Lista de Poemas
Ideias sequenciais de um eu-âncora indexado no Planeta de Gavetas Bagunçadas
main NOP
gavetas bagunçadas
mente de gavetas bagunçadas
cidade das gavetas bagunçadas
alma das gavetas bagunçadas
tudo rui ao redor
ruidosamente
tudo rui
ruidosamente nessa mente
de gavetas bagunçadas
device null
rios que não fluem
em um eu fora de mim
estrangulado
um outro eu fora de si
ruindo ruidosamente
controlado
escritos e tratados
engavetados
mente bagunçada
e engavetada
ventos que não movem nada
ou quase nada
tempestades neurais
R1 P1 R2 P2
árvores plantadas no ar
sou eu
galhos neurais
transtornos obssessivos compulsivos
sou eu
- Já já vai passar, meu bem.
gavetas bagunçadas
Nanotecnofagia - disse ela
dados indexados que não fluem
em um eu-âncora fora de mim
um eu-satélite artificial
um simulacro mais real que o real
um bem querer não mais que o que mesmo?
"Santa Clara Poltergeist" - estava escrito no Converse da garota
thundervideodrome
- Fiat Lux - disse a máquina
ruidosamente engavetada
- Eu não ligo se você não ligar.
transtorno dissociativo de personalidade
multiusuário
multitudinário
Luther Blisset ex machina
Era isso e mais nada.
viu? eu disse... ideias bagunçadas.
ideias projetadas
no planeta das ideias ancoradas
gavetas bagunçadas
mente de gavetas bagunçadas
cidade das gavetas bagunçadas
alma das gavetas bagunçadas
logoff
Lembra-me
Ela.
No infinito flutua, alma errante a vagar,
Buscando por algo, nos confins do sonhar.
No labirinto do tempo, sem rumo encontrar,
Entre sonhos e realidade, se vê desdobrar.
Em constelações dançantes, o ser se dissolve,
Entre Arcanos e inércia, a paixão se resolve.
O amor, platônico, a alma sublima e envolve,
Num intrincado jogo cósmico, o destino a absolve.
Já sem culpa, vaga.
Entre véus e mistérios, anseia a verdade,
A luz etérea, guia da terna jornada.
Mas a paixão a consome, carnal e encarnada,
Perdida na vasta e imensurável eternidade.
Como chama etérea que nunca se apaga,
Sua essência irradia, nas sombras propaga.
No derradeiro ato, épica saga,
Repete os primeiros versos, como uma lembrança vaga.
Ainda sem rumo, ainda sem nada.
Esfarrapadas
Além dos horizonte de eventos
- Glicose
Podia-se afirmar,
com um grau alto de certeza,
que era doce,
violentamente doce.
Como todas as abelhas rainhas deveriam ser.
- Temperatura
O sonho habitava o estreito limite entre o gelo e a lava.
Não havia meio termo,
não havia o café adoçado de maneira insuficiente,
não havia meia palavra entre os dentes,
qualquer coisa haveria de ser coisa alguma se assim fosse.
E era.
O calor dos lábios
outrora fora substituído
por horas,
incontáveis horas separando o sol de um outro sol,
estrela nua..
Uma colisão sem luz, sem graça,
sem a extrema desgraça da beleza mais brutal, mais singela,
E binária.
- Pulso
Toda busca inútil por autoconhecimento
deveria começar com a observação das veias esverdeadas,
dos tendões sobressaltados
e reativos aos impulsos.
Poderia ficar horas e horas e horas e mais algumas horas
observando os ponteiros correndo em um relógio sem pertinência.
Existia uma vida ali, correndo, agindo e reagindo,
doçura e demência
"e de nada valeria acontecer de ser gente", sabe como é.
O pulso deveria ser a entrada para outro lugar desconhecido.
E era.
O pulsar gira e gira e gira e gira,
anda de mãos dadas com a vertigem
uma estrela de neutrons qualquer que se preze
aceita o colapso, como fato.
Toda busca é inútil se não começar olhando para o que está na sua cara.
O que faz seu pulso pulsar?
Pulsar como um farol girando e girando e girando.
Era a frequência pela qual se apaixonava, pelas mesmas coisas de sempre.
E sempre, inesperadas.
O jeito certo de segurar alguém é pelos pulsos
Toda aquela tempestade vai passar e carregar tudo
para qualquer outro lugar, desconhecido,
e nada vai ser o mesmo, além do que sempre foi como antes.
Eu, inútil
- Respiração, saturação e consciência
Por definição ordinária respiração é um substantivo feminino
que designa o ato ou efeito de respirar,
movimento duplo dos pulmões,
inspiração e expiração;
fôlego.
Na prática foi diferente,
tudo estava funcionando,
mecanicamente perfeito,
inspiração, expiração,
o ar entrava, o ar saía,
então porque a vista escurecia?
porque o coração batia perfeito?
perfeito, acelerando cada vez mais, mas perfeito.
sabe o que é um coração batendo perfeito no momento da sua morte,
poetas ousariam rimar com sorte, mas era só, defeito.
a vista escureceu, o corpo amoleceu, e desfaleceu,
caiu,
lentamente, caiu
faltou o que fazia falta, o ar, e caiu.
Faltava o sentido da vida.
No corpo, que cai.
Tudo ficou escuro e quieto.
Mas havia ainda um pensamento,
um último instante de pensamento: “Morri”.
Um morri, curiosamente consciente
sem desespero, sem conforto também, isso é verdade.
Em meio a escuridão um pequeno ponto de luz apareceu,
foi aumentando e havia ainda um pensamento,
e em haver ainda um pensamento havia um conforto:
“Ok, existo.”
