Flores Vermelhas
Laércio Jose Pereira
Olho ao meio-dia para o chão.
Procuro...
E não as vejo mais.
As flores vermelhas
Que na minha infância
Coloriram de vida
O cinza que insistia.
Elas vinham às onze horas,
E dormiam cedo, bem cedo.
Tinham uma cor diferente,
Lava de vulcão
Furiosamente ativo.
Semeadas pelo negro aveludado das mãos de minha Maria,
Saltavam da terra,
Por entre o verde musgo das folhas de veludo.
Olhar para elas era acreditar na vida,
Que o inferno era improvável,
E que no céu, além dos anjos, tinha
Doces e uma bicicleta.
Uma festa de aniversário? Tinha!
Com um bolo enorme? Tinha!
Tinha um piso azul salpicado de nuvens brancas.
No céu dos céus, com nuvens verdes, um outro céu, escarlate
Como a minha flor.
Olho para o céu
Que reflete o chão de hoje.
O chão é cinza,
Os dias são cinzas,
O meu céu é cinza...
O cinza voltou.
Procuro...
E não as vejo mais.
As flores vermelhas
Que na minha infância
Coloriram de vida
O cinza que insistia.
Elas vinham às onze horas,
E dormiam cedo, bem cedo.
Tinham uma cor diferente,
Lava de vulcão
Furiosamente ativo.
Semeadas pelo negro aveludado das mãos de minha Maria,
Saltavam da terra,
Por entre o verde musgo das folhas de veludo.
Olhar para elas era acreditar na vida,
Que o inferno era improvável,
E que no céu, além dos anjos, tinha
Doces e uma bicicleta.
Uma festa de aniversário? Tinha!
Com um bolo enorme? Tinha!
Tinha um piso azul salpicado de nuvens brancas.
No céu dos céus, com nuvens verdes, um outro céu, escarlate
Como a minha flor.
Olho para o céu
Que reflete o chão de hoje.
O chão é cinza,
Os dias são cinzas,
O meu céu é cinza...
O cinza voltou.
Português
English
Español