Poemas Soltos
Minha amiga
Erga o ermo da tua sórdida vida
Embuida do malmequer presente
Cristalino na avenida dos sonhos
Influindo na masmorra da mente
Levanta essa nesga de amor
E encanta a distancia que percorre
Terraplanando o horizonte que busca
Saciando o âmago do tempo que corre
Oh! Minha irmã fatídica e desnorte
Desviante do amanhã desgastante
Por onde andas e para onde segues
Na tua procura infinita e deslubrante
Vito, 30.12.2018
Picadinho
Lindo picadinho inflamado de dor
Rasante no melodrama das subtilezas
Titubeante na metamorfose da vida
No inchaço das muitas tristezas
Lindo picadinho das cantigas antigas
Rastejante no teu semblante adormecido
Oblíqua nas masmorras da tua juventude
Vais deambulando no teu mundo merecido
Lindo picadinho desnorteante e fugido
Cobrando as muitas luas do teu mistério
Ah! Como rebuscas nas madrugadas inertes
O entusiasmo que ilumine essea tua alma
Vito, 10.01.2020
Nostalgia
Nostalgia palavra mágica
Evocando a solidão do eu
E o medo que rodeia a alma
Distúrbio mental acabado
Nostagia amiga do silêncio
Trazendo emoções do defeso
A angústia dos muitos encantos
Companheira dos indefesos
Nostalgia cantiga solitária
Revolvendo os segredos magos
E as amarguras das palavras
Infiel inimiga dos corações
Vito, 08.03.2019
Mulher
Afinal quem tu és mulher?
A seiva que alimenta o povo
A plenitude das muitas paixões
O sonhar dos muitos guerreiros
Afinal quem tu és mulher?
A luz que traz todo o sorriso
O luar que rebusca a paz
Amiga de todas as solidões
Quem tu és mulher afinal?
A esperança que nunca morre
O despertar do bem despertar
O momento de todo o consolo
Vito, 08.03.2019
Infiel vento
Infiel foi o vento da fiel madrugada
Descerrou minha amada como sol
Revelando meus segredos esculpidos
Na areia do mar das minhas ilusões
Oprimiu minhas lágrimas com desdém
Recusando calar as vozes do meu íntimo
Que borbulhavam tal como a dor do vulcão
Prescrutando o horizonte que nunca vem
Assim foi o vento das minhas lamentações
Rugindo qual o mar adormecido do Índico
Fluminando ansiedades do meu desespero
Como uma pomba branca do céu solarado
Vito, 22.01.2020
Um canto de esperança
Pari uma criança em mim, assim
Sem lembranças do que fora ali
Gatinhando nas nuvens da alegria
Que me transportava embalado
Essa criança que surgiu em mim
Diabólica e sorridente para a lua
Transmalhava nas areias cinzentas
Como uma sereia das histórias antigas
Linda criança que pari ali em mim
Deslumbrante do aconchego do sol
Olhando extasiado aquele mundo sim
Que me lembra esse dia feliz que pari
Vito, 23.01.2020
Sem título
Misérias de uma santidade
Tão sublime na sua caridade
Espraiando a sua majestade
No mundo da simplicidade
Entre amores e verdades
Escasso tempo de imoralidade
Confissões dementes e dormentes
No espaço de vãs moralidades
Ingratude cheia de bondade
Circula pelas pobrezas da cidade
Buscando a sua cumplicidade
No conforto da sua calamidade
Vito, 30.12.2019
Frio e incerto
Frio e incerto...
Mantenha uma esperança inerte
Fugaz no espaço das muitas noites
Trembula e melancólica como a dor
Frio e incerto...
Rebusque-se uma lembrança lesma
Encontre-se uma enfermidade dormida
Desfrute-se a imagem da ambiguidade
Frio e incerto...
Quem és e a quem pertences no momento
Não encontre resposta amarga no âmago
Deixe o troar da lunática morte morrer
Vito, 03.01.2020
Um canto a rosa
Canta alegre linda rosa
No alvorecer da tua manhã
Bafeja o cheiro a lírios do céu
Que acompanham teu sol
Canta alegre nas matinas
Que revolvem teu sabor idílico
Encontrado pelas miríades
Apaixonadas pelo luzir das estrelas
Canta alegre e enfeitice
As crianças que se apegam a ti
Na busca de alegria feiticeira
Do lugar onde escondes a luz
Vito, 05.01.2020
O marinheiro
O marinheiro desabrochou o mar
Navegando nas ondas do infinito
Naquela névoa da manhã iluminada
De teias embriagadas do amor
Fustigando o vento com sua bravura
Buscando seu espaço naquele lugarejo
Repetindo gestos desconcertantes subtis
Que ecoavam na alma da sua mente
Era assim que o marinheiro seguia
Transbordando a vida de um solitário
Que reserva sua magia a terra alegre
Na busca do horizonte de saudades
Vito, 05.01.2020
Dialogando
Serão os revés da alegria contagiosas
Que produzam orgias infindáveis e loucas?
Ou serão os malmequeres domáveis
Que sujeitam as misérias do destino?
Serão os olhares dispendiosos da mente
Produto do passado cósmico do além?
Ou serão aqueles passos maquiavélicos
Substitutos perfeitos da ciência do medo?
Serão todos os corações sempre voláteis
Na penumbra do espaço sideral do dia?
Ou serão o desafio de muitas maluqueiras
O sentir da
morte por sinal já pronunciada?
Vito, 07.01.2020
Minhas memórias
Cheira a jasmim
Tua face embalada de muitos seios
A volúpia de uma vida esquecida
Na soleira de uma deusa desavinda
Cheira a Jasmim
Teus dorso tricotado de amantes
Sucumbindo no amanhecer do luar
Trespassado por muitas aventuras
Cheira a jasmim
Esse regaço despido de ternura
Explorando no ventre da margura
Buscando tuas memórias sofridas
Cheira a jasmim
Vito, 07.01.2020
Ode a minha sombra
Partiste sem dizer adeus
Amiga íntima minha sombra
Saíste de mansinho suspirando
Confrontado as musas do mar
Levaste as múmias do desespero
Enfadadas nas mãos insangues
Escapaste do martírio do sorriso
Descobrindo as múltiplas sereias
Fugiste dos milagres entardecidos
Das cortes enfiadas de braceletes
Desfizeste as muitas e amargas dores
E assim partiste amiga íntima minha
Vito, 21.01.2020
A chuva
Chove e chove de mansinho
Levanto os olhos e espreito pela janela
O céu parece sorrir um sorriso cinzento
Acena suas mãos buscando minha atenção
Gente passando de um lado para o outro
Buscando o abrigo na imensidão das águas
Cabiz baixo lembrando seus passos incertos
Nessa caminha louca perante a inércia do vento
E a chuva tagarelando também de mansinho
Espreitando a vontade dos homens na terra
Vai armazenando suas esperanças tardias
Na boca funda dos rios que agradecem
A bondade dessa chuva amiga e inimiga
Chove e chove muito de mansinho
Vito, 23.01.2020
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