Lista de Poemas

Utopia





Nua eu te decorei

No quadro da minha concupiscência

Assim inconseqüente sem conseqüência

Eu te furtei na vaidade da minha alma;



Tua imagem tão selvagem

Na pintura insaciada

Explorada na estupidez dos meus dedos

Que estiveram perdidas na insensatez do
desejo;



Eu te pintei

Como quem pinta arrogante

Na irresponsabilidade dos amantes

O delírio de uma imaginação coadjuvante;



Eu te decorei

Como profissional apaixonado

Eu te desejei

Como um carnal assim tão fraco;



Nua eu te possui

Na utopia ignorante da pintura

Sobre o olhar atento da

Hipocrisia dos meus olhos;

Que não tardaram em julgar

A displicência do teu corpo.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Setembro de 2002 no dia 06

Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 525

Unha do Pé

É José, assim não vai dar pé...

Nem sabes que vergonha é

Comer a unha do pé;



Famia de pouca crença

É a tar famia de barnabé

De entre os santos desconhecem

O pai de Jesus, José;



É José, preto veio da umbanda

Do terreiro do mane

Lá dos cantos de aruanda

Troca à meia de chulé;



Bem sei José, brasileiro humilde é...

Que bem cedo ta de pé

Pois a roça te espera

Na colheita de café;



Tenha boas manias, José...

No largo da praça da sé

Nem sabes que vergonha é

Comer a unha do pé.




Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Maio de 2002 no dia 21 / Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 515

Liberdade

Liberdade; pra viver...

Pra se conhecer mais vezes

Até as praças que são mais verdes

Nos olhos destes japoneses.



Túneis e metrô...

Pessoas aos milhões

Parecem correr pela contra mão

Semáforos não o impedem

O dia a dia da liberdade de expressão.



Nem Paris parece tão bela

Desse nosso Japão brasileiro

Das meninas corriqueiras

De furtado (conselheiro)

Dos amantes da Rua Galvão Bueno.



Minúsculo órgão

Desta grande metrópole

Teu sangue corre

Nas veias desta tua mãe;

Que te alimenta o sonho

De cresceres em liberdade.


Homenagem a São Paulo 450 anos.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Março de 2004 no dia 26.
👁️ 584

Crepúsculo





Sobre a mesa da áspera madeira

A vela que lhe faz companhia

Empresta seu corpo de luz por inteira

De resina e pavio apagado

Morre debruçada no colo do dia.



Sobre o papel amarelo envelhecido

Descansa a condoída poesia

Quando cai a noite fria de improviso

A pena que com pena do autor

Empresta a tinta

E morre esturricada de vazia.



O velho homem bem que tentou

Tomar inspiração na tal tristeza

A saudade da mulher que amava

É o que restou

Quando o sono pesava-lhe

O rosto sobre a mesa.



Ao dormir no crepúsculo da noite fatídica

A vela se apagou junto à poesia

Talvez em sonho a realidade verídica

Daquele velho homem

Extraia toda a dor

Como da pena que vazou a tinta.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Abril de 2008 no dia 30

Arujá (SP).
👁️ 546

ALMA DAS FLORES


As flores estão de luto

Pois o inverno está chegando

Há um clamor absoluto

Dentre as pétalas reclamando;



As flores estão de luto

Vem o vento assoviando

Num soprar longo e bruto

A beleza carregando;



As flores estão de luto

De partida a tua alma

Primavera foi tão curto

Golpe duro que se acalma;



As flores estão de luto

De rosto caído dormidas ao chão

No mais singelo dos absurdos

Vazando perfume do seu coração;



As flores estão em festa

Pois o inverno está passando

Um corpo de vida

À semente lhe empresta

No mês de setembro

Do próximo ano.





Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Maio de 2002 no dia 21 Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 513

MADEIRO EM VÃO



Ao pé da cruz lamúria e ostentação

Hipócritas curvados ao nazismo

A irônica coragem do iconoclatismo

Diante do madeiro obedecendo ao alcorão.



Ao pé da cruz a valentia do pecador

A ordem e progresso constitucional

Não esclarecidas da bandeira nacional

Da corja dos políticos em estupor.



Ao pé da cruz a lembrança do calvário

Antihipocráticos da impunidade

Que fazem estéticas da humanidade

E mancha o sagrado manto sudário.