Não importava onde.
O corpo desfalecido, em repouso,
necessitou menos oxigênio,
o pouco ar que entrava agora,
fora suficiente para recobrar a consciência.
A luz foi aumentando, a imagem se formando a partir do centro,
era uma luz
luz do poste à frente, à cima
sem túneis, sem eternamente.
Éter... o éter...pobre éter já não mais admitido pelos físicos.
Por definição: Viva.
- Pressão
Livro III: menciona o coração e os vasos sanguíneos.
Era uma imagem escondida debaixo de um bolso de coração costurado a mão,
fatto a mano.
Um nó na garganta percorrendo 20km de veias e artérias até chegar ao zênite.
O corpo celeste mais brilhante do céu naquele instante.
Estradas bloqueadas, quatro pistas bloqueadas,
sol reluzindo nas partes metálicas dos carros à frente,
e tudo bloqueado.
Artérias, arteríolas, vênulas, veias e capilares,
vias coletoras, vias arteriais, vias expressas,
vias locais, tudo parado.
Minutos, horas, dias, meses,
anos, annus mirabilis, tudo parado.
Tudo.
Parado.
Só a vida andava à revelia,
as coisas aconteciam,
iam e vinham,
automático, automatizado,
fazendo bem o seu trabalho,
cumprindo bem o seu papel.
Papel em branco,
asurado
de um corretivo que não corrigia nada.
Ou quase nada.
Tudo
errado,
embora parecesse o mais correto.
- Dor
Dor, dor...
a dor que precede o sofrimento.
Dia-após-dia, um poema,
um lamento,
presente,
falando de ausentes e distantes,
fazendo não mais ter sentido
aqueles retrato na estante.
Tudo passa, e passou.
Sobre o sofrimento eu não sei.
Sei
das noites e dos gritos de susto.
Sei
dos dias e dos instantes de medo
Sei
que era tarde ainda sendo tão cedo.
Sei
que debaixo de tudo que conto guardo um segredo.
Fui uma estrela de neutrons.
Engaiolada

Inegociável

O resto é silêncio
A lucidez
parece desaparecer
perante esse escuro.
Esse, não outros.
Ouço as vozes
por vezes
uníssonos murmúrios:
"O próprio sonho não passa de uma sombra."
Altos muros
de uma sanidade
sem pertinência.
Ente desnudo
unindo o amor
e a ausência.
A lucidez se assemelha
a areia de uma ampulheta
quebrada.
Ouço vozes
por vezes
dissonantes sofismadas:
"Dormir, dormir... talvez sonhar."
A morte é acordar.
Beekeeper - poema anos 2000
No coração, sonhos desabrocham,
Como um biólogo, enlouquecido a estuda.
Em seu universo, criação ideal,
Germinada na mente, seu sono embala,
Encarnada essência, primordial.
Nos lábios, o néctar da criação, traz
Palavras moléculas, partículas de um quase-quasar,
Como abelhas de beijo doce, violento, sagaz.
Dois pares dão asas à imaginação, e ele ama,
Inventando segredos, os escrevendo no ar
E no coração, a rainha encantada, reside, soberana.
Assim, vive ele, poeta a pesquisar,
Inventando beleza onde sequer existe, para suportar
a dor de acordar de sonhos, que não deve sonhar.
Náufrago que é, no raso poço sem se afogar,
Segura a corda que sufoca seu pescoço
Como se fosse boia ao mar.
Nos seus pensamentos, a magia se encerra.
Afundando em vivências cartesianas, seu olhar denuncia
Objetos de estudo em meio à grande guerra.
Mas, acima de tudo
E todos,
Há uma rainha.
Que absoluta reina,
Figura etérea
Ou apenas, Ela.
Rainhas não comem merda.
Beekeeper - poema anos 2000
No coração, sonhos desabrocham,
Como um biólogo, enlouquecido a estuda.
Em seu universo, criação ideal,
Germinada na mente, seu sono embala,
Encarnada essência, primordial.
Nos lábios, o néctar da criação, traz
Palavras moléculas, partículas de um quase-quasar,
Como abelhas de beijo doce, violento, sagaz.
Dois pares dão asas à imaginação, e ele ama,
Inventando segredos, os escrevendo no ar
E no coração, a rainha encantada, reside, soberana.
Assim, vive ele, poeta a pesquisar,
Inventando beleza onde sequer existe, para suportar
a dor dde acordar de sonhos, que não deve sonhar.
Náufrago que é, no raso poço sem se afogar,
Segura a corda que sufoca seu pescoço
Como se fosse boia ao mar.
Nos seus pensamentos, a magia se encerra.
Afundando em vivências cartesianas, seu olhar denuncia
Objetos de estudo em meio à grande guerra.
Mas, acima de tudo
E todos,
Há uma rainha.
Que absoluta reina,
Figura etérea
Ou apenas, Ela.
Rainhas não comem merda.
Jazz
Solitude, o vazio devora
Palavras perdidas, noite sem lei
Luzes piscam, blues na aurora
Consciente na doce solidão
Navegando a maré da desordem
Palavras dançam, saltitantes, na mente
o dadaísta e as emoções latentes
Amor peculiar, sem parâmetros
Uma pintura surreal, se transmuta
Tons dissonantes e harmônicos lutam
Caos organizado, que me arrebata e seduz
Na penumbra do jazz, ressoa o eco
Da solitude que devora, insaciável
Palavras dispersas, na noite sem lei
Luzes cintilam, eu sou o blues que se recria
Comentários (1)
horrivel infantilizada
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