Lista de Poemas
D OUTRA VIDA
Guardas em minh'alma o sentir de outra vida
O 'deitar e o despir' como último suspiro;
Ressurreição desencontrada e homicida
Embarga o amor a quem respiro
Guardas em minh'alma, a 'intacta conhecida'
E o amor inebriante a qual refiro
Grandeza e certeza possuída
Dos poemas escritos em papiro
Guardas em minh'alma, a nunca despedida
E a dor de sabê-lo... como um tiro
O elo quebrado e a saída...
Guardas em minh'alma - eu confiro
Memórias, sonhos d'outra vida
Segredos de amor em vão retiro...
Guardas em minh'alma, a dor já esquecida
Juras de eternidade em suspiro
E a missão de continuar em vã partida.
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PARAMNNÉSIAS
Delongas vetoriais trajam cambraia
Enquanto dedilham meus fracassos no porta-retrato
Com suas unhas de porcelana francesa
E enxerga-me como andrajo de redoma
Letárgica, insuficiente e amargurada!
Os cavaleiros do destino debocham-me
Fadários de seus faetontes e faz de conta
Renitentes senhores do apocalipse
Brincam de malmequer com meus cabelos
Sonâmbula demência em demasia!
Energia cósmica contentada
Inimiga conducente imaginária
Sou nada, nada, nada - confessada
Carne, ossos, sonhos e preguiça
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VIESTES COM TUA AUSÊNCIA
Viestes com mãos brejeiras
Enfeitar-me os cabelos
Com flores de laranjeiras
Deitar-me em teus castelos
Viestes com olhos pedintes
Ladrando-me os farelos
Com a luxúria dos requintes
Dos girassóis em anelos...
Viestes com risos pequenos
Ofertando-me sóis amarelos
Com a sede de vales morenos
Do deserto violoncelo
Viestes...com o corpo apenas
Sem alma... De carne fria
Levando-me como vil açucena
Para o jardim nostalgia!
Enfeitar-me os cabelos
Com flores de laranjeiras
Deitar-me em teus castelos
Viestes com olhos pedintes
Ladrando-me os farelos
Com a luxúria dos requintes
Dos girassóis em anelos...
Viestes com risos pequenos
Ofertando-me sóis amarelos
Com a sede de vales morenos
Do deserto violoncelo
Viestes...com o corpo apenas
Sem alma... De carne fria
Levando-me como vil açucena
Para o jardim nostalgia!
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PESARES
Resíduos dos fatos
Espectros da mente
Vãos artefatos
Visão eloqüente
Audição em boatos
Olfato fremente
Espalhafatos
Pulsão latente
Vis mediatos
Incandescentes
Resíduos dos fatos
Espectros da mente
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TU POEMA
Tu-Poema, de papel macio
Com letras pingando cacau
Enamoro-te ao ler em arrepio
À deriva/mercê como nau
Tu-poema...!
Tu-Poema, correnteza de rio
Com águas de puro sarau
Leio-te hebráico, francês e latim
Nas entrelinhas deste calhau
Ah... Tu-poema!
Tu-Poema, beleza e brio
Nas águas d'um vendaval
Ancora teu verso-navio
No estrofe do temporal
Que a entrelinha no cio
Reluz impressão digital
Tu-Poema com frio
Tu-Poema castiçal
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ALCAIDE
Senhor casteleiro dos contos de fada
Acenou com olhar de desdenho
Recitou a epopeia à amada
Com bravura e engenho
Na mente, ardiloso empenho
de camponesa tomada
No coração, o gosto ferrenho
da lâmina da espada
E, na altivez engomada
Esboçou um desenho
Da plebeia encantada
Na masmorra d'alma...
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O ÚLTIMO VÉU
Quando o destino tirou o véu do encantamento
Nos teus olhos o viço perdeu vida...
Desci dos teus altares e fui me abrigar no contentamento
Com a alma exilada e condoída.
Desnuda do sonho, desejo e pensamento
Vaguei pelo umbral de musas esquecidas
Consumidas dia-a-dia com o tormento
Suspirando a dor da despedida.
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AMOR INDEVOTO
Dizei-me amor indevoto
Se tu crês no cupido
Entre o gozo ignoto
E o prazer foragido
Ledo, profano e remoto
Dizei-me amor indevoto
Desertor comprazido
Se tu crês no meu voto
Em luxúrias defluído
Num palor de terremoto
Dizei-me amor indevoto
Se romance esvaído
É bel prazer roto
Agarrado ao meu vestido
Eu bem noto...!
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SOU TEU FADO SIGILÁRIO
Não adianta banhar-se de outros aromas
Meu cheiro está impregnado em tua pele
Eu sou cada gota de suor teu
Sou a raiz dos teus pêlos
Eu corro nua no sangue de tuas artérias
Sou teu vital oxigênio
Sou cada polegada de tuas digitais
Desespero que te invade inteiro
Tatuagem cósmica, orgasmo fleumático
Não adianta buscar-me em outros corpos
Ou em outras bocas e abraços vagos
Saciedade matada, sem adornos de alma
E mundo vazio ao amanhecer...
Sou a imagem menina de tua retina
Âmago de dor que inflama
Sou a eletricidade que te aviva
Paz que te alinha e derrama
Nas profundezas de minh' alma.
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LÂMINAS
Voluvelmente revoluto
Ante a indagação inquietante
Ora desejo de fruto
Ora murmúrio de sangue
O silêncio absoluto
Torna o ar errante
Como subproduto
Dum pedestal vacante
O emocional diminuto
Não intimida o instante
O 'nada' sim é astuto
Finalizador e cortante.
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