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Laércio Jose Pereira

Laércio Jose Pereira

Imitação de Van Gogh

(Para a Luiza de Brito, o Pablo Pereira e o Filipe Pereira)

Quando você foi embora,
Refugiei-me dentro de mim
E pensei um trigal sem fim,
Com corvos rondando.
E caminhos que vão dar em lugar nenhum.

Pensei num céu sombrio e escuro.
Pensei na minha impotência
Diante dos axiomas da sua fé.

Quando você foi embora,
Eu quis pintar com óleo sobre tela. (N.A. Não concordo)
Depois quis arrancar minhas orelhas,
E quis paralisar meu coração.

Mas eu não venho da Holanda,
Nem nunca estive em Auvers.
Então chorei sozinho e pintei dentro de mim
O meu campo de trigos com corvos,
E me descobri morrendo amanhã. Google+
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Samuel da Mata

Samuel da Mata

VENERAÇÃO

Afasta-te de mim, razão mesquinha
Não quero ouvir tua voz, nem mesmo a minha
Minh'alma a sós com Deus quer conversar

Não vim buscar razões, reclamar dolos

E nada peço a Ti, senão consolo
Longe de mim, Teus desígnios julgar

Nada trago a Ti, que sirva de oferenda

Sou pobre, débil e vil, alma em contenda
Nada de bom coloco em teu altar

Não anseio promessas para cobrar-te à frente

Nenhuma explicação me deves, sou indigente
Apraz-me em tuas veredas poder trilhar

Perdão se na pouca fé nasce a tristeza

Tu és minha rocha, escudo e fortaleza
Ensina-me em Tua sombra eu descansar

Não sei quão curto ou longo é meu caminho

Nem se no meu pisar há relva ou espinho
Mas basta-me a tua mão a me afagar

Não quero ter jornada esplendorosa

Vanglórias pueris ou mar de rosas
Apenas Tua paz pra eu repousar
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Samuel da Mata

Samuel da Mata

INSÔNIA



Quando a angústia o peito invade e rouba-te o sono
Pergunta então a tua alma: Quem está no trono?

Sendo o Senhor o teu guia, o teu destino e teu norte
Porque te afliges minh’alma e temes assim tua sorte?

Quem no Senhor confia e tem nele a esperança

Põe nas mãos dele sua vida e assim em paz descansa

Se o teu projeto arruína e aos poucos desvanece

Desce depressa do trono e assenta nele o Mestre
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Larissa Rocha

Larissa Rocha

A falta que tu fazes

Vê, meu amor que o tempo,

Ele passa e te rouba de mim,

Que tua ausência tem arrebentado

As cordas da minha lira,

Tudo em mim perece

Pela falta que tu fazes.

E vida já não tenho

Senão a que tenho em ti.

E morrer já não posso

A menos que seja por ti!



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Lua Barreto

Lua Barreto

Meia-Noite em Paris

Sim, eu sei
De nada adianta sonhar Paris
Na Belle Epoque
Itália na Renascença
Ou a Rua do Ouvidor
Dos velhos e bons tempos.

Minha matéria é o tempo presente, Carlos
E ele não anda pra trás
Este é o tempo de viver
De ser feliz, de sofrer
E não adianta voltar
A outros tempos e amores
Não há tempo pra isso
Apesar de Einstein

A vida é agora
E pulsa
Sempre
Onde quer que os homens amem
Quando for que os homens sonhem
Sem máscaras.
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joao euzebio

joao euzebio

POEMA ANTIGO

ABRI O LIVRO DE POEMAS ANTIGOS
MEU CORAÇÃO PROCURAVA ABRIGO
ENTRE AS PALAVRAS ALI DESCRITAS
COMO SE FOSSEM BENDITAS
PARA A MINHA DOR
AQUELE POEMA DE AMOR
QUE ALGUÉM ESCREVEU
PARA ALGUÉM ASSIM COMO EU
QUE MORRE DE SAUDADE
QUE SENTE VONTADE DE VOAR
DE ATRAVESSAR AS ONDAS DESTE MAR
E CAIR EM TEU BRAÇOS
JUNTAR TODOS OS MEUS PEDAÇOS
E ESPALHAR AO SABOR DO VENTO
VIR DENTRO DESTE NOSSO SILÊNCIO
E SUSSURRAR PARA VOCÊ
TUDO O QUE ESTE POETA ESCREVEU
COM TANTO CLAMOR
POR UM AMOR
QUE ASSIM COMO EU
ELE TAMBÉM NÃO ESQUECEU
MORRENDO SÓ
ENTRE O PÓ
DAS LÁGRIMAS
QUE NÃO CHÃO... ESCORREU.
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margaridamaria

