Escritas

Lista de Poemas

O Pé Feio de Gesimara





Gesimara;

Meio que na marra

Contou-me segredo

Que anda descalça

Meia que com medo

Meia que sem graça

Por que tem pé feio.



Gesimara;

Virgem Maria dos céus!

Este que são pés teus

Não há quem veja

E que não perceba

E que não duvide

Ser obra de Deus.



Gesimara,

Meio que na farra

Quase me escondeu

Chinelo de dedo

De rosa vermelho

Que se escafedeu,

A que mal te pergunte

A alguém que curte

Estes pés teus.



Homenagem a Gesimara Félix da Silva.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Novembro de 2002 no dia 11

Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 657

EMULAÇÃO



Esplendida dama, suntuosa no vestir;

Deslumbrante no falar, astuta no agir,

Com este seu comportamento de posse

Mulher exacerbada de caráter pérfido

De carinho precioso, sentimento doloroso!

De bagagens esplendidas, estranhas e feridas...

A lealdade e a má índole da vida,

Caminho irreal, estrada verídica...

Contrariando a mística feminina,

És você menina doida varrida;

Importuna nos teus conceitos

Tu pleiteias sem direito,

Manipulada por qualquer incentivo

Subornada aos desejos de qualquer estímulo

Teu semblante de bruxa pouco assusta

Teu corpo franzino de pouco juízo

Menina hilária descompromissada da vida

De aspecto lúgubre e notável histeria

Diante do espelho de reflexo obsessivo

Continuas hesitante no teu juízo possessivo

Incitas o mal em tua bola de cristal

Entre a mais perfeita bruxa, infernal!

Esplendida dama de feitiço maleável

Acorrenta o coração

De um homem indesejável;

Até quando mulher será despretensiosa

Só não te aturo calada

Prefiro a ti fogosa.



Pelo autor Marcelo
Henrique Zacarelli

Abril de 2002 no dia 24 Itaquaquecetuba
(SP)
👁️ 481

Obra da Teosofia





Coração é terra que ninguém anda

É órgão que inflama que reclama...

Desiludido pelo sentimento que engana

Coração partido de saudade leviana.



Coração é traído pelo desejo

Manipulado pelo beijo, subordinado pelo seio...

Ludibriado pela malícia do meu pensamento

Funeral sem cortejo, fome sem sustento.



Coração é esculpido pelas mãos do destino

É imagem perplexa do desatino

Criança sem face, odre de vinho envelhecido...

No espelho do passado reflexo irrefletido.



Coração é valente nas batidas do peito

Estação de folhas secas carregadas pelo vento

Coração é covarde amedrontado pelo medo

É inverno sem saudade céu nublado e cinzento.



Coração é lápide de mármore, histórias frias

Que pulsa dentro ao peito, nas batidas pela vida...

Estranho pergaminho, de palavras escondidas

Do engenheiro lá do céu, a mais pura obra
prima.





Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Março de 2002 no dia 26

Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 471

MINUTA



Da imagem imortal e traços imperceptíveis,

Desenho sem medo a plenitude do semblante,

Pois encontrei na silhueta do teu rosto,

Inspiração total para descrevê-la;

E ao perfilar a linha imaginária dos teus lábios,

Minha boca teve sede,

De tão incólume e intocável

Um enigma a ser decifrado pelos amantes da ilusão,

E ao reclinar-te para uma pintura,

Empresta-lhe à beleza a um quadro

Minhas mãos quase trêmulas

Disfarçam tamanha apreensão,

A fragrância do teu corpo nu

Incorporou sobre a tinta a desvairar-se

Dentre aos mortais pincéis da imaginação;

Até mesmo Picasso ignoraria tamanha imperfeição,

Quanto mais um humilde poeta,

Ao descrevê-la em minha folha de papel,

E tentar esculpi-la na magnitude

Do teu ser seria loucura;

Alguém em sã consciência não exitaria,

Talvez se contentasse com pequeno preencher

Que me veio de presente da face oculta,

Chego a sonhar com tua imagem

Que me toma por assalto em meu leito;

Mas na pretensão deste momento

Era real o testemunho dos meus olhos;

Apenas um rascunho desdenhado

Da beleza do teu rosto,

Beleza sem igual imortalizada e sortida

No quadro de um poeta ambicioso.




Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

24/abril/2002 Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 454

Favela Tão Bela





Dizes querida donzela

Se tu moras na favela

Tão quieta e tão bela

De ruas tão nuas

De noites escuras

De humildes alparcas

De mesas tão fartas

Dizes-me donzela

Se tu vens da favela.



Dizes amante donzela

Quando vens da favela

Tão bela e tão discriminada

De beleza assaltada

Jóia feia na vitrine da cidade

Rara escola de futebol

De meninos sem vaidade

Como presos de uma cela

Realidade bruta da favela.



Dizes hó linda donzela

Se tu moras na favela

Dos tímidos quintais

Das notícias nos jornais

Não te envergonhe menina

Das moradas da tua sina

Ainda tens uma janela

Em tua favela que é tão bela.



