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Cris Ribeiro

Cris Ribeiro

Distância

Roubou meus sapatos

e me deixou andando por ai...

Estrada... vida afora a vagar.

 

Pelo caminho,

ando deixando lágrimas

e pedaços de mim

que você fez questão de cortar.

 

A navalha da mentira e traição,

e o punhal cravado em meu coração!

Seu silêncio, imperdoável!

Me fez viver o céu e ver no inferno uma direção!

 

Sua companhia,

quanta falta, daquilo que só eu via.

Estava lutando sozinha numa guerra

que era minha e não sua.

 

Você um pobre soldado

perdido em indecisões

pelo caminho ficou.

E eu, amargurada de coragem

continuo a caminhar.

 

Juntei meus cacos

e os estou a colar.

Tenho andado, às vezes devagar,

mas nunca a parar!

 

Um dia, quem sabe!

A vida irá recompensar

minha coragem e intensidade

alguém há de querer amar!
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_umapoetisadesconhecida_

_umapoetisadesconhecida_

Um poema para ti, e não uma frase

Em um dia longínquo e lindo
Dia em que nem nós os dois sonhávamos acontecer 
Tarde de céus alaranjados e sol queimante na pele
Nos encontramos para sobre livros falarmos 
Hora pontual para conversar com um amigo como tu

Falavas-me de prosas, frases, e textos teus
E ouvias e declamavas poemas meus 
Em uma tarde onde libélulas perseguiam o rosto meu 
Onde tu dizias o quão linda estava eu 
Eu perfeitamente ouvia
mas por sentimentos enterrados não retribuía 

Tarde, onde eu te dizia sobre homens e vendo se ciúmes sentias
Onde tu me contavas sobre o seu passado e o meu coração morria 
Olhares apaixonados e bocas vazias 
Amizade distante e almas dançarinas 

Em um texto seu que me dizias 
Onde me descrevias
Como viva eu era como a vida 
livre como uma melodia 
E por fim me dizias 
Que quanto mais o relias 
Mais dela te lembrarias 

 De imediato rasgaste a única frase escrita por ti sobre mim…      
 
                                                                    -_umapoetisadesconhecida_.
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Amanda Sebaio

Amanda Sebaio

Água

Água, essência da vida em seu fluir, Pura e cristalina, a nos nutrir, Doce e refrescante, sagrado bem, Em cada gota, um oceano de além.

Nos rios e lagos, tua morada, Ecoando canções, uma sinfonia encantada, Danças com as pedras, abraças as margens, Em tua serenidade, encontramos alívio nas passagens.

Nas quedas d'água, tua força se revela, Um espetáculo de poder que embriaga, A energia vital que nos impulsiona, Renovando a vida a cada queda que desfruta.

Nos mares imensos, vastidão sem fim, Ondas quebrando, salpicando enfim, Teu abraço salgado, teu mistério profundo, Esconde tesouros, um mundo submerso no fundo.

No céu, te transformas em nuvens brancas, Viajando ao vento, em danças francas, Em chuvas, te derramas sobre a terra, Alimentando a vida, uma dádiva que se encerra.

Nos lagos tranquilos, espelhos de serenidade, Refletindo céus azuis, em pura claridade, Tu és um espelho de calma e quietude, Um convite à paz, à plenitude.

Água, em tuas múltiplas formas e faces, És essencial, vital em todos os lugares, Doce sustento, fonte de vida e saúde, Em ti, encontramos a essência da plenitude.

Cuidemos de ti, ó preciosa dádiva, Preservemos tuas nascentes, tua beleza viva, Que em cada gota, saibamos reconhecer, A importância e o poder que em ti podemos ver.

Água, elo de conexão entre toda criação, Te celebramos com gratidão, Porque em teu abraço, encontramos renovação, Água, a essência da vida em sua perfeição.
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Lukas Kawê

Lukas Kawê

O Brilho Verde da Minha Paixão

Numa sala abarrotada de monotonia,
Onde as vozes se confundem em melodia,
Eis que surge um raio de sol em meio à escuridão,
E meu coração palpita, repleto de emoção.

Ela é como uma estrela em noite sem lua,
Com cachos rebeldes pintados de verde, a sua,
Uma mágica aura que ilumina meu ser,
Fazendo-me sonhar e enxergar além do que posso ver.

