Biografia
Escritor, Investigador, Conferencista e professor.
Lista de Poemas
Total de poemas: 4
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TODOS SABEM DELA
Ela tem somente seios delas
Usa também luz branca de velas
Sofre tormentos pagando o fruto
E também dela se empossa o luto
Ela anda descalça nas colinas
A empregar no rosto as lágrimas
Que os olhos doridos despejam
Sem encontrar o que desejam
Ela tem também coração de nós
Ergue também a sua humilde voz
Quando a natureza lhe pede
E se for um amor último, ela cede
Ela é somente uma mulher
Que tudo possível sabe fazer
Doa vida, amor, e sua integridade
Dá tudo até a sua personalidade
Mesmo assim, mas mesmo assim
Ela tem sim, um grande futuro ruim
O passado das coisas determinou
Seu fim, que hoje alto a humilhou
É somente mãe que tem o filho
Agarrado nas algemas do pó
Enterrado em alma, e o trilho
Em que passava ficou só, só, só!
Ela hoje anda toda desgraçada
Velha no pensamento sequioso
Ouve apenas as vossas gargalhadas
E lastima segundo o vosso gozo
Assume ela de coração o escárnio
Que seu filho recebe dos ídolos
E assiste com seu coração singelo
A todo meu irrecuperável encómio
Mas não deixou de ser a mulher
Que para todos vós bem quer
Ela transpira amor e jorra carinho
Extraindo o mal do vosso caminho
Porque ela sente sentimentos
Que vossas mães sentiram no dia
Em que se fez em somente alegria
O vosso inopinado aparecimento
Mas ela hoje deplora, deplora mesmo
É o que ela sente por vós no seu imo,
Mas sabe que seu filho vai regressar
Ao mundo que o viu feliz a chegar
Ela planta montante de alegria de dia
E colhe negrura logo quase tardia
De sua alma pendurada no terreiro
Onde jaz a minha felicidade, seu viveiro.
In "QUANDO NUNCA AMANHECE A GENTE PERECE"
Usa também luz branca de velas
Sofre tormentos pagando o fruto
E também dela se empossa o luto
Ela anda descalça nas colinas
A empregar no rosto as lágrimas
Que os olhos doridos despejam
Sem encontrar o que desejam
Ela tem também coração de nós
Ergue também a sua humilde voz
Quando a natureza lhe pede
E se for um amor último, ela cede
Ela é somente uma mulher
Que tudo possível sabe fazer
Doa vida, amor, e sua integridade
Dá tudo até a sua personalidade
Mesmo assim, mas mesmo assim
Ela tem sim, um grande futuro ruim
O passado das coisas determinou
Seu fim, que hoje alto a humilhou
É somente mãe que tem o filho
Agarrado nas algemas do pó
Enterrado em alma, e o trilho
Em que passava ficou só, só, só!
Ela hoje anda toda desgraçada
Velha no pensamento sequioso
Ouve apenas as vossas gargalhadas
E lastima segundo o vosso gozo
Assume ela de coração o escárnio
Que seu filho recebe dos ídolos
E assiste com seu coração singelo
A todo meu irrecuperável encómio
Mas não deixou de ser a mulher
Que para todos vós bem quer
Ela transpira amor e jorra carinho
Extraindo o mal do vosso caminho
Porque ela sente sentimentos
Que vossas mães sentiram no dia
Em que se fez em somente alegria
O vosso inopinado aparecimento
Mas ela hoje deplora, deplora mesmo
É o que ela sente por vós no seu imo,
Mas sabe que seu filho vai regressar
Ao mundo que o viu feliz a chegar
Ela planta montante de alegria de dia
E colhe negrura logo quase tardia
De sua alma pendurada no terreiro
Onde jaz a minha felicidade, seu viveiro.
In "QUANDO NUNCA AMANHECE A GENTE PERECE"
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NOSSOS MORTOS
Os mortos que matastes são nossos
Deiam-nos a nós, por favor moços!