Dizes o porquê donzela

Que tu vens da favela

De um bairro da periferia

Tão pacata e tão fria

Da vizinhança corriqueira

Do feijão queimado

Na casa da fofoqueira

Não te quero donzela

Longe da beleza da favela.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Maio de 2002, no dia 09 /Itaquaquecetuba (SP).
👁️ 517

Poesia Órfã

De peito aberto,

Paloma teu coração

Sinto teu pulsar por perto

Quando desces

A comer em minhas mãos.



És livre, sobre voa sem destino,

Pelas notas da canção

De composição deste desatino

Descalça na letra de uma solidão.



De peito ferido,

Repousas neste galardão

À noite te assalta

A procura de abrigo

Amanheço contigo em busca do pão.



Meus olhos saltam em desespero,

Quando te misturas à imaginação

Se não te vejo reclama meu peito

Singela Paloma com toda razão.



Onde estás, pequena pomba,

Que desertas minhas mãos

Na candura do teu vôo

A letra desta poesia tornou-se órfã.



Homenagem a Paloma Cristina Zacarelli.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Maio de 2002 no dia 27 Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 565

JORNALEIRO AMIGO


Jornaleiro sim

Que vende notícia

Da ilustre revista

Se bem ou se mal

Que vende jornal

Que conta mentiras



Jornaleiro por opção

De bom coração

Não tão bom de pulmão

Um fumante confesso

De opinião e brasileiro

Com sua banca situada

Na avenida amador Bueno;



Nascido de minas

Mais preciso de guaxupé

Companheiro de Ondina

Que tomou por tua mulher

Jornaleiro honesto

Que Deus o tenha



Seu Aldo de todos

Do alto da penha;

Jornaleiro amigo

Saudoso avô

Á que mal lhe pergunte

Por que à morte te chamou.


Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

21/maio/2002 Itaquaquecetuba (SP)











[U1]

Esta Poesia fora inteiramente Inspirada em Aldo Zacarelli / avô do Poeta Marcelo H. Zacarelli / Cuja Banca de
jornal situava na Av. Amador Bueno da Veiga Bairro da Penha cidade de São Paulo
/ considerado Patriarca da Família
Zacarelli / faleceu em 25/07/1989 aos 67 anos.



👁️ 659

Estação Rocha Leão







Que saudades da velha estação

Da locomotiva que trilhava a ferrovia

Patrimônio histórico que a muito não se via

Estação antiga de Rocha leão.



Quando ainda gatinhava à vontade de trilhar

Nasceu por mão de obra de escravos

Estrume de boi misturado com os barros

Em rio das ostras ela veio inaugurar.



Com teto de telhas francesas

De marseille era a velha estação

Desde 1887, não se via tamanha beleza.



Os tempos modernos destruíram a velha estação

O coração da velha locomotiva parou

Não batem mais nos trilhos de Rocha Leão.



(soneto)



Homenagem à antiga estação, situação!

Hoje transformada no centro ferroviário

De cultura, antiga estação Rocha Leão.



Pelo autor Marcelo Henrique
Zacarelli

Novembro de 2002 no dia
04

Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 483

Sua Garota



Viva o quê é o amor, viva uma fotografia...

Não brigue com sua garota

Nem de noite nem de dia.



O tempo passa tão depressa

Logo no deserto haverá flores

Mostre a ela à terra do seu coração

O tempo não espera por arrependimentos.



Viva o agora, viva o presente...

A garota é sua meu amigo

Como é hoje, como será sempre.



Não procure atalho em outras bocas

Outro sorriso pode não ser o bastante

Mostre a ela à terra do seu coração

O tempo não espera por arrependimentos.



Viva o quê é bom, leve a no cinema...

Não brigue com a sua garota

Não vale a pena.



O tempo passa tão depressa

Logo no deserto haverá flores

Mostre a ela à terra do seu coração

O tempo não espera por arrependimentos.





Produzido por Marcelo Henrique Zacarelli

Mauá fevereiro de 2006 no dia 26.
👁️ 465

Roxo-Lilás



Penso aqui com meus botões

Mas... Será que eles pensam comigo?



Presos a uma camisa imprestável

Eu também preso

Em um amor que não é meu;

Roxo-lilás de um batom

Vertical nos lábios de alguém

Furtaram-me vários dias;



O batom bem sabe

Não existe mais

Porém das marcas

Jamais pude me livrar;



De que me serve a camisa

Se até os botões já se foram;

Eles nem sequer pensavam

Eu pelo menos penso e padeço

Por um lilás, que um lenço...

Mesmo que pequeno

Carrega as marcas

De um crime imperfeito;



Ás vezes se perde na vida

Muito por não pensar,

Ás vezes por pensar demais

Perdem-se os botões da camisa

E do batom um roxo-lilás.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Março de 2005 no dia 29

Itaquaquecetuba (SP).
👁️ 513

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