Lista de Poemas
O PRESENTE DO PAPAI
Neste dia do papai, já não sei o que comprar
O papai é tão severo, não sei do que ele vai gostar
Um sapato, uma cueca? Eu só sei comprar bonecas!
Sei que gosta de futebol, mas não dá conta de jogar
Mamãe diz: dê um Viagra! Vovó diz: não! Vai enfartar!
Acho melhor dá uma cadeira pra ele só se balançar.
O papai é tão severo, não sei do que ele vai gostar
Um sapato, uma cueca? Eu só sei comprar bonecas!
Sei que gosta de futebol, mas não dá conta de jogar
Mamãe diz: dê um Viagra! Vovó diz: não! Vai enfartar!
Acho melhor dá uma cadeira pra ele só se balançar.
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FESTIVAL DO CARAPEBA
Peba, na língua indígena, significa: achatado ou largo. Assim, carapeba
significa: peixe chato de rio Acará ou simplesmente cará chato. Em
tupi-guarani, especificamente, significa também: comum. Na linguagem
nordestina, principalmente do Ceará, o termo peba passou a ser usado de
forma depreciativa como: pobre, otário e desvalido.
Para nós, amigos aqui reunidos, esquecendo a etimologia da palavra,
chamemos de carapeba apenas de um cara comum, ou seja, o individuo em
si, sem títulos, sem patentes ou cargos que o diferenciem dos demais colegas.
Nesses termos, o Festival do Carapeba é um encontro das pessoas
comuns, ou melhor, é onde as pessoas comuns se encontram.
É entre uma cervejinha e um conversa fiada que se descobre a cantora, o
poeta, o pai de família, a mãe dedicada, a amiga fiel e as grandes almas que
se escondem atrás das formas rígidas do labor cotidiano. Lá descobrimos que
o nosso colega é mais que um cara grande, é um grande cara, rico em nobres sentimentos, com experiências de vida tão belas, que nos trazem às lágrimas
quando as descreve. Ali, nós vemos mais que o amigo de fé, vemos a fé do amigo.
Lá percebemos que ele é como qualquer um de nós. Ele tem tristezas, sonhos, desencantos e realizações, mas, acima de tudo, muita, muita alegria de viver!
significa: peixe chato de rio Acará ou simplesmente cará chato. Em
tupi-guarani, especificamente, significa também: comum. Na linguagem
nordestina, principalmente do Ceará, o termo peba passou a ser usado de
forma depreciativa como: pobre, otário e desvalido.
Para nós, amigos aqui reunidos, esquecendo a etimologia da palavra,
chamemos de carapeba apenas de um cara comum, ou seja, o individuo em
si, sem títulos, sem patentes ou cargos que o diferenciem dos demais colegas.
Nesses termos, o Festival do Carapeba é um encontro das pessoas
comuns, ou melhor, é onde as pessoas comuns se encontram.
É entre uma cervejinha e um conversa fiada que se descobre a cantora, o
poeta, o pai de família, a mãe dedicada, a amiga fiel e as grandes almas que
se escondem atrás das formas rígidas do labor cotidiano. Lá descobrimos que
o nosso colega é mais que um cara grande, é um grande cara, rico em nobres sentimentos, com experiências de vida tão belas, que nos trazem às lágrimas
quando as descreve. Ali, nós vemos mais que o amigo de fé, vemos a fé do amigo.
Lá percebemos que ele é como qualquer um de nós. Ele tem tristezas, sonhos, desencantos e realizações, mas, acima de tudo, muita, muita alegria de viver!
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REVELAÇÃO
Quem escreve poemas também pinta quadros
Em palavras e versos qual tinta a escorrer
Às vezes é rude, insensível ou antiquado
Mas é voz de sua alma a angustia de um ser
Quem lê um poema contempla uma paisagem
Que nas cores dos versos alguém quis pintar
Lá há dores, há sonhos, realidade e miragem
E em fantasias ou lembranças o leitor vai se achar
Quem gosta de poemas, gosta de mergulhar
Em águas profundas de mistérios sem par
Quem mergulha nos versos pode até encontrar
Entre sorrisos e lágrimas, sua alma a cantar
Em palavras e versos qual tinta a escorrer
Às vezes é rude, insensível ou antiquado
Mas é voz de sua alma a angustia de um ser
Quem lê um poema contempla uma paisagem
Que nas cores dos versos alguém quis pintar
Lá há dores, há sonhos, realidade e miragem
E em fantasias ou lembranças o leitor vai se achar
Quem gosta de poemas, gosta de mergulhar
Em águas profundas de mistérios sem par
Quem mergulha nos versos pode até encontrar
Entre sorrisos e lágrimas, sua alma a cantar
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BRASIL QUE DÁ GOSTO
Brasil tropical, de um mar sem igual
que eterniza o verão,
Dos credos nas praças, da paz entre as raças
e da miscigenação
Sem avalanches, vulcões, terremotos, tufões
ou outras tormentas quaisquer,
De mil rios e florestas, da natureza em festa ,
onde a vida é o mister.
