Escritas

Lista de Poemas

[Todo lugar em que não estás comigo...

Todo lugar em que não estás comigo

Torna-se um imenso vazio

Pouco importa qual cenário

Se tu não és paisagem

Pouco me importa

Se não há o teu rosto,

Sem o teu gosto

O teu gesto

O teu beijo

Esqueço-medo resto

Nada satisfaz,

Sem o teu peito

O teu cheiro

Não me refaço jamais

Sem tua Lua

O coração não se ilumina,

E mais

A poesia não rima

Eu caio em desatino

Com medo do destino

De perder o teu amor,

Por isso imploro ao tempo

Que diminua o desalento

Passando bem devagarzinho

A eternizar todo momento

Que tu estejas ao lado meu,

Para assim, quem sabe

Eu tenha daqui a eternidade

Para ser apenas teu.

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Risos e Rosas

Quando me foi cantado 
Que o poeta só é grande se for triste 
À medida que o coração resiste, 
Eu confundi angústia com inspiração. 
Feliz - embora poeta, 
Descobri em teu seio 
A causa do meu regozijo, 
Pois que tu és o único motivo 
Do meu sorriso sem motivo...
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Poeminha Saudosista

Das lembranças que levamos da vida

Deixemo-nas voar em liberdade

Para que iluminem os nossos dias

Em sua incessante busca pela eternidade.

E ainda que algo nos falte

De memórias viveremos

Pois que o destino da saudade

É - apesar de tudo

Cair em desatino

Por não ter prazo de validade.

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Cercania

Ando cercado de vícios

Alguns que ainda nem têm nome

Outros que já não aguento mais ouvir falar;

Ando cercado de sonhos

Sonhos que nunca realizarei

E outros que eu finjo acreditar;

Ando cercado de traumas

Traumas que a vida me deu

E outros que eu inventei;

Ando cercado de gente

Gente que eu não conheço

E de gente que eu não amei;

Ando cercado de esperanças

De todas aquelas que perdi

E das esperanças que um dia terei;

Ando cercado de medo,

Da ausência de minha liberdade

E do medo de sempre está cercado

Cercado de tudo

Por todos os lados...

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Luta injusta

 

Em uma centelha de desespero

Pedi aos deuses não mais sentir tua falta

Receei encarar os meus anseios

E me render aos reveses

E por muitas vezes

Colecionando sucessivos fracassos,

Abdiquei de batalhar sem armas

Pois que a briga mais injusta da vida

É essa com a saudade,

Não importa quanto se lute

Certamente se sairá perdedor.

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Não existem românticos céticos

Uma vez mergulhado em meus pensamentos

Temi o pior

Temi meu afogamento,

Porém do fundo de minhas reflexões

Emergi

Para recordar as palavras que um dia me disseste:

“Não existem românticos céticos”

Por que me apeguei tanto a isto?

Tal era o efeito dessa sentença

Que mal podia me conter

Depois de muito duvidar

Agora eu me flagrava pela primeira vez

Sem saber em que acreditar.

Pensei nas palavras do poeta que dizia:

“o amor faz acreditar-se até no que se duvida”

Apeguei-me a isto também

Para ter certeza do que eu já sabia

E no fim das contas ter em que acreditar:

Além de não haver românticos céticos

Não há perguntas sem respostas

Nem tempo certo para se amar...

 

 

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Não quero outra memória

Que as bocas explodam em um beijo

Quando as palavras não mais se fizerem necessárias

E o encontro de nossas bocas nos poupe de falar

O que o coração já sabe de cor.

Que as bocas explodam em um beijo

Em um beijo carinhoso

 E um olhar de até logo

Que a poesia, além de inspiração

Seja memória do mais sublime acontecimento.

Que a tua respiração ofegante encontre na minha

A mais perfeita sintonia,

Que o teu olhar encontre abrigo no meu

Como eu encontro o paraíso em teu colo,

Que a nossa canção de despedida

Possa tocar inúmeras vezes em nossos reencontros,

Para que possamos eternamente

Física e espiritualmente

Devorarmos um ao outro.

 

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Epifania [s]

Ainda que se sonhe acordado

A epifania nem sempre é real,

Pois que teoricamente

A práxis será igualmente diferente.

Nossas paixões se apresentam como ácido

Ora sulfúrico,

Ora lisérgico,

Se não nos corroem

Alucinam-nos,

Quanto ao efeito

[Ou ao dano

Ou ao defeito]

Pouco tem a se fazer

E nessa fonte

Sempre se há de beber.

Do caos do nosso hodierno

Fazemos brotar a nossa poesia,

Da complexidade dos sentimentos

Inexplicáveis manias

E do fervor de nossas paixões

Mais de mil epifanias...

 

 

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Tal qual a sinfonia

Tal fosse uma sinfonia

A tua voz reverbera em meu pensamento

A ponto de eu sequer ouvir o canto dos pássaros em minha janela

E a lembrança do teu rosto me marca

Como um ferro incandescente ao tocar a pele

E me causa d o r.

A memória que eu carrego

É deveras frágil e te necessita

A todo instante para que a renoves;

O toque da tua mão fere

E a minh’alma sangra

A cada despedida tua.

Por que não estás aqui comigo?

Por que não me deixas dormir?

Preciso de ti como os deuses precisam dos homens...

O vazio que me assola

Só encontra paz nos teus braços

O sentido que me falta

Só teu beijo abriga,

Eternamente repetir-lhe-ia o meu amor

Se preciso fosse

E o teu nome para sempre ecoaria em meus sonhos

Tal qual a sinfonia.

 

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Memórias

Com a angústia de uma memória cega

Só consigo enxergar o futuro

Ainda que com a visão turva

Da alegria incerta;

Busco a palavra certa

Que a musa quer ouvir

Se a descubro não revelo ao mundo

Só à minha poesia

Fonte dos mistérios e refúgio de minhas loucuras,

Como os adágios pobres de outrora

Que sustentavam a minha filosofia,

Hoje não passam de palavras ao vento

E de lembranças que eu não recordo mais...

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