Escritas

TODOS SABEM DELA

sakutchatcha
Ela tem somente seios delas
Usa também luz branca de velas
Sofre tormentos pagando o fruto
E também dela se empossa o luto

Ela anda descalça nas colinas
A empregar no rosto as lágrimas
Que os olhos doridos despejam
Sem encontrar o que desejam

Ela tem também coração de nós
Ergue também a sua humilde voz
Quando a natureza lhe pede
E se for um amor último, ela cede

Ela é somente uma mulher
Que tudo possível sabe fazer
Doa vida, amor, e sua integridade
Dá tudo até a sua personalidade

Mesmo assim, mas mesmo assim
Ela tem sim, um grande futuro ruim
O passado das coisas determinou
Seu fim, que hoje alto a humilhou

É somente mãe que tem o filho
Agarrado nas algemas do pó
Enterrado em alma, e o trilho
Em que passava ficou só, só, só!

Ela hoje anda toda desgraçada
Velha no pensamento sequioso
Ouve apenas as vossas gargalhadas
E lastima segundo o vosso gozo

Assume ela de coração o escárnio
Que seu filho recebe dos ídolos
E assiste com seu coração singelo
A todo meu irrecuperável encómio

Mas não deixou de ser a mulher
Que para todos vós bem quer
Ela transpira amor e jorra carinho
Extraindo o mal do vosso caminho

Porque ela sente sentimentos
Que vossas mães sentiram no dia
Em que se fez em somente alegria
O vosso inopinado aparecimento

Mas ela hoje deplora, deplora mesmo
É o que ela sente por vós no seu imo,
Mas sabe que seu filho vai regressar
Ao mundo que o viu feliz a chegar

Ela planta montante de alegria de dia
E colhe negrura logo quase tardia
De sua alma pendurada no terreiro
Onde jaz a minha felicidade, seu viveiro.

In "QUANDO NUNCA AMANHECE A GENTE PERECE"