjeio de rouxinóis
- e que é saudade,
uma caduca, já murcha flor em botão.
Palavras requisitam quarar,
decifrar-lhe sentidos ocultos
de corações vagabundos
que o mundo guarda para si.
São pequenas palavras apenas,
entre as quais se esconde
mudo e grande sentimento
que a felicidade se pôs a extorquir.
Essa arte e pormenor, pensamentos
dispersos e cisma com os quais
canções se criam, bordadeiras
tecem confissões
compõe-se de instantes fúlgidos,
os quais, de manhã, vidraça de janela
embaçam
quando tudo é ainda sonho
fantasia idem
com outrora rua do Ouvidor,
que é a mesma e não mais existe.
De hiatos é feita a empreitada
cujo destino de mim se esqueceu,
qual pena indistinta imposta aos lábios
por beijos que não serão meus.
Segue trabalhadeira a sua rotina
e traz as águas dos rios ao ofício cotidiano.
E a resposta para sua pergunta calou-me, sabe;
e não se sabe por onde ou quantos anos.
pergunta à beira do riacho,
lavadeira de tacho na cabaça,
muitas as roupas,
e pouco o sabão nas mãos.
Pergunta que me desata
às palavras desditas, o incerto nó
empregado, quando imprevista é a hora
e certeira a dúvida do vocábulo só.
Eu, que das palavras desejo ser
lavrador, temo a dó
e arada terra semear com deserta
flor - sob gorjeio de rouxinóis
- e que é saudade,
uma caduca, já murcha flor em botão.
Palavras requisitam quarar,
decifrar-lhe sentidos ocultos
de corações vagabundos
que o mundo guarda para si.
São pequenas palavras apenas,
entre as quais se esconde
mudo e grande sentimento
que a felicidade se pôs a extorquir.
Essa arte e pormenor, pensamentos
dispersos e cisma com os quais
canções se criam, bordadeiras
tecem confissões
compõe-se de instantes fúlgidos,
os quais, de manhã, vidraça de janela
embaçam
quando tudo é ainda sonho
fantasia idem
com outrora rua do Ouvidor,
que é a mesma e não mais existe.
De hiatos é feita a empreitada
cujo destino de mim se esqueceu,
qual pena indistinta imposta aos lábios
por beijos que não serão meus.
Segue trabalhadeira a sua rotina
e traz as águas dos rios ao ofício cotidiano.
E a resposta para sua pergunta calou-me, sabe;
e não se sabe por onde ou quantos anos.
266
CORASSIS
Mulher santa a musa

Com calma a felicidade
Vive o coração, acesa a chama
Dentro da vida há ansiedade
Do humano mortal que ainda ama
Musa, a mais bela do jardim, és flor
Fez morada no coração, alojou
Lábios que tem o meigo e divino sabor
Em batalhas,meu amor por ti guerreou
Mulher tomada de beleza
Santidade e muito amor
E você que o corpo almeja
Santa que amo tanto, tens valor!
Se tratares este amor com espinhos
Sem piedade morrerá o amor
221
A poesia de JRUnder
Mea culpa.
E por amar, me declaro,
Culpado! Senhores do júri...
Não sei se por força ou fraqueza,
Esse ato, cometi...
Disso, tenham certeza.
Embora não houvesse o dolo,
A culpa toda me cabe.
Não entra no mundo do amor,
Aquele que do amor sabe.
Deixe-me levar, eu confesso,
Pelo brilho de um olhar.
Deixei-me seduzir,
Por um jeito de falar.
Fui então me envolvendo,
E não tive nenhum cuidado.
Quando pude perceber,
Já estava enamorado.
Criei mil fantasias,
E um mundo de ilusão.
Não vi, o quanto sofria,
O meu pobre coração.
Se hoje ele me culpa,
O faz, com toda a razão.
Castiguei-o sem piedade,
Com o açoite da paixão.
Curvo-me agora à justiça,
Sequer peço piedade.
Pagarei pelo meu erro,
No cárcere de uma saudade.
434
Tsunamidesaudade63
Vida és um mar de rosas
Vida és um mar de rosas,
que perfumas a minha solidão,
és feita de palavras amorosas,
que vivem dentro do meu coração.
São os amigos que enchem a nossa vida,
de carinho, e de amor,
da amizade mais sentida,
até nos momentos mais tristes de dor...
32
Daniel Castro
Lesa religiosa e moral, que se chama?
Um camarada, cujo espanto carece de
juízo e entendimento
chama obra de pomba gira
os versos dispostos em assentamento
Pois lhe apresento:
Dona pomba gira letrada!
