Lista de Poemas
Explore os poemas da nossa coleção
Josimar Heureca
Nunca mais
Nunca mais diga que não terá outra pessoa;
Nunca mais fale que não é interessante;
Nunca mais pense que você não é feliz;
Nunca mais abandone seus desejos;
Nunca mais escreva sua velhice;
Nunca mais converse sobre dificuldades;
Nunca mais dialogue com o nada;
Nunca mais toque na raiva;
Nunca mais prove do medo;
Nunca mais arranje falsos amigos;
Nunca mais improvise no amor.
Chico Lira
Dormitando
Mas não posso dar jeito
Pois a natureza a fez assim:
De alma acanhada e rude
E de mãos embranquecidas e frouxas
Que nem folha seca ao vento...
Será que um dia ela descansará
Em paz? Ou se ainda,
Ela ressuscitará outra vez
Com aspecto mais descente de uma flor?
Com seriedade eu não sei...
Nada que ultrapassa essa vida
Foi me dado a conhecer;
Que pena eu ser
Tão limitado humanamente.
Rezemos, roguemos à Virgem Maria
Para que interceda por ela no céu,
E assim, minha irmã transcenda esta vida...
Ah! Se eu também tivesse
A mesma sorte que ela
Hoje eu dormiria em paz.
Que nem Maria, que dormitou...
Chico Lira
Algures
No breu da escadaria;
E aquelas vozes que soam
Ao longe, como que vem
Para me espantar,
São vozes de gente infame
E que não tem o que fazer,
Que vive bisbilhotando
A vida alheia,
E esquece a sua,
E esquece que vive,
E que pensa que é Deus.
Mas vejo-te ainda, amor,
Toda faceira e nua
Como pétalas no sol das onze e meia;
E se passares outra vez por mim,
Verás que em ti serei sol
Tão quente que te transpassarei
A alma, em chama candente, eternal.
Chico Lira
Mortalha
Em uma mortalha. Espero eu,
Que não seja preta por dentro,
E preta por fora.
Mas que tenha, no mínimo
Uma fresta reluzida,
Que me aplaque os olhos
Em noite de breu!
Que triste seria se eu morresse
Ser ver a luz do dia;
Ou se ainda ficasse a espera
De um pouco de água...
Lembro-me ainda daquelas
Assombrosas histórias
Que meu povo contava:
De que quem morre sedento
E sem uma vela nas mãos,
Ao menos não entra no céu...
Sabe-se lá os exércitos celestiais
Onde se encontra agora toda essa gente!
Queira Deus que não venha eu
Ser um desses moribundos
Que jazem sem esperança de vida;
Porém, venha eu arrepender-me
Primeiro de tudo, antes que a morte
Me passe a fio da espada,
Assim como fizera com todos esses defuntos.
Chico Lira
Céfas
Rocha é firme e firme é Pedro
Que é pedreiro de pedra firme
E que nem é Paulo, nem João:
João é emoção, Paulo é tendeiro,
Mas tenda é tendão, e de Pedro.
E Pedro é Papa e Papa é pedrinha,
E pedrinha é Bento,
Que é cordão umbilical de pedreira.
E pedra é pé de romeiro apaixonado
Peregrinando rumo a Roma
Ah! Roma tu sim fostes a cidade
Eleita para derramar-se em tuas ruas
O sangue dos mártires eternais...
Josimar Heureca
Sei lá
blog: http://josimaralves.blog.uol.com.br/
Tchoroco Záfenat
Re-lances
Meus olhos nos teus
Uma loucura,
Uma sensação indescritível.
A corpo a tremer,
O coração a bater
O sangue a ferver nas veias
Os nervos a flor da pele.
Entre o teu e o meu olhar
Vejo o mundo passar
Os anjos a cantar
Canções infalíveis de amor
Vejo também estrelas coroando o céu
A noiva de prata e o astro rei a se beijar
E uma fonte energética cosmolar
A nos rodear.
Em re-lances,
Meu olhar em tua boca
Teu olhar em minha boca
Faz nascer-nos uma vontade louca
De beijar-nos na boca
Em seguida fazer cantar o “ roxinol “
Inspirado nesse beijar teu e meu.
Já o cosmo de nossos corpos
Em metamorfose uni nossos desejos.
E nas plumas celestiais
Nossos corpos entrelaçados
Sob as mais altas dimensões amorosas.
Pouco a pouco
Mão na mão
Aterrisamo-nos na terra
Beijinhos e palavras
Despedimos um do outro
Já na saudade e na espera,
De mais uma vez, ver-nos.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
É A MORTE
Neste meu corpo frágil e gelado
Voa a minha alma num papagaio de papel
Por este céu brilhante, onde queima o sol
Areia branca ou talvez vulcânica
De pedras grandes e pequenas onde ferem os pés
Pés descalços à beira do mar
Deixamos as mágoas, as dores do corpo
Onde a morte afaga os pensamentos
Frágeis, soltos e débeis
Deste meu corpo já tão frágil e gelado!
Tchoroco Záfenat
Me queres
Como queres?
É de querer como me queres?
Ou me queres só por querer?
Me queres a sorrir,
Feliz tu me queres,
Amando tu me queres
Sou amado por querer-me.
Do contrário,
Sofreria por te querer
Meu bem querer.