Seu sorriso é como uma poesia escrita no ar,
Desenhando curvas suaves que me fazem flutuar,
E nos breves momentos em que nossos olhares se encontram,
Sinto um desejo ardente de estar mais perto, sem enganos.

Tento decifrar seus segredos nas entrelinhas,
Nas trocas de olhares e pequenas conversas supinas,
Mas minha timidez me impede de ir além,
E me pergunto se ela também sente algo, algum refém.

Meus pensamentos a acompanham como sombras,
Meu coração, por ela, dispara em súbitas sobras,
Desejo tanto poder dizer o que sinto,
Estar ao seu lado, compartilhar cada momento em infinito.

Oh, querida musa de cabelos esverdeados,
Se ao menos soubesse como meu coração é afligido,
Anseio pelo dia em que poderei me aproximar,
E, quem sabe, você também possa me amar.

Até lá, vou guardar em meu peito essa paixão,
Esperando o momento certo, com dedicação,
Mas enquanto isso, sigo observando sua luz,
E sonhando com o dia em que serei seu e você será minha cruz.
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Fernando Oliveira Granja

Fernando Oliveira Granja

Esmerar seu jardim

Gosto do princípio de que cada um de nós deverá enriquecer, esmerar seu jardim, para que suas folhas ou pétalas mantenham brilho intenso. Mas também devemos estar conscientes de que o Outono sempre espreita e que tudo o que nasce, morre. Não obstante, passar por todas as estações sem perder o brilho nos olhos é porque o amor está presente. FG.
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Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

I-XCVI Jaezes de vida e morte

Ao cairmos no mundo passado, onde nos fez vítimas ao acaso,

pisamos e criamos laços, que, mais longe do que vi,

serviram de apoio ao alvoroço dos outros:

Queriam ter-nos separados! Parte exilada aos muros,

ao outro coração, cuidariam os corruptos.

Alegrei-me por momentos quando vivíamos às espreitas.

Era pelo reflexo do rosto, pelo jeito e afeição,

nos inspiravam sermos vítimas da paixão que,

de imediato, senti-me afim, sendo tudo por mim:

Era minha a cova e a carcaça, a lona de sangue encharcada,

a esperança já fragilizada, a vontade de ser nada.

Era cada vento algum pranto, todos vamos perdendo alguns planos.

Queria ter na vida mais vergonha fundamentada,

mais cautela entre as falas, pois perdi-me nas palavras.
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camila_duarte

camila_duarte

Pianista

Eu não toco
O piano 
Tem teclas
Avariadas
As melodias
E avarias
Da mente tocam
Piano 
Desafinado
O meu polegar
No lugar errado
Não toco 
O piano

Dois 
Acordes 
Cansados 
De tocar 
Os meus dedos 
A suar
Mas eu não 
Sei tocar o 
Piano 
Hoje

Tenho os ouvidos 
A apitar 
O alarme 
Aleija-me 
O ritmo

Conhece
um pianista 
Que não sou 
Eu 
Que não toco 
O piano 
No palco 
Não sou 
Artista
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Celso Ciampi

Celso Ciampi

SEM CONTA

Eu não sei fazer a conta,
Mas eu sei que não é faz de conta,
Tanto tempo estamos juntos,
E só isso que me conta.

Do tempo, esse ficou para trás,
Esse já não mais conta,
Já foi contado um dia,
Não será contado jamais.

E para o amor não tem conta,
Nem os anos se contam,
O que conta é a felicidade,
Dela nada mais se desconta.

Sem conta a pagar,
Nem a receber,
Se você quer amar,
Ame com seu bem querer.

Eu te amo desde sempre,
Não senti passar o tempo,
Parece que foi ontem,
E hoje o recomeço.

Não se cobra do amor
Uma grande conta,
Se é feita essa cobrança,
Então o amor é que não conta.

Demais da conta e nem de menos,
O amor tem a conta certa,
É do tamanho que queremos,
Qualquer outro não está certo.
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Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

I-XCIII Jaezes de vida e morte

De uma população que não se acaba,

tenho minha arte exilada,

e mais minha vergonha por não ser nada.

