Escritas

Lista de Poemas

Encontro

A levei tão suavemente
A carreguei por toda uma dimensão
A entreguei encarecidamente
Novamente, para sua imensidão

Não me esqueci completamente
Não me esqueci de estar
Não me encontro mais dormente
Aos poucos reaprendi a ficar

Aos poucos comecei a ir
De novo aprendi a falar
Lentamente comecei a sentir
Agora volto a pensar

Alto, então
Agora, ao que precisar
Os caminhos não foram em vão 
Estou de volta ao lar
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Perder a razão

Em estrelas estou a divagar
As razões pelas quais passei se esvairam 
Não olho muito a procurar 
Novas questões surgiram 

O estar é tudo que tenho
O amar é o que me resta
Dos céus é de onde venho
Minha alma caminha com pressa

Penso e penso sem notar
Até às paredes estou a perguntar
Querendo ir e estar
E me contentar ao que restar

Caminho sem saber por quê
Danço perdendo os passos
Daqui nada se vê
Tento redesenhar os traços

As coisas se perdem na escuridão
Não sei mais ao que temer
Criei barreiras na imensidão 
Talvez um dia poderei ser
Talvez um dia me perca a razão
Talvez um dia volte a ver 
Talvez um dia tenha permissão
👁️ 266

Sombra


Olhei e observei uma lembraça
O momento já não me faz falta
Em meu ser habita uma criança
Do além ouço uma voz alta

Da sombra que vejo, um alívio se torna
Quase que passa despercebida
Escrevendo, em minha alma reforma
Agora tenho de apreciar a sua ida
👁️ 162

Ainda te preservo

E se você não for o que pensava? 
E se eu estiver errada?
Devo reconhecer que não esperava
Não sei como te perder de novo

Devo perguntar o porquê
Para poder perceber 
Um pouco de mim em você
Em você aos poucos sem querer

Não consigo te reconhecer
Agora a observo
Você se foi há muito tempo
Meu amor a ti preservo

Ainda conservo o que antes era
Não te ouço chamando
Não aguarde a minha espera
O tempo está acabando

Antes lhe perder que me perder
Espero que não se esqueça de mim
Me perco ao me esquecer
Nisso hei de por um fim
👁️ 347

Acordar

No hinduísmo, renascer
No budismo, despertar
Para Nietzsche, deixar morrer
Para Aurora é cantar

Em corpo crístico procure entender
O que é em sua exatidão
Ser ou deixar de ser
Se perder na imensidão

Na astronave viajar
Em multidões se esconder
Da tristeza se embriagar
De si se esquecer

De diferentes modos, posso dizer
O que é esse processo?
Sempre volta a aparecer
Sempre cai em retrocesso

Talvez só caiba a intenção
Tudo o que basta é recomeçar
Abre-se uma nova dimensão
Procura-se um novo lar
👁️ 319

Vago

Procuro profundamente
Procuro entender 
Caminho intensamente
Quero a minha alma reacender

A vida me deixou ansiosa
Tudo aos poucos me entristece
Encarecidamente despretensiosa
Procuro entender o que acontece

Não olhei perto o suficiente 
Na verdade estava dormindo
Meu estado era inconsciente
Da verdade estava fugindo

Só, estabeleço uma conexão comigo
Penso, paro e tento
Na ausência de um amigo
Sinto novamente o vento

Não fico nervosa
Nada há de restar, afinal
Há uma alma caridosa
E com ela me encontrarei no final
👁️ 163

2018

Pensei que não voltaria 
Depois de tanto problema que causou 
Ao citar Ustra, ria 
Nosso país deslizou 

Procurando os direitos do Brasil 
Olhava para o céu amedrontado 
Em seu estado mais pueril
Enquanto um ria o outro, calado 

Recentemente jogaram os pontos 
Seu envolvimento estava notável 
Marielle entre os mortos 
Seu crime, justificável

Indígenas mortos, florestas devastadas 
Estavam cegos o tempo inteiro 
Conservando sangue de tribos destroçadas
Tudo o que importa é dinheiro
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Perdeu-se

Perdida estava em seus caminhos
Há tempos que não visitava sua morada 
Seus pés andavam sozinhos
Como era feliz sua caminhada

Visitava agora terreno estrangeiro
Tudo o que ficou, sumiu
Em seu perfume lisonjeiro
Na caminhada da sorte, subiu

Como quem sente cheiro de mato,
A paz esboçava-se em seu ser
A caminho de cometer o ato
Tudo esperava desconhecer

Por descuido do acaso, tropeçou
Caiu e não sabia onde encontrar
O caminho, recomeçou
Agora desaprendia a falar

A brisa sentiu em seu peito
Acalmava o coração 
Não conseguia pensar direito
Tudo era uma ilusão

"Por aqui hei de ficar"
Em meio a relva mergulhou
Logo começara a procurar
Logo perdera o que começou

Há pouco, desaprendeu
O que na mente tanto cabia?
Seu eu então morreu
Algo novo renascia
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Abduzido

6
Por milhares de segundos, uma voz ecoa
Traga de volta nossa nobre pessoa
Já fazem milênios que não vem
Estariamos esperando um ser do além?

Fernando fora abduzido!
Ora, será que está ferido?
Hei de encontrar o meu marido!

Dona Rosa mal sabia
Esperançosa, ela ria
Depois de tantos anos
Tamanha felicidade não se cabia

Novamente, a voz ecoou
Em sua sórdida existência, Dona Rosa chorou
Fernando nunca existira
O remédio o matou
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Comentários (4)

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wilson1970
wilson1970
2020-01-29

Adotei a grata poetisa poeticamente falando

gaiadesperta
gaiadesperta
2020-01-09

Muito obrigada! ^_^

nilza_azzi
nilza_azzi
2019-12-04

Lirismo pleno, num poema muito bem trabalhado. Aproveito o ensejo para agradecer a visita.

wilson1970
wilson1970
2019-11-29

sua vocação é ser poeta