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José Antonio Ramalho Forni
Mudo amor
Não foram eles que me acordaram.
Mas o alarido dos que te ouviam.
Caminhei para ti.
Não me quisestes junto,
Pois há muito também não o estava.
Usei formas prontas para ensinar a vida para ti
esquadros e régua foram meus instrumentos
Certezas que se transformam em risos
Teorias que gargalham de minha esperteza.
Agora, quando tuas mãos crispadas tentam nadar
No mar das vicissitudes,
me desejo lançar a bóia a elas.
E te puxar para perto de meu peito
Como quando te protegia das tempestades.
Para resgatar a simples presença,
testemunho do amor que não aprendeu a falar.
Mas a vida tem suas próprias armadilhas e desvios.
Desafiado e salvo por eles estou aqui aprendendo, de novo,
A ser teu pai.
susete evaristo
FIM
Sinto-me só
Na madrugada que morre ...
Não durmo!
Da janela do meu quarto
Espreito o céu,
Uma nuvem define-se no horizonte
Agora, mais escura ...
Vai tapar o céu.
Toma os contornos de um rosto,
Que dirá ela ?
é comigo? - pergunto -
E a nuvem chora,
é por mim que chora!
é por ti que chora!
Pelo nosso amor que morreu.
Heloisa Melo
Nada pra depois
Sei que não é engano
Ele bate forte só de pensar em você
Poder mexer em teus cabelos e senti os teus beijos
E de repente me pego sonhando com nós dois
E mesmo sem nunca ter sentido o calor dos teus braços
Você é real não é fantasia
Conto os dias , cada segundo
Entro a madrugada te imaginando do meu lado
E nessa imensidão o desejo só aumenta
E a saudade me leva a lugares mais longínquos
E saudade só se cura com amor
E poder ter a certeza do seu porto seguro
Dois corações iguais , sem segredos
Sem deixar nada pra depois
Marcelo Zacarelli
Utopia
Nua eu te decorei
No quadro da minha concupiscência
Assim inconseqüente sem conseqüência
Eu te furtei na vaidade da minha alma;
Tua imagem tão selvagem
Na pintura insaciada
Explorada na estupidez dos meus dedos
Que estiveram perdidas na insensatez do
desejo;
Eu te pintei
Como quem pinta arrogante
Na irresponsabilidade dos amantes
O delírio de uma imaginação coadjuvante;
Eu te decorei
Como profissional apaixonado
Eu te desejei
Como um carnal assim tão fraco;
Nua eu te possui
Na utopia ignorante da pintura
Sobre o olhar atento da
Hipocrisia dos meus olhos;
Que não tardaram em julgar
A displicência do teu corpo.
Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Setembro de 2002 no dia 06
Itaquaquecetuba (SP)
Larissa Rocha
Vinho
com esse seu cheiro
inebriante de vinho
que me vicia
sem sequer haver provado
e vem me entorpecer,
me tentar com teu néctar
divino.
Esse néctar que é vermelho
como o sangue que por acaso
ainda corre em minhas veias
prova do pouco de vida que me resta
e a noite sombria não tirou.
então chega mais perto,insaciável
cheiro letal de vinho
tinto.
Cálice da morte,paixão fatal
mancha-me de vermelho...
mas este vermelho não é teu vinho
é meu próprio sangue!
não...não erga essa taça assim
o olhar insano,rindo da minha ferida,
duro golpe do
destino.
José Antonio Ramalho Forni
Vencer a dor
que se abalam...
Forças incontroláveis que assustam e movem o ser humano a pensar e repensar sua
frágil existência.
Vento, chuva, sol, terra, fogo. Elementos presentes na vida e na morte de todo
ser vivo.
Diante de tanta força, pensamos o quanto somos
pequeninos...leves...insignificantes...
E, ao mesmo tempo, por imagem e semelhança ao (a) Criador (a), tão supremos e
perfeitos. Dignos de Sua infinita e eterna bondade.
Somos, a um tempo, anjos e demônios, dada a nossa perfeita imperfeição .