Recebe na encruzilhada
Neruda oferenda
Rosas e Guimarães, Noel.
Não fuma cigarro
ou bebe champanhe
porque faz do turíbulo, cigarro
Notre-Dame, catedral;
e do mar de flutuante espuma
mata a sede ancestral.
Vem por sal grosso (assunto)
à porta de casa, é pedido
que a Iemanjá em mim, defunto
sob o mar suas lágrimas (jazigo)
- boiadeiro o sal, o churrasco
têmpera ao som de Antero e Fundo de Quintal.
Frango com farofa
seja bom ou não (despacho)
é souvenir; de eixo poema
e tira-teima.
Desgosto que seja próxima
rodada a sua, da próxima... em diante.
Suas as cadeiras, cansadas
rezam mendicantes
a ranger mais que
as portas do inferno, às caveiras
Dante.
Não lhe direi, ôh pobre...
chega nunca sua vez,
não é verdade?
Ambos louvaremos um depois
seja qual for, sorte ou sortilégio
armagedom de núpcias
com o cemitério.
E à madrugada, notívago
orvalho de sua gente me espanta
quando mundo, mundo gira
evoé e prece que
língua enrola na garganta,
dança a pomba gira, e canta.
Creio em Deus Pai!
Toma e lê, compadre - a dica
é antiga, e voz que Augustinho,
quando veio a conversão, ouviu.
Bom proveito,
tens de bandeja o prato feito!
Pomba gira letrada faz
companhia à refeição.
Seu ponto de força finca
à biblioteca,
embora seja analfabeta,
e à estrada muitas se encontram.
Estejam suas portas cerradas,
não cisme:
há download em PDF
siga firme.
Se há religião?
Se ateu ou Prometeu qualquer
no quando fogo?
Toma e lê com que
o espírito aquecer, quiçá
alumiar quebranto.
juízo e entendimento
chama obra de pomba gira
os versos dispostos em assentamento
Pois lhe apresento:
Dona pomba gira letrada!
Recebe na encruzilhada
Neruda oferenda
Rosas e Guimarães, Noel.
Não fuma cigarro
ou bebe champanhe
porque faz do turíbulo, cigarro
Notre-Dame, catedral;
e do mar de flutuante espuma
mata a sede ancestral.
Vem por sal grosso (assunto)
à porta de casa, é pedido
que a Iemanjá em mim, defunto
sob o mar suas lágrimas (jazigo)
- boiadeiro o sal, o churrasco
têmpera ao som de Antero e Fundo de Quintal.
Frango com farofa
seja bom ou não (despacho)
é souvenir; de eixo poema
e tira-teima.
Desgosto que seja próxima
rodada a sua, da próxima... em diante.
Suas as cadeiras, cansadas
rezam mendicantes
a ranger mais que
as portas do inferno, às caveiras
Dante.
Não lhe direi, ôh pobre...
chega nunca sua vez,
não é verdade?
Ambos louvaremos um depois
seja qual for, sorte ou sortilégio
armagedom de núpcias
com o cemitério.
E à madrugada, notívago
orvalho de sua gente me espanta
quando mundo, mundo gira
evoé e prece que
língua enrola na garganta,
dança a pomba gira, e canta.
Creio em Deus Pai!
Toma e lê, compadre - a dica
é antiga, e voz que Augustinho,
quando veio a conversão, ouviu.
Bom proveito,
tens de bandeja o prato feito!
Pomba gira letrada faz
companhia à refeição.
Seu ponto de força finca
à biblioteca,
embora seja analfabeta,
e à estrada muitas se encontram.
Estejam suas portas cerradas,
não cisme:
há download em PDF
siga firme.
Se há religião?
Se ateu ou Prometeu qualquer
no quando fogo?
Toma e lê com que
o espírito aquecer, quiçá
alumiar quebranto.
