Lista de Poemas
INCERTO

O homem de ontem
que se dispara contra o hoje.
Rechaçado pela angústia.
Fragmentado pelas dores.
O homem de hoje
se ergue para o incerto.
Rastejante da necessidade.
Circulando no deserto.
O homem do incerto
projeta-se para o túmulo.
Olhando para trás.
O destino obscuro.
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LINHA RETA

Apontaram-me o caminho em linha reta,
em linha reta busquei a paz.
Observei os desvios que se apresentavam,
a inércia não me permitiu ousar.
Pelo menor ângulo que houvesse dado à minha trajetória,
em outro lugar certamente estaria.
Prossegui na rigidez retilínea
por comodismo ou por uma falsa superioridade moral.
Talvez me faltasse tudo,
talvez me faltasse nada.
A totalidade das possibilidades.
Cartas na manga.
Um maniqueísmo sem fim
segurou o meu volante
em um piloto automático
na artificialização do meu ser.
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A FUGA

Me perco em tudo.
Me perco em nada.
Olho para o acaso:
pessoas teleguiadas, conduzidas pelos mais variados motivos.
Orgulhos, vaidades, compaixão...
A complexidade que permeia o cotidiano.
Imersos em um calabouço de certezas,
navegando em um barco sem rumo dentro de um oceano de abismo.
A mente o tempo todo maquinando.
A percepção não para de bater na minha porta.
Queria realmente fechar os olhos
e deixar-me conduzir pelo fluxo dos meus pensamentos,
mas, a todo momento, essa força me sacode.
A fuga escapa pelos meus dedos enquanto observo as folhas caírem
e os jornais que cantam fatalidades.
Banalidades...
Me perco em tudo.
Me perco em nada.
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A FARSA QUE NÓS VIVEMOS

As coisas mudaram,
mas a farsa continua a mesma.
A essência do interesse permanece
como uma sólida rocha milenar.
A perversidade como efeito do poder.
O direito de imbecializar-se.
A religião que apenas complementa
a saciedade nefasta das criaturas.
A supremacia do material eclode,
em sua insanidade,
a idiotização do proprietário.
O dinheiro como epicentro do todo.
Um reino de valores ilusórios.
Falsos paladinos da justiça social.
A opressão dos falsos oprimidos.
A farsa que nós vivemos.
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VOZES NO DESERTO

Sem rumo, vagando nas areias desse mundo.
Sem perceber, nenhum minuto em um segundo.
As vozes vão cair num mar profundo.
Ao nascer de cada manhã,
escrevendo palavras vazias,
um aroma de hortelã
vem perfumar estes dias
Ao passo que caí,
o modo como se vai,
a maneira como se saí,
a sombra se desfaz.
Como tudo é passageiro,
nada é um erro.
Um tiro frio e certeiro
transforma o ultimo em primeiro.
O fluxo da luz saindo do escuro,
pelas sombras de um coração puro
as vozes irão chegar aos ouvidos surdos.
Tarde leve e calma.
Passos ao horizonte.
Sentindo a presente falta
de sua origem distante.
Deixar pegadas na areia.
vozes que vão acabar
subindo em uma fogueira.
A chama que vem nos queimar.
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ETERNIDADE PASSAGEIRA


Fazer-me,
e refazer-me.
Incontáveis vezes foram,
as que catei meus fragmentos.
Pergunto-me se isso não terá fim.
Inconstante é a existência.
Na existência,
intervalos de permanência.
A permanência que em mim
jamais permaneceu.
Causa-me angustia até o fim dos meus dias.
Ergo-me novamente.
Eu estou chegando
para a batalha da eternidade passageira.
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SUBVERSIVIDADE

Contestar a ordem.
Desligar os televisores.
Estimular o caos.
Por fim a era dos detentores.
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DILEMAS

Solenemente diante das expectativas
trazem consigo lamentos.
Vazios de um tempo sem tempo algum.
Girando tornados sobre si mesmos,
as cabeças que voam até o topo do eixo
deslizam e escorregam pelas fatalidades.
Assim, se foram, se vão, se esvaem
na medida simetricamente desigual
das curvas do mercado financeiro.
Pensar o que? Pensar em quem?
Individualismo e coletivismo
Duas faces da mesma moeda?
Hipocrisias diante do nada?
Talvez, para além do bem e do mal.
Da banalidade das necessidades.
Das necessidades banais.
Paraísos de refúgios
A boa cabeça feita
Sequer um relapso de ressentimento
Lutar para que? Lutar por quem?
Nebulosas contradições
O impedimento da moral
Há espaço para a esperteza?
Há espaço para a covardia?
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A ESTRADA DOS PERDEDORES

Vagando como vagueiam os perdedores
pelo rastro da própria sombra segue-se em desalento.
Um corpo desafeto e desalmado
a si mesmo refugia-se em temores.
Pela porta de uma igreja ou quem sabe pela janela de um hospício
esses homens perdem-se em redemoinhos de seu tempo.
A constante espera por um significado.
O rompimento das cadeias de previsibilidade.
No lapso da loucura transcendem os moribundos da razão.
Ondas de conturbações anseiam adentrar no estático paradigma.
Por essas estradas abertas vagueiam os perdedores.
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lilith666
2020-12-14
Foda
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