A doença, tal como os elementos da natureza, tem a capacidade de suscitar
muitas reflexões. Especialmente quando envolve afetos tão próximos.
Provoca a preocupação pela dor do ser amado. Ou pela nossa na possibilidade de
perdê-lo.
Mas, e para tudo há um mas, há um caudal de situações não vividas. Não
escritas. Não pensadas, quando isso acontece.
E de tudo, fica o agradecimento pelo já vivido.
O testemunho comum de quem se aproxima do fim da vida, quando a mesma foi
regada com a fé e com o amor é o de gratidão.
Pelo que aprendemos juntos. Pelo sofrimento que ensina, mas sobretudo pelas
alegrias que também unem.
Olho para os olhos que infinitas vezes me viram mamar e vejo surpresa e força.
Dor física mas paz espiritual.
Está acolhida no seio dos que a amam.
Suportada em suas dores pelo conhecimento científico assim como pelas mãos e
corações que nunca, nunca lhe faltarão.
Nossa perfeição, similaridade divina, (re) constrói caminhadas. Como agora.
Somos os mesmos e mesmas de ontem. Mas com a grande diferença de nos
sentirmos espiritualmente mais juntos.
- Avante! - Diríamos ao cavaleiro andante.
Nossos dragões existenciais nada mais são que moinhos de vento virtuais!
Tremendo e oscilando, como o fazem espigas de trigo, mas suportando a fúria do
vento, continuamos a crer e amar, minha mãe.
Samuel da Mata
AMIGO LEAL
Pelo celeste amparo e também dos amigos
Bendigo a riqueza do amor fraternal
Pela doce ternura de um amigo leal
E na dor do insucesso, na amargura do fel
Como é doce a ternura de um amigo fiel
Mas se o amigo é impuro ou de caráter venal
Mui depressa o excluo e me afasto do mal
Quão mesquinho me mostro procedendo assim
Quão mais frágil o amigo, mais precisa de mim
Se assim fosse Cristo, excludente qual sou
Que seria de mim, longe do salvador?
Larissa Rocha
Quadras para Ele II
são ainda mais brilhantes
teu olhos carinhosos, calmos e claros
que me arrancam suspiros delirantes.
teu peito carrega divinas volúpias
mais caloroso não há no mundo inteiro
e nem mais macio, suave de linho branco
quem dera toda noite fazê-lo meu travesseiro.
teus lábios são como a primavera
onde flores e aromas se abrem a mil
quando surge ali teu lindo sorriso
um belo presente de tua boca gentil.
margaridamaria
Encantamento
ENCANTAMENTO
Se encante com um novo dia
Se encante com um olhar
Se encante com um sorriso
Se encante com você
Se encante com um amigo
Se encante com um amor
Se encante com a chuva
Se encante com a lua
Se encante com o sol
Se encante com a brisa
Se encante com uma flor
Seja plausível com teus encantos
Que eles se transformam em amor...
Margarida Cabral
joao euzebio
HOJE LEMBREI DE VOCÊ
DAS COISAS QUE NãO DISSE
DAS MINHAS IDIOTICES
QUANDO LHE PEDI
PARA ME ESQUECER
HOJE LEMBREI DE VOCê
DOS PASSEIOS A BEIRA MAR
DA LUZ DO LUAR
QUE NOS ACOMPANHOU
DOS BEIJOS QUE LHE DEI
NO MESMO MOMENTO EM QUE ME BEIJOU
HOJE LEMBREI DE VOCê
DO NAMORO NO PORTãO
DA DOCE ILUSãO
DE UM BEIJO
QUANDO POR DENTRO O DESEJO
NOS FAZIA SONHAR
COMO SE PUDéSSEMOS REALIZAR
TODOS OS SONHOS
QUE ESTE AMOR NOS DEU
HOJE LEMBREI DE VOCê
NO VAZIO DO MEU QUARTO ESCURO
QUANDO A LUA VEM E SE AFASTA
NO MESMO INSTANTE EM QUE O VENTO ARRASTA
ME PARA DENTRO DA SAUDADE QUE ME DEU
HOJE LEMBREI DE VOCê E CHORO
POIS VOCê ERA TUDO O QUE EU QUERIA
E AGORA NãO TENHO
E SEI NUNCA VOU TER
MAS SE HOJE AQUI EU VENHO
ME PERDOE... POIS NãO PUDE LHE ESQUECER.
