Sinto-me cansado.
Sinto-me, tão cansado,
a solidão invadiu a minha alma,
a sombra que me acompanhava
de mão dada, tombou perdida,
nas veredas duma perigosa avenida.
Encharco as mãos em letras tristes,
refresco o rosto e dou de beber à alma,
os versos escorrem em correnteza
sobre o diluvio da minha vida...
Será o amor o grande mistério?
Será a paixão água revolta?
Serão palavras que gritam à solta?
Talvez elas me tragam a claridade de volta
e assim não me sinta tão só!
Até lá, fico aqui na dolorosa e mais profunda espera,
sentado na margem deste meu triste poema...
Luzerna, 08.09.2021, João Neves
Fado
Sardinha e bacalhau assado,
uma guitarra a trinar,
um fado,
ele entoa desde
o Rio Tejo até Madragoa,
este fado é nosso,
este fado é de Lisboa...
Perdoa-me 2
Perdoa-me se mergulhei tão fundo
nos meus sonhos
e nem se quer dei valor aos teus,
Perdoa-me se muitas vezes
deixei de te dizer tantos adjectivos superlativos,
quando tu era mais importante,
que qualquer um deles,
Perdoa-me pelas cartas que não te escrevi,
Perdoa-me pelos telefonemas que esqueci de te fazer,
dando prioridade a coisas tantas vezes banais.
Perdoa-me por nunca te poder compreender.
Luzerna, 08.09.2013, João Neves.
Estranho-te
Posso ser louco,
estar completamente transtornado,
zangado, descontrolado,
ou mesmo peturbado,
mas tudo isso passa quando estou a teu lado...
Preciso
Preciso de flores
Preciso de amores
Preciso de paixões
Preciso de sorrisos
Preciso de emoção
Preciso de saudade
Preciso dum momento
Preciso de tempo
Preciso de carinho
Preciso de ti
Eu e tu
Eu,
tu,
um beijo,
uma sensação,
um abraço,
uma emoção,
um minuto,
um suspiro,
uma noite,
um sonho.
Amo o rosto que não vejo
Amo o rosto que não vejo,
amo uma boca que não beijo,
amo sem precaver,
um retrato abstracto que um dia irei descrever...
Apesar de tudo te amo,
desejo-te e estanho-te,
quero ser de ti o teu viver,
este amor por ti é de todo tamanho.
Bebi dos teus segredos,
senti até os teus medos,
arrepiei, desnudei a minha alma, sangrei,
e num manto de pranto, fugi de ti, imigrei...
Luzerna, 30.08.2021, Joao Neves
Lágrimas
Rolam lentamente pela minha face
caem velozmente no chão,
secam com o vento
estas tristes lágrimas
que nascem no meu pobre coração!...
Procuro te esquecer
Procuro te esquecer,
Sigo a rota de um pássaro ferido,
Me envolvo em amores doentios,
ando por caminhos escuros e frios
embrulho-me em amores sem desejo ou paixão,
sofro no mais profundo do coração.
Procuro ir bem longe
dos lugares onde um dia nos amamos,
procuro esquecer-te meu amor.
Saio, ando por aqui e por ali,
no meu peito desabrocha a dor do desamor.
Pela rua fora conto as folhas já caídas,
deste fim de verao que inicia as sua despedida,
conto gotas de chuva perdidas,
Com o chegar da noite te necessito,
procuro-te, chamo-te, por ti eu grito...
Luzerna, 03.09.2021, Joao Neves
Me fizestes ver o que era o amor
Quando te conheci,
me fizestes ver o que era o amor,
e me ensinastes a amar.
Por isso não irei mais chorar,
porque tu me ensinastes simplesmente a sorrir.
Não vou nunca mais perder,
porque tu me ensinastes únicamente a vencer.
Também não vou sofrer,
porque tu só me ensinastes a ser feliz.
Tão pouco vou morrer,
porque tu me ensinastes apenas a viver.
Mas se algum dia me faltares e fores embora,
eu vou chorar
irei perder, sofrer e morrer
pois tu nunca me ensinastes a perder-te.
Luzerna, 01.09.2021, João Neves
Uma melancolia romântica que me interessou bastante, adorei seus poemas, continue publicando aqui, estarei acompanhando seus poemas, pois realmente me identifiquei. Parabéns!