margaridamaria

PAIXÃO

Paixão por você
Busco o teu querer
Estou a procura de ti
Senti-lo pertinho do coração
Com aconchegos sem loucura
Somente o doce da paixão
Deixa esta timidez
Fica perto do meu coração
Enlace os braços e apertem as mãos
Sinta o alvorecer do dia que só quer o bem querer
Veja o brilho do sol a nos iluminar
Sinta o perfume das flores a nos envolver
Caminhamos em direções opostas
Um indo para o norte e outro para sul
A procura de uma encruzilhada do destino
Para se encontrar...

Margarida Cabral


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Laércio Jose Pereira

Laércio Jose Pereira

Flores Vermelhas

Olho ao meio-dia para o chão.
Procuro...
E não as vejo mais.
As flores vermelhas
Que na minha infância
Coloriram de vida
O cinza que insistia.

Elas vinham às onze horas,
E dormiam cedo, bem cedo.
Tinham uma cor diferente,
Lava de vulcão
Furiosamente ativo.

Semeadas pelo negro aveludado das mãos de minha Maria,
Saltavam da terra,
Por entre o verde musgo das folhas de veludo.

Olhar para elas era acreditar na vida,
Que o inferno era improvável,
E que no céu, além dos anjos, tinha
Doces e uma bicicleta.

Uma festa de aniversário? Tinha!
Com um bolo enorme? Tinha!
Tinha um piso azul salpicado de nuvens brancas.
No céu dos céus, com nuvens verdes, um outro céu, escarlate
Como a minha flor.

Olho para o céu
Que reflete o chão de hoje.
O chão é cinza,
Os dias são cinzas,
O meu céu é cinza...

O cinza voltou.

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Laércio Jose Pereira

Laércio Jose Pereira

Universo em mim

Foste sempre minha aspiração maior,
Minha inspiração,
Respiração,
Instante zero universal,
Centelha inicial.
Sempre estiveste,
Sempre houveste,
Sempre...

Não houve um único plenilúnio suspirado um dia,
Que não fosse tu em pétalas,
Em veludo,
Em prata (carne da lua).

Nem nunca houve evento cósmico,
Quasar,
Pulsar,
Mancha solar,
Partícula,
E antipartícula,
Ao menos um vago vaga-lume,
Um luar e seu inexplicável perfume,
Que não fosses tu, impregnando o ar
Como o ruído de fundo da grande explosão.

Qualquer que fosse a estrela nova a contar,
Tua luz é que emprestava a ela a vocação.

Sempre estiveste,
Sempre houveste,
Sempre...
No entanto,
Nunca houve um início,
Nem nunca espaço.
Nunca tempo cronológico.
Por isso, não haverá saudades,
E não é possível o adeus;
Porque sempre estiveste,
Sempre houveste universal em mim,
Antes do início de tudo
E muito depois do fim. Google+
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Cristina Miranda

Cristina Miranda

Dança das Nuvens

Na ponta dos meus dedos
consigo a maior das sensações
arrebatar desta galeria de vidas
a inexplicável vontade
de ser o fim de algo
e acomodar entre um pôr de lua
e a orla duma tempestade
a semente do futuro.

Intensa sensação esta!

Na ponta dos meus dedos
sou capaz de imaginar
os reflexos de luz
que conseguirei depois lapidar
dum pestanejar
iluminando as noites
com pirilampos.

Na ponta dos meus dedos
esvoaço sobre o mundo
tomando forma de miragem
num balanço
que lembra as árvores frondosas
onde me abrigo.

Na ponta dos meus dedos
aconchego-me num chão
que pinto dum azul tão forte
que me estonteia
me faz sorrir
a ponto de me banhar
num encanto delicioso
por tão mágico.

Omito que poderá chover mais tarde
pois que me perco nesta serenidade
e danço sobre as nuvens que então desenho
ao som da melodia que flui
até cair num bem-estar mais do que granjeado
na ponta dos meus dedos agora sossegados.
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Laércio Jose Pereira

Laércio Jose Pereira

Menina da lua

Braços abertos,
Coração de abraços,
Abraços...

Boca entreaberta,
Coração de beijos,
Beijos...

Volúpia louca,
Coração alado,
Pulsar febril,
Mas efêmero.
Loucuras adolescentes,
Loucuras...