Blenda Karolline
Se for
Não quero acordar.
E se não for
Quero que isso dure para sempre...
Se for uma ilusão
Quero ser iludida
Se for um jogo
Quero jogar para sempre...
Se for assim
Quero que nunca mude...
Se for como um vinho doce
Que o gosto fica para sempre na minha boca...
Se for pra te amar
Quero que seja verdadeiro...
Se for transparente
Quero que seja tranquilo...
Se for você
Que seja...
Ama Spisso
Poesia da Raiva
Não me venha com seus farrapos, trapos, seus espasmos.
Não me torture com suas juras, curas, suas fissuras.
Não me apresente essa sua estética, ética, essas suas coisas patéticas.
Estou cansada de seus barracos, suas torturas, suas práticas.
Sou raptada pela lembrança da sua presença e por tua descarada ausência.
A imposta dor de todos os dias me dá fadiga.
Aguardo sentada, inadequada, mal amada,
aguardo o segundo, o minuto, a hora,
de mudar o prumo, o rumo.
Aguardo com raiva dessa demora.
Não me diga palavrinhas bonitas,
nem me console como se eu estivesse aflita.
Dentro de mim um universo se agita,
e quando explodir, talvez eu, nem mais exista.
Portanto, se afasta,
se protege, distancia-se.
Resta de longe pra que nemhum fragmento te atinja.
Faz como sempre fez,
finge que não é contigo,
que você é só mais um amigo.
Para de fingir que padece,
dessa tormenta que você, na verdade, desconhece.
Vê se cresce ou ao menos desaparece!
Ama Spisso
" Tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor".(Noel)
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A VINGANÇA !
Afasta de ti a vingança
O ódio e o rancor
Aquela, mata a esperança
Estes, a paz e o amor
A vingança é um reflexo
Do instinto predador
De quem nutre um complexo
De querer ser superior
É a *escrófula da alma
É a máxima do desamor
No indivíduo sem calma
Que só alimenta o pior
Ruína inerme, sem valor
Chaga, tenebrosa e triste
Golpe sujo, de **ablator
Estertor que ao mal resiste
É o ódio em movimento
O rancor em turbilhão
A vingança, é o excremento
Do amor e da razão
Vingança é o acre da vida
A incompreensão moral
Na penúria desvalida
Em nosso reino animal
Qual seta na escuridão.
É o ***rebramir selvagem
Da fúria do coração.
São Paulo, 26/04/2012
Armando A. C. Garcia
Visite meu blog: http:brisada poesia.blogspot.com
- * Tuberculose
- **Instrumento usado para castrar animais
- ***Rugir; berrar; fazer grande estrondo
joao euzebio
POR DO SOL
POR AI
POIS NESTE FIM DE TARDE CHEIO DE SAUDADE
EU CARREGO MINHA DOR
VOU SUPOR QUE A NOITE JÁ VEIO TRAZENDO O
BEIJO DO VENTO
QUE NESTE MOMENTO ACARICIOU MEUS CABELOS
GRISALHOS
E ANTES QUE OS GALHOS DESTES ARVOREDOS
ESTENDAM SEUS BRAÇOS PARA O CÉU
VOU ESTAR DISTANTE ENTRE UMA LEMBRANÇA
CONSTANTE QUE INVADE O MEU PEITO
QUE VEM CHEIO DE DEFEITO
QUERENDO ME CRUCIFICAR
POIS TEU OLHAR JÁ NÃO BRILHA NO MEU
JÁ NÃO É TEU ESTE PENSAMENTO QUE VAGA POR
ESTAS PLANÍCIES
JÁ NÃO EXISTE LIMITES PARA NOSSOS DESEJOS
SOMOS O OPOSTO POIS NO ROSTO AINDA
CARREGO O SEU BEIJO
AS RUGAS QUE O TEMPO ME DEU
POIS A JUVENTUDE SE FOI... DESAPARECEU
ASSIM QUE O SOL SE PÓS
DEPOIS DESTE TRISTE... ENTARDECER
VOCÊ ME VIU MORRER EM TUA SAUDADE
POIS A FELICIDADE NÃO DEMOROU MUITO DO
QUE DEMORA ESTA ILUSÃO
E NA MAGIA DESTA VISÃO QUE TIVE DO MEU
FUTURO
O ESCURO SE ENCHE DE LUZ E NOS CONDUZ AO
DESESPERO
COISAS QUE O TRAVESSEIRO POSSUÍ QUANDO
INFLUI EM NOSSOS SONHOS
POIS SUPONHO QUE NÃO VOU ACORDAR QUE VOU
MERGULHAR NOS BRAÇOS DESTE RIO
QUE VENCE TODOS OS SEUS DESAFIOS
E SE JUNTA... AO MAR.