Brasil da alegria, do samba e poesia,
és um Brasil canção!
Lar da democracia e da poligenia,
país da livre expressão!
Brasil da festança, do folclore e da dança,
terra da promissão
Brasil do aconchego, da cachaça e levedo
e da fartura de grãos
Vazios os fortes da serra, és uma pátria sem guerra,
és uma casa de irmãos!
Oh meu Brasil pacifista, de qualquer ponto vista,
és a melhor das nações!
Quem ainda não te conhece, vive missa sem prece
e por certo está a perder:
Um Brasil que dá gosto, dá alegria e remoço,
terra prá se viver!
que eterniza o verão,
Dos credos nas praças, da paz entre as raças
e da miscigenação
Sem avalanches, vulcões, terremotos, tufões
ou outras tormentas quaisquer,
De mil rios e florestas, da natureza em festa ,
onde a vida é o mister.
Brasil da alegria, do samba e poesia,
és um Brasil canção!
Lar da democracia e da poligenia,
país da livre expressão!
Brasil da festança, do folclore e da dança,
terra da promissão
Brasil do aconchego, da cachaça e levedo
e da fartura de grãos
Vazios os fortes da serra, és uma pátria sem guerra,
és uma casa de irmãos!
Oh meu Brasil pacifista, de qualquer ponto vista,
és a melhor das nações!
Quem ainda não te conhece, vive missa sem prece
e por certo está a perder:
Um Brasil que dá gosto, dá alegria e remoço,
terra prá se viver!
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DESVENTURA
Jovens viris, valorosos, intrépidos e corajosos,
estão o mundo a mirar.
Buscam, além do horizonte, o mais viçoso dos montes,
para uma bandeira hastear.
Não há agruras na serra ou obstáculo na terra
que os impeça marchar.
Partem, aos vinte, bem cedo, cheios de amor e sem medo,
vão a montanha escalar.
Aos trinta, correndo tanto, das pradarias os encantos,
já pulam sem contemplar.
Sobem escarpas e serras , dos sonhos fazem a guerra,
pouco conseguem se amar.
Aos quarenta jazem cansados, a bandeira é um trapo rasgado,
não vale a pena hastear.
Aos cinquenta já não olham prá cima, sonham com os prados e campinas,
os quais ousaram deixar.
A carga é então dividida, por rotas opostas e em descida,
não querem mais se encontrar.
estão o mundo a mirar.
Buscam, além do horizonte, o mais viçoso dos montes,
para uma bandeira hastear.
Não há agruras na serra ou obstáculo na terra
que os impeça marchar.
Partem, aos vinte, bem cedo, cheios de amor e sem medo,
vão a montanha escalar.
Aos trinta, correndo tanto, das pradarias os encantos,
já pulam sem contemplar.
Sobem escarpas e serras , dos sonhos fazem a guerra,
pouco conseguem se amar.
Aos quarenta jazem cansados, a bandeira é um trapo rasgado,
não vale a pena hastear.
Aos cinquenta já não olham prá cima, sonham com os prados e campinas,
os quais ousaram deixar.
A carga é então dividida, por rotas opostas e em descida,
não querem mais se encontrar.
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DESCOBRINDO A PÁTRIA
Quando criança, disseram-me: Ela é tua mãe!
Dei-lhe todo o meu afeto, carinho e respeito;
Quando garoto, disseram-me: Ela é tua rainha!
Cantei-lhe versos, prestei-lhe culto e admiração;
Quando jovem, disseram-me: Ela é a tua amada!
Dei-lhe minha vida, minha força e minha devoção;
Quando adulto, disseram-me: Ela é tua patroa!