É a lua,
Clareando,
Abraçando,
Beijando,
Enlouquecendo...
Minha lira sedenta de encantamentos,
E arrebatamentos, e paixão, e poesia.


Braços abertos,
Coração de abraços,
Abraços...

Boca entreaberta,
Coração de beijos,
Beijos...

Volúpia louca,
Coração alado,
Pulsar febril,
Mas efêmero.
Loucura adolescente,
Loucura...

É a menina da lua,
Clareando,
Abraçando,
Beijando,
Enlouquecendo...
Minha lira sedenta de encantamentos,
E arrebatamentos, e paixão, e poesia. Google+
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olharomar

olharomar

flor de petalas rosadas

És flor de pétalas rosadas
de orvalho tuas lágrimas recheadas
mas por favor não chores,

Não devolvas meus afectos em lágrimas de adeus,
és flor sentida, de amor desabrochada
mas por favor não chores,

Deixa-me beijar teus bagos e a sede secar,
regar teu jardim com esse gesto gracioso
de nova pétala libertar

E no vento que a traz
uma mensagem de amor largando
um gesto enamorado nas tuas lágrimas
em gotas de amor transformadas,

Um sussurro em jeito de balada
te beijando
... por favor não chores

sfsousa/olharomar

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Paulo Jorge

Paulo Jorge

Inadaptados



Soltaram os anjos do mal,
Andam à solta em bando,
Aniquilaram os sonhos,
Choram as mães em pranto,
Quando a luz se apagou,
O menino nasceu santo,
A Gomorra foi pousar,
Perdeu-se do rebanho,
Assim que ousou pensar,
Afogado num abismo,
De frivolidades,
Indescritíveis.


À medida que o tempo se esbate,
E se tira o corpo do escaparate,
A alma amarelecida e gasta,
Cansada de voar,
Ousou cantar um dia,
Era noite de luar,
Um hino à sua vida,
Rumo além-mar.


A esperança perdida,
Num jogo de azar,
Deu-lhe guarida,
Até a tristeza chegar,
O destino sentenciado,
Tinha proclamado,
Um herói inventado,
A viver desarmado.



Que desilusão,
O menino abençoado,
Predestinado,
Afinal não era soldado,
Tinha o ouro na mão,
No pescoço um laço apertado,
Vivia numa sala de pânico,
A guardar a porta um cão.



Os dias passam,
Sem vontade,
Os sorrisos acabaram,
Esquecidos,
Só restam os lamentos,
Molhados,
Só resta a melancolia,
Do olhar,
Só resta o vazio,
Do meu pensar,
E a alegria dos outros,
Para invejar.

Lx, 7-7-2007
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Adam_Flehr

Adam_Flehr

Battlefield







Não faças do amor um jogo



tuas torres serão tomadas,



teu cavalo destituído



e não há jogada magistral



que não peque



E mesmo que te esforces



antes que percebas



terás o teu coração em xeque











Não faças do amor ilusionismo



tua cartola estará rota



e teus lenços furados



e nenhum coelho salvador



te saltará



E por mais hábil que sejas



e mais recursos que lances



será o teu coração que desaparecerá











Não faças do amor um campo de batalha



os corpos estarão amontoados



e as vestes rasgadas



E ainda que uses da melhor tática



não haverá salvação



Sobrarão tua bandeira em farrapos



e vários pedaços destroçados



do teu derrotado coração.











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Coyote

Coyote

Saudades de Ti


Talvez eu seja mesmo um louco , um eterno sonhador,

mas é no sonho do homem que reside a sua vontade de viver .





Saudades de Ti...




Tenho saudades de de ti... saudades de nós... e nao te encontro para to dizer...




Tu partiste tal como chegaste , não sei de onde, nem como, nem para onde....

apenas sei, que ainda hoje, embora em vão... faço tudo pra te encontrar

talvez procure na desilusão uma cura para te esquecer, um veneno para me
curar...

Mas... nem que seja por um minuto... ver te... e dizer te... que foste o meu amor...

Que tu para mim ès eterna, preciosa, és linda,és doce, maravilhosa...

ainda hoje regresso ao nosso local de encontro... que saudades...

que nostalgia ao ver aquele patio,á beira das casas velhas,

o perfume das roseiras e o banco onde nós riamos escondidos....

Após todos estes anos ainda me entristece a tortuosa lembrança,

Daquele ultimo entardecer, onde impaciente, mais uma vez te esperava...