257
Daniel Castro
Apontamentos
257
Gabriel Andrade
Do Leminskaralho
Paulo fazia poesia
Fazia poemas e folia
Fazia poesia
Fazia poemas que inspiraria
Pequeno Paulo fazia poesia
Fez tanta poesia
Que um dia jazia
De tanta poesia
Faltava papel
Fazia tanta poesia
que um dia
escreveu no céu
456
Carol Ortiz
MAQUIAGEM
Quero tirar a maquiagem
da bagagem
e arrancar a máscara
tão ácida
Quero rever meu sorriso
nesse grito
sem pressentir a agonia
dessa sinfonia
chamada vida
partida,
bipolar
Não tenho medo,
nem tenho lar
sou uma pena
leve
que se atreve
a flutuar
e mergulhar
nesse precipício
um início
desolador
ecos e cacos
mundo deserto
perdas e lutos
recomeçar
da bagagem
e arrancar a máscara
tão ácida
Quero rever meu sorriso
nesse grito
sem pressentir a agonia
dessa sinfonia
chamada vida
partida,
bipolar
Não tenho medo,
nem tenho lar
sou uma pena
leve
que se atreve
a flutuar
e mergulhar
nesse precipício
um início
desolador
ecos e cacos
mundo deserto
perdas e lutos
recomeçar
559
A poesia de JRUnder
Evolução
E as palavras desciam pelas íngremes ladeiras da literatura, como fossem águas advindas de um temporal. Eram verdadeiras torrentes violentas, desprendidas...
Arrastavam impetuosamente qualquer resquício de cultura que encontrassem pela frente!
Eram milhares que se misturavam sem significado algum, mas traziam em si o poder das multidões. O ruído que provocavam era avassalador!
Ah! O poder das palavras... Nunca o subestime...
Mesmo as palavras mais desconexas podem eliminar as razões mais sólidas.
Das bocas que falam; dos sons que emitem; dos bancos que ocupam; dos espaços que tomam.
E os corações se fecharam, por não conseguirem digeri-las.
E as paixões se aquietaram, sem compreendê-las...
E os amores se banalizaram pela superficialidade de seus conteúdos.
Das nascentes contaminadas formam-se rios poluídos pela ignorância secular.
O pensamento não para, o entendimento não chega, os valores se acovardam.
Quando não existe a sabedoria, julga-se pela ausência. E nasce a sentença:
- Que se açoitem os desiguais!
482
Aristides Jheronimus
ESTRO-EMOÇÕES NÃO ENSINADAS
Perene, Cruel e Triste Chuva
Vejo-me novamente nessa amargura, dor
O tempo me pediu para melhorar
Mas não posso, não posso andar novamente com seus passos
Forma-se esse lago de desespero em mim
Você me doou ao desespero, eu te quis
Você me tratou do jeito mais infeliz
Eu imaginei, eu desejei um desfecho diferente
Mas você tem um maldito iceberg nesse peito que já me foi leito e hoje, desfeito, detesto
"Eu apresentei-te o mar beijando o sol, te presenteei, te quis, te desenhei, você não se expressou do mesmo jeito"
Vou apagar-te do meu coração junto com os desenhos que eu tenho de ti
Hoje tenho memórias tuas espalhadas no tempo
Quem dera nunca as tivesse!
Você me fez desamar, você apagou o que de belo tive
Você tornou o respirar um calvário diário, você me marcou profundamente
É incrível como hoje já não vejo o horizonte
A minha visão de amor e arte você corrompeu
Você era a mais bela obra, você me marcou tanto
Você ancorou esse desespero em mim
Você secou o meu mar
Você...era o meu reflexo, tudo que eu tinha para sobreviver, minha alma, meu sorriso pela manhã.
Eu nunca desejei isto, quero murchos estes olhos
Nunca tive a chance de me defender
Eu me entreguei por inteiro
Você me deu a provar o fel
Você me magoou tanto
Você cravou em mim essa angustia
Essa lágrima cruel
Esses meus sorrisos escondem a revolta que sinto
O desejo de também te querer aos pedaços, te odiar como agora escrevo e no âmago faço...
Você nublou a minha vida, você me fez desamar!
Maldição!
Você me magoou, você me tornou nisso
Nesse ser triste e melancólico
Nunca tinha sentido sequer o peso de um adeus
Você quebrou a minha inocência
E eu tinha que protegê-la
E as saudades que me magoam me fazer chorar
Você não morreria por mim
Você me doou covardemente a este destino cruel
Jheronimus
Vejo-me novamente nessa amargura, dor
O tempo me pediu para melhorar
Mas não posso, não posso andar novamente com seus passos
Forma-se esse lago de desespero em mim
Você me doou ao desespero, eu te quis
Você me tratou do jeito mais infeliz
Eu imaginei, eu desejei um desfecho diferente
Mas você tem um maldito iceberg nesse peito que já me foi leito e hoje, desfeito, detesto
"Eu apresentei-te o mar beijando o sol, te presenteei, te quis, te desenhei, você não se expressou do mesmo jeito"
Vou apagar-te do meu coração junto com os desenhos que eu tenho de ti
Hoje tenho memórias tuas espalhadas no tempo
Quem dera nunca as tivesse!