Tragam-nos, embora apenas ossos
Não os façam viver mais alvoroços
Sob degolação de seus pescoços
Pois é a morte o último dos troços
Queremos enterrar nós os nossos mortos
Estaremos deles a espera nos aeroportos
Para recebê-los sãos com digna dignidade
Em vez de vós profanando nossos filhos
Sacrílegos e donos de toda crua maldade
Pois de vez vedastes seus futuros trilhos
Tragam os nossos mortos mortos agora
Emporcalharemos nós as mãos com terra
Bastou nos dizimarem nesta vossa guerra
E para nós está sim na derradeira hora
De para eles erguermos a digna sepultura
Segundo nosso costume, nossa cultura
Basta de prender sem fé vozes caladas
Seu silêncio não chia, nem mesmo na aurora
Porque por mais que sejam tanto guardadas
Suas almas perderam significado e honra
Rompestes vós de súbito seu vital império
E tragam seus corpos já não há mistério
Onde então pusestes os nossos mortos?
Atirados ao mar a partir dos vossos portos?
Incinerados corpos e profanadas suas almas?
Como nos pedem ter paz e bater pra vós palmas
Se o assassino foi legalmente amnistiado
Sem algum dia para nós se ter desculpado?
Nós temos mortos que a nós pertencem
E esses mortos só a nós mesmo interessam
E estes mortos em nós não nunca perecem
Pelos nossos mortos as lágrimas não cessam
Até que se cumpra o nosso mais desejo
Que tudo termina após o fúnebre cortejo
Nossos mortos não vos darão sono
Suas almas são agressivas como colono
Profetizo: credes, por nós jamais dormireis
Porque em cada noite pesadelos tereis
Até recebermos os nossos magnos mortos
Quer em dia ou noite, eles rectos ou tortos
Estamos a espera fiéis e resistentemente
Para gritar-vos sem parar diariamente
Até vós nos cederdes as suas ossadas
Pois que as carnes já andam todas devoradas
Pela vossa maldade, vossa crueldade e teimosia
De quem com eles nada guardando-os fazia
Enviem os nossos mortos agora por favor
Não preguem unidade sob a nossa infinda dor
E nem nos apraz saber onde vive a reconciliação
Com nossos mortos postos ainda em prisão
Sem pequena gota de humana sensibilidade
Quando algures exortais tolerãncia na maldade
Nunca tocamos os mortos vossos
Mas vós privastes-nos dos nossos
Será tanta a vossa maldade
Que supera a vossa vácua idade?
Todos aguardamos os nosso mortos de vós
E após recebermos calaremos a nossa voz
Entreguem-nos os nossos mortos!
In "Silêncio Forjado"
Deiam-nos a nós, por favor moços!
Tragam-nos, embora apenas ossos
Não os façam viver mais alvoroços
Sob degolação de seus pescoços
Pois é a morte o último dos troços
Queremos enterrar nós os nossos mortos
Estaremos deles a espera nos aeroportos
Para recebê-los sãos com digna dignidade
Em vez de vós profanando nossos filhos
Sacrílegos e donos de toda crua maldade
Pois de vez vedastes seus futuros trilhos
Tragam os nossos mortos mortos agora
Emporcalharemos nós as mãos com terra
Bastou nos dizimarem nesta vossa guerra
E para nós está sim na derradeira hora
De para eles erguermos a digna sepultura
Segundo nosso costume, nossa cultura
Basta de prender sem fé vozes caladas
Seu silêncio não chia, nem mesmo na aurora
Porque por mais que sejam tanto guardadas
Suas almas perderam significado e honra
Rompestes vós de súbito seu vital império
E tragam seus corpos já não há mistério
Onde então pusestes os nossos mortos?
Atirados ao mar a partir dos vossos portos?
Incinerados corpos e profanadas suas almas?
Como nos pedem ter paz e bater pra vós palmas
Se o assassino foi legalmente amnistiado
Sem algum dia para nós se ter desculpado?
