Escritas

Lista de Poemas

PÉRFIDO

Eclode-me a blasfêmia enraizada
D'alma perfura-me as vísceras
Como chaga latejante
De sangue mórbido borbulhante
Sobre o véu do purgatório

Rogai-me complacente e sacrossanta
D'outro amor em luxúria mundana
Corrompido amor pudico idolatrado
Dos castelos intrínsecos de cristais
Que lascivo, quebrados por ti

Olhai-me suscetível a rubéola
Aos males metafóricos do eczema
Pérfido usurpado do sempiterno
Dissoluto das dores cancerígenas
Que morfina (perdão) não alivia

Perdoai se o esquecimento não impera
Se vaidade aleijada e ira cega
Não calam o grito mudo que esperneia

O coração não comissura dor imensa
O sangue lúdico é sorvido pingo a pingo
E, o amor interciso agoniza em despedida
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A SENHORA E O SACERDOTE

Diz-me senhor que sou fruto proibido
Purgatório, arritmia e conflito
Que rasga-se, por tão comedido
E transforma prece em mito
***
Diz-me senhor que clama o meu ouvido
Para oferecer-me voz em delito
Com juras de amor e gemido
Depois, arrepender-se aflito
***
Não me diz senhor ensandecido
Que só meu corpo tem o dígito
Do código morse condoído
Nas entrelinhas do teu espírito
***
Não me diz senhor, pecado bendito
Santa heresia ou sonho atrevido
Sacerdote e querubim decaído
Mulher alheia (infiel) ao marido
***
Diz-me senhor, sonho esquecido
Pudor santo descorrompido
D' um suposto amor descabido
Dá-me o adeus em gemido
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MAGO

Decifrastes meus enigmas
Cantastes minhas partituras
Quebrastes meus paradigmas
Enxergastes minhas canduras
Curastes meus estigmas

Adentrastes eloqüentemente
no físico, químico e biológico
Sem bater na porta

Experimentastes meu corpo como alquimia
Vivestes em mim faminto e naufrago
Eternizastes em sêmen sagrado aprazia
Transcendentestes a amplitude do âmago

Espectros siameses homogêneos
Simbiose de corpos ardentes
Osmose de vísceras inteiras
Enlace de espírito & alma

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DOR



Dilacerada, abandonada e franzina
Ouso puxar a adaga que me apunhalas
Respiro ainda... por ti.
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PECADO SANTO

Não enxergas as pegadas de sangue
Nem sentes o ardor d'entre as artérias
Clamores e vozes soluçadas
[minha reza]
Choros minguados ao pé da cama
[é o meu pranto]

Não vês o amor sacrossanto
Que trago como quimera
Imaculado pecado santo
Enlevo de primavera
Arfado no teu encanto
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Quando houver uma fada em meu rosto e uma fantasma em minh alma

Ah... Quando a minha vida se amputar
E no corar a clorofila da partida vier sem luvas...
O adeus de cavar areias e fazer castelos será eterno...
Ah... Quando o canário cantar
O amarelo desespero de suas penas o deixará calvo
E o céu cairá sobre o mundo...
Ah... Quando minhas mãos se entrelaçarem
E os meus olhos fecharem...
Um corvo voará sobre o féretro
E gritará uma dor embutida
Sobre os relâmpagos que restarem...
Uma roda de anjos que me rodearem
Lutarão com os gigantes escritores
Que vencerão - e colocarão meu coração em moldura
Ah... Quando o perfume das flores
Invadirem a lua cheia de soluços
Luzes multicoloridas dançarão em tudo
E as ondas dos mares causarão dilúvios...
Ah... Quando o tule branco cobrir o meu corpo
Se alguém tocar com sublimidade o meu rosto
Uma lágrima deslizará sobre a minha face
Ah... Quando o portal do além se abrir entre fumaças
Tom Jobim tocará uma bela canção no piano
E uma poeta anônima de cabelos longos e vestido vermelho
Desfilará no coquetel das celebridades, entre anjos, santos e diabos...
Ah... Quando este dia chegar...
Haverá uma fada em meu rosto
E um fantasma em minháalma.
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SUBLIMINAR



Nas entrelinhas da minha boca
Escorrem framboesas e poemas
O que não digo... beijo.


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LÁBIOS DE FIGUEIRA

Maldigo, maldigo...
O lúdico sabor alquímico
No aroma doce de figo
Veludo áspero, cítrico
Saliva em ode e castigo
Cianureto caustico
Figo, figo, figo!
Fruto do pânico
E do frenesi mendigo
Mágico e retórico
Figo, figo, figo!
Cálice tetânico
Veneno e jazigo
Dum beijo evangélico
Figo, figo, figo!
Cenário psíquico
Desejo inimigo
No desmaio angélico
Que me contradigo
No delírio silábico
Bendigo, bendigo...
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VULGÍVAGA

Quão ares e cárceres de vida amputada
Do corpo humano de alma enterrada
Se asas enfermas tão cheias de nada
Já implumes rastreiam a nevada

Quão semi nua no frio das noitadas
Enquanto as mademoiselles já deitadas
Temem pela perfídia; lasciva chegada
De o cônjuge reclamar a labuta cansada

Sonhas fosses tu, donzela encantada
Conflitando masmorra a alma alada
Consideras enriquecer e romper empreitada
Quiçá um salvador da vida bastarda...

Por onde cessarás tua empáfia jornada
Despejada indigente na gélida calçada
Morta em submundo em qualquer madrugada
Sem ninguém para chorar o teu fútil nada.

(Trabalho escolar do Ensino Médio - Redação ou Poesia.
Tema "Prostituição", após leitura de Lucíola de José de Alencar
Autora: Sheila Gomes de Assis - 1998.)
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SOLITUDE

Acalenta o gélido vento
Embevecido de cinza
Que amordaça o tempo
Em depoência ranzinza
E deplora o tormento.

Rega minha sorte ao sol
Na sequidão das manhãs
Em que acordo tão só...
Orfã de mim...

Toma minha existência fria
Veemência vazia
(Sem sul e sem norte)
D'um vil abandono
Absorto do meu próprio eu.
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