Você me fez desamar, você apagou o que de belo tive
Você tornou o respirar um calvário diário, você me marcou profundamente
É incrível como hoje já não vejo o horizonte
A minha visão de amor e arte você corrompeu
Você era a mais bela obra, você me marcou tanto
Você ancorou esse desespero em mim
Você secou o meu mar
Você...era o meu reflexo, tudo que eu tinha para sobreviver, minha alma, meu sorriso pela manhã.
Eu nunca desejei isto, quero murchos estes olhos
Nunca tive a chance de me defender
Eu me entreguei por inteiro
Você me deu a provar o fel
Você me magoou tanto
Você cravou em mim essa angustia
Essa lágrima cruel
Esses meus sorrisos escondem a revolta que sinto
O desejo de também te querer aos pedaços, te odiar como agora escrevo e no âmago faço...
Você nublou a minha vida, você me fez desamar!
Maldição!
Você me magoou, você me tornou nisso
Nesse ser triste e melancólico
Nunca tinha sentido sequer o peso de um adeus
Você quebrou a minha inocência
E eu tinha que protegê-la
E as saudades que me magoam me fazer chorar
Você não morreria por mim
Você me doou covardemente a este destino cruel
Jheronimus
128
Guilherme Zrenner
Trova de amor e dor à um jovem rapaz
Em teu corpo que nunca tocaste
me guardo
em um soluço
da minha fala de amor
Me apele te dizer sobre teus olhos
estes que sobre mim causam
de um todo
desejo
Além do carnal
do obsceno que vivo
no celestial encontro teu corpo
selado pelo meu desejo
Se te tereis no tempo que vens
não me importa
tu és minha raiz de desejo
meu sopro de vida
de divindade te transformo
para a profanidade do meu ser
não te encontrar
como posso te ter menino-luz?
se sou de um todo escuridão?
dela
faço vida e morte
me guardo
em um soluço
da minha fala de amor
Me apele te dizer sobre teus olhos
estes que sobre mim causam
de um todo
desejo
Além do carnal
do obsceno que vivo
no celestial encontro teu corpo
selado pelo meu desejo
Se te tereis no tempo que vens
não me importa
tu és minha raiz de desejo
meu sopro de vida
de divindade te transformo
para a profanidade do meu ser
não te encontrar
como posso te ter menino-luz?
se sou de um todo escuridão?
dela
faço vida e morte
194
MiCeu Freitas
o devir
Tempo estranho este
que põe a nu o lado obscuro da vida
Pendurados por um fio de teia de aranha
Onde a única coisa que sabes ao certo
É que nasceste
Passem os anos depressa
não tenho medo de envelhecer
Antes anos vividos alegremente
que estar morto sem morrer
que põe a nu o lado obscuro da vida
Pendurados por um fio de teia de aranha
Onde a única coisa que sabes ao certo
É que nasceste
Passem os anos depressa
não tenho medo de envelhecer
Antes anos vividos alegremente
que estar morto sem morrer
417
eliane_ramos
me matando. eu estou me matando.
Meu pai tem razão.
Eu estou acabando com a minha vida
Me matando.
.Me matando.
Eu estou me matando
Me permitindo viver na melancolia
Da tristeza e solidão
.Insegurança.
Eu estou insegura.
Insegura
Até pra viver,
Sair de casa
Insegura
Até para respirar.
Eu estou acabando com a minha vida
Me matando.
.Me matando.
Eu estou me matando
Me permitindo viver na melancolia
Da tristeza e solidão
.Insegurança.
Eu estou insegura.
Insegura
Até pra viver,
Sair de casa
Insegura
Até para respirar.
518
kronyer
Homo-machinalis
O homem-máquina
Nem homem
Nem máquina
Age inutilmente
Incapaz de demonstrar
Capacidades, sentimentos
Vazio de si e do resto
Maquinalmente incapaz
Humanamente vazio
Percorre trilhos
Humanos
Invisíveis
Chega ao destino
Irremediavelmente
— Maquinal
Nem homem
Nem máquina
Age inutilmente
Incapaz de demonstrar
Capacidades, sentimentos
Vazio de si e do resto
Maquinalmente incapaz
Humanamente vazio
Percorre trilhos
Humanos
Invisíveis
Chega ao destino
Irremediavelmente
— Maquinal
291
Daniel Castro
Retrocesso vitral
Às pressas, o cotidiano passa soberano
e cá dentro de nós se presta a trabalhar;
quantas vezes é entanto fadiga apenas - pranto
o crepitar da chama de um bico de gás
que acaba antes de feijão pronto estar?
