Lista de Poemas

D OUTRA VIDA

Guardas em minh'alma o sentir de outra vida
O 'deitar e o despir' como último suspiro;
Ressurreição desencontrada e homicida
Embarga o amor a quem respiro

Guardas em minh'alma, a 'intacta conhecida'
E o amor inebriante a qual refiro
Grandeza e certeza possuída
Dos poemas escritos em papiro

Guardas em minh'alma, a nunca despedida
E a dor de sabê-lo... como um tiro
O elo quebrado e a saída...

Guardas em minh'alma - eu confiro
Memórias, sonhos d'outra vida
Segredos de amor em vão retiro...

Guardas em minh'alma, a dor já esquecida
Juras de eternidade em suspiro
E a missão de continuar em vã partida.
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PARAMNNÉSIAS

Delongas vetoriais trajam cambraia
Enquanto dedilham meus fracassos no porta-retrato
Com suas unhas de porcelana francesa
E enxerga-me como andrajo de redoma
Letárgica, insuficiente e amargurada!
Os cavaleiros do destino debocham-me
Fadários de seus faetontes e faz de conta
Renitentes senhores do apocalipse
Brincam de malmequer com meus cabelos
Sonâmbula demência em demasia!
Energia cósmica contentada
Inimiga conducente imaginária
Sou nada, nada, nada - confessada
Carne, ossos, sonhos e preguiça


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LÂMINAS

Voluvelmente revoluto
Ante a indagação inquietante
Ora desejo de fruto
Ora murmúrio de sangue

O silêncio absoluto
Torna o ar errante
Como subproduto
Dum pedestal vacante

O emocional diminuto
Não intimida o instante
O 'nada' sim é astuto
Finalizador e cortante.
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PÉRFIDO

Eclode-me a blasfêmia enraizada
D'alma perfura-me as vísceras
Como chaga latejante
De sangue mórbido borbulhante
Sobre o véu do purgatório

Rogai-me complacente e sacrossanta
D'outro amor em luxúria mundana
Corrompido amor pudico idolatrado
Dos castelos intrínsecos de cristais
Que lascivo, quebrados por ti

Olhai-me suscetível a rubéola
Aos males metafóricos do eczema
Pérfido usurpado do sempiterno
Dissoluto das dores cancerígenas
Que morfina (perdão) não alivia

Perdoai se o esquecimento não impera
Se vaidade aleijada e ira cega
Não calam o grito mudo que esperneia

O coração não comissura dor imensa
O sangue lúdico é sorvido pingo a pingo
E, o amor interciso agoniza em despedida
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PESARES

Resíduos dos fatos
Espectros da mente
Vãos artefatos
Visão eloqüente
Audição em boatos
Olfato fremente
Espalhafatos
Pulsão latente
Vis mediatos
Incandescentes
Resíduos dos fatos
Espectros da mente
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MAGO

Decifrastes meus enigmas
Cantastes minhas partituras
Quebrastes meus paradigmas
Enxergastes minhas canduras
Curastes meus estigmas

Adentrastes eloqüentemente
no físico, químico e biológico
Sem bater na porta

Experimentastes meu corpo como alquimia
Vivestes em mim faminto e naufrago
Eternizastes em sêmen sagrado aprazia
Transcendentestes a amplitude do âmago

Espectros siameses homogêneos
Simbiose de corpos ardentes
Osmose de vísceras inteiras
Enlace de espírito & alma

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ALCAIDE

Senhor casteleiro dos contos de fada
Acenou com olhar de desdenho
Recitou a epopeia à amada
Com bravura e engenho

Na mente, ardiloso empenho
de camponesa tomada
No coração, o gosto ferrenho
da lâmina da espada

E, na altivez engomada
Esboçou um desenho
Da plebeia encantada
Na masmorra d'alma...
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O ÚLTIMO VÉU

Quando o destino tirou o véu do encantamento
Nos teus olhos o viço perdeu vida...
Desci dos teus altares e fui me abrigar no contentamento
Com a alma exilada e condoída.

Desnuda do sonho, desejo e pensamento
Vaguei pelo umbral de musas esquecidas
Consumidas dia-a-dia com o tormento
Suspirando a dor da despedida.
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SOU TEU FADO SIGILÁRIO

Não adianta banhar-se de outros aromas
Meu cheiro está impregnado em tua pele
Eu sou cada gota de suor teu
Sou a raiz dos teus pêlos
Eu corro nua no sangue de tuas artérias
Sou teu vital oxigênio
Sou cada polegada de tuas digitais
Desespero que te invade inteiro
Tatuagem cósmica, orgasmo fleumático

Não adianta buscar-me em outros corpos
Ou em outras bocas e abraços vagos
Saciedade matada, sem adornos de alma
E mundo vazio ao amanhecer...
Sou a imagem menina de tua retina
Âmago de dor que inflama
Sou a eletricidade que te aviva
Paz que te alinha e derrama
Nas profundezas de minh' alma.
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VIESTES COM TUA AUSÊNCIA

Viestes com mãos brejeiras
Enfeitar-me os cabelos
Com flores de laranjeiras
Deitar-me em teus castelos

Viestes com olhos pedintes
Ladrando-me os farelos
Com a luxúria dos requintes
Dos girassóis em anelos...


Viestes com risos pequenos
Ofertando-me sóis amarelos
Com a sede de vales morenos
Do deserto violoncelo

Viestes...com o corpo apenas
Sem alma... De carne fria
Levando-me como vil açucena
Para o jardim nostalgia!


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