Quão fútil é meus afazeres que,

de tanto fazer, alucino sobre algo ser.

 

Desencarno dos sonhos que outrora nutria,

abandonando-os como folhas que o vento impelia.

Me desprendo do mundo terreno,

em busca de um lugar além, do eterno sereno.

Apesar de viver da ânsia, a cicatriz da dor,

declamo diariamente meu amor e fervor,

quase como obrigação, se tornou saudação.

É prece a Deus, minha afeição.

 

É meu túmulo, no vazio, próximo ao rio.

Semeia má poesia para perder a alegria,

e cubro-nos de letras e versos,

até perdermos o eco, os olhares dispersos.

E, sob silente oração, a alma volta à expansão.
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Lucas Menezes

Lucas Menezes

Poema, Aspirinas e Urubus

Dediquei-me aos poemas curtos
Para que você curta os poemas
De crônicas já bastam as suas dores
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

PERDIDOS

Um dia acordamos secos 
e órfãos da fonte que nos saciava.

Os choupos cresceram e arderam
indiferentes ao carpir das nossas dores.
A canção que embalava ainda ecoa 
mas calou-se a voz que a cantava. 

Por vezes soltamo-nos das horas mortas
e cruzamo-nos com os resquícios 
da felicidade que julgámos eterna.

Escrevo-te no sótão da casa 
que não construí ao fim do caminho.
Ruíram as paredes por erguer
à espera da cor que nunca escolhi.

Felizes os capazes 
de inventar um regaço 
ou o par de braços abertos
que dificilmente encontrarão
quando a fresta da memória
apenas reflete os sorrisos 
das tardes de infância.
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Dennis de Oliveira Santos (Sinnedos)

Dennis de Oliveira Santos (Sinnedos)

Insônia

O sono não faz moradia,
A noite se torna
Um caleidoscópio de memórias.
Horas madrugada afora,
As ideias me incomodam,
As derrotas pesam o corpo,
Sensações intensas
E arrependimentos
Sobre os últimos dias
Apedrejam o crânio.
Nada de descanso ao corpo
Enquanto a humanidade repousa em paz.
Olhos bem abertos
Em estado de vigília,
A insônia é intensa investigação
Sobre nós mesmos,
O sacudir das certezas,
O não repouso das calejadas pálpebras,
Invocação de pensamentos agressivos.
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

És uma simples baforada de ar

Como me pude apaixonar
de um alguém como tu
passado pouco tempo pude confirmar
que és muito vulgar, és uma simples baforada de ar.
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Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

I-XCII Jaezes de vida e morte

Os perigos da ambição vêm sem que a arte cale,

como se o valor deste mundo fosse a realização das vontades.

Minha casa vazia ecoa mais histórias que Lemúria afundou,

fazendo-me eterno fantasma sem trégua no amor.

Vivo amado, cuidado, como filho e como marido,

por meu Pai, pela família e amigos,

por desconhecidos, vivos ou escondidos.

 

Digo todos os dias sobre meu amor,

escondendo o anseio, sequela da dor.

Privilegiado recebo em dobro, e mais durmo

com um olho. E sem que eu perca alguma coisa,

já sinto-me sozinho sobre os ombros de meu Pai,

sob o destino resguardado e garantido,

e enlouqueço sem que algo faça sentido.

 

E diante de centenas de palavras, finjo não ouvir respostas,

forçando um instinto de prever o que não conta.

Assim vivo exausto na ciência,

rodeado de quem, prega a mim, carência.

São sacrifícios que eu quis, mas finjo ser indícios de um fim.

São consequências das vontades que, de longe, mais

me causam alacridade.

 

Que Deus tire de mim, até esta última palavra,

o anseio de criar conclusões precipitadas.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Desencontros



   Quero marcar um encontro com você.
   Que tal nos encontrarmos, no nosso passado?
   Naqueles mesmos lugares, em que tantas vezes nossos olhos se fizeram brilhar de alegria.
   Olha... Poderíamos caminhar de mãos dadas pelas ruas. Era tão bom... 
   Sentir de novo aquele aroma misto de felicidade e esperança...
   Quem sabe, voltarmos a sorrir de forma franca e aberta, como fazíamos naqueles dias. Lembra?
   Um sorvete de casquinha, uma pipoca doce, um cinema?
   Poderíamos procurar por aquela alegria de viver que sempre nos acompanhava e que foi se afastando, sem que percebêssemos.
   Que tal seguirmos pelas calçadas olhando vitrines e cantarolarmos aquelas músicas que marcaram nossos momentos?
   Por que deixamos que tudo isso caísse no esquecimento? Por que mudamos nossos costumes e nossa forma de ver a vida?