joao euzebio
DELÍRIOS E DEVANEIOS
ENQUANTO MEUS PEDAÇOS EVAPORAVAM POR AI
QUERENDO SE EXTINGUIR DENTRO DOS TEUS
QUE AOS POUCOS DESAPARECEU EM DEVANEIOS
PRESA EM TEUS SEIOS NUS
COMO SE FOSSE UM BLUES
NOS ACORDES DO MEU CORAÇÃO
POIS MINHAS MÃOS VOLTARAM VAZIAS
EU IA SABIA
QUE NÃO ERAS MINHA
FOI APENAS UMA LINHA
QUE NOS SEPAROU
QUE NOS DEU O QUE SOBROU
NESTE SOPRO QUE O VENTO TROUXE
LÁ DO FIM DO MAR
SOMOS COMO ESTRELAS EXTINTAS QUE A MUITO
VIRARAM PÓ
SOMOS O NO DA QUESTÃO
A PRECISÃO DE UMA FLECHA QUE VOA E ACERTA
O PONTO
SOMOS UM CONTO QUE VIROU DRAMA
A CHAMA QUE SE PROPAGA
QUE VIRA CINZA
E ACABA EM NADA
E ENTÃO ME PERGUNTO
POR QUE SE... ACENDEU.
SOMOS A MADRUGADA
O VELHO QUE PASSA PELA CALÇADA
E SE PERDE EM UMA ESQUINA QUALQUER
ENQUANTO A SOMBRA DE MULHER
SEGUE OS SEUS PASSOS
PARA QUE DENTRO DE UM ABRAÇO
ELE POSSA MORRER
SOMOS AS FOLHAS QUE CAEM NAS AGUAS
DESTE RIO
O FRIO QUE ESTREMECE
O SENTIMENTO QUE CRESCE E VAI SE FORMANDO
DENTRO DA GENTE
SOMOS A ENCHENTE
QUE ARREBENTA A COMPORTA
A PORTA QUE SE FECHOU
A LUZ QUE SE APAGOU
DENTRO DE UMA ESCURIDÃO PROFUNDA
ORIUNDA DE NOSSOS DESEJOS
COMO SE ESTES BEIJOS FOSSEM OS ULTIMO
QUE SOBROU
POIS SEI QUE VAI QUERER UMA EXPLICAÇÃO
QUANDO A SOLIDÃO VIER
E SE DEBRUÇAR NESTE CORPO DE MULHER
QUE MUITAS E MUITAS VEZES DESEJEI
E SE PASSEI PELA TUA SAUDADE
SEJA APENAS A METADE
DAQUILO... QUE SONHEI.
