NOSSOS MORTOS
sakutchatcha
Os mortos que matastes são nossos
Deiam-nos a nós, por favor moços!
Tragam-nos, embora apenas ossos
Não os façam viver mais alvoroços
Sob degolação de seus pescoços
Pois é a morte o último dos troços
Queremos enterrar nós os nossos mortos
Estaremos deles a espera nos aeroportos
Para recebê-los sãos com digna dignidade
Em vez de vós profanando nossos filhos
Sacrílegos e donos de toda crua maldade
Pois de vez vedastes seus futuros trilhos
Tragam os nossos mortos mortos agora
Emporcalharemos nós as mãos com terra
Bastou nos dizimarem nesta vossa guerra
E para nós está sim na derradeira hora
De para eles erguermos a digna sepultura
Segundo nosso costume, nossa cultura
Basta de prender sem fé vozes caladas
Seu silêncio não chia, nem mesmo na aurora
Porque por mais que sejam tanto guardadas
Suas almas perderam significado e honra
Rompestes vós de súbito seu vital império
E tragam seus corpos já não há mistério
Onde então pusestes os nossos mortos?
Atirados ao mar a partir dos vossos portos?
Incinerados corpos e profanadas suas almas?
Como nos pedem ter paz e bater pra vós palmas
Se o assassino foi legalmente amnistiado
Sem algum dia para nós se ter desculpado?
Nós temos mortos que a nós pertencem
E esses mortos só a nós mesmo interessam
E estes mortos em nós não nunca perecem
Pelos nossos mortos as lágrimas não cessam
Até que se cumpra o nosso mais desejo
Que tudo termina após o fúnebre cortejo
Nossos mortos não vos darão sono
Suas almas são agressivas como colono
Profetizo: credes, por nós jamais dormireis
Porque em cada noite pesadelos tereis
Até recebermos os nossos magnos mortos
Quer em dia ou noite, eles rectos ou tortos
Estamos a espera fiéis e resistentemente
Para gritar-vos sem parar diariamente
Até vós nos cederdes as suas ossadas
Pois que as carnes já andam todas devoradas
Pela vossa maldade, vossa crueldade e teimosia
De quem com eles nada guardando-os fazia
Enviem os nossos mortos agora por favor
Não preguem unidade sob a nossa infinda dor
E nem nos apraz saber onde vive a reconciliação
Com nossos mortos postos ainda em prisão
Sem pequena gota de humana sensibilidade
Quando algures exortais tolerãncia na maldade
Nunca tocamos os mortos vossos
Mas vós privastes-nos dos nossos
Será tanta a vossa maldade
Que supera a vossa vácua idade?
Todos aguardamos os nosso mortos de vós
E após recebermos calaremos a nossa voz
Entreguem-nos os nossos mortos!
In "Silêncio Forjado"
Deiam-nos a nós, por favor moços!
Tragam-nos, embora apenas ossos
Não os façam viver mais alvoroços
Sob degolação de seus pescoços
Pois é a morte o último dos troços
Queremos enterrar nós os nossos mortos
Estaremos deles a espera nos aeroportos
Para recebê-los sãos com digna dignidade
Em vez de vós profanando nossos filhos
Sacrílegos e donos de toda crua maldade
Pois de vez vedastes seus futuros trilhos
Tragam os nossos mortos mortos agora
Emporcalharemos nós as mãos com terra
Bastou nos dizimarem nesta vossa guerra
E para nós está sim na derradeira hora
De para eles erguermos a digna sepultura
Segundo nosso costume, nossa cultura
Basta de prender sem fé vozes caladas
Seu silêncio não chia, nem mesmo na aurora
Porque por mais que sejam tanto guardadas
Suas almas perderam significado e honra
Rompestes vós de súbito seu vital império
E tragam seus corpos já não há mistério
Onde então pusestes os nossos mortos?
Atirados ao mar a partir dos vossos portos?
Incinerados corpos e profanadas suas almas?
Como nos pedem ter paz e bater pra vós palmas
Se o assassino foi legalmente amnistiado
Sem algum dia para nós se ter desculpado?
Nós temos mortos que a nós pertencem
E esses mortos só a nós mesmo interessam
E estes mortos em nós não nunca perecem
Pelos nossos mortos as lágrimas não cessam
Até que se cumpra o nosso mais desejo
Que tudo termina após o fúnebre cortejo
Nossos mortos não vos darão sono
Suas almas são agressivas como colono
Profetizo: credes, por nós jamais dormireis
Porque em cada noite pesadelos tereis
Até recebermos os nossos magnos mortos
Quer em dia ou noite, eles rectos ou tortos
Estamos a espera fiéis e resistentemente
Para gritar-vos sem parar diariamente
Até vós nos cederdes as suas ossadas
Pois que as carnes já andam todas devoradas
Pela vossa maldade, vossa crueldade e teimosia
De quem com eles nada guardando-os fazia
Enviem os nossos mortos agora por favor
Não preguem unidade sob a nossa infinda dor
E nem nos apraz saber onde vive a reconciliação
Com nossos mortos postos ainda em prisão
Sem pequena gota de humana sensibilidade
Quando algures exortais tolerãncia na maldade
Nunca tocamos os mortos vossos
Mas vós privastes-nos dos nossos
Será tanta a vossa maldade
Que supera a vossa vácua idade?
Todos aguardamos os nosso mortos de vós
E após recebermos calaremos a nossa voz
Entreguem-nos os nossos mortos!
In "Silêncio Forjado"
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