Nós temos mortos que a nós pertencem
E esses mortos só a nós mesmo interessam
E estes mortos em nós não nunca perecem
Pelos nossos mortos as lágrimas não cessam
Até que se cumpra o nosso mais desejo
Que tudo termina após o fúnebre cortejo
Nossos mortos não vos darão sono
Suas almas são agressivas como colono
Profetizo: credes, por nós jamais dormireis
Porque em cada noite pesadelos tereis
Até recebermos os nossos magnos mortos
Quer em dia ou noite, eles rectos ou tortos
Estamos a espera fiéis e resistentemente
Para gritar-vos sem parar diariamente
Até vós nos cederdes as suas ossadas
Pois que as carnes já andam todas devoradas
Pela vossa maldade, vossa crueldade e teimosia
De quem com eles nada guardando-os fazia
Enviem os nossos mortos agora por favor
Não preguem unidade sob a nossa infinda dor
E nem nos apraz saber onde vive a reconciliação
Com nossos mortos postos ainda em prisão
Sem pequena gota de humana sensibilidade
Quando algures exortais tolerãncia na maldade
Nunca tocamos os mortos vossos
Mas vós privastes-nos dos nossos
Será tanta a vossa maldade
Que supera a vossa vácua idade?
Todos aguardamos os nosso mortos de vós
E após recebermos calaremos a nossa voz
Entreguem-nos os nossos mortos!
In "Silêncio Forjado"
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FOI AQUI
Foi aqui onde vi o abraço da paz
Erguido no orbe do povo que jaz
Na orquestra da sua alma serena
Aqui nasceu o abraço humano sagaz
Que desabrochou a saudade amena
Nesta cidade nada grande, pequena
Foi aqui que revimos o olhar antigo
Desde aquela nossa luta de libertação
Aqui é onde cada um se fez novo amigo
Nasceu de novo aquele abraço e canção
Que nos livrou de todo mortal perigo
Que acabara por dizimar a nossa nação
Foi aqui que a paz ergueu sua antena
Foi aqui sim, aqui mesmo no Luena
In "SONETOS 100 MORADIA"
Erguido no orbe do povo que jaz
Na orquestra da sua alma serena
Aqui nasceu o abraço humano sagaz
Que desabrochou a saudade amena
Nesta cidade nada grande, pequena
Foi aqui que revimos o olhar antigo
Desde aquela nossa luta de libertação
Aqui é onde cada um se fez novo amigo
Nasceu de novo aquele abraço e canção
Que nos livrou de todo mortal perigo
Que acabara por dizimar a nossa nação
Foi aqui que a paz ergueu sua antena
Foi aqui sim, aqui mesmo no Luena
In "SONETOS 100 MORADIA"
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Andorinha Voadora
Tu voas, e comigo ficam as paixões
De torcer para loge também viajar
São tantas as minhas intenções
Sem as de estar no cimo faltar
Eis que também quero voar
Na vida, na tenacidade do bastão
E seja onde eu me encontrar
Passa-me um voo fundo no coração
Tu és a andorinha voadora
Que do norte traz os ventos
Que do sul acarreta a aurora
Soprando com asas os meus sentimentos
Traga também a esperança, andorinha
Não voe apenas apenas sozinha
Lembre-se que mesmo não eu tendo asa
Te hospedarei no regresso em minha casa
Andorinha Voadora
Traga a esperança consigo
Dos meus filhos agora
Não se esqueça de mim seu amigo
Voe tão alto por assim saberes
Mas saiba tu que esses poderes
Só eu os valorizo enquanto na terra
Fico cantando olhando crescer a serra
Eia andorinha!
Voe, mas em seu coração
Não se sinta sozinha.
Ainda teremos nova estação.
De torcer para loge também viajar
São tantas as minhas intenções
Sem as de estar no cimo faltar
Eis que também quero voar
Na vida, na tenacidade do bastão
E seja onde eu me encontrar
Passa-me um voo fundo no coração
Tu és a andorinha voadora
Que do norte traz os ventos
Que do sul acarreta a aurora
Soprando com asas os meus sentimentos
Traga também a esperança, andorinha
Não voe apenas apenas sozinha
Lembre-se que mesmo não eu tendo asa
Te hospedarei no regresso em minha casa
Andorinha Voadora
Traga a esperança consigo
Dos meus filhos agora
Não se esqueça de mim seu amigo
Voe tão alto por assim saberes
Mas saiba tu que esses poderes
Só eu os valorizo enquanto na terra
Fico cantando olhando crescer a serra
Eia andorinha!
Voe, mas em seu coração
Não se sinta sozinha.
Ainda teremos nova estação.
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