Lista de Poemas

Resgate

É fator extenuante
o sobrar no mundo.
Ao prezar por virtudes,
que outrora sublimaram
e são etéreas,
de ausente solidez
e beleza imaterial.

E por vê-las distante
me torno infecundo,
sem reciprocidades,
que já se atomizaram
em suas pétreas
ações de morbidez
do ativo viver sensual.

E me olho dentro, minguante
querendo o profundo.
Pois sai, vício que iludes!
Por que já me limaram
as castas ideias.
Mas quem belo é uma vez
lembra da imagem virtual.






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Hóspede

No reflexo do espelho eu vejo,
as paredes salmão pintadas,
junto às flores azuis caladas,
para não as focar atenção.

Ao fundo modestos já posam:
imóveis, armário e criado
um velho, sem cor, deformado,
mas de orgulho e reputação.

Ao canto se escondem as fotos
que em cada moldura abarca
outro quarto, que lembra e marca
memória, passado e razão.

Nas estantes, livros parados
de vida e um amor amarelo,
de capas em tom caramelo,
na mais doce harmonia estão.

À frente, sofre em quietude
a cadeira que sento, quebrada
carente de um braço, amputada;
procura em meu corpo adesão.

Mas o centro é turvo, burlado
anônimo, falso ou anfíbio,
sem tons, esperança ou fascínio
Substância, assim solidão.
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Soneto à consciência

Passei do sorrir à tristeza,
uma ponte a um rio me guiou
Profunda e notória vileza
meu reflexo, turvo, mostrou.

Sabido o olhar pesaroso
já que a mente meu erro moveu
Contido perdão mentiroso,
larvar-me jamais concedeu.

Na corrente entrego impureza,
e permito deitar-me a pensar,
de vazio coração a certeza.

De poder a meu mundo voltar,
pela ponte que traz a ciência
de que ainda me posso julgar.
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Legado

Quando o luto cobre a noite
e os olhos veem o véu que veste
o céu. Despreza o cadáver
De nada valeu a vida vã,
exauriu o bem viver.

Quando o tudo, nobre açoite,
o julga em tribunal celeste
o réu. Dispensa correr.
Memória se vende ao amanhã,
e resta após morrer.

Quando o choro, pobre morte!,
mergulha em água morna o teste
de reconciliar o que fora,
tal dualidade de virtudes
em combate a falhas atitudes.

Quando o nada forma a ponte,
entre o que era e o que jaz,
dá a paz
que passaste, do futuro, o fardo
à eterna tutelaria do legado.
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Comentários (1)

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joaoeuzebio
2020-08-24

BELAS PALAVRAS BELO POEMA É COMO VIAJAR DENTRO DA ALMA