Edson Fernandes
Pássaro Azul
Procura na sua solidão seu encontro
Nos corações sua prece
No silêncio seu desencontro
Que no seu cantar invade corações
Que do seu medo cria seu voar
Das dúvidas alheias suas paixões
Num salto infinito, sem perdoar
Pássaro Azul que de solitário
Esconde suas mágoas
Que fere um coração imaginário
Sem ressentimento ou lágrimas
Pássaro Azul que vôa livre
Em busca de mais uma aventura
Sem pensar na dor que arbitre
No silêncio do seu ninho que perdura
Uma paixão ainda escondida
Que fere sem ser ferido
Sem pensar na despedida
Pois há sempre um coração perdido
Edson Fernandes
Gi
Meu sonho
Amor perfeito,
Vida sossegada,
Rotina segura,
Futuro encaminhado,
Cada passo planejado!
Não para mim! Sonho assim...
Poético!
Amor exagerado,
Arte, música, dança,
Esperança!
Do imperfeito, por nós, perfeito.
Surpresas do futuro.
Colorindo a felicidade,
Dia a dia,
Sonho com poesia.
Gizelle Amorim
Guilherme Coutinho
O corvo do abismo

Aproxima-te então e pula comigo
E a ave prostrou-se diante do abismo
Virou-se para trás e fitou-me brevemente
Adam_Flehr
O tolo motivo da rosa
Em nenhum momento
falei-te de minhas agonias
mas trago comigo algumas feridas
Se o que feriu não foi
espinho
Se o que abriu não foi
botão
Em tempo marcado
tentei ceifar-te de minhas entranhas
fugi do abrigo e transpus as medidas
Se o que desfolhou não era
pétala
Se o que exalou não era
perfume
E deixando de ser assim
também vou existindo
imotivada pelo tolo motivo
Se o que me ceifou não foi
ao acaso
Se o que me tocou não foi
sem amor
Sergio de Sersank
UM HOMEM MORRE DE FRIO
que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes."
Mateus 25:40
Nos braços de Morfeu queda a cidade.
Gélida avança a noite sob o vento
Que zune açoites, bravio.
Por leito e barricada andrajos tendo,
Num canto, ao pé de arranha-céu imenso,
Um homem morre de frio...
Agonizando, ali, talvez delire,
Vendo os pedestres últimos, em busca
Do leito morno, macio...
Talvez, sinta-se um deles, por momentos...
Um homem desses, livres das algemas
Do destino. Ah, desvario!...
Morre indigente. Já não mais lhe ocorrem
Reminiscências de melhores dias.
Não tem mais traços de brio.
Distantes sons de uma boate em festa
A custo põe-se a ouvir. Perdem-se, agora,
no seu imenso vazio...
Nem todos dormem. Ornam-se de luzes
Os altos edifícios. E eis, um carro
Pára junto ao meio-fio.
Traz de Mammon uns súditos restantes
Que, indiferentes, tiritando e rindo,
Vão-se com seu vozerio...
Ensaia erguer-se; embalde, embalde tenta...
Thanatos já, movendo as longas asas,
O envolve, terno e sombrio.
À volta, entre as paredes, que ironia:
Há tantos indivíduos que se abraçam
E tanto leito vazio!
Bem cedo hão de encontrar-lhe o corpo, inerte.
Hão de exprobrar-se, por negar-lhe auxílio,
num gesto inóquo, tardio...
Talvez, alma remida, ao sol do Além planando,
Não mais proscrita, logo exulte e louve
O Averno da crosta, frio...
"- Coitado!"... "- Oh, que infeliz!"... "- Quem era ele?""
- Um ébrio, com certeza". "- Um andarilho."
"- Um réu, talvez, arredio"...
Descerrem seus portais, guardiões do Inferno!
Estendam o seu fogo ao mundo infrene!
Um homem morre de frio...
Samuel da Mata
AMOR MORIBUNDO
da cama e do peito
há um vazio profundo
Já não há alegria,
calor, euforia,
nada a palpitar
O rugir de sua fonte
é o som do desmonte
de um amor moribundo
Que suspira latente
e sofre penitente
sem querer se entregar
Quando o amor vai embora,
o que fica por fora
pode até enganar,
Nas não vibra nem canta,
não abraça ou encanta,
não há como negar:
É uma trova sem rima,
sequidão na campina
esperando queimar
Triste de quem não assume
o apagar de seu lume,
para recomeçar
Adam_Flehr
Como é que se diz Eu te amo ?
