Escritas

Lista de Poemas

A desordem é necessária, por

A desordem é necessária, por isso Diónisos existe, porque é na desordem que vamos sorver a ordem. A ordem constante estagna, apodrece. Então tem que vir a desordem como uma espécie de purga, para voltarmos à ordem.
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Grande parte da minha obra

Grande parte da minha obra é dedicada à minha mãe. Eu não sou nada maternal. Se sou maternal é no sentido, digamos, psicobiologicamente feminino, de toda a mulher ser um translado da Mãe Eterna. Mais nada. Só nisso é que sou mãe...
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Tenho é a sorte de

Tenho é a sorte de possuir três ou quatro amigos fiéis. Se as pessoas vêem nisso uma corte, terei de considerar uma tal interpretação com frustração de quem não os tem. Eu tenho. E devo dizer que também faço tudo por isso, porque me esforço por retribuir a amizade que recebo.
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A arte e a sociedade

A arte e a sociedade são inseparáveis. A sociedade produz a arte e o produto aperfeiçoa a sociedade. Esta finalidade pode não estar imediatamente patente na espécie artística, mas é ela que a determina. Até mesmo as formas de arte declaradamente negativas ou indiferentes obedecem por caminhos ínvios a esta lei.
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Ninguém se pode possuir inteiramente,

Ninguém se pode possuir inteiramente, porque se ignora, porque somos um mistério. Para nós mesmos. Podemos sim, ser mais conscientes de uma determinada missão que temos no mundo.
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Não aceito nenhuma disciplina que

Não aceito nenhuma disciplina que me seja imposta, sem que me demonstrem a razão dela.
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O espírito

Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

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Nictofagia

Se eu pudesse beber-te, ó noite,
Até encontrar o teu gosto,
Ou mordendo a ponta do açoite
Da tua treva no meu rosto,

Achasse a planície de lume
De que és uma aresta de estrelas
E sonhando sem peso e volume
Fosse um sonho de chão a tece-las

E na praia de um trilo sem flauta,
Instrumento das harpas do fundo
Duma água escorrida da pauta
Da manhã mais antiga do mundo,

Me estendesses, ó noite florida
Das sementes que trazes no punho,
Uma adolescência impelida
Pelo arco das brisas de junho!

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Cosmocópula

I

Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras

II

O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso da água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
duro e cheiroso como o aloendro.

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Mocinhas gráceis

Mocinhas gráceis, fungíveis
Mimosas de carne aérea
Que pela erecção dos centauros
Trepais como doida hera!
Por ardentes urdiduras
De Afrodite que abonais
Passais como queimaduras
E tudo em fogo deixais.

Ofegar de onda retida
Na ocupação epidérmica
De serdes a exactidão
Florida da primavera,
Todas de luz invadidas,
Soi, porém, as irreiais
Bonecas de sol sumidas
No fulgor com que alumbrais.

Lá no fundo dos desejos
Chegais macias e quentes
Com violas nos cabelos,
Nas ancas, quartos crescentes;
Nas pernas, esguios confeitos,
Na frescura o vermelhão
De uma alvorada que rompe
Em seios de requeijão.

Enleais, mas de enleadas,
Ó volúveis, ó felinas!
Saltais fazendo tinir
Risadas de turmalinas;
E com as asas do segredo
Que vos faz misteriosas
– Pois sendo divinas, sois
Do breve povo das rosas –,
Adejais de beijo em beijo
Já que para gerar assombros
Vicejam as folhas verdes
Que vos farfalham nos ombros.

Ó doçaria que em línguas
Acres sois torrões de mel,
Quando idoneamente ninfas
Vos vestis da vossa pele!
Se a olhares venéreos furtar-vos
Em roupas não vale a pena,
Pois mesmo vestidas estais
Nuinhas de graça plena,
De esbelta nudez plantai
Róseos calcanhares nos dias
Fugazes, não vá Vulcano
Levar-vos para sombras frias;
Não sequem os anos corpinhos
De aragem que os deuses sopram,
Que os anos são os malignos
Sinos que pela morte dobram.

Mocinhas fúteis que sois
Da vida as espumas altas
Leves de não vos pesar
O peso de terdes almas;
Que essa força de encantar,
Ó belas! cria, não pensa.
Ser perdidamente corpo
É a vossa transparência.
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Comentários (4)

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Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
2023-12-09

Grandiosa

tomaslopes
tomaslopes
2023-06-23

Um mulher de uma grande alma e pensamentos. Consegui lutar contra os tabus da época. Grandiosa e Correta no que escrevi e dizia.

Matilde
Matilde
2023-03-07

Simplesmente magnífica!

Marco Antônio Rodrigues de Oliveira
Marco Antônio Rodrigues de Oliveira
2021-05-08

Grandiosa! Estupenda! Completa! Magnífica! Estonteante!