Ao pé da cruz o olhar do cristo incrédulo

Do mentor da justiça à esquerda crucificado

Do que rouba o pão à direita mutilado

Das feridas sobre o pulso do fincado prego.



Ao pé da cruz as lágrimas de Maria

A sociedade alternativa de Pilatos

Seguidores envergonhados de seus atos

Do ignorado cristo crucificado todos os dias.



Ao pé da cruz tristeza e lamentação

O desperdício de sangue no madeiro em vão

Servirão de aviso pelo cristo sofrido

Aos predestinados filhos da condenação.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli / Abril
de 2002 no dia 15

Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 473

MINUTA



Da imagem imortal e traços imperceptíveis,

Desenho sem medo a plenitude do semblante,

Pois encontrei na silhueta do teu rosto,

Inspiração total para descrevê-la;

E ao perfilar a linha imaginária dos teus lábios,

Minha boca teve sede,

De tão incólume e intocável

Um enigma a ser decifrado pelos amantes da ilusão,

E ao reclinar-te para uma pintura,

Empresta-lhe à beleza a um quadro

Minhas mãos quase trêmulas

Disfarçam tamanha apreensão,

A fragrância do teu corpo nu

Incorporou sobre a tinta a desvairar-se

Dentre aos mortais pincéis da imaginação;

Até mesmo Picasso ignoraria tamanha imperfeição,

Quanto mais um humilde poeta,

Ao descrevê-la em minha folha de papel,

E tentar esculpi-la na magnitude

Do teu ser seria loucura;

Alguém em sã consciência não exitaria,

Talvez se contentasse com pequeno preencher

Que me veio de presente da face oculta,

Chego a sonhar com tua imagem

Que me toma por assalto em meu leito;

Mas na pretensão deste momento

Era real o testemunho dos meus olhos;

Apenas um rascunho desdenhado

Da beleza do teu rosto,

Beleza sem igual imortalizada e sortida

No quadro de um poeta ambicioso.




Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

24/abril/2002 Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 471

Peito Traidor





Tuas mãos me acolhem

No teu peito que é traidor

Tuas palavras impuras

Contaminam meus sentimentos;



Como um pombo ferido

Lanço-me em teus braços

Em busca da cura

Em busca de abrigo;



Acalentas-me do inverno que é duro

Tomas-me em falsos desejos

Quando renasço em amor e sussurros

Quando me matas

No veneno dos teus beijos;



Venho a dormir

De uma noite cansada

Uma noite fria

Sem vida e sem cor

Sonhando acordar

Nos seios da amada

Que me acolhes em teu peito

Que é traidor.





Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Junho de 2000 no dia 04

Itaquaquecetuba (SP)
👁️ 479

O Pé Feio de Gesimara





Gesimara;

Meio que na marra

Contou-me segredo

Que anda descalça

Meia que com medo

Meia que sem graça

Por que tem pé feio.



Gesimara;

Virgem Maria dos céus!

Este que são pés teus

Não há quem veja

E que não perceba

E que não duvide

Ser obra de Deus.



Gesimara,

Meio que na farra

Quase me escondeu

Chinelo de dedo

De rosa vermelho

Que se escafedeu,

A que mal te pergunte

A alguém que curte

Estes pés teus.



Homenagem a Gesimara Félix da Silva.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Novembro de 2002 no dia 11

Itaquaquecetuba (SP)
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JORNALEIRO AMIGO


Jornaleiro sim

Que vende notícia

Da ilustre revista

Se bem ou se mal

Que vende jornal

Que conta mentiras



Jornaleiro por opção

De bom coração

Não tão bom de pulmão

Um fumante confesso

De opinião e brasileiro

Com sua banca situada

Na avenida amador Bueno;



Nascido de minas

Mais preciso de guaxupé

Companheiro de Ondina

Que tomou por tua mulher

Jornaleiro honesto

Que Deus o tenha



Seu Aldo de todos

Do alto da penha;

Jornaleiro amigo

Saudoso avô

Á que mal lhe pergunte

Por que à morte te chamou.


Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

21/maio/2002 Itaquaquecetuba (SP)











[U1]

Esta Poesia fora inteiramente Inspirada em Aldo Zacarelli / avô do Poeta Marcelo H. Zacarelli / Cuja Banca de
jornal situava na Av. Amador Bueno da Veiga Bairro da Penha cidade de São Paulo
/ considerado Patriarca da Família
Zacarelli / faleceu em 25/07/1989 aos 67 anos.



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