Lista de Poemas

Sobre Madeleine ( e um pouco sobre Ronnie)


ISTO
impulso
atividade cognitiva
irracional,
"Você está bem, meu bem?"

Termos deprovidos de relação
formas incongruentes.
"O que é que você tem?"


Do outro lado do espelho,
ALGUÉM.
um sonho.
Quadrado preto sobre o branco - ausência
Quadrado preto sobre o preto - ausência da ausência.
Atitude beligerante, belicista, surreal e delicada.
Soberania de um pensamento encarnado no desejo
elemento de coesão, rota de colisão.
tempo, tempo, tempo, tempo
"Ela nunca pegou na sua mão, meu bem."


Planeta hostil
colonizado por afetos
projeções, ilusões, destino.
Institucionalização do instinto paranoico
e hostil, ilusório e hostil.
Instauração do espaço comum impróprio
corpo hermetico e instável
órbita irregular.
"ELA NÃO EXISTE."


Nunca será um objeto de apropriação.
Ela é sua Tereza da Praia.
impaupável.
Afetos complementares,
incidiosos,
dessituados da estrutura do tempo,
desprividos de rotina e tormento.
"ESQUEÇA!"

O que não é representável,
não é inexistente.
Inadequado, talvez.
Inseguro, talvez.

Como confiar no que não se constituiu?

Indesejavel? Jamais.
Indefectível? Jamais.
Desnecessário? Jamais

Existia nas fendas do tempo,
esquecimento, e memórias auditivas.
No ínfimo espaço vazio entre duas mãos,

guerra e paz.
mesmo coração
batendo uníssono
ensurdecedor.

Alguns chamariam de amor.
Todos chamavam de ilusão.

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Nanotecnofagia - O futuro já não precisa de nós

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Imantado

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atração ( variável oculta )




a vontade era menor
que a velocidade de escape
calor, suor, entrelace

aquele olhar
singularidade inapropriada
o traço branco na linha d'água

um horizonte de eventos
nunca dantes explorados
inócuos 
ondulatórios
simultâneos
instantâneos
ilusórios
marginalizados



- o poeta - a caneta - o abismo - 

lineares
olhares desviados
similares a ensaios 
sonhos
soslaios

a vontade era menor
que a velocidade de escape
inserindo valores indeterminados.

emaranhados
sem escape
ensimesmados
e sem escape

principiando a incerteza
e sem escape
de quando em quando
e sem escape


um traço branco na linha d'água
a vontade era menor
que a velocidade de escape

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filigranas



cada fio de cabelo no seu devido lugar
perfume nas notas certas
cores e modelagem adequadas às dimensções do seu corpo
bolsa e sapato em recíproca consonância
o que estragava era o espírito transbordando para fora do corpo

trânsito livre
uma vaga sob àrvores
"Bom dia!" - " Bom dia, dona."
rabo de cavalo
perfume oriental, floral, anis e controvérsias
trânsito livre, água gelada
sala fechada
as voltas e voltas das pás do ventilador contam os segundos
cortam os segundos em átimos infinitos

cada fio de cabelo no seu devido lugar
era o espírito transbordando para fora do corpo
que tirava tudo da inércia
as lagartas se pisoteavam pelos corredores
era um pillar de caterpillar
era, ela sabia, tinha lido sobre isso
olhos flutuando para fora das órbitas presos a pequenas filigranas
fazia tudo parecer lindo e distante

trânsito livre, anis e controvérsias

uma vaga sob árvores
uma marmota e um dia que parece não parar de se repetir
o que salvava era o espírito transbordando para fora do corpo.

todavia, mais um dia de espera.

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ousa

falar
sem
calar

o
outro

amar
sem
prender

um
pouco

berrar
sem ficar
rouco

casar
sem morrer
oco
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Falo de mim

A língua que falo,
a língua que beijo,
o queijo que gosto,
o rosto que vejo,
não dizem nada sobre mim.
A língua e o falo,
a língua e o beijo,
o queijo e o gosto,
o rosto que vejo,
dizem espelho sobre mim.
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Sismo