Tu, aproximaste te de mim e com um beijo salgado silenciaste me,

trazias nos teus labios o sabor amargo da nossa despedida,

choraste, abracaste me,beijaste me e nao mais te voltei a ver,

e eu... eu... deixei te partir, sem que ficasses a saber, que eras tu...

eras tu aquela que eu não queria perder, que eras tu o sol do meu dia

que eras tu a lua da minha noite, que eras tu o norte para não me perder...

Ainda hoje lá passo, naquele fúnebre pátio e lá me sento no nosso banco

junto das mesmas flores, da mesma vista sobre o campo, só tu não estás...

fecho os olhos e perco me no silêncio, soubesses tu que eu aqui estou..

A saudade traz me a recordaçao da tua imagem, que recordo comovido,

O teu cheiro volta a pairar no ar ,sinto nos labios o doce do sabor do teu beijo

O som da tua voz chamando o meu nome,a melodia do teu riso, o calor do teu suspiro.




Mas é só isso e nada mais, o que resta de ti...umas ténues ilusões trazidas pela saudade.

Talvez nunca venhas a saber... aquilo que eu nunca te disse...ou o que aqui escrevi...

Mas como do sonho vive o homem...talvez um dia...talvez um dia o venhas a saber.
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Anthony James Ramos Vargas

Anthony James Ramos Vargas

QUANDO VOCÊ SE FOR

Quando você for embora e fechar os olhos
Sem querer o céu começa a soluçar
E você se afasta e se cala
Teus olhos mouros se tornam lágrimas de inverno.

Fique este noite aqui amor
Fica aqui e não fique melancólico como o azul dos céus.
Mas eu sei o que você esconde por trás desse conjunto de cores
Suavemente devastando a terra.

Talvez você possa apressar a primavera
Talvez a vida feche teus olhos
Talvez aconteça antes do fim do verão
Eu posso te ensinar a ver
Com os olhos da alma.

Agora que já não há nada tão triste
Talvez você me pergunte na caminhada
Porque te sigo quando o outono cai
Ao escrever em vermelho de teu nome
Ao escrever no azul de meus versos
Mesmo que a tristeza dos mares
Siga a tua sombra
Não importa. Eu te canto, eu te pinto, eu te amo mais
Porque você pode ser muitas vezes
Como eu mais quero
Uma gaivota de luz na terra
Uma viagem de tentação à noite.

Você não deve chorar
Se você ver o gesto de uma mão solitária
Que já não pega mais no lápis frio
Nem no anjinho criança que de repente
Do papel olha para você.

E não se afaste de mim
Porque tua respiração já não funciona
E talvez a terra te escondas
Desse bando de relâmpagos
Que peregrinam no longo caminho de teu olhar.

Mas você já sabe que eu não posso mergulhar
Nos atalho do teu silêncio. Aqui há sangue, fogo, alma,
Por isso vou apenas dizer na vasta onda de suicídio crepuscular
Que quando você precisar dele
Pense que eu voei numa tarde cinzenta
Pra me despedir do sol.

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Samuel da Mata

Samuel da Mata

NOITE TRISTE

A chuva cai fina e constante,
é a noite chorando a ausência tua.

O vento uiva e clama a falta de ti.
Os pássaros emudecem e clamam por ti em gorjeios soturnos.

O céu em crepúsculo espanta as estrelas e se embrulha na noite
na esperança de que voltes com o amanhecer.

E eu sozinho, assim com a noite, sofro a tua falta e,
trôpego de saudade, adormeço pensando em ti.

Volta logo, pois só tu és capaz de fazer luzir a aurora
e alegrar meu viver.
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2
Samuel da Mata

Samuel da Mata

FRATERNIDADE

Abre os braços bem amplos e recebe o amigo
Que o tempo a muito de sua mente apagou.
E não franzas a testa, mas lhe esboça um sorriso.
Volta a ser o garoto que com ele brincou

Mata o frango cevado, prepara-lhe um jantar.
O melhor vinho da adega te apressa em tirar.
Não lhe conte os problemas nem os seus dissabores,
Não lhe esnobe riqueza nem lhe peça favores

Não perguntes o que quer nem o que veio fazer,
Não o inquiras acima do que ele quer te dizer.
Não censures os caminhos que tomou em sua vida.
Oferece-lhe chinelo, banho quente e dormida.

Não perguntes quanto tempo ele pretende ficar,
Nem lhe indagues a que hora pensa em se levantar.
Deixa-lhe um chave da casa, informa o seu celular,
Não restrinja os horários para ele te procurar.