   Por que nos desencontramos?

 

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Celso Ciampi

Celso Ciampi

CORAÇÃO VAZIO

No momento está vago
O meu pobre coração.
Não está ocupado,
Sem nenhuma paixão.

Mas está bom assim,
Precisa fazer uma faxina,
Limpar as dores que ficaram,
Para procurar gente fina.

Agora nem adianta,
Que ninguém vai entrar,
Ele está concentrado,
Em se aprumar.

Ainda bate com tristeza,
Pois está cheio de entulho.
Eu te peço por fineza,
Não vem atrapalhar.

O tempo que ele precisa,
Está correndo bem,
Não queira que se apresse,
Tenha calma você também!

Ele precisa de reforma,
De uma nova pintura,
Daqui a pouco estará em forma,
Pronto, mas não para aventura.
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camila_duarte

camila_duarte

Nada para sentir

Vivo todos os dias 
Para te amar 

E amo-te a cada instante 
Com saudade 

Para que quando partas 
Não reste nada para sentir
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Bonança



Quando cessarem os temporais
E as nuvens negras se dissiparem
Poderemos ver novamente o azul do céu
E os raios de sol voltarão a aquecer nossos corpos

Talvez, as estradas que se dividiram,
Separando nossos caminhos na última encruzilhada,
Voltem a se unirem, mostrando uma única direção
E possamos seguir novamente, minhas mãos em suas mã

Da chuva que caiu impiedosa e inundou os campos,
Restou o chão molhado, permitindo que germinem novas flores
E o renascer é uma nova oportunidade
De aprender com os erros e assim, fortalecidos e experientes, recomeçarmos.
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AurelioAquino

AurelioAquino

Materna saudade

minha mãe
habita o tempo
âncora fincada
no pensamento
imaterial
em grave manifesto
abraça o mundo
nos meus gestos
assim urgente
dada aos encantos
joga tudo de mim
ao seu encontro
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Celso Ciampi

Celso Ciampi

NO MEU ENTERRO...

Não quero ninguém chorando,
Mas também não quero rindo,
Sei não se quero alguém,
Estarei ali dormindo.

Mas se for se despedir,
Não fale muita mentira,
Sei bem como fui,
Não inventa, por favor.

Nada deixo para ninguém,
Então, por favor não briguem.
Não vale a pena lutar
Por algo que não se tem.

Vou santo do pau oco,
Assim como vivi.
O céu pode estar distante,
Não sei nem para onde vou.

E não me encha de flores no peito,
Assim vou espirrar.
Ponha em mim a camisa do Tupi,
Só para o Pelé me zoar.

Então, estamos combinados,
Pode me colocar num caixão barato,
Não mereço muito mais,
Pois sou aquele mesmo farrapo.
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rafaeldasilva

rafaeldasilva

🔵 Barata voa




Era só uma barata voadora, mas eu lutei como se fosse um falcão selvagem. A barata alada nunca pode ser menosprezada. Se eu poupasse a vida do ser rastejante e apagasse a luz, certamente ela seria atraída pelo cheiro de sopa de cebola no canto da minha boca. Sendo voadora, a barata teria fácil acesso à cama de cima do beliche. Eu, por questão de honra, precisava enfrentar aquele horror paralisante, digo, inseto repulsivo.




No topo do guarda-roupa, a coleóptera, percebendo o meu medo, digo, repugnância, parecia  me  observar. Suas antenas, com um leve movimento, explorando o espaço aéreo deveria estar farejando o meu pavor, digo, nojo.