A essa altura
qualquer um, coisa ou situação
que abale os sentidos

poderia ser chamado de aventura
válvula de escape,
ou simplesmente, bênção

O frisson do vento frio na pele quente.
Desmemórias.
O vento que sopra do Sinai em direção ao oriente
enquanto o lagarto corre sobre duas patas.
Paixões desmesura, clausura
Insensata.
Perda abrupta e iminente dos sentidos

ser,
deixar ser
sem queixas
deixar-se ser
queixar-se ou não
e ser

a essa altura se deixar ir
é rente de encontrar a si,
e se perder,
se puder ainda
longe dos desastres antropogênicos
longe de si e em si mesmo
um cismo

qualquer um, coisa ou situação
que abale os sentidos
sismo

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ação fantasmagórica a distância - como chamou Einstein



pensamentos herméticos
antigos e reativos deram lugar
reações intensas, densas e turbulentas
os dedos a digitar 
pele densa
partículas exóticas
transpassando a pele como se nela
caminhos incontáveis existissem
informações inobserváveis
para lugar nenhum
para um outro lugar desconhecido
origem desconhecida
naquela pele, um outro eu,
não meu

eram só pensamentos
jogados naquele tabuleiro
ondas gigantescas de energia reativa
inútil
corriam pelos capilares
azul de metileno subindo até pétalas brancas
psiquismo exacerbado, entrelaçados

veja
o dedo acompanhava a linha vertebral
da lombar para a cervival
eletrificando cada centímetro cúbico
convulcionando aquela mentepelequente não dissociada
veja

os dedos digitavam rápida e precisamente
entre zeros e uns e outros
entre tantos e tão poucos
longínquas coordenadas desordenadas e ainda assim precisas
de lugar algum
de outro lugar desconhecido
origem desconhecida
nele, meu, um outro eu outrora
adormecido

onde estávamos mesmo?

era turbulência
sem espectadores
sem expectativas
partículas exóticas
experiências sofisticadas
eremíticas
memórias antiquadas
tabuleiros
caos ordenado pelo desejo

que darão lugar a outros dedos
digitando outras leis
para a mesma matéria
mentepelequente não dissociada

seu corpo estava longe
tão distante
que a saudade era a única unidade de medida
única constante
e ainda assim
tão perto, dos medos
ao alcance.

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Ou seja




A sensação é de que você a conhece,
já a conhece.
Como não a conheceria?
Como não a reconheceria?

Esteve lá o tempo todo,
todo tempo no intento
de não parecer tão estranha.

precisava estranhar-se antes
ousar oentranhar-se
e ser.

a sensação é que você a conhece
brilha e brilha e brilha
trilha bioluminscente do tipo que não se segue
sua, chora, engole seco, um gole de pina colada bem gelada

ela derrete, feito gelo sob a língua
escorre por entre os dedos
amedronta mais que o medo
mas a sensação, é que você a reconhece

era a menina no mercado
cheirando as laranjas como se não houvesse amanhã
era a menina dentro do ônibus, que você não viu o número da linha
não a veria de novo, mas o olhar dela cruzou o seu e se estendeu
a perdeu no tempo e no espaço
a sensação é aquela
é ela, é,
podia ser
e era

podia ser a menina de joelheiras e patins
no parque falando com sotaque
de algum lugar que não aqui

podia ser sua melhor amiga de infância,
aquela que você esperava chegar na escola
com o cabelo preso de um jeito engraçado
cheirando alguma coisa que parecia boa,
ainda que não soubesse o que era ou poderia ser
ou poderia ter sido
a sensação é que ela brilha
brilha e sugere sonhos
sugere lembranças sui generis
construindo um castelo de subjetividades
nas cavidades do seu coração
em todas, sem rastro de ilusão.

e agora?
e agora que a conheceu?
que a reconheceu?

cheirando as laranjas,
brincando de ser catavento
catando o vento com a mão pra fora do carro
a 120km por hora.

o olhar dela cruzou o seu
na saída da escola
na entrada do metrô
cruzando na saída do elevador

a sensação é aquela
a sensação é ela
a sensação é que...
você a conhece.
você a inventou.

você sonhou
foi até o paraíso
você a viu
a viu e sorriu
a segurou bem forte
apertou contra o peito
e quando acordou
a encontrou em seus braços.

a sensação, é que você a conhece.

Agora esquece, ela se foi.

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Comentários (1)

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Silene
Silene
2026-03-15

horrivel infantilizada