Porém,
Sei que me queres
Pois,
É meu o teu querer
Te quero como me queres
No luar me queres
Entre o coberto me queres
Com beijos e carinhos
Me queres,me queres, me queres.
Na saúde me queres
Me queres na doença
Na vida me queres
Até que a morte nos separe
Tchoroco Záfenat
Entre o passado e o futuro
Devastando tudo
Estou à frente dos anos
Mas estou parado.
Nunca estive em primeiro
Jamais fui o derradeiro
Os anos chegam devagar
E permaneço neste lugar.
São navalhas,
Marcam minha pele,
São recordações
Que me repele.
Escrevem minhas vitórias
Relatam minhas derrotas,
Neles faço histórias
Implodindo-me de esperança
Com os anos fui inocentado,
Vitalício, juvenil,
Com os anos fui acusado,
Perdi La juventude não sou mais viril.
Jorge Santos (namastibet)
Sombras no nevoeiro
(Sombras no nevoeiro)
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
OLHA-ME MEU AMOR
Afasta-me de todas as mágoas
Com os teus beijos
Apaga todas as minhas lágrimas
Que correm pelo meu rosto
Ninguém me ama, como tu
Ninguém encanta-me, como tu
Nem me vê, como só tu me vês
Por isso amor envolve-me nos teus braços
Deixa-me descansar, adormecer no teu peito
Que os meus olhos durmam nos teus
Que eu sonhe sempre, com o teu corpo a queimar-me
Por dentro, é tudo o que quero de ti meu mor
Gostava que te deitasses; sempre ao meu lado
Que despisses os teus segredos; no meu regaço
Para que não escondesses, todos os teus medos
Enlouquecermos os dois nas noites quentes e inesperadas
Josimar Heureca
Sol
Solto
Solícito
Solfejava
Soltamente
Mário Massari
De onde a música?
Havia sorriso e luz
nas tardes brancas de outono
em que os meninos soltos
olvidando quaisquer conselhos
burlavam a vigilância das horas.
O mundo não era ainda
esse labirinto de espantos
e acrobatas por instinto
saltávamos o muro do encanto.
Hoje há essa encruzilhada
cravada no peito da noite
de onde virá a música
soando feito pranto?
Tchoroco Záfenat
Entre Garfo e Faca
Eu tenho sede
Olhos no espelho e não tem pão
Vejo uma lágrima
Entre garfo e faca
Alimentando meu irmão
A barriga aperta
Eu tenho sede
Bebo um pouco dágua
Pra matar a minha fome
Não quero dormir no chão
por isso te peço um pão
Amigo tenho sede
por favor me dê um pão
Vou buscando forças
Em minhas fraquezas
E a alguém eu peço pão
Para saciar-nos
Uma grande sede
Minha e também de meu irmão.
António Guerreiro
Épico
Criar a maior sinfonia.
Pintar o entre e a falha
Com sabor a poesia.
Maíra Franco
Pássaro
Na palma da tua mão
posto em pássaro, pousa o presente
olha bem este ser delicado
pronto, contente
Na palma da tua mão
pousa um pássaro,
olha bem este ser acanhado
de coração pequeno
batendo frenético, acelerado
Na palma da tua mão,
pousa delicado, um ser vivo
posto em pássaro
olha bem este ser afortunado
Na palma da mão
bate feroz, um ser, em coração
uma figura de pássaro,
olha pra ele, assim, pousado
Na palma da tua mão
olha, sou eu a ave
meu coração acelerado bate
me solta ou me prende
assim, pousada,
no teu presente.
Maíra Franco – 27 de dezembro de 2009
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
LUTO
Ou amamos, é duro
Toda a perda faz-nos refletir e pensar
Porquê?
A pior fase é a do luto, não é fácil
A dor é imensa e as lágrimas
Muitas vezes caem pelo rosto
É bom chorar, o pior é quando não
Temos tempo para chorar
Devemos aproveitar cada momento
Ao lado das pessoas que amamos.!
afonso rocha
MULHER
...ocupas todos os meus dias...
...até ao segundo
Fazes parte da minha existência...
...e o tempo da minha Vida...
...é todo Teu
Josimar Heureca
Laços
Tchoroco Záfenat
Eternizar
No momento que te ver sorrir
Para eternizar esse sorriso limpo
De quem o faz sem o fingir
É pra te ver vislumbrar,
Repleta de amor e paz,
Eu este jovem rapaz,
Quero o teu tempo parar.
Na hora de uma lágrima cair
Para enxugar o teu rosto
Antes da dor persistir
Aumentando o teu pranto
Ah!como quero em teu sonho gostoso
O tempo também fazer parar
Para que viva o caloroso,
Cada momento desfrutar.
O tempo quero também parar
No momento que me beijar
Pois se o mundo acabar
Este instante no tempo quero deixar.
Tchoroco Záfenat
Companheiro de caminhada
Caminhei na praça
E numa destas caminhadas
Tomei banho de chuva
Percebi então o teu estado
Doente,resfriado e encharcado.
Tossia como tuberculoso
Seu coro rachava e abria.
Boca aberta,língua de fora
Mal hálito exalando,
Não há mais condições
Meu pobre sapatinho!
Tchoroco Záfenat
Baia da Traição – PB 08/12/07
Josimar Heureca
Mãe
Raspa