Ter o que conversar consigo temos todos
embora não nos concedamos ocasião
quando de ouvir internas contraindicações
calamos possível condenação ao céu da boca.
Que íntimo labor custa alpendre e precipício
sobre os quais debruçar e por à prosa vertigem,
alpiste a espalhar aos passarinhos à espreita
que de vegetação humana espera frutos granjear.
Sou acometido de toda sorte de bichos, é verdade
e possibilidade de grilagem faz-se sempre
se me sucedem enchentes à paisagem interior.
Itinerante, a vida surge de repente
em espaçadas tentativas de aproximação sútil
desfere-me uma bofetada à cara
que me acorda de anos inteiros sem dormir.
Dormindo, posso contemplar-me o infinito
ter conversa com o Deus que me permito
exista ou não este eu superior.
Cerro as persianas da vidraça
minha vista embaça a alma
enxergo-me senão desforra.
Veleidades postas à parte
fica do mundo então saudades
dos dias tantas vezes de mim banido.
Eu, este livro de recusa e comunhão
faz-se de assombro e luz
abertas portas ao hospício.
E que desmente insana realidade
seduz e ama a mais disparatada
contraparte, despojada de serviço.
É sapatada essa vida cotidiana
que nos levanta ao deitar-se em nossa cama
recolhendo-se para se cobrir de nosso sonhos
e desesperos, com chute nos traseiros
obrigando-nos a empreitada.
E sempre madrugada, de um maio mês
e noiva - essa hora faceira, cuja aliança
nos cobra , diz que nos ama, e desarma.
Vim ter-lhe com a família, desposar
a sua gente e dela fazer minha consorte
felizmente antes me deteve a enfermidade
a tempo de conhecer-lhe vaidade insã
de astúcia e melindres, ressentimentos.
Nunca me quisera por companheiro
eu que de mim propus casamento
perante um altar que guardei na memória.
Pois daqui vou-me embora
eu que nasci para ser de fevereiro
a aleluia de todo Judas de sorte barata.
Vou-me e será para a glória
de quem se retira dessa terra
e se recolhe em paranoias.
Parto contente e agradecido
os revezes de amigo de muita gente
poucas sérias.
Serão férias para meu ano derradeiro
o primeiro de um terço
que houvera esquecido
e ao relento despertou-me.
Vou com Deus
tarde, é certeza
vou por toda a vida
ser de mim minha comida
café sobremesa.
e cá dentro de nós se presta a trabalhar;
quantas vezes é entanto fadiga apenas - pranto
o crepitar da chama de um bico de gás
que acaba antes de feijão pronto estar?
Ter o que conversar consigo temos todos
embora não nos concedamos ocasião
quando de ouvir internas contraindicações
calamos possível condenação ao céu da boca.
Que íntimo labor custa alpendre e precipício
sobre os quais debruçar e por à prosa vertigem,
alpiste a espalhar aos passarinhos à espreita
que de vegetação humana espera frutos granjear.
Sou acometido de toda sorte de bichos, é verdade
e possibilidade de grilagem faz-se sempre
se me sucedem enchentes à paisagem interior.
Itinerante, a vida surge de repente
em espaçadas tentativas de aproximação sútil
desfere-me uma bofetada à cara
que me acorda de anos inteiros sem dormir.
Dormindo, posso contemplar-me o infinito
ter conversa com o Deus que me permito
exista ou não este eu superior.
Cerro as persianas da vidraça
minha vista embaça a alma
enxergo-me senão desforra.
Veleidades postas à parte
fica do mundo então saudades
dos dias tantas vezes de mim banido.
Eu, este livro de recusa e comunhão
faz-se de assombro e luz
abertas portas ao hospício.
E que desmente insana realidade
seduz e ama a mais disparatada
contraparte, despojada de serviço.
É sapatada essa vida cotidiana
que nos levanta ao deitar-se em nossa cama
recolhendo-se para se cobrir de nosso sonhos
e desesperos, com chute nos traseiros
obrigando-nos a empreitada.
E sempre madrugada, de um maio mês
e noiva - essa hora faceira, cuja aliança
nos cobra , diz que nos ama, e desarma.
Vim ter-lhe com a família, desposar
a sua gente e dela fazer minha consorte
felizmente antes me deteve a enfermidade
a tempo de conhecer-lhe vaidade insã
de astúcia e melindres, ressentimentos.
