Escritas

Poemas soltos

vito2020

Solidão 

Solitária menina de um sorriso gelado
Titubeante nas tuas lutas intestinais
Sem destino o teu andar compassado 
Desgarrado em frivolidades matinais

Solidão

O lacrimejar em venial das labaredas solateiras
Fungando nas volúpias do tardar amanhecer
Crivando a dor nas tuas compassadas olheiras
Lamúrias de uma compaixão que teme crescer 

Solidão

Destemida companheira das solidões tristes
Encanto dos amores nunca compreendidos
Galgando o mar das desilusões encatados
Simbiose dos aléns distantes e presentes

Vito, 27.12.2018


Ensaio matinal

Escrever é criar poesia 
Na enseada das mil e uma noites
Desafiando muitas peripécias 
Do imaginar da nossa mente

Escrever é criar poesia
Brincando com as letras no oculto
Fustigado pelas maestrias inertes
Das noites ensombradas de vultos

Escrever é criar poesia
Que se esgueira nas sombras frias
Dos sonhos que nunca despertam
Levados pelas estrelas da manhã 
 
Vito, 21.01.2020

Ode a angústia 

Angústia és sublime na tormenta
Regando as águas violentamente
Na sede de secar todas as mágoas 
Que o destino celebrou na vida

Lágrimas de uma chuva mansa
Contornando as ruas dormentes
Na esperança desse partir fingido
Que o amanhã trouxe no sonho

Desesperas por um abraço meigo
Fugindo ao feitiço mau e crescente
Na alegria desse parir embebido
Que as noites rebuscam no silêncio

Vito, 15.05.2019

Mamãe

Conta as incontáveis lamúrias 
Do tempo da tua meninice
Das eternas conversas subtis 
Que ainda resplandecem no olhar

Conta as tuas desventuras
Aquelas coloridas de lágrimas 
Daqueles momentos bem negros
E das mil e uma certezas vagas

Conta mamãe sem amargura
A dor e as alegrias superadas
Que expliquem essas tuas rugas
Sorriso discreto daquele mundo

Vito, 30.12.2019


Simulando um poeta

Senta e recolhe seu pensamento
Faz justiça a essa angústia prenhe
Liberta as mágoas de um destino sem fim
Senta e recolhe seu pensamento

Canta e alegra essa dor interna
Calibre a sonoridade da tua música 
Inventa um palco coberto de mística 
Canta e alegra essa dor interna

Grita e sonha para o coração não ouvir
Aperte as mãos dos teus sentimentos 
Compartilhe as saudades desse passado
Grita e sonha para o coração não ouvir

Vito, 23.01.2020

Insegurança

Duvide e parta
Seguindo o rumo das estrelas
Envolto nas constelações do luar
No teu entardecer da noite

Duvide e fuja
Das múltiplas raizes do mar
Embriagado nos montes da vida
Na tua insegurança beliscada

Duvide e sinta
As miriades das letras vivas
Embaladas no segredo do sol
Nas conversas mudas do dia

Vito, 09.01.2020

Princesa

A princesa dos mares rebola
Na ingenuidade das ondas
Vai perdida sem desnorte
Na caminhada que a apoquenta

Bela e linda essa princesa
Desavinda com a sua beleza
Triunfa nas muitas masmorras
Como selada para um beijo

Princesa das muitas noites
Vai deliciando muitos corações 
 Impávida nos sentimentos ruins
Caminha solteira e embriagada

Vito, 09.01.2020

As mãos e a dança 

 Fúteis são as mãos transcedentes
Sobrepostas na imensidão da dança 
Alinhadas e manifestadas de Venus 
Nas noites das dilacerações da mente

Fugazes no rodopiar nas penumbras
Violentas nos calcanhares do medo
Majestosas como pirilampo das manhãs 
Todas cobertas do pó das loucuras

Vivências doloridas da musica prenhe
Latejando nas inconsistências da lua
Em brincadeiras remoras do presente
Ei-las místicas e muito supersticiosas

Vito, 10.01.2020

Um canto a empatia

Este circulo de empatia
Transtornado na miséria do tempo
Das muitas metamorfoses do dia
Que ampara corações destroçados

Este circulo de empatia
Fugaz nos seus remorsos virulentos
Esquizofrênicos nas suas lagrimas
Que se esgotam nas areias do céu
 
Este circulo de empatia
Delapidando na ingrata sede perdida
Das águas azulejas desse mar rolante
Que transborda dessas lagrimas felizes

Vito, 13.01.2020