Escritas

Lista de Poemas

O Livro dos Amantes II

Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.

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Fiz um conto para me embalar

Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.

Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.

Rosas fatais, as três donzelas
A mão de espuma as desfolhou.
Nenhum soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.

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O Livro dos Amantes

I
Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.
Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.
E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida.
II
Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.
III
Príncipe secreto da aventura
em meus olhos um dia começada e finita.
Onda de amargura numa água tranquila.
Flor insegura enlaçada no vento que a suporta.
Pássaro esquivo em meus ombros de aragem
reacendendo em cadência e em passagem
a lua que trazia e que apagou.
IV
Dá-me a tua mão por cima das horas.
Quero-te conciso.
Adão depois do paraíso
errando mais nítido à distância
onde te exalto porque te demoras.
V
Toma o meu corpo transparente
no que ultrapassa tua exigência taciturna
Dou-me arrepiando em tua face
uma aragem nocturna.
Vem contemplar nos meus olhos de vidente
a morte que procuras
nos braços que te possuem para além de ter-te.
Toma-me nesta pureza com ângulos de tragédia.
Fica naquele gosto a sangue
que tem por vezes a boca da inocência.
VI
Aumentámos a vida com palavras
água a correr num fundo tão vazio.
As vidas são histórias aumentadas.
Há que ser rio.
Passámos tanta vez naquela estrada
talvez a curva onde se ilude o mundo.
O amor é ser-se dono e não ter nada.
Mas pede tudo.
VII
Tu pedes-me a noção de ser concreta
num sorriso num gesto no que abstrai
a minha exactidão em estar repleta
do que mais fica quando de mim vai.
Tu pedes-me uma parcela de certeza
um desmentido do meu ser virtual
livre no resultado de pureza
da soma do meu bem e do meu mal.
Deixa-me assim ficar. E tu comigo
sem tempo na viagem de entender
o que persigo quando te persigo.
Deixa-me assim ficar no que consente
a minha alma no gosto de reter-te
essencial. Onde quer que te invente.
VIII
Eis-me sem explicações
crucificada em amor:
a boca o fruto e o sabor.
IX
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
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Só aceito a disciplina quando

Só aceito a disciplina quando me demonstram que ela é uma necessidade ética ou criadora. Quando não mo demonstram, não aceito.
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Os meus heróis na vida

Os meus heróis na vida real são os que desafiam a lei em nome de um ideal.
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O meu sonho de felicidade

O meu sonho de felicidade seria não haver necessidade de poesia como género literário por ela se achar já realizada na vida.
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Eu sempre estive na serenidade,

Eu sempre estive na serenidade, daí as pessoas, às vezes, poderem achar que a minha expressão é um pouco rebarbativa, mas isso é precisamente o desafogar de coisas que não quero ter recalcadas em mim. Não cultivo a morbidez dos conflitos interiores. Sou um ser escandalosamente saudável! Por isso, canto os deuses.
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Poesia actual julgo eu ser

Poesia actual julgo eu ser aquela que vem criar uma nova exigência numa época e não a que é exigida por essa época.
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Os meus mestres foram todos

Os meus mestres foram todos os homens e mulheres que me deslumbraram em leitura e não só: em exemplos de vida.
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A sabedoria é mesmo feminina.

A sabedoria é mesmo feminina. Correndo o risco de me repetir ou citar a mim mesma, direi que a «sophia» é feminina. A sabedoria é feminina e a filosofa é masculina. O homem enamora-se da sabedoria, mas nunca chega lá. E o percurso para... A mulher, ela própria, é ovularmente o segredo do Universo. Ela contém em si a sabedoria. As vezes não tem é consciência disso.
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Comentários (4)

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Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
2023-12-09

Grandiosa

tomaslopes
tomaslopes
2023-06-23

Um mulher de uma grande alma e pensamentos. Consegui lutar contra os tabus da época. Grandiosa e Correta no que escrevi e dizia.

Matilde
Matilde
2023-03-07

Simplesmente magnífica!

Marco Antônio Rodrigues de Oliveira
Marco Antônio Rodrigues de Oliveira
2021-05-08

Grandiosa! Estupenda! Completa! Magnífica! Estonteante!