Nunca me quisera por companheiro
eu que de mim propus casamento
perante um altar que guardei na memória.
Pois daqui vou-me embora
eu que nasci para ser de fevereiro
a aleluia de todo Judas de sorte barata.
Vou-me e será para a glória
de quem se retira dessa terra
e se recolhe em paranoias.
Parto contente e agradecido
os revezes de amigo de muita gente
poucas sérias.
Serão férias para meu ano derradeiro
o primeiro de um terço
que houvera esquecido
e ao relento despertou-me.
Vou com Deus
tarde, é certeza
vou por toda a vida
ser de mim minha comida
café sobremesa.
254
Gabriel Andrade
Atemporal
das vezes que ficamos deitados na cama
esperando o sol entrar na janela
dia de domingo preguiçoso
ignorando que daqui a pouco você já vai
arrumando qualquer desculpa
para ficar mais um pouco
das coisas que ficam subentendidas
atemporal, estou escrevendo mais uma
você mal partiu e já estou com saudades
esperando o sol entrar na janela
dia de domingo preguiçoso
ignorando que daqui a pouco você já vai
arrumando qualquer desculpa
para ficar mais um pouco
das coisas que ficam subentendidas
atemporal, estou escrevendo mais uma
você mal partiu e já estou com saudades
468
Tsunamidesaudade63
Sinto-me tão cansado
Sinto-me tão cansado,
a solidão invadiu-me a alma,
a sombra que me acompanhava de mão dada,
tombou perdida, nas veredas duma triste avenida.
encharco as mãos em letras tristes,
refresco o rosto e dou de beber à alma,
e os versos escorrem em correnteza
sobre o diluvio da minha vida...
será o amor o grande mistério?
será a paixão água revolta?
tenho por dentro palavras vazias que gritam à solta!
talvez elas me tragam a sombra de volta
e assim não me sinta mais tão só!
Até lá, fico aqui na dolorosa e profunda espera,
sentado na margem deste meu poema...
83
Heinrick
Peito De Papel Açoitado
Puro, como verdade
escorre puro, alíbido
Como engolir o cidro
dessa falsa fraternidade
Que me fratura,
a tortura, puro, puro;
Como a cura
daquilo a doer
Como se encontrar, em planos diferentes
Tudo que corta, vai precisar sangrar
Mas felicidade é estancar
Porque pra sorrir basta os dentes
Sangue estanca
Minha caneta de alavanca,
levanto as letras em troca meu peito espanca;
minha alma se tranca
Foge da adaga,
minha mente se rasga
meu pulso que paga.
Meu choro afaga;
a chama do ódio apaga
Ódio de si,
que meu peito açoitado traga
Como se escrevo no própio receio:
de sangue, de choro
de ódio, de fogo.
Verso feio; De anseio
escorre puro, alíbido
Como engolir o cidro
dessa falsa fraternidade
Que me fratura,
a tortura, puro, puro;
Como a cura
daquilo a doer
Como se encontrar, em planos diferentes
Tudo que corta, vai precisar sangrar
Mas felicidade é estancar
Porque pra sorrir basta os dentes
Sangue estanca
Minha caneta de alavanca,
levanto as letras em troca meu peito espanca;
minha alma se tranca
Foge da adaga,
minha mente se rasga
meu pulso que paga.
Meu choro afaga;
a chama do ódio apaga
Ódio de si,
que meu peito açoitado traga
Como se escrevo no própio receio:
de sangue, de choro
de ódio, de fogo.
Verso feio; De anseio
621
CORASSIS
Vinho

Baco, deus do vinho, jamais produziu
O vinho nobre que esbanja sabor.
Aquele usado em certo casamento...
O vinho é um defensor da alegria!
Faz pelo coração um bem eterno.
O melhor vinho tem gosto afável.
O melhor de todos! aconteceu de um milagre.
Cheguei a esta humilde conclusão!
Não há dúvida disso!
Não o degustamos naquela ocasião, mas o que certifica ?
O maior homem foi responsável pela façanha.
Pela criação do líquido santo, a pedido de sua mãe.
Tem vontade de Deus!
Aquele momento.
Aquele casamento,
Nenhum homem consegue ser flor divina?
Em produzir tal ,maravilhosa bebida!
No homem, não há santidade tão apurada .
Mas ,o sangue de Cristo representa vida !
Que em outro momento, associou também ao vinho.
Nem em melhor vontade, o homem
Proporcionará o melhor vinho.
Nem humana vida.
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