Fiz-me seu serviçal, fiel e devoto;
Agora, velho, na dependência de seus cuidados,
descubro que Ela é, de fato, apenas minha algoz.
Dei-lhe todo o meu afeto, carinho e respeito;
Quando garoto, disseram-me: Ela é tua rainha!
Cantei-lhe versos, prestei-lhe culto e admiração;
Quando jovem, disseram-me: Ela é a tua amada!
Dei-lhe minha vida, minha força e minha devoção;
Quando adulto, disseram-me: Ela é tua patroa!
Fiz-me seu serviçal, fiel e devoto;
Agora, velho, na dependência de seus cuidados,
descubro que Ela é, de fato, apenas minha algoz.
👁️ 488
DEUS FEZ AS MÃES
Deus fez a mulher, augusta e bela
Do flanco de Adão uma costela,
E um grande coração deu Ele a ela
Pra dar aos filhos, amor, perdão e curatela
Benditas mães, fiéis e espoliadas
Dilaceradas no amor, quantas vezes, cuspido
Em pranto, em dor e em lágrimas sufocadas
Consomem-se em amar, um filho embrutecido
Deus deu ao homem a força e autoridade
Impôs-lhe o labor e o provimento
Mas deu à mulher: a abnegação e a madre
E um amor incondicional pelo rebento
Que seria de nós, filhos insensatos
Na mão paterna, justa e cartesiana
Não fosse da mãe, o amor nato
Que independente do erro, ao filho ama?
👁️ 552
LEMBRANÇAS
O amor pode cobrir mágoas
Crescer, florir e despontar
Mas a dor do peito em chagas
Ao coração faz chorar
A lembrança traz momentos
Que não se quer reviver,
Mas a dor e o sofrimento
Ninguém consegue esquecer
Quem dera esquecer o que amamos
E alheio aos desígnios viver
Mandar para além do oceano
A dor que nos faz padecer
Crescer, florir e despontar
Mas a dor do peito em chagas
Ao coração faz chorar
A lembrança traz momentos
Que não se quer reviver,
Mas a dor e o sofrimento
Ninguém consegue esquecer
Quem dera esquecer o que amamos
E alheio aos desígnios viver
Mandar para além do oceano
A dor que nos faz padecer
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INFORTÚNIO
Vendo-me assim, tão pequeno e faminto,
Te comoves e sentes por mim compaixão,
Mas ao pensar nos culpados deste meu vil destino,
Tua raiva sufoca a primeira emoção.
Eu não fiz a escolha do lar que nasci,
E o pai que eu tenho, não te censuro julgar,
Mas um pedaço de pão, foi só o que pedi.
Tua revolta não pode minha fome matar.
Com o Samaritano, precisamos aprender:
Quem legaliza o infortúnio, não o quer resolver.
Do faminto o problema, só achará solução
Nos que acima da mente, vêem com o coração.
Te comoves e sentes por mim compaixão,
Mas ao pensar nos culpados deste meu vil destino,
Tua raiva sufoca a primeira emoção.
Eu não fiz a escolha do lar que nasci,
E o pai que eu tenho, não te censuro julgar,
Mas um pedaço de pão, foi só o que pedi.
Tua revolta não pode minha fome matar.
Com o Samaritano, precisamos aprender:
Quem legaliza o infortúnio, não o quer resolver.
Do faminto o problema, só achará solução
Nos que acima da mente, vêem com o coração.
👁️ 662
O RIBEIRO
Ribeiro Fontes morreu
Como qualquer indigente
Minguando aos olhos dos seus
Sem que ninguém o lamente
Viveu por milhões de anos
Mas não ficou resistente
Contra o agente humano
Destruidor do ambiente
Por resíduos contaminados
Seus pulmões capitularam.
Por seus sulcos depilados
Seus braços fortes secaram
Seu leito seco em avenida
Em breve será transformado
E o doce canto da vida
Prá sempre silenciado
Como qualquer indigente
Minguando aos olhos dos seus
Sem que ninguém o lamente
Viveu por milhões de anos
Mas não ficou resistente
Contra o agente humano
Destruidor do ambiente
Por resíduos contaminados
Seus pulmões capitularam.
Por seus sulcos depilados
Seus braços fortes secaram
Seu leito seco em avenida
Em breve será transformado
E o doce canto da vida
Prá sempre silenciado
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Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.