Eu me lembro como se tivesse acontecido ontem, mas já se passaram tantos anos! Era uma sexta-feira. Naquela época, todas as sextas-feiras eram especiais. Éramos tão jovens e tínhamos todo o tempo do mundo. As ilusões não haviam fenecido, e ainda era cedo para nós.
Aproveitamos o dia que prenunciava o final de semana para comemorar, saímos do trabalho com o sol ainda alto, devido ao horário de verão. Fomos para o nosso "bunker" tradicional, um dos inúmeros "pés-sujos" que ladeavam o nosso escritório.
Trabalhávamos duro durante toda a semana, segundo o "Yuppie way of life", vigente naquele tempo , e buscávamos toda a diversão que algum veneno anti-monotonia pudesse nos proporcionar, nos tempos livres. Éramos jovens típicos daquele tempo. Hoje, um tempo perdido.
Discutíamos sobre tudo, desde a mais recente fofoca do escritório até Freud, Jung, Engels e Marx. E apesar de acreditarmos no futuro da nação, havia tanta sujeira nas favelas e no Senado (e por todos os lados) que sempre nos questionávamos: que país seria aquele? O Rio de Janeiro já prenunciava o faroeste caboclo que é hoje, mas ainda ficávamos até mais tarde nas ruas, conversando, bebendo, namorando... tentando descobrir como é que se diz: " - Eu te amo" !
Lá pelas tantas, a rádio que municiava a música ambiente anunciou uma notícia tão inédita quanto improvável para nós: havia falecido naquela madrugada, por infecção pulmonar, o cantor, compositor e líder da Legião Urbana, Renato Russo.
Ícone e porta-voz de toda uma geração, da minha geração, Renato foi a voz, o cérebro e o coração de toda uma época. Sabíamos de seu recolhimento e das suspeitas de que ele estivesse com AIDS, mas o lançamento de um novo CD, "A Tempestade", apesar de tão belo quanto soturno, nos havia dado um novo alento. Mesmo depois de ouvirmos o anúncio de sua morte, custávamos a acreditar. No meu canto, eu repetia internamente: eu não vou chorar, eu não vou chorar... Acho que todos daquela mesa estavam pensando o mesmo, porque ninguém ousava falar palavra sequer. Aos poucos, timidamente, alguns começaram a cantarolar baixinho, a música que estava sendo reproduzida no alto-falante, como se não houvesse amanhã.
A noite acabou e certamente não fugiríamos mais com ele, ficaram as honras e promessas, lembranças e estórias. Enquanto estávamos indo de volta para casa, eu me lembrava de uma frase dele que dizia que não devemos cultuar heróis porque até mesmo estes tem os pés de barro...
Contudo, eu não queria de forma alguma me desfazer de meu herói. Se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais e seja como for, mesmo com os seus pés de barro, eu rabisquei um sol na calçada, com a fugacidade de um giz. Ou da própria vida. Mas tudo bem...
Tributo a Renato Russo (1960-1996)
MARINA SATIRO
Confusões
Fernando Almeida dos Santos
A Tristeza do poeta
O sentimento está dentro
Mas na hora de escrever nada sai
A ponta da caneta
no papel ganha peso
e o escritor que a conduz
sente por si mesmo grande desprezo
Tem a intenção de que sua poesia
traga para as pessoas que a lerem
bons momentos de alegria
Esta é a terrível condição
que o triste poeta está fadado
relatar diversos sentimentos maravilhosos
Sem deles nada ter desfrutado
Percebe seu engano
e arrepende-se de ter cometido
esse erro tão humano
Logo enche seu espírito de alegria
reflete sobre tudo o que sente
e se prontifica a transformar
tudo isso em poesia
A tristeza do poeta enfim
é posta de lado, fazendo-o deixar para o mundo
quartetos e tercetos de seu legado
Pois a cada sensação extraída
de qualquer estrofe sua lida
faz o poeta que não sabia o que é estar apaixonado
Sentir-se do mundo
O ser mais amado!
Fernando A.S
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