Escritas

Poemas Soltos

vito2020


Minha amiga 

Erga o ermo da tua sórdida vida
Embuida do malmequer presente
Cristalino na avenida dos sonhos
Influindo na masmorra da mente

Levanta essa nesga de amor
E encanta a distancia que percorre
Terraplanando o horizonte que busca 
Saciando o âmago do tempo que corre

Oh! Minha irmã fatídica e desnorte
Desviante do amanhã desgastante
Por onde andas e para onde segues
Na tua procura infinita e deslubrante

Vito, 30.12.2018

Picadinho

Lindo picadinho inflamado de dor
Rasante no melodrama das subtilezas
Titubeante na metamorfose da vida
No inchaço das muitas tristezas

Lindo picadinho das cantigas antigas
Rastejante no teu semblante adormecido
Oblíqua nas masmorras da tua juventude
Vais deambulando no teu mundo merecido

Lindo picadinho desnorteante e fugido
Cobrando as muitas luas do teu mistério 
Ah! Como rebuscas nas madrugadas inertes
O entusiasmo que ilumine essea tua alma

Vito, 10.01.2020

Nostalgia

Nostalgia palavra mágica
Evocando a solidão do eu
E o medo que rodeia a alma
Distúrbio mental acabado

Nostagia amiga do silêncio 
Trazendo emoções do defeso
A angústia dos muitos encantos
Companheira dos indefesos

Nostalgia cantiga solitária 
Revolvendo os segredos magos
E as amarguras das palavras
Infiel inimiga dos corações 

Vito, 08.03.2019

Mulher

Afinal quem tu és mulher?
A seiva que alimenta o povo
A plenitude das muitas paixões
O sonhar dos muitos guerreiros

Afinal quem tu és mulher?
A luz que traz todo o sorriso 
O luar que rebusca a paz
Amiga de todas as solidões 

Quem tu és mulher afinal?
A esperança que nunca morre
O despertar do bem despertar
O momento de todo o consolo

Vito, 08.03.2019

Infiel vento
 
Infiel foi o vento da fiel madrugada
Descerrou minha amada como sol
Revelando meus segredos esculpidos
Na areia do mar das minhas ilusões

Oprimiu minhas lágrimas com desdém 
Recusando calar as vozes do meu íntimo 
Que borbulhavam tal como a dor do vulcão 
Prescrutando o horizonte que nunca vem

Assim foi o vento das minhas lamentações 
Rugindo qual o mar adormecido do Índico 
Fluminando ansiedades do meu desespero
Como uma pomba branca do céu solarado


Vito, 22.01.2020

Um canto de esperança 

Pari uma criança em mim, assim
Sem lembranças do que fora ali
Gatinhando nas nuvens da alegria
Que me transportava embalado

Essa criança que surgiu em mim
Diabólica e sorridente para a lua
Transmalhava nas areias cinzentas
Como uma sereia das histórias antigas

Linda criança que pari ali em mim
Deslumbrante do aconchego do sol
Olhando extasiado aquele mundo sim
Que me lembra esse dia feliz que pari

Vito, 23.01.2020

Sem título 

Misérias de uma santidade 
Tão sublime na sua caridade
Espraiando a sua majestade
No mundo da simplicidade

Entre amores e verdades
Escasso tempo de imoralidade
Confissões dementes e dormentes
No espaço de vãs moralidades

Ingratude cheia de bondade
Circula pelas pobrezas da cidade
Buscando a sua cumplicidade
No conforto da sua calamidade

Vito, 30.12.2019

Frio e incerto

Frio e incerto...
Mantenha uma esperança inerte
Fugaz no espaço das muitas noites
Trembula e melancólica como a dor

Frio e incerto...
Rebusque-se uma lembrança lesma
Encontre-se uma enfermidade dormida
Desfrute-se a imagem da ambiguidade

Frio e incerto...
Quem és e a quem pertences no momento
Não encontre resposta amarga no âmago 
Deixe o troar da lunática morte morrer

Vito, 03.01.2020

Um canto a rosa

Canta alegre linda rosa
No alvorecer da tua manhã 
Bafeja o cheiro a lírios do céu 
Que acompanham teu sol

Canta alegre nas matinas
Que revolvem teu sabor idílico 
Encontrado pelas miríades
Apaixonadas pelo luzir das estrelas

Canta alegre e enfeitice
As crianças que se apegam a ti
Na busca de alegria feiticeira
Do lugar onde escondes a luz

Vito, 05.01.2020

O marinheiro

O marinheiro desabrochou o mar
Navegando nas ondas do infinito
Naquela névoa da manhã iluminada
De teias embriagadas do amor

Fustigando o vento com sua bravura
Buscando seu espaço naquele lugarejo
Repetindo gestos desconcertantes subtis 
Que ecoavam na alma da sua mente

Era assim que o marinheiro seguia
Transbordando a vida de um solitário
Que reserva sua magia a terra alegre
Na busca do horizonte de saudades

Vito, 05.01.2020

Dialogando

Serão os revés da alegria contagiosas
Que produzam orgias infindáveis e loucas?
Ou serão os malmequeres domáveis 
Que sujeitam as misérias do destino?

Serão os olhares dispendiosos da mente
Produto do passado cósmico do além?
Ou serão aqueles passos maquiavélicos 
Substitutos perfeitos da ciência do medo?

Serão todos os corações sempre voláteis 
Na penumbra do espaço sideral do dia?
Ou serão o desafio de muitas maluqueiras
O sentir da
morte por sinal já pronunciada?

Vito, 07.01.2020

Minhas memórias 

Cheira a jasmim
Tua face embalada de muitos seios
A volúpia de uma vida esquecida
Na soleira de uma deusa desavinda

Cheira a Jasmim
Teus dorso tricotado de amantes
Sucumbindo no amanhecer do luar
Trespassado por muitas aventuras

Cheira a jasmim
Esse regaço despido de ternura
Explorando no ventre da margura
Buscando tuas memórias sofridas

Cheira a jasmim

Vito, 07.01.2020

Ode a minha sombra

Partiste sem dizer adeus
Amiga íntima minha sombra
Saíste de mansinho suspirando
Confrontado as musas do mar

Levaste as múmias do desespero
Enfadadas nas mãos insangues
Escapaste do martírio do sorriso
Descobrindo as múltiplas sereias

Fugiste dos milagres entardecidos
Das cortes enfiadas de braceletes
Desfizeste as muitas e amargas dores
E assim partiste amiga íntima minha

Vito, 21.01.2020

A chuva

Chove e chove de mansinho
Levanto os olhos e espreito pela janela
O céu parece sorrir um sorriso cinzento
Acena suas mãos buscando minha atenção
Gente passando de um lado para o outro
Buscando o abrigo na imensidão das águas
Cabiz baixo lembrando seus passos incertos
Nessa caminha louca perante a inércia do vento
E a chuva tagarelando também de mansinho
Espreitando a vontade dos homens na terra
Vai armazenando suas esperanças tardias
Na boca funda dos rios que agradecem
A bondade dessa chuva amiga e inimiga
Chove e chove muito de mansinho

Vito, 23.01.2020