Escritas

Lista de Poemas

Total de poemas: 3 Página 1 de 1

A mestria da noite



Vem do sorriso da lua a mestria da noite
Fulgaz como o raio das madrugadas
Estonteante na berlinda das manhas
Cumplices silenciosos das loucuras
Companheira dos sonhos amistosos
Que flagelam os cânticos do galo cantante
Lubriosos na estrepe daquela cacimba
Que envolve os homens e mulheres na sombra
De uma infinita paixão realizada e a realizar-se 

Maputo, 06.03.2020
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Poemas Soltos


Minha amiga 

Erga o ermo da tua sórdida vida
Embuida do malmequer presente
Cristalino na avenida dos sonhos
Influindo na masmorra da mente

Levanta essa nesga de amor
E encanta a distancia que percorre
Terraplanando o horizonte que busca 
Saciando o âmago do tempo que corre

Oh! Minha irmã fatídica e desnorte
Desviante do amanhã desgastante
Por onde andas e para onde segues
Na tua procura infinita e deslubrante

Vito, 30.12.2018

Picadinho

Lindo picadinho inflamado de dor
Rasante no melodrama das subtilezas
Titubeante na metamorfose da vida
No inchaço das muitas tristezas

Lindo picadinho das cantigas antigas
Rastejante no teu semblante adormecido
Oblíqua nas masmorras da tua juventude
Vais deambulando no teu mundo merecido

Lindo picadinho desnorteante e fugido
Cobrando as muitas luas do teu mistério 
Ah! Como rebuscas nas madrugadas inertes
O entusiasmo que ilumine essea tua alma

Vito, 10.01.2020

Nostalgia

Nostalgia palavra mágica
Evocando a solidão do eu
E o medo que rodeia a alma
Distúrbio mental acabado

Nostagia amiga do silêncio 
Trazendo emoções do defeso
A angústia dos muitos encantos
Companheira dos indefesos

Nostalgia cantiga solitária 
Revolvendo os segredos magos
E as amarguras das palavras
Infiel inimiga dos corações 

Vito, 08.03.2019

Mulher

Afinal quem tu és mulher?
A seiva que alimenta o povo
A plenitude das muitas paixões
O sonhar dos muitos guerreiros

Afinal quem tu és mulher?
A luz que traz todo o sorriso 
O luar que rebusca a paz
Amiga de todas as solidões 

Quem tu és mulher afinal?
A esperança que nunca morre
O despertar do bem despertar
O momento de todo o consolo

Vito, 08.03.2019

Infiel vento
 
Infiel foi o vento da fiel madrugada
Descerrou minha amada como sol
Revelando meus segredos esculpidos
Na areia do mar das minhas ilusões

Oprimiu minhas lágrimas com desdém 
Recusando calar as vozes do meu íntimo 
Que borbulhavam tal como a dor do vulcão 
Prescrutando o horizonte que nunca vem

Assim foi o vento das minhas lamentações 
Rugindo qual o mar adormecido do Índico 
Fluminando ansiedades do meu desespero
Como uma pomba branca do céu solarado


Vito, 22.01.2020

Um canto de esperança 

Pari uma criança em mim, assim
Sem lembranças do que fora ali
Gatinhando nas nuvens da alegria
Que me transportava embalado

Essa criança que surgiu em mim
Diabólica e sorridente para a lua
Transmalhava nas areias cinzentas
Como uma sereia das histórias antigas

Linda criança que pari ali em mim
Deslumbrante do aconchego do sol
Olhando extasiado aquele mundo sim
Que me lembra esse dia feliz que pari

Vito, 23.01.2020

Sem título 

Misérias de uma santidade 
Tão sublime na sua caridade
Espraiando a sua majestade
No mundo da simplicidade

Entre amores e verdades
Escasso tempo de imoralidade
Confissões dementes e dormentes
No espaço de vãs moralidades

Ingratude cheia de bondade
Circula pelas pobrezas da cidade
Buscando a sua cumplicidade
No conforto da sua calamidade

Vito, 30.12.2019

Frio e incerto

Frio e incerto...
Mantenha uma esperança inerte
Fugaz no espaço das muitas noites
Trembula e melancólica como a dor

Frio e incerto...
Rebusque-se uma lembrança lesma
Encontre-se uma enfermidade dormida
Desfrute-se a imagem da ambiguidade

Frio e incerto...
Quem és e a quem pertences no momento
Não encontre resposta amarga no âmago 
Deixe o troar da lunática morte morrer

Vito, 03.01.2020

Um canto a rosa

Canta alegre linda rosa
No alvorecer da tua manhã 
Bafeja o cheiro a lírios do céu 
Que acompanham teu sol

Canta alegre nas matinas
Que revolvem teu sabor idílico 
Encontrado pelas miríades
Apaixonadas pelo luzir das estrelas

Canta alegre e enfeitice
As crianças que se apegam a ti
Na busca de alegria feiticeira
Do lugar onde escondes a luz

Vito, 05.01.2020

O marinheiro

O marinheiro desabrochou o mar
Navegando nas ondas do infinito
Naquela névoa da manhã iluminada
De teias embriagadas do amor

Fustigando o vento com sua bravura
Buscando seu espaço naquele lugarejo
Repetindo gestos desconcertantes subtis 
Que ecoavam na alma da sua mente

Era assim que o marinheiro seguia
Transbordando a vida de um solitário
Que reserva sua magia a terra alegre
Na busca do horizonte de saudades

Vito, 05.01.2020

Dialogando

Serão os revés da alegria contagiosas
Que produzam orgias infindáveis e loucas?
Ou serão os malmequeres domáveis 
Que sujeitam as misérias do destino?

Serão os olhares dispendiosos da mente
Produto do passado cósmico do além?
Ou serão aqueles passos maquiavélicos 
Substitutos perfeitos da ciência do medo?

Serão todos os corações sempre voláteis 
Na penumbra do espaço sideral do dia?
Ou serão o desafio de muitas maluqueiras
O sentir da
morte por sinal já pronunciada?

Vito, 07.01.2020

Minhas memórias 

Cheira a jasmim
Tua face embalada de muitos seios
A volúpia de uma vida esquecida
Na soleira de uma deusa desavinda

Cheira a Jasmim
Teus dorso tricotado de amantes
Sucumbindo no amanhecer do luar
Trespassado por muitas aventuras

Cheira a jasmim
Esse regaço despido de ternura
Explorando no ventre da margura
Buscando tuas memórias sofridas

Cheira a jasmim

Vito, 07.01.2020

Ode a minha sombra

Partiste sem dizer adeus
Amiga íntima minha sombra
Saíste de mansinho suspirando
Confrontado as musas do mar

Levaste as múmias do desespero
Enfadadas nas mãos insangues
Escapaste do martírio do sorriso
Descobrindo as múltiplas sereias

Fugiste dos milagres entardecidos
Das cortes enfiadas de braceletes
Desfizeste as muitas e amargas dores
E assim partiste amiga íntima minha

Vito, 21.01.2020

A chuva

Chove e chove de mansinho
Levanto os olhos e espreito pela janela
O céu parece sorrir um sorriso cinzento
Acena suas mãos buscando minha atenção
Gente passando de um lado para o outro
Buscando o abrigo na imensidão das águas
Cabiz baixo lembrando seus passos incertos
Nessa caminha louca perante a inércia do vento
E a chuva tagarelando também de mansinho
Espreitando a vontade dos homens na terra
Vai armazenando suas esperanças tardias
Na boca funda dos rios que agradecem
A bondade dessa chuva amiga e inimiga
Chove e chove muito de mansinho

Vito, 23.01.2020

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Poemas soltos


Solidão 

Solitária menina de um sorriso gelado
Titubeante nas tuas lutas intestinais
Sem destino o teu andar compassado 
Desgarrado em frivolidades matinais

Solidão

O lacrimejar em venial das labaredas solateiras
Fungando nas volúpias do tardar amanhecer
Crivando a dor nas tuas compassadas olheiras
Lamúrias de uma compaixão que teme crescer 

Solidão

Destemida companheira das solidões tristes
Encanto dos amores nunca compreendidos
Galgando o mar das desilusões encatados
Simbiose dos aléns distantes e presentes

Vito, 27.12.2018


Ensaio matinal

Escrever é criar poesia 
Na enseada das mil e uma noites
Desafiando muitas peripécias 
Do imaginar da nossa mente

Escrever é criar poesia
Brincando com as letras no oculto
Fustigado pelas maestrias inertes
Das noites ensombradas de vultos

Escrever é criar poesia
Que se esgueira nas sombras frias
Dos sonhos que nunca despertam
Levados pelas estrelas da manhã 
 
Vito, 21.01.2020

Ode a angústia 

Angústia és sublime na tormenta
Regando as águas violentamente
Na sede de secar todas as mágoas 
Que o destino celebrou na vida

Lágrimas de uma chuva mansa
Contornando as ruas dormentes
Na esperança desse partir fingido
Que o amanhã trouxe no sonho

Desesperas por um abraço meigo
Fugindo ao feitiço mau e crescente
Na alegria desse parir embebido
Que as noites rebuscam no silêncio

Vito, 15.05.2019

Mamãe

Conta as incontáveis lamúrias 
Do tempo da tua meninice
Das eternas conversas subtis 
Que ainda resplandecem no olhar

Conta as tuas desventuras
Aquelas coloridas de lágrimas 
Daqueles momentos bem negros
E das mil e uma certezas vagas

Conta mamãe sem amargura
A dor e as alegrias superadas
Que expliquem essas tuas rugas
Sorriso discreto daquele mundo

Vito, 30.12.2019


Simulando um poeta

Senta e recolhe seu pensamento
Faz justiça a essa angústia prenhe
Liberta as mágoas de um destino sem fim
Senta e recolhe seu pensamento

Canta e alegra essa dor interna
Calibre a sonoridade da tua música 
Inventa um palco coberto de mística 
Canta e alegra essa dor interna

Grita e sonha para o coração não ouvir
Aperte as mãos dos teus sentimentos 
Compartilhe as saudades desse passado
Grita e sonha para o coração não ouvir

Vito, 23.01.2020

Insegurança

Duvide e parta
Seguindo o rumo das estrelas
Envolto nas constelações do luar
No teu entardecer da noite

Duvide e fuja
Das múltiplas raizes do mar
Embriagado nos montes da vida
Na tua insegurança beliscada

Duvide e sinta
As miriades das letras vivas
Embaladas no segredo do sol
Nas conversas mudas do dia

Vito, 09.01.2020

Princesa

A princesa dos mares rebola
Na ingenuidade das ondas
Vai perdida sem desnorte
Na caminhada que a apoquenta

Bela e linda essa princesa
Desavinda com a sua beleza
Triunfa nas muitas masmorras
Como selada para um beijo

Princesa das muitas noites
Vai deliciando muitos corações 
 Impávida nos sentimentos ruins
Caminha solteira e embriagada

Vito, 09.01.2020

As mãos e a dança 

 Fúteis são as mãos transcedentes
Sobrepostas na imensidão da dança 
Alinhadas e manifestadas de Venus 
Nas noites das dilacerações da mente

Fugazes no rodopiar nas penumbras
Violentas nos calcanhares do medo
Majestosas como pirilampo das manhãs 
Todas cobertas do pó das loucuras

Vivências doloridas da musica prenhe
Latejando nas inconsistências da lua
Em brincadeiras remoras do presente
Ei-las místicas e muito supersticiosas

Vito, 10.01.2020

Um canto a empatia

Este circulo de empatia
Transtornado na miséria do tempo
Das muitas metamorfoses do dia
Que ampara corações destroçados

Este circulo de empatia
Fugaz nos seus remorsos virulentos
Esquizofrênicos nas suas lagrimas
Que se esgotam nas areias do céu
 
Este circulo de empatia
Delapidando na ingrata sede perdida
Das águas azulejas desse mar rolante
Que transborda dessas lagrimas felizes

Vito, 13.01.2020
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