O inseto asqueroso armou seu voo. A aerodinâmica do animal não favorecia o direcionamento aéreo. Entretanto, o bicho se lançou de cima do guarda-roupa e quando parecia que a gravidade me protegeria, ele aprumou-se e veio na direção do meu rosto. O ruído das asas batendo aumentava a dramaticidade do ataque. Diante da ameaça de uma barata voadora, meus princípios budistas foram automaticamente revogados. Com um chinelo, consegui interromper o ataque, porém o ameaçador inseto manteve o ideal de tornar minha vida um inferno. Como eu nunca consegui dormir com a presença de uma barata viva, além de ser voadora, era preciso abatê-la.




A periplaneta americana (barata doméstica), conforme a cultura popular, sobreviveria a um ataque nuclear. No entanto, não resiste a um pé de ‘Havaianas’ certeiro. Então, eu segurava uma arma com o potencial maior que uma Chernobyl. Sendo assim, a tremedeira continuava, digo, a caça continuava.




Tomado de inexplicável pânico, digo, ódio e asco, abati o animal imundo. Mesmo com a  chinelada, a cascuda, em último ato provocativo, produziu um estalo e suas entranhas expostas deixaram uma gosma amarelo/esbranquiçada. Creio que com um golpe, cometi um verdadeiro genocídio, pois o espalhamento abdominal revelou uma gravidez interrompida. Resultado: parecia a cena do um crime ou uma obra de arte moderna.




Neutralizei o animal de hábitos noturnos, de modo que pude dormir sem barulhinhos amedrontadores, digo, incômodos. 


















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                     Paulo Sérgio Rosseto

Paulo Sérgio Rosseto

VARAIS

Fiz da poesia um varal
E nesse esticado arame ainda que farpado
Exponho ansiedades e dilemas
Gritos que se entrelaçam por palavras
Em versos sortidos

No varal dos sentidos
Pendo meus medos
Cada linha revela sentimentos

Os dilemas dançam em ventos diversos
Numa teia inconstante minha alma se expõe
Ansiedades despidas vulneráveis dispostas
Como roupas nas quais o tempo roça
Entre rimas e metáforas flanam embandeiram
Em velas presas pelos versos navegam passeiam

E assim nesse varal de emoções expostas
Entre lágrimas e sorrisos e até falácias
Minhas letras são compostas
Cada verso é um fio que sustenta a minha essência

A poesia é a janela da alma inquieta
O que me completa estendo no varal da vida
Não fosse assim nem seria poeta
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Viver, por amor

E quis lhe falar de amor... 
Mas, de que amor me fala? Perguntou... 
Fala de amor, ou fala de desejo?
Fala de amar, ou de querer para si?
Fala de amor ou da própria realização? 

Porque amar é entregar e não, receber. 
Porque quem ama se doa e não toma para si.
Porque quem ama quer a felicidade de quem se ama, 
Porque quem ama não pensa apenas em sua própria realização. 

Falo de amor, respondi. 
Falo da admiração que tenho por você, 
Falo dessa vontade imensa de cuidar de você, 
Falo desse sonho de lhe fazer feliz, em todos os momentos,
Porque só na sua felicidade me sentirei recompensado, 
Mesmo que para isso precise abdicar da minha própria felicidade.

Porque quem ama de verdade, protege, 
Quem ama de verdade, supre, 
Quem ama de verdade, acolhe, 
Quem ama de verdade, se entrega. 

Porque quem ama de verdade, vive por esse amor!

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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Encruzilhada


E vi a indiferença a nos separar,
Quando senti que apenas seu corpo,
Estava dentro do meu abraço.
Nosso olhar distante, nossas mãos inertes,
E todo aquele calor transformar-se em ausência.

Não mais importam os motivos, apenas a realidade.
Mesmo tão pertos, nos sentimos perdidos,
Seguindo caminhos diferentes, na encruzilhada de um adeus.

Como um feixe de luz, nosso amor foi-se dissipando
Até perder seu brilho, seu fulgor.
Como se outro viver surgisse, fomos nos desconhecendo
Até chegarmos aqui, como dois estranhos.

Um livro que se fecha e guarda dentro de si, as histórias.
Águas de um rio que desagua na imensidão do mar
E passa a ter outra cor, outro sabor.

E os corações baterão por outras vidas,
E as razões procurarão novos objetivos
E o que que foi, talvez se encontre no rebuscar das lembranças...
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