Se for agradecido, devolve-lhe um abraço,
Mas se não for educado não lhe pregues um sermão,
E na sua saída, não contabilize seus gastos.
Se te perguntarem quem era, dize apenas: um irmão.

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Rafael Rocha

Rafael Rocha

ZOMBARIA

Um deus ameaçador e assassino
Cria um destino para a criatura:
Se a raça humana tiver o desatino
De nele descrer é uma raça impura.

Ele diz: "Sou uno, sou o verdadeiro!
Dos mil deuses do mundo sou o real".
Mata o filho na cruz como o primeiro
Torturado à verdade de seu mal.

Para o homem cria paraíso e inferno
Diz: "As ruindades da vida são tua culpa!"
Tal grande deus sempre tem desculpa.

Mata inocentes! Proclama sua bondade!
Cria castigos e decreta a insanidade
E ri e zomba! Este é nosso pai eterno!
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Felipe Castro Neves

Felipe Castro Neves

Janela para o Inesperado

Fui caçar um vagalume à luz do céu
Lá na montanha a luz do fusco a me guiar
Como criança, brincadeira de papel
Sem medo de bicho-papão ao me deitar.

Quero sentir o seu perfume por aqui
Sumir no sonho de querer só acordar
Sem um porquê de te almejar só para mim
E lá no céu saber qual estrela te entregar.
609
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Alexandre Rama

Alexandre Rama

MULHER

Mulher, possuidora de uma palavra tão pequena para expressar um ser tão grande.
Geradora de Vida.
Coparticipadora da continuação humana.
Por muitos considerada como sexo frágil, mas portadora de uma força que muitos homens
formados não tem.
Tantas são as mulheres que marcaram a nossa história, avós, tias, primas, amigas, sobrinhas, filhas, mãe e tantas outras Marias que na vida existiram.
Todas elas ligadas a uma palavra, mulher.
Desconheço qual é a origem do significado da palavra mulher, mas sei que através de uma, Deus usou de porta para trazer à vida a salvação de todos.
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Sergio de Sersank

Sergio de Sersank

O VERBO




"Quod non mortalia pectora coges, auri sacra fames!"
Virgílio (Eneida, 3. 56-57)*



Esfera azul, joia imensa,
solitária Terra-Mar,
até quando irás girar?
Um verme voraz te permeia
e a febre que desencadeia
está por te devorar.

Circula nas veias do homem,
mina-lhe os campos da paz.
O verbo vil da avareza
cria esse verme voraz.

Quem poderá salvar-nos
desse mal
que nos infesta?
Ah, ânsia de ter e mais ter -
febre funesta -
que apenas no homem
se manifesta!...


(Da coletânea "Estado de Espírito", de Sersank)



* Execrável fome de ouro, a que desgraças conduzes os peitos mortais!



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Alma  e Gort

Alma e Gort

Que me venha este homem

Que me venha este homem

De mãos intrigantes de vontades

Que como aço corte os atalhos

Das minhas dúvidas e medos



Que me venha este homem

Homem de últimos momentos

Escolhido pelo insano plano

Do destino findo a me querer



Que me venha este homem

Sedento pelo meu carinho

Faminto pelo meu feminino

Do meu hétero felino



Que me venha este homem

E ao olhar para mim sinta amor

Na insanidade, sinta saudade

E que dependa de mim.



Que me venha este homem

Que descubra meu corpo

Tatuando beijos meio loucos

Que me faça viver de carinhos



Que me venha este homem

Louco de embriaguez de saudade

Sem se importar com idade

Com vida árdua e desprazer



Que me venha este homem

Ansioso, carinhoso e gostoso

Que me prenda e me amarre

Dentro do seu ser



Que me venha este homem....

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Blenda Karolline

Blenda Karolline

LIBERDADE!

Não basta ser poeta, não basta ter liberdade
O mundo é confuso, o mundo é complicado
E o que eu mais quero é estar longe
Longe de tudo
Longe do mundo




Não basta querer estar ao seu lado
Não basta querer ficar ao seu lado
Tudo parece não mudar.




Não adianta chorar, não adianta querer melhorar
O mundo é injusto
E não movo uma palha pra nada
Fico sentada, observando
Tentando entender o que se passa na cabeça das pessoas




Tudo em vão.
Tudo sem sentido.
Tudo ingrato.




Estou louca, caduca, não lembro de nada.
Só quero liberdade.
Só quero paixão.
Só quero viver.




Não gostaria de nada
Não gostaria de ficar sozinha




Não basta estar confusa, tudo tem que ficar escuro.
Espinhos... Espinhos